Um hino à vida

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No Correio da Horta de 26 de Outubro de 2006, li um “Agradecimento” que me emocionou muito. Vinha acompanhado da fotografia de um menino, chamado Guilherme, e referia duas datas: 10/08/2001 – 27/09/2006. Nada mais. Mal acabei a leitura, peguei numa folha de papel e numa esferográfica, e improvisei um breve poema.

Depois vim a saber que aquele menino era neto de Antero Gonçalves, um dos nomes míticos do desporto açoriano. Atleta de várias modalidades, foi no futebol que se tornou famoso. No Fayal Sport, o clube mais antigo dos Açores. Um Homem extraordinário. Enviei-lhe o poemazinho, e ele acabou por me pedir autorização para o gravar numa lápide em memória do neto. Aqui vos deixo o “agradecimento” como lição de vida, ou do sentido da vida, só possível em espíritos de eleição. E o poemeto.

“AGRADECIMENTO. Aos meus queridos avós, primos, padrinhos, tios e familiares. A todos os da minha orgulhosa Escola B1/J1 da Vista Alegre – coleguinhas, professores e auxiliares de educação. Aos meus companheiros de futebol e aos treinadores da Escolinha de Futebol do FSC. A todos os amigos dos meus pais que simpatizaram comigo. Aos médicos, enfermeiros e funcionários do Hospital da Horta que sempre foram muito carinhosos comigo sempre que precisei de lá ir. Aos meus grandes amigos médicos Drª. Isabel Gonçalves, Drª. Carla Veiga, Dr. Emanuel Linhares Furtado e restante equipa, enfermeiros, auxiliares de acção médica, professores da salinha de actividades e funcionários do Hospital Pediátrico de Coimbra, e por último a todos aqueles que me acompanharam na igreja Matriz da Horta numa maravilhosa celebração eucarística no dia em que cheguei ao meu querido Faial, o meu agradecimento por me terem permitido ser tão feliz durante os meus 5 anos de vida.”

UM HINO À VIDANem flor efémera, leve
Como um sorriso perdido.
Nem borboleta tão breve
Que num voo só alcança
O tempo de ter sido,
Num bater de asa que dança.
Nem um até amanhã,
Que amanhã é outro dia,
É dia de outros, mamã,
E com a mesma alegria.
Nem mil beijos ou abraços.
Nem mais passos… nem mais passos…
Nem flores de despedida,
Nem vozes contra o destino.
Só isto: mudei de vida
E serei sempre menino.

DANIEL DE SÁ

143 thoughts on “Um hino à vida”

  1. Antropológica e não só. A poesia é, tal como a oração, uma forma de ligar de novo aquilo que a morte separou. Ou o MUndo. Ou a memória.

  2. Gostei muito de conhecer esta história. Tudo o que ajude a dar sentido à morte, aliviando o absurdo, é belo e bom – e faz muita falta.

  3. Lamento, mas isto para mim é necrofilia e pornografia sentimentalista. Não é a nobreza dos gestos que está em causa, mas a natureza do post com a utilização de uma imagem da lápide de uma criança. É patético, no verdadeiro sentido etimológico da palavra. Este despudor sentimental provoca-me asco.

  4. Primo, estou confuso. A lápide é pública, os familiares decidiram expor nela a foto. Onde está o abuso, o obs-ceno?

    Para se contar esta história, o registo fotográfico aparece legítimo. Mesmo que se reaja ao ponto de vista – isso de ser o autor do poema a contar a sua versão do evento -, tal escrúpulo não vale mais do que o acontecimento relatado.

    Quanto a ser patético, pois sim. Pois sim. É isso que dá que falar, que escrever e que gravar.

  5. A morte é igualitária, mas há uma inevitável estética também na maneira como se vive, exterioriza ou consola a dor. Não vou sugerir que se comparem cemitérios portugueses com os de alguns países europeus, para não picar o bicho chauvinista que por aí anda à solta. Compreendo perfeitamente o ponto de vista do JPC, sobretudo quando fala de pornografia sentimentalista, no sentido, creio eu, de exibição despudorada. Dor e despudor não ligam.

  6. Meus amigos
    Transfiro tudo o que soe a elogio para a família extraordinária do Antero Gonçalves. Sem falsas nem assumidas modéstias. Mas confesso a minha perplexidade a respeito do comentário do JPC. O que mais me emocionou naquele “agradecimento” foi ter-se tratado de uma exaltação da vida, o agradecimento pelo dom de cinco anos que eu supus excelentes e que jamais se apagariam da memória de quem amou o pequeno Guilherme. Afinal, vim a saber que foi bem mais do que isto. A mãe, filha do Antero Gonçalves, deu-lhe a vida duas vezes. A primeira, como todas a mães; a segunda, doando-lhe parte do seu fígado para que ele ultrapassase um problema congénito. Depois de parecer que o menino viveria normalmente, tudo se complicou até ao fim temido.
    E foi aquela capacidade de entender a vida como um dom, apesar de tão efémera (simbolizada por mim num verso de apenas seis sílabas), que me parece de admirar, num mundo tão materialista e que confunde a felicidade com a perenidade da alegria. E que mais pode ser símbolo de exaltação da vida do que uma criança brincando numa praia, construindo sabe-se lá que castelos de ilusões?
    Não, meu caro JPC, não há, pelo menos não me parece que haja, nenhum apelo ao “pathos” que justifique a tua opinião. Mas, concordo, nem sempre as opiniões têm suporte na razão. Talvez esta te tenha traído. (E aqui lembro-te Pascal.)

