Coño

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A pessoa que escreveu um dos livros que mais me faz amar Portugal, os portugueses e a Língua — LEVANTADO DO CHÃO — é a mesma que despreza a nossa História, a nossa Alma, a nossa Liberdade. É desconcertante. E vexante.

Semanas atrás, um espanhol de 30 anos veio a Lisboa. Namora com uma portuguesa em Barcelona. Trabalha em comunicação, representando o que será um típico jovem adulto catalão, versão sofisticada e moderna. Pois bem (e sem surpresa), é ódio o que ele mostra ter por Madrid. Ouvindo-o, fica-se convencido que Espanha se vai desagregar dentro de minutos, talvez segundos. Mas mais, e bem mais importante: é possível adivinhar uma funda, embora calada, inveja da nossa independência. O mesmo sentem os galegos e os bascos, pelo menos, fazendo de Portugal a excepção ibérica que espanta as províncias subjugadas. É esse carácter excepcional da nossa identidade que Saramago quer anular. O que não admira, vindo de um cultor do internacional-socialismo, essoutra jangada que afogou tantos na tentativa de os reduzir a uma pasta informe e desvitalizada.

36 thoughts on “Coño”

  1. Eu por acaso adoro madrid, embora barcelona seja, indiscutivelmente, mais bonita. Mas a malta de barcelona consegue, por vezes, ser tão francesa…
    PS – Por acaso, ontem ou anteontem pus um post na Pastelaria chamado Viva Madrid! mas não foi nada combinado, até nem sou grande fã do senhor

  2. foi essa mesma a minha experiência, quando em barcelona. um ódio dos locais pelos «castelhanos», uma tremenda admiração pelos portugueses, «os únicos que se libertaram do jugo»…

  3. Saramago é assim mesmo: pode ser muito bom escritor, mas de política não manda nem uma p’ra caixa. É um exemplo perfeito da ridicula autocomiseração nacional e de alguém que sofre de um ódio profundo pela sua própria nacionalidade.

    Alguém lhe dê um Prozac ou qualquer coisa do género para acalmar a esquizofrenia de Saramago.

  4. Oh Valupi, não digas asneiras. Ele acaso escreveu em castelhano? O nosso Saramago é bem português, só que se dá bem com os vizinhos, o que não é grande apanágio dos tugas. E eu também me dou bem com eles, apesar de nos quererem colonizar. Portugal será sempre Portugal! Ou faço ressuscitar já uma D.Brites, padeira de Aljubarrota para lhes partir as costelas em boa lusa de gema.

  5. Valupi,

    Eu ainda estou na fase de negação. Não é verdade! Não pode ser verdade!

    Entretanto vou lendo o original, aqui.

    Com o Senhor de Lanzarote, todavia, posso eu. Mais assombrado fico com algumas reacções chiques, hoje também no DN.

    Salva-se o antigo Ministro, com palavras que acho memoráveis. E tu. «É desconcertante. É vexante». Nem mais. Nem menos.

  6. Concordo com o”helicoptero” (ai’ esta’ uma frase que nunca pensei escrever…). O Saramago e’ como um adolescente desesperado por atencao e querendo chocar a todo o custo. Lembram-se do que disse acerca do 25 de Abril ou na visita a Israel? Enfim…
    Mas nao e’ necessario odiar a Espanha para gostar de Portugal. Eu pessoalmente nao tenho nada contra os filhos da mae dos espanhois!

  7. Vale a pena – vale sempre a pena – ler o Heliocoptero. (Repare, Dom Miguel, no nome do senhor). Como ele lembra, simplesmente NÃO É VERDADE que galegos, bascos a catalães vivam «felizes» em Espanha. Pelo menos no seu formato actual.

    De resto, seja qual for o formato do Estado vizinho, o melhor sítio é fora.

  8. Gostei da “pasta informe e desvitalizada”: sempre foi essa a impressão que o comunismo soviético me deixou.

  9. Miguel,

    Atenção que os “filhos da mãe dos espanhóis” são muita gente diferente. Há galegos, que são historica e linguisticamente irmãos dos portugueses, há os bascos com uma língua única e um sentido de autonomia que já remonta ao período romano e depois há os catalães, aos quais nós devemos a nossa independência. Não se esqueça que se a nossa revolta de 1640 resultou foi porque Espanha estava ocupada por uma revolta idêntica na Catalunha, a qual foi um reino tão ou mais antigo que Portugal.

    Não é por nada que ainda hoje há muitos catalães que olham com admiração para os portugueses: nós temos a soberania que eles quiseram e ainda querem ter.

