A estupidez ganhou mais uma batalha. Cristo aconselha a dar a outra face, e já o fiz aqui uma vez. Mas isso foi com o Jorge Carvalheira, homem de grande talento e que, no caso, tinha alguma razão. Todavia, a face que podemos dar, se a tanto nos chegue a tolerância, é a nossa mesma. A dos outros, devemos defendê-la o melhor de que formos capazes. E vocês escolheram o momento errado para o fazerem, ó acéfalos dos pseudónimos multiplicados. Porque, monstros do absurdo, atingistes uma família exemplar. E já aí vinha aparecendo o mote da menoridade mental das ilhas. Ilhas onde nunca se queimou uma rapariga por ter fama de bruxa, como na zona geográfica, e umas duas décadas antes, do conto que não passa de um capítulo truncado de um livro meu. E, enquanto socialistas e comunistas lutavam em Lisboa pela divisão do país entre si, aqui sofríamos juntos prejuízos graves na integridade física e risco real de vida, para que Portugal, ao menos no mapa, continuasse unido. Eu fui um dos principais alvos, e nunca virei a cara à luta. Mas essa era uma luta que valia a pena, embora, perante casos como o desta turba ululante que andou a morder-me, chegue quase a duvidar de que sim. Ser português com gente desta envergonha. Porque foi gente assim que fez dos liberais ditadores tão violentos como os partidários de D. Miguel, que espatifou o ideal republicano, que ofereceu a cadeira onde haveria de sentar-se o homem de Santa Comba.
Eu admiro há muito tempo o Fernando Venâncio, e há uns vinte anos sou amigo do José do Carmo Francisco, que também admiro. E depressa me tornei um entusiasta da escrita do Jorge Carvalheira e do Valupi, e das aparições da doce Susana. Mas não suporto o grau zero da inteligência afectiva da turba acéfala de comentadores. Por isso lhes deixo o meu desprezo. Sem um pingo de remorso nem uma gota de ódio. Porque o não merecem.
Ficai-vos na sombra de onde espreitais as vítimas que aleatoriamente escolheis. Sede felizes em assassinar moralmente quem vos apetecer. Já sabeis o meu nome, embora pouco saibais de mim. Não procureis conhecer muito mais, para vos sentirdes mais à vontade a continuar ferindo, se vos der na gana.
Tenho pena de que um blog tão bem concebido atraia tal multidão de porcos. Que hão-de continuar a abocanhar as pérolas frequentes que aqui aparecem. O problema é com os bons joalheiros que cá existem. Que continuem, se a tanto lhes bastar o ânimo. Por mim, a experiência foi já suficiente.
Não quis reagir a quente, mas afinal a lucidez foi-me perturbando cada vez mais. E pela última vez peço desculpa: àqueles cujos nomes referi, sobretudo ao Fernando Venâncio.
Para eles, o meu abraço e a minha disponibilidade total. Mas não aqui.
DANIEL DE SÁ