  7. Patético, sim, senhor. Causa calafrios. Principalmente por se tratar de uma criança. Se fosse só o poema, que nem isso, agora a descrição dos «Agradecimentos»…É mórbido.
    Já agora, porquê, poemeto, Daniel? Se o fosse, tê-lo-ia colocado em post? Olhe a humildade dos franciscanos…

  8. Não podia deixar de comentar, uma vez que também sofri a perda de uma amiga este verão, e ainda choro a saudade que tenho dela. A vida prega-nos partidas destas sem estarmos à espera e faz-nos pensar como são mínimas certas circunstâncias que fazem ocultar o verdadeiro sentido de viver!
    Bonito poema…

  9. Acreditando que as intenções tenham sido as melhores e sem qualquer intuito de insultar de alguma forma o autor do post, lamento, mas também me causa um calafrio e um sentimento de total repulsa. Isso de celebrar a vida (e os castelos na areia e a exaltação e mais não sei que mais) que acabou, é sinistro. Não há beleza nenhuma na morte de uma criança, nenhuma. Nem para poemas nem para coisa nenhuma, nem para aqui termos que saber os detalhes da vida e morte desse menino. O que é que isso adianta e a quem?

  10. Catarina, mas, e então, como explicas o comportamento da família – a qual valorizou tanto o gesto-poema que o incrustou na memória concreta daquela morte e daquela vida? Não será óbvio a quem adiantou, e que adiantou um luto?

    Na atitude do meu excelso primo – a qual é tóxica e contagiante – passa uma soberba totalmente contraditória com o acontecimento. Aquela desgraçada família teve a sorte de receber o generoso e tangível, profundo e salvífico, lamento do Daniel.

    A morte chama os vivos. E só esses é que a olham de frente, dando a mão a quem não tem forças. Ficar calado, ficar longe, quando os outros estão abandonados no abismo, pode ser apenas o resultado do pavor e dos medos.

  11. Valupi, não costumo ser contagiada por outros comentários. E não tiro o mérito ao poema e ao consolo que terá dado à família (não imagino, pois só quem passa por isso é que saberá como será, mas é evidente que foi um consolo, de outra forma não estaria na lápide, lá salvífico não sei se foi, mas consolo, concedo).

    Não. A mim o que me choca não é poema, gesto ou tudo o que se tenha passado na intimidade da dor dessa família. A mim o que me choca é ver isso aqui arrastado em praça pública, os detalhes da vida da criança, da sua morte, da doença; que diabo! Ainda por cima, pelo próprio autor do poema. Onde está o pudor que deveria acompanhar o respeito? Ou então, devo ser eu que estou completamente errada em pensar que a morte (ainda mais de uma criança) deve ser uma coisa profundamente íntima e não passível sequer de ser comentada em sítio público por perfeitos desconhecidos. O gesto do Daniel de Sá teria ficado bem se tivesse ficado com ele e com os próximos do menino a quem ele dedicou. E depois, silêncio e não este exibicionismo de mostrar o “hino à morte”.

  12. Catarina, mas a tua posição é avessa aos factos. O Daniel escreveu, envolveu-se – e inspirou-se, porque é disso que aqui se trata – por causa de uma notícia no jornal! Foi a família que o quis, que sentiu necessidade de publicitar aquela morte. Porque, e isto não custará a compreender, estava em causa dar um sentido ao absurdo da morte de uma criança de 5 anos. Estava em causa envolver a comunidade, pedir auxílio aos que estavam perto.

    Obliterar a génese de tudo o que aqui lemos e discutimos é erro que só tem de útil exibir a extrema dificuldade com que lidamos com a morte. Os processos de luto tornaram-se violências indescritíveis, precisamente por se ter tornado tabu a expressão da dor. Isso de a morte ser coisa “profundamente íntima” não impede que seja coisa completamente pública, comunitária. São os modernos, os urbanos, os desenraizados, os desesperados, os perdidos que querem esconder a morte.

    Enfim, somos nós; desgraçados que nem na prova da morte podemos vencer a ilusão de existirem “perfeitos desconhecidos”. Não. Somos todos perfeitos conhecidos. E essa consciência é uma das bondades que a morte derrama sobre os vivos.