  10. Heliocoptero,
    As minhas sinceras desculpas pela confusao no nome!
    Vivo neste momento no Reino Unido. A questao da independencia da Escocia e’ periodicamnete levantada, mas todos os escoceses temem um possivel desatre economico com uma eventual separacao. Acredito que no fundo os “outros” espanhois sintam algo parecido.
    E uma discordancia em relacao ‘a Galiza. Linguisticamente somos irmaos sem duvida, mas desde quando historicamente irmaos? A Galiza sempre fez parte de um dos reinos que fundou o nucleo de espanha.

  11. Permitam-me destoar da presente atmosfera nacionalista. Eu, quando passo a fronteira sinto-me logo high. Basta-me ir a Ayamonte e ouvi-los rir e falar alto. Quanto ao Saramago: terá dado em imperialista attardé?

  12. Aleph,

    Calma, meu. As vozes de «morra espanha» são aqui muito minoritárias. E muito sucintas, e muito parvas. Você está aqui, sobretudo, entre gente inteligente. Que sabe distinguir.

    E não se deixe toldar pela ilustração que o Valupi escolheu – provocatória, mas não mais que isso. Ele é o primeiro a dizer que há Madrid e Madrid.

    Calma, pois. Pode amar-se a Espanha (é o meu caso), e estar disposto a lutar fisicamente pela nossa independência (o meu caso também). Claro, para perceber isto é preciso ser inteligente. Mas isso chega.

  13. Tu amas a Espanha e ele ama Portugal. Ainda gostaria de saber qual o comprimento das vossas pilas quando esses amores têm de ser provados(em centímetros ou em percentagem de crescimento). O panilas do Helicopter, sempre bem disposto, pode ajudar-te na resposta (e a esclarecer sobre a conação do patriotismo que vos abre rachas nos peitos).

  14. Pierrot,

    Pode ser-se um nacionalista português e ter uma admiração desmedida (que pode confundir-se com o amor) pelo estado vizinho. Quando tu perceberes isto, diz, que eu bebo à tua saúde.

    Quanto às pilas, está descansado. De resto, sabe-se quanto uma obsessão por elas é relevadora. Tudo bem, mesmo bem. Só reveladora.

  15. A Ibéria ou Hispânia é a nossa velha casa comum. Agora há uma muito maior, chamada UE, que está há mais de 20 anos a destruir irremediavelmente o nacionalismo, autarcismo e isolacionismo lusos. O nacionalismo é bafiento e doentio. Catalães e bascos são doentes, o nacionalismo deles mete nojo. Visitei recentemente o Museu de Antropologia da Catalunha e não é que os gajos retiraram todas as legendas em castelhano? Só podes ler se souberes catalão. Puta que os pariu.

    A questão da independência está a perder significado e peso todos os dias. A Espanha já está fortemente implantada economicamente em Portugal e Portugal nela. A única coisa que nos afasta persistentemente da Confederação Hispânica é a monarquia espanhola. Como pensa Saramago fazer uma fusão entre uma República (com um século de existência em breve) e uma monarquia? Os portugueses nunca aceitarão um rei, muito menos espanhol.

  16. a gente sabe falar as línguas deles e els não sabem falar português; mesmo que aprendam alguma coisinha, o que só lhes fará bem, e a gente deixa, ficam todos baratinados quando brincamos

    a gente é que os c*me

    agora rei não quero, gosto de botar lá o boto

  17. Nikita,

    Grandes catalães! O castelhano já é tão dominante em importantes sectores da vida pública da Catalunha que é inteiramente legítimo isso das legendas em catalão no Museu.

    De resto, o catalão lê-o qualquer espanhol com facilidade. E onde não perceber, aprenda. Ainda lhe desenvolve o intelecto, tás a ver?

    E a Constituição do Reino chama ao catalão, ao basco e ao galego «lenguas españolas», não chama? Pois aguentem. Quem anexa reinos inteiros não venha depois com queixas.

    Te enteras, Nikitita?

  18. Fernando,

    Aponto no meu caderno o teu patriotismo,o teu Português, a Lingua, mas sê sincero ou ganha coragem para me dizeres se haverá alguma coerência entre esses cantados amores e dedicações e os abraços às ideias importadas de paneleirismos modernos que denotam o quanto dependes de esboços sociológicos e culturais impostos de fora.

    Falar na pila não releva nem revela. Estarás a querer convencer-me que os anti-salazaristas, afinal, gostavam de Salazar porque andavam sempre com “fascismo” na boca. Por favor, revolta-te contra esses vícios de discurso, esses
    clichés. Embaratecem-te, acredita.

