Uma inesperada lição que vem de Inglaterra

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De Inglaterra não tem vindo nada de positivo nos últimos tempos. Só médicos e monstros. Monstros e médicos. Arrogância e estupidez, jornalismo de sarjeta e mais estupidez. Nojo e repulsa. Maldade em estado puro; se é que isto se pode escrever.

Pois eu rejubilei ao ler um livro inglês de Clive Gifford, Football – the ultimate guide to the beautifull game, editado para Portugal pela Sistema J como O mais belo jogo do Mundo. É óbvio que fui logo ver o que é que lá estava sobre o futebol português. Gato escaldado de água fria tem medo.

Mas não há razões de queixa. Pelo contrário: o que está escrito está correcto e é uma lição para muitos jornalistas portugueses que se limitam a «repetir os erros dos anteriores» como o caso da paranóia das Ligas. Entre 1935 e 1938 disputaram-se torneiros particulares ao mesmo tempo que continuava a ser disputado o campeonato de Portugal que teve o seu início em 1921 e durou até 1938. Como o Benfica ganhou 3 desses torneios, muitos jornalistas começaram a considerar essas provas como campeonatos, fingindo esquecer que o campeonato de Portugal só acabou em 1938.

Pois este livro não está com meias medidas: explica com muita calma que «como ficavam muitos domingos livres disputaram-se também as Ligas durante 4 anos (1935/1938) vencendo o F.C. Porto uma e o Benfica três.» Mais à frente explica que o campeonato nacional começou em 1939 quando a Federação resolveu criar a Taça de Portugal com jogos a eliminar e o campeonato a disputar por pontos e em duas voltas.

Fingir que os torneios experimentais de 1935/1938 já eram campeonatos da série que começou apenas em 1939 só para gente ignorante. E veio um livro de Inglaterra pôr os pontos nos is.

José do Carmo Francisco

5 thoughts on “Uma inesperada lição que vem de Inglaterra”

  1. Zé do Carmo,

    Esta é pelo menos a sexta vez que aqui escreves sobre a Magna Questão das Ligas. Não ligas de senhora, o que ainda teria alguma graça, mas as ligas do futebol português dos excitantíssimos anos 30.

    Daqui a dez anos, ainda estarás a escrever no Aspirina. Isto significa que teremos de gramar, até lá, vinte e oito textos teus dedicados à Questão.

    Ora bem. Para nos poupares às próximas fascinantes disputas (de um só interlocutor, anote-se), agradecia que, de uma vez por todas, nos tornasses claro o sumo interesse que esta Questão (do meu ponto de vista, bizantiníssima, mas quem sou eu?) deva ter.

    É que eu (falo por mim) começo já a deitar ligas pela boca.

  2. A história é sempre escrita pelos vencedores. ESte livro vindo da velha Albion foi um bálsamo contra esse veneno. Ao mesmo tempo que era disputado o Campeonato de Portugal de 1921 a 1938 houve quatro torneios particulares e experimentais para um futuro campeonato nacional por pontos. Como o Benfica ganhou 3 desses 4 torneios começaram a fingir que nesses anos não houve Campeonato de Portugal. É só isso; é isso tudo.

  3. Já sei quem é que começou a fingir que o Benfica não tinha ganho os tais torneios. Foram os pérfidos conspiradores das trevas, os malignos sátrapas da imprensa e os biltres sportinguistas.

  4. Ah, Zé do Carmo. Que desconsolo!

    Afinal a coisa fica-se por essa deprimente, e eterna, e desinteressantíssima, disputa entre Sportinguistas e Benfiquistas. Já podias ter dito isso há mais tempo.

    Eu sei que, por código, já o comunicaras. Mas pensa nos leitores, como eu, para quem essa divisão do Universo nada, mas nadinha, significa.

    Pronto. E agora espero que estejas descansado. Este blogue é lido por centenas de pessoas. Elas espalharão a notícia.

  5. Meu Caro JCF
    Já resolvi esse problema há muito tempo. Bem como o da idade dos três “grandes”. Há quem festeje o aniversário na data em que foi concebido, ou naquela em que recebeu nome. Outros fazem-no com referência ao dia em que nasceram.
    Por isso digo que o meu clube não é o maior, não é o mais forte, é o melhor.

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