A última máscara

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Dentro da imbecilidade de se eleger uma obra favorita num corpo autoral de génio, nesta ocasião de fecho escolho Persona como o mais representativo, e estético, dos seus ensaios sobre a identidade.

30 thoughts on “A última máscara”

  1. OK. Andaste a lesbar e nós agora é que pagamos. Canºt we just have a little bit more of originality to start another inevitably boring aspirinic week?

  2. oh! Valupi há que anos não pensava neste filme. Vi tanto Bergman a dada altura que o sueco era a única esquisita lá de cima que conseguia identificar na perfeição nos areais do algarve, quando os suecos – e as suecas – faziam as delícias da piadética nacional

  3. Curioso, ia jurar que nos filmes do Ingmar não se falava sueco, mas sim Bergman. Como se o sueco fosse a língua privada do mestre, língua essa inseparável, na sua estranheza inóspita, das imagens e sombras que ele fabricava para deslumbre dos nossos olhos. Uma verdadeira banda sonora colada à pele das imagens e aos nossos ouvidos. Mas talvez apenas tenha pensado isso porque pouco frequentei as praias algarvias. ; )

  4. primeiro, as senhoras:
    Ana Cristina, esse seu argumento é tão válido como os que se seguem: quem nunca andou num Volvo ou comeu tostas de centeio Wasa não pode entender Bergman. Ou seja, não tem qualquer validade intelectual. E parece-me ofensivo, não para mim, mas para o próprio Bergman. Se ele nunca tiver visitado as praias algarvias ( e agora já não lho poderemos perguntar : (, será caso para dizer que nem o próprio cineasta poderia entender ou explicar a sua magnífica obra? Ou teria de lhe pedir ajuda a si, entre dois banhos nas águas mornas e um gelado Olá?. Outra consequência do seu argumento inconsequente seria imaginar que os banheiros e nadadores-salvadores de Monte Gordo, Albufeira, Vilamoura, Praia da Rocha ou Praia Verde, tal como as vendedoras de língua da sogra e batatas fritas Titi seriam alguns dos maiores especialistas mundiais da obra do mestre sueco. E nesse caso, o Bénard que os convoque como convidados para o ciclo retrospectivo, Na qualidade de comum mortal que não entende Bergman, peço-lhe que, respondendo ao pedido de Valupi, nos revele o que ficou em si do Persona. Tire a máscara, aqui ou na sua pastelaria que tanto frequento, Isso parece-me o essencial e não atirar-me areia para os olhos, mesmo que seja areia do Algarve. : P

    Valupi
    Eu diria que são as praias do Algarve que têm algo contra a minha humilde pessoa, mas essa não é a verdade toda. O fenómeno é extensível a praias do Norte do país e até mesmo a ilhas paradisíacas. Reformularia a questão dizendo que o sol não gosta da minha pele branca. Assim sendo, não tenho nada contra o astro-rei, mas confesso que prefiro a minha irmã lua.

  5. Mao, fiquei curioso, e sei que me vais dar uma boa resposta: como se pode ser, na arte, “demasiado pessoal”?
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    Prontuário, podemos então assumir que és lunático? Um lunático humilde e de pele branca? E gordo, se me permites, dada a tua frequente frequência da acima adocicada pastelaria?
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    Primo, tratas-me muito bem, e eu não mereço (mas aproveito). Não queres oferecer um morango aos pacóvios e explicar um bocadinho a tua simplificada preferência?

  6. Leonarda,
    Manda mais latidos. A propósito, sabes latir em sueco? Seja qual for a resposta, prometo continuar a frequentar a tua encantadora pastelaria. E para que me reconheças, levarei debaixo do braço direito a autobiografia de Bergman, Laterna Mágica.

    Valupi,
    Não percas nem mais um segundo a divagar sobre a minha condição física. Considero-me um sortudo, com os 77 quilos bem espalhados pelo meu quase 1,80m. O segredo de tão boa forma está numa dieta alimentar sueca à base de morangos silvestres e ovos de serpente complementada com água da fonte da Virgem.

  7. “quando era mais nova, gostei muito de O Ovo da Serpente”

    Agora, que é mais velha, nem se lembra do que gosta

  8. Chiça, meninas, que o Valupi não perde tempo nem espera pelo próximo intermênstruo para passar o certificado de saúde mental com luar ao Prontuário. Eu não tenho nada com isso, e longe de mim a intenção de reduzir a tensão atmosférica que essa reacção dele veio criar, mas ficarei a moer-me se não disser que apreciei muito o estilo delico-doce com que o Prontuário mandou a Ana ir dar uma curva ao outro lado do Guadiana, que não fica assim tão longe de Monte Gordo, para se inteirar da opinião da espanholada sobre a ameijoa de faro e olhão e outras batatinhas fritas federalistas. Se ele a tivesse mandado ir lavar as cuecas, não teria sido muito pior?