  19. “Alunos a estudar espanhol já são mais de 17 mil.” “O número de matriculados triplicou em três anos.” Público, 16 de Julho de 2007.

    Felizmente, a construção da Ibéria não pára.

  20. “La enseñanza del portugués supera ya al francés en Extremadura”
    “Unas 9000 personas estudian la lengua de Camões y el sector privado quiere más”, La gaceta del viernes, 20 de Octubre de 2006.

    Não pára. Nem de um lado nem do outro.

  21. Miguel,

    Os galegos são historicamente irmãos dos portugueses por o Condado Portucalense ter, em determinado periodo da História, sido parte de um reino da Galiza. Basta lembrar que quando em 1071 o conde Nuno Mendes tentou aquilo que Afonso Henriques faria mais tarde, ele teve que lutar contra o rei Garcia II da Galiza. A proximidade ou mesmo união política entre galegos e portucalenses é, no fundo, um prolongamento natural da já então existente unidade linguistica.

    Já quanto ao argumento do Aleph em achar que o ensino das línguas dos dois lados da fronteira é sinónimo de construção ibérica, se fosse por isso há muito que a união se tinha concretizado: desde a Idade Média que o castelhano e o português são cultivados em ambos os países. Ou não tivesse Afonso X escrito cantigas em galego-português à imagem e semelhança do que fez o nosso El-Rei D. Dinis.

  22. Os museus de Barcelona não são só para os locais. A grande maioria dos visitantes são estrangeiros, pelo menos no verão. Quem sabe castelhano, por vezes entende muito mal o catalão. A questão que foquei era a de as legendas e os textos de apoio serem unicamente na língua local. O que, no caso da língua catalã, numa terra perfeitamente bilingue, é simplesmente estúpido. Antigamente tinha as duas línguas, mas passaram-se dos carretos. Nacionalismo é doença. Eu sou meio galego meio transmontano, hispânico e europeu. Também sou português, quando não tenho outro remédio.

  23. Pierrot,

    E tu a dar-lhe, com as pilas e os «paneleirismos modernos». Que é que o cu tem a ver com as calças? Que é que isso tem a ver com a nossa conversa, que era a do amor da Pátria? Nem o Dr. Freud. Arre!

    Se aludi ao que me pareceu uma tua obsessão pelos preciosos apêndices, foi por arrastamento. E por alguma acumulação. Não é a primeira vez que (sempre sob cauteloso pseudónimo) trazem aqui pilas à baila.

    Não pelas pilas, mas pela falta de graça.

  24. Como o Fernando já explicou, o grito de “morte à Espanha” só para os imbecis equivale a “morte aos espanhóis”. Claro que os imbecis têm direito à vida, e à livre expressão. É até para garantir essas peculiares liberdades, as dos nossos imbecis lusitanos, que faz sentido desejar a morte da Espanha.

    Porém, que morte é essa? É, tão-somente, o fim do artifício político que anula a identidade. No caso de Portugal, a identidade remete para um corpo simbólico em nada subsidiário de Castela. A caricatural postura das costas voltadas, entre os dois países ibéricos, tem um lado tacanho, pois sim, mas tem outro lado que é alto destino. O Brasil, por exemplo, não teria sido inventado por Espanha, e a América do Sul (a civilização!) teria ficado mais pobre, mais uniforme, mais mexicana.

    No tempo que vivemos, temos todas as vantagens em invadir Espanha. Aprender espanhol é bom, e facílimo para o português. Nós damos baile em cosmopolitismo linguístico aos nuestros hermanos, que nisso são uns bimbos. Difícil é para um castelhano aprender uma língua qualquer diferente daquela com que berra ao falar. A nova geração de portugueses é a primeira de uma, finalmente, remediada classe média. Esta gente não irá a salto para Paris, servir de pedreiro e porteira. Veremos muitos a ter negócios prósperos em Espanha e no espaço ibérico, ou a estudarem e investigarem do lado de lá da fronteira e trazendo conhecimento para Portugal. E, para eles, ser português – independente, distinto e garboso – será uma vantagem competitiva que trocará os olhinhos aos madrilenos.

  25. mi empresa va a contratar a un nuevo operario, y a mí me corresponde la responsabilidad de elegirlo, hoy me he entrevistado con dos candidatos, uno portugués, y otro rumano, con similares cualificaciones, en un principio por eso de la proximidad iba a contratar al portugués, después de leer los comentarios por aquí expuesto, me parece que voy a elegir al rumano, por lo menos nunca ví a un rumano odiarme por el hecho de yo ser español.

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