  13. Em 1969, em Julho, dois dias depois de Brian Jones morrer afogado numa piscina, os Rolling Stones, deram um concerto em Hyde Park, gratuito.

    Lembro-me de ver na tv, esse concerto, muito tempo depois disso. Agora até saiu um dvd, recentemente.

    Pois bem. Mick Jagger, com uma vestimenta branca, algo apaneleirada, pegou num livro e leu alguns versos, em memória de Brian Jones.

    Não me lembro dos versos, mas sei que o poema era de Shelley, dito em tonalidade cockney.

    Sempre me pareceu uma homenagem algo pífia, tendo em conta que o concerto ficou gravado para a posteridade.

    Comparando as duas coisas, tenho a dizer que este poema de Daniel de Sá é uma perfeita elegia.
    E a morte, é um acontecimento tão real que é o único de que poderemos ter a certeza absoluta.

  14. A morte retira todas as máscaras.

    Há quem não consiga lidar com estes fenómenos e escondem-se noutras máscaras.

    Dantes, na sociedade rural, não havia estas máscaras porque a vida era mais consentânea com os sentimentos. E a religião ajudava muito.

    Para um ateu, que significa a morte? O fim de tudo?

  15. O Valupi (e não só) já disse quanto baste. Mas anoto aqui a minha perplexidade. O que o JPC tem vindo a argumentar só é compreensível se ele não tiver entendido o sentido que a família deu ao agradecimento, e que foi o que me emocionou ao ponto de ter improvisado o poemeto. (Chamo-lhe assim por ser curto, não por qualquer juízo de outro valor.) O que naquele texto se realça não é a falta de sentido da morte, mas o valor imenso da vida. Quem não compreender isto é porque não sabe ler. A capacidade da família para valorizar o dom de que gozou, durante cinco anos, mais do que o tremendo sentimento de perda é que pode parecer estranha. Mas eu já disse que o Antero Gonçalves é um Homem de eleição e a sua filha decerto também. Meus amigos, aquele agradecimento tem o mesmo significado que tiveram as palmas dadas nas bancadas de Alvalade em memória do Vítor Damas. Depois disso, muitos estádios têm repetido a homenagem.
    (E alguém aqui feito moralista dos sentimentos alheios…)

  16. valupi, concordemos que discordamos e pronto. Eu não tenho maior ou menor dificuldade em lidar com a morte que a pessoa a seguir e, de qualquer forma, duvido que a menos que se passe pela perda de um filho, se saiba sequer o que é isso. Não há sentido nenhum na morte de uma criança, apenas injustiça divina se se acreditar nela e consolo que poderá tomar a forma que melhor se aplicar a quem sofre a perda. A minha atitude é diferente, nada mais: sou mais discreta, provavelmente e abomino carpideiras. Isso não faz de mim uma criatura que tenha mais ou menos medos, apenas menos vontade de arrancar cabelos aos guinchos. Ou seja lá o que for. Respeito as opções dos outros (como digo nem sei o que será essa dor), as lápides, as fotografias, os poemas. O que não gostei foi do post. E não me venham com a conversa do resto da história toda. será tocante e comovente, pois com certeza, mas não é este o meio apropriado para a contar.
    É a minha opinião.

  17. A morte é a suspensão temporária da respiração eterna do pulmão cósmico. Provado científicamente há muitíssimos anos. Apelo, por isso, a que se portem condignamente nesta discussão, pois sois também parte daquilo que não compreendeis. Por mim, não lamento o “menino”. Saúdo-o e desejo-lhe um bom regresso à área primordial da única realidade. Porventura ainda nos encontraremos num dia sem horas, minutos ou segundos, nalgum canto esconso do universo calmo das decisões que interessam neste e noutros espaços. Guilherme, que já foi ou estará nesta hora precisa a ser alguém diferente numa nova substância, cumpriu a sua missão-desejo de acordo com o seu dossier pessoal. Provou o seu argumento contínuo de aprendizagem, mobilizando familiares, mobilizando quem o conheceu e a nós que nem sequer sabíamos da existência duma alma com as suas características de brevidade e mensagem.

    Os motivos de Sá poderão continuar a ser um mistério.Tanto faz se assim for como não. A verdade que transpirar, se transpirar, não travará nem moverá as pedras deste moinho. A marcha é imparável na demanda da confirmação dos resultados da Experiência de Scole.

  18. A verdade é que escrever a morte magoa. E que ler a morte magoa. Mas nada magoa mais do que viver a morte. Sobretudo quando é por fora.

    Abraço, Daniel, JPC e Valupi. É bom viver, aqui, um pouco da vossa vida. Brindo a ela, sem pudores. Antes que a morte nos destrua as taças.