    Agora o “Bergmanismo by Bergman” sem ajudas de mais ninguém (o homem até dava à manivela) é, de facto, loiça diferente do resto das loiças muito badaladas da sétima arte. Ui, ui, minha mãe, lá isso é. É, sem dúvida, a arte difícil dum homem que em menino era fechado como castigo num armário escuro pelo seu pai, padre luterano de muito gabarito, e aproveitou essa oscuridade para revelar o primeiro filme dos seus grandes e ambiciosos planos cinematógrafos,isto é: os planos do monstrinho que sempre viveu dentro de si sem pagar renda, a chatear-lhe os cornos e a pedir-lhe que não se metesse em políticas. Anos depois dessas cenas de armário, juntou-se, como é óbvio, ao resto dos ilustres do seu tempo, os trufôs, felinis, antonionios, bunueis e outra tropa calvinista, maçonária e luteranista judaica de causar sono na plateia, mas de quem, aliás, nunca disse muito bem, não fosse o doido e imoral do Woody americano mudar a adoração que sempre teve por ele.
    Enfim, na sua vida normal, que incluía defecar e limpar o cu como toda a gente faz no resto do mundo ocidental, quer em países neutros ou integrados na Nato, Bergman olhava para dentro da sua belly-box todos os dias, e há vinte e tantos anos teve até a pouca vergonha e audácia de confessar que o “Dallas” e o JR o mesmerizavam. Não perdeu um único episódio, excepto quando baixava ao hospital com doenças imaginárias. Supôe-se que deveria ser o cheiro da comida de rancho. Foi só mais tarde que se desiludiu disso e passou a gostar dos filmes do Spielberg como qualquer animal menos sofisticado ou menos doido.

    Uma sua opinião muito mais normal e racional, que é mensagem grave, sem penduricos de mestre cheio de complexos artísticos comercializáveis, ou pelo menos mais actualizada e directa que a do Sétimo Selo: este mundo está numa merda e vai acabar triste. Devo dizer que nesse aspecto das profecias bombásticas sou tão artista como o Bdergman e nunca precisei de subsídios do Instituto do Cinema. Só por isso, aplausos para Mestre Ernesto e que a sua alma descanse em paz na companhia dos muitos fãs que o esperavam nos assentos reservados à secção etérea da social democracia sueca.

  9. Com as excepções próprias do milagre, isto é um lugar de encontro de diletantes decadentes, onde nada acontece, além de exibições inúteis. Um dia morrem todos de AVC, de consciência sossegada.

  10. Amigo Valupi,

    Digo demasiado pessoal, digo intimista ou psicológico. É óbvio que a obra de um autor só pode, e deve, ser pessoal, muito pessoal, mas, em alguns casos, o universo de Bergman é demasiado circunscrito e teatral, digo mesmo obsessivo.

    Pessoalmente, entendo o cinema muito longe do teatro. São linguagens que quero muito diferentes, e não me excito sequer com a sua metamorfose.

  11. Atão e o Sétimo Selo, pás?

    Fica a minha homenagem ao Bergman também. Lembro-me quando vi Persona, tinha aí 16 ou 17 anos, era no Estudio, a única sala de cinema pequena e plana que havia então em Lisboa, encastrada no gigantesco Império. Não percebi pêva mas gostei, fiquei de revêr um dia, seja agora. A Bibi A. e a Liv U. estão tão novinhas…

  12. Pronto, Prontuário. Se és assim tão bem composto de carnes (mas magrote, não?), podes continuar a alambazar-te na pastelaria.
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    Sertorius, estás em grande forma (como sempre, diria). Vou arrepiar caminho e, das muitas, ir direito a uma singela questão que deixas à mostra no teu texto. Afirmas-te cordato com a ideia de estar este mundo uma merda, e ir a caminho de coisa pior. Ora, explica lá: quando é que este mundo não esteve uma merda? quando é que este mundo não esteve a caminho de um final triste? Estou, como alguns dizem e tanto me irrita, curiosíssimo.
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    Caro Mao, muito obrigado. Sabia que tinhas uma boa resposta.
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    z, o Sétimo Selo?!… Ó pá, que desgraça de filme… Mais vale um qualquer Steven Seagel…

  13. Antonioni, minha magana italiana,

    É assim, por aqui: quando não morremos por mó da decadência, morremos com pneumonias. Tu, como és melhor de goela e mais fraca de peito, morres de BRONCO-pneumonia.

  14. É triste sim, e nem é dos meus preferidos, esses que outros já listaram acima. Mas foi quase um marco geracional e merecia ser referido, não fora o Sertorius já o ter feito sem eu reparar. Mas quanto à tristeza e intimismo é preciso não esquecer que eles lá têm muito pouco sol, e por isso desforram-se nas saunas e no alcóol: sol engarrafado.

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