  19. creio que a intenção do daniel foi a de partilhar connosco esta lição. a perda de um filho é assunto que dá que falar e a ideia da dor é inevitável. compreendo e admiro aqueles que celebram a passagem de um filho pelo mundo e pela vida e se entregam a essa gratidão ao invés de se entregarem à dor. talvez, daniel, a sua intenção tivesse sido mais bem entendida se se tivesse abstido de publicar o poema. nada acrescenta à lição e evitaria a confusão nos leitores, de que estaria a utilizar a história, associando-se-lhe. pese embora seja compreensível que nem tal lhe tenha ocorrido e tenha querido reiterar a sua homenagem.

  20. concordo em absoluto com a catarina campos, e pela argumentação por ela utilizada.

    acrescento:
    ter tornado pública esta história, e num post tal como o que elaborou, perdoe-me daniel sá, mas ficou-lhe mal. há gestos de nobreza e generosidade que só assim se mantêm se foram resguardados dos olhares verdadeiramente alheios. teria ficado muito bem como estava – entre si e aquela família.

    publicá-lo aqui pretende o quê? encómios a si mesmo?

    lamento, imagino que a intenção foi a melhor, mas fiquei verdadeiramente chocada.

  21. Estou fodido com aspirínicos tão educados e boa-onda.

    Daniel: a catarina e susana explicaram muito bem o que me choca neste teu post. O problema, Daniel, é que és simultaneamente o autor do POST e do POEMA. E a morte quase que figura como pano de fundo na forma despudorada como exploras os efeitos pragmáticos do teu próprio poema.

    Agora, o Valupi e o resto da malta também têm razão. É óbvio que temos (tenho tenho tenho raios me fodam se não tenho) uma enorme dificuldade em lidar com a morte. Mas o problema aqui não é temático mas remático: é um problema de ordenação do discurso, de perceber a forma infeliz como misturaste um poema da tua autoria com esta história de perda.

    Vivemos mesmo numa ditadura da emoção, caralho.

  22. Obviamente, Catarina, é de opiniões que tratamos, e todas se equivalem no direito a serem apresentadas. Porém, ficarmos no anúncio formal da subjectividade não acrescenta saber à situação. A conversa quer-se dialéctica; quer suba, quer desça.

    Para mim, no diálogo contigo, está em causa saber donde vem a noção de não ser este meio, um blogue, adequado para o relato que o post faz. Relendo tudo o que disseste, fico com a impressão (e não passa disso) que nenhum outro meio seria legítimo, e que o Daniel não devia falar do episódio fora do seu círculo de relações pessoais – e, mesmo aí, tendo a obrigação de se apresentar miserável, sem qualquer laivo de estar a procurar um qualquer reconhecimento.

    Ora, do muito que tal reacção permite introduzir na conversa quanto a temáticas anexas, creio que o melhor é atalhar e ir direito ao que me parece estar na origem do teu, mas não só teu, equívoco: o esquecimento do sr. Antero Gonçalves e família.

    A não ser que imaginemos o Daniel a ter a intenção de inscrever o seu nome na lápide do Guilherme – o que passa por o conceber grotesco e, concomitantemente, por nos revelarmos imbecis -, então aceitamos que o seu acto, de escrita e envio do poema, foi bondoso, foi de boa-fé. Eis uma pessoa que se ligou à tragédia de uma família e usou do que tinha para tentar ajudar o outro. E que tinha o Daniel? A crença de que as suas palavras poderiam – de alguma forma sempre misteriosa – levar consolo, força e alegria a quem estava triste, a sofrer, morrendo. Ou, se não foi isto (pois, que sei eu?), foi a surpresa de uma declaração de morte – que era uma elevada e rara celebração da vida – a inspirar o Daniel e a dar-lhe o atrevimento, ou o sentido, para se envolver.

    E a seguir? Aconteceu o pedido para se inscrever o poema na lápide. O que terá sido experimentado pela família do Guilherme em relação ao poema não precisa de ser contado, e é a verdadeira zona de pudor nisto que se conta. Tudo o resto é público, já o era antes de agora o voltar a ser. Falar da doença, da mãe, da sua breve vida, é estar a homenagear uma criança e respectiva família que não escolheram tão funesto destino. Mas mais: é estar a tratar a morte como ocasião de crescimento, não como absurdo destrutivo.

    Por mim falo quando agradeço ao Daniel ter trazido esta história para a frente dos meus olhos. Não o passei a considerar melhor poeta ou escritor por causa do “poemato”, mas considero-o uma boa pessoa – e um melhor ser humano do que eu, que nunca fiz nada sequer parecido perante as minhas mortes.

    E tenho esta certeza: o sr. Antero Gonçalves dá graças ao destino por, numa hora trágica, a sua família ter tido a fortuna de receber o amparo que umas sentidas palavras podem levar de coração a coração.

    Este post é um exercício de humildade, e os ataques que recebeu assim o confirma.
    __

    Muito bem, primo. Se o problema é emocional, é como se não existisse.

  23. Ó Joãozinho Malcriado,

    Tens, tens, tens problemas com a morte porque ficaste traumatizado em menino por andares tanto na missa. Um gajo que fica doido com rockadas, com já aqui o tem, tem confessado, vem com prelecções sobre a ditadura da emoção! Haja respeitinho, como diz o outro. Ou vergonha…

  24. João Pedro
    Esclareçamos definitivamente uma questão. Não estou aqui para exibir seja o que for. Creio que todos nós, tanto os que figuram como “redactores” do Aspirina como os que comentam, apresentam o melhor de que são capazes. E isto não é uma questão de orgulho, mas de respeito pelos leitores. Foi essa qualidade que me fez tornar-me visitante habitual do blog, eu que não tenho muito tempo para vaguear pela Net. Escolhi qualidade. Depois, num gesto magnânimo, que foi apoiado pelo menos pelo número suficiente de “residentes”, fui convidado para fazer parte dela e admitido na família. Esse momento foi de orgulho. Um orgulho que acabou aí. De então para cá, ofereço o que julgo ser do melhor que tenho. Por respeito a vocês, por respeito a todos os que nos lêem. Foi por isso que apresentei “agradecimento” e poema. Parecia-me uma história bonita. Mas, se eu vier a saber que sou visto apenas como um sacana vindo de um mundo de merda, retiro-me para não continuar infectando o ambiente.

  25. Depois do que escrevi como resposta que considero defintiva, entrou o comentário do Valupi, magnífico, pelo menos na defesa que faz de mim. Só erra num presuposto: foi por acaso que o Antero Gonçalves soube do poema. Eu enviei-o para um grupo de amigos do Yahoo, e era para a coisa ficar por aí. Ora aconteceu que uma das pessoas do grupo é amiga de infância do Antero Gonçalves, e mandou-lhe o poema. Fiquei estupefacto quando recebi um seu telefonema, comovido, a agradecer. O telefonema seguinte foi para me pedir autorizaçao para usar os versos na lápide que a família pensava mandar erguer. O Onésimo Almeida, por exemplo, faz parte daquele grupo, pelo que pode ser testemunha. E, se não fosse indelicadeza minha, eu mandava o endereço da amiga que enviou o poema ao Antero Gonçalves, para que alguém mais duvidoso passasse a ter certezas.
    Obrigado.

  26. Não se trata nada de “ser visto como um sacana”, seu Danielinho mimado. Toda a gente sabe que o menino é exemplarmente bom. Aguente a crítica que é totalmente merecida. E emende-se.

  27. Independentemente de se lidar bem ou mal com a morte, a intervenção do João Pedro aqui é louvável. A frase lapidar do Nikita também me chamou a atenção. Nada mais há a acrescentar.

  28. João Pedro Costa e Nikita, estou inteiramente de acordo convosco. E quando daniel de sá se refere ao conteúdo do seu próprio post, e cito, “Parecia-me uma história bonita”, fica tudo dito. BONITA????!!!!!! Nem a desaparecida e pirosa Soledade teria lata para tanto. Haja decoro.

  29. Talvez, Valupi. Talvez o próprio Daniel não devesse contar a história senão no seu circulo mais familiar(porque se mistura com o seu poema e a impressão com que se fica é – e aliás foi o que foi mais louvado – salientar o poema num quadro mórbido que passa para segundo plano. Se a história fosse contada por terceiros, até teria lugar num blog (desde que a família autorizasse a, desculpa o termo mas é o que eu sinto, devassa da sua vida e desgosto privados). Neste caso é como diz o JPC, post e poema do mesmo autor, não cai nada bem. De resto, admito que não fosse essa a intenção do Daniel, mas é essa a leitura que se pode fazer.

  30. Meu caro Daniel

    O mundo do Aspirina, que não tem recantos nem arcas encoiradas, pelo menos à vista, é um lugar fascinante como poucos. Porque não padece da maleita dos cânones definitivos e indiscutíveis.
    O núcleo de colaboradores é multifacetado e contraditório, nos pontos de vista, nos interesses estéticos, nas visões do mundo, nos valores, na ideologia. Nele cada um joga, a seu modo, o que tem para jogar. Sozinho.
    O mesmo se aplica aos comentaristas, que fazem o que devem, fazendo o que lhes dá na real gana.
    E assim por aqui vão perpassando polémicas, tertúlias, perplexidades, ousadias, arrogâncias, saberes, sarcasmos, ignorâncias, cobardias, às vezes arte supina, outras vezes o tédio. Já aqui se esquartejaram criaturas, virtualmente, claro.
    Mas um lugar assim não é um jardim das delícias. Eu já mil vezes pensei dele, e senti sobre ele, uma coisa e o seu contrário. Digo-te isto fraternalmente, lembrando-me das minhas ingenuidades passadas e presentes, e da experiência que fui adquirindo, e das aprendizagens que tive que fazer e nunca estão feitas.
    Não é pêra doce, meu amigo, mas com o tempo verás que vale a pena. Nem penses em recolher à ilha. Com o tempo, o próprio Daniel vai descobrir que deu um salto em frente.
    Não sintas nisto qualquer paternalismo, que seria deslocado e palerma. É apenas fraternidade solidária.
    Porém repara: o comentário de Nikita, tivesse ele adoçado a crueza dalguns adjectivos, resumia este drama, e dava-lhe encerramento.
    Um abraço

  31. “Un jour, il s’en venait d’enterrer un de ses propres fruits, une petite fille assez heureuse pour avoir été ravie à ce père, avant l’horreur d’en connaître l’infamie ou l’horreur plus grande de n’en être pas dégoûtée. Il avait tamponné ses yeux, pleuré peut-être, on ne sait au juste. Mais tout était fini, et il s’en allait. Tout à coup, n’ayant pas encore franchi le seuil du cimetière : — Il faudra, pourtant, que je lui fasse quelques vers à cette enfant ! dit-il d’une voix éolienne, aux plus proches des accompagnants… Le cabot sacrilège est tout entier dans cette parole.” Léon Bloy, Le Désespéré (1886)

  32. Já não vinha ao aspirina há algum tempo (no time for blogs) e gostei de ver os meus antigos companheiros de outras bandas JPC e a Susana por aqui. Fiquei contente por ver que não perderam o jeito nem o feitio, o que me vai obrigar a vir cá mais vezes nos próximos tempos. Acabo por comentar este post, em vez dos posts deles, por me parecer bastante infeliz. O poema e o gesto são de louvar, mas a fotografia e a história contada na primeira pessoa, a publicitar um facto que deveria ficar na intimidade das pessoas envolvidas, parece-me reprovável. Eu não o faria. Digo mais, nem permitiria que amigos meus contassem a história por mim.

    JPC, essa de que o comentário da Nikita foi LAPIDAR só podia vir de ti ;-)

  33. Elle avait pris ce pli dans son âge enfantin
    De venir dans ma chambre un peu chaque matin;
    Je l’attendais ainsi qu’un rayon qu’on espère;
    Elle entrait, et disait: Bonjour, mon petit père ;
    Prenait ma plume, ouvrait mes livres, s’asseyait
    Sur mon lit, dérangeait mes papiers, et riait,
    Puis soudain s’en allait comme un oiseau qui passe.
    Alors, je reprenais, la tête un peu moins lasse,
    Mon oeuvre interrompue, et, tout en écrivant,
    Parmi mes manuscrits je rencontrais souvent
    Quelque arabesque folle et qu’elle avait tracée,
    Et mainte page blanche entre ses mains froissée
    Où, je ne sais comment, venaient mes plus doux vers.
    Elle aimait Dieu, les fleurs, les astres, les prés verts,
    Et c’était un esprit avant d’être une femme.
    Son regard reflétait la clarté de son âme.
    Elle me consultait sur tout à tous moments.
    Oh! que de soirs d’hiver radieux et charmants
    Passés à raisonner langue, histoire et grammaire,
    Mes quatre enfants groupés sur mes genoux, leur mère
    Tout près, quelques amis causant au coin du feu !
    J’appelais cette vie être content de peu !
    Et dire qu’elle est morte! Hélas! que Dieu m’assiste !
    Je n’étais jamais gai quand je la sentais triste ;
    J’étais morne au milieu du bal le plus joyeux
    Si j’avais, en partant, vu quelque ombre en ses yeux.
    Victor Hugo

  34. Caro Daniel,
    esta resposta com o Victor Hugo só mostra que não percebeu o essencial das críticas que lhe são feitas: não é o poema ou o gesto que está em causa. Exprimir sentimentos pessoais através da poesia e a família colocar o poema na lápide, é uma coisa, colocar uma foto da lápide e contar a história, é outra. Há gestos que perdem a nobreza quando expostos pelos próprios.

  35. Que lindo poema. Que gesto. Que altruísmo. Que poeta superior. Estou esmagado, impressionado… Parabéns Daniel “de” Sá. És o maior. Gostava tanto de te conhecer, deves ser um ser maravilhoso. Porra! que homem tão bom!.. e tão incompreendido.

  36. VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA! VERGONHA!.. um milhão de vezes VERGONHA!!!

  37. Digam o que disserem, e abstendo-me de apontar baterias ao que de pimba ou de pejorativo possamos identificar (interpretar) no post do colega, isto cheira-me a passaroquice de maçarico nestas andanças e nada mais.
    E por isso limito-me a achar que o rookie foi naif (estes inglesismos são só para dar a pala, cada um vale-se do que pode) e daqui em diante até vai dar gosto topar-lhe o cuidadinho, o excesso de zelo na ponderação do conteúdo e mesmo da forma… :)

    (Mas que o gajo tem alma de poeta e escreve bem as emoções é um dado adquirido, lá isso…)

  38. (E fiquei surpreendido por saber que o João Pedro da Costa era frequentador de missas, apesar de o adivinhar muito sexy nas posições popularmente mais conotadas com a oração.)

  39. Ó SHARK vai-te foder mais ò náife. Este post é 100% miserável e vergonhoso. O resto é conversa de merda e desculpas.

  40. Repito: uma elegia belíssima, a do Daniel Sá.
    Quanto aos aspectos laterais e à realidade envolvente, nada a dizer, a não ser que fez muito bem em publicitar o facto e partilhar connosco. Assim, tive ocasião de apreciar e comover-me com uma situação real e concretamente desconhecida, mas demasiado humana e que pode transferir-se para o sentimento comum e de acordo com a sensibilidade particular.

    Lembro outro exemplo ( há mais):

    A canção de Eric Clapton Tears in Heaven, foi composta depois de o artista ter perdido um filho de 4 anos de modo trágico: a empregada de limpeza deixou a janela aberta num piso a mais de 40 andares do chão. O menino foi espreitar…
    Até arrepia pensar nisso e contudo, Eric Clapton escreveu o poema que tem o mesmo sentido do do Daniel Sá, o de que a morte é apenas a porta para outra vida.

  41. Ena, que pessoa cobardemente escondida no anonimato tão brava a utilizar o vernáculo! Um paradoxo tão evidente como a euforia necessariamente libidinosa de levantarmos a hipótese de eu ser mesmo capaz de me foder a mim próprio…
    Isto se levarmos a coisa muito à letra, como no caso do post de que estamos a falar.

  42. Estes gajos estão malucos!!! que gente é esta!?.. como é possível aprovar tamanha indecência, e ainda por cima deliciarem-se com ela!!!

    José, és mesmo um calhau com dois olhos, comparar uma canção composta por um cantor consagrado dedicada à memória do filho que morreu trágicamente, com este miserável exibicionismo, só pode vir de uma mente doente!

    Mas fiquei impressionado por saberes o que é uma elegia!!!

  43. A «Tears in Heaven» do Eric Clapton foi gravada ANTES da morte do filho. É embaraçoso, mas é verdade.

    O Tuby também tem razão quando fala de ingenuidade e, novamente, o comentário do Jorge Carvalheira resume muito bem que se tem passado nesta caixa de comentários.

  44. Miserável és tu, Fernando, patrocinares este miserável exibicionismo de poetas frustados e decadentes!

    Este post é uma VERGONHA, e o meu nome não é preciso para nada… até porque tenho vergonha de o colocar aqui.

    Mas, podemos-nos encontar “pessoalmente”, se me julgas cobarde.

  45. Cheira-me que anda por aqui uma reencarnação contrafeita do Pessoa, a desdobrar-se em prolixos heterónimos, e a quem o bagacito não cai bem.
    Porque é que não vai antes à procura da Lídia, e enlaça nela as mãos, à beira do rio?

  46. JPC: Sempre pensei que Tears in Heaven fosse escrito DEPOIS.

    Aliás, continuo a pensar, depois de ler estes song facts

    Mesmo assim, a canção nem foi escrita apenas por Eric Clapton, e foi sempre tocada num lamento que o próprio autor deixou de sentir, tendo também deixado de a tocar.

    É uma belíssima canção – uma elegia, pois claro-para quem pretende aprender a tocar viola. Não é fácil e tem os ingredientes da técnica de Clapton.

  47. Eu prometera a mim mesmo não voltar aqui. Mas a canzoada continua a ladrar como se tivesse raiva. E venho num exercício de puro pedantismo, um pedantismo que é de desprezo absoluto pela vossa baixa condições de seres morais ou éticos. Pura estupidez, puro gozo de sangue nas vossas fauces sedentas de qualquer coisa que, espremida, possa parecer que sangra. Ide vomitar o vosso despeito onde quiserdes. Se vos agrada o alvo, continuai a fazer-lhe pontaria.
    E aqui vos deixo o exercício pedante. Um poema, com a métrica não muito correcta (eu sei-o), que compus para uma escritora americana que vive no Oregon e é de ascendência açoriana. O título é a legenda daquele estado. E eu não preciso das vossas fétidas baforadas para me manter nas minhas próprias asas. Sou osso duro de roer, palermas.
    “She flies with her own wings”

    Oregon, mythic land of my childhood,
    The time I had more dreams than other toys.
    A pistol was a crooked piece of wood
    Or a finger, and so we were cowboys.

    How many times I was the guy, the stranger
    Who came to fight for peace riding a reed.
    Who lost a fight would be too a revenger,
    And all we wished to do was what we did.

    Perhaps I had no shoes, but I had boots
    With silver, shining spurs on a black horse.
    Oh Oregon, you’re part of my own roots,
    When I could kill and die without remorse.

    I was never scared in my rocky way,
    There was no poison in the water springs.
    And now the old cowboy can proudly say,
    “Oh Oregon, I fly in my own wings.”

  48. Este hóme é um senhor, até já escreve letras pró estrangeiro e tudo… estou impressionado…

  49. Ó pobre de espírito Daniel “de” Sá,

    Vai-te foder mais os teus ossos e as tuas asas. Este teu post é nojento e abjecto. Tem vergonha na cara. Queres um elogiosinho, queres, queres?

    Vai para o caralho mais a teus poemetos de merda! Não tens vergonha nenhuma na cara, seu palerma. Teres o despudor e a indecência de usares a foto da lápide de uma criança, só para mostrares a tua “insigne” poesia e o teu maravilhoso coração. Vai-te foder, a mim não me enganas tu, seu moralista de merda.

  50. Estalou o verniz do Danielinho, eu já previa. Desatou a insultar a gente, o peixeiro letrado, e logo de “canzoada” para baixo. Era todo salamaleques, mas não aguentou a pressão. E o alto conceito em que o pimpolho se tem, implicitamente, nos coices verbais que distribui a torto e a direito? Nestas alturas é que se põem à prova as virtudes da civilidade e da tolerância, que são muito mais interessantes do que a bondade de sacristia.

  51. Catarina, chegaste ao cerne deste feliz episódio: admites que a tua reprovação resulta de uma leitura possível. Ou seja, reconheces que tal leitura não é necessária, que não passa de uma suspeita. E eu pergunto: que outras leituras serão também possíveis?

    Uma delas, a minha (se tão-só), é a de que a intenção foi a de partilhar uma experiência. No caso, experiência especial e particularmente relevante. Releva da temática, sim, mas também da autoridade: aconteceu na vida do Daniel.

    Tudo neste caso é o exacto oposto da histeria dos acusadores. Primeiro, trata-se de factos públicos, não de eventuais pecados mortais. O texto é quase minimalista nisso de ser contido ao estrito suficiente para se conhecer a história. Depois, o autor-protagonista-testemunha não se esconde em qualquer simulacro de humildade. Não diz que existem feitos gloriosos, supinos actos de altruísmo, ou heroísmo, do lado de lá do relato. Pelo contrário, deixa ver, simples e candidamente, o que se passou. Finalmente, ter contado esta história é, e precisamente, o que lhe assiste como direito. Nenhuma informação aqui disponibilizada colide com o que foi assumido pelos responsáveis legais do Guilherme – já para não falar da funda lealdade sentimental que todo este caso deixa adivinhar entre o Daniel e a família vitimada.

    Tu falas em devassa, de vida e desgostos privados. Como podes dizer isso? Pergunto sem outro intento que não o gnoseológico. Repito: como podes estar certa disso que afirmas? Como é que concluis pela devassa, como chegas a esse resultado? Donde vem, e o que contém, a tua noção de devassa? Ou será que também a estendes ao avô e família, porque anunciaram num jornal, com lirismo e Graça, a morte do seu amado menino? Será que também censuras a lápide, com a foto, e com o poema? Até onde chegará a tua idiossincrática concepção do que seja a devassa?…

    Todos os que invocaram o “despudor” como categoria última de avaliação são tiranetes. Se obrigados a explicar, em português de gente, o que entendem por “pudor”, ficaríamos divididos entre o riso e o bocejo. Na prática, estão a utilizar um sofisma, pois não se comprometem com a discussão do conceito que invocam. Antes apelam ao nebuloso da sua semântica, procurando estimular emoções em vez de raciocínios ou meditações. São, assim, retintos moralistas. E, num aparente paradoxo, a última pessoa com quem estão preocupados, o último ser a quem estão ligados, é o malogrado Guilherme. Muito mais importante é a expressão do seu critério de gosto – e não passa disso -, o qual nasce do medo da morte.

    Ter medo da morte, como todos descobrem à sua maneira, é ter medo da vida. Não foi o caso com o Daniel, então como agora.
    __

    A frase do Nikita passaria sem o meu comentário, pois é o banal reflexo de um cínico. Ou melhor, e sendo rigoroso, um espasmo cínico. Mas o endosso do JP e do Jorge convocam-me para a análise.

    Do despudor é ler acima, do pífio é deixar passar, mas do pimba há a dizer: só és capaz de julgar esteticamente a lápide por não te sentires em nada relacionado com a vida daquelas pessoas.

    Vou-te dizer de outra maneira: se aquela lápide te aparece pimba, talvez ainda não saibas para que serve, nem o que ela representa, comunica, simboliza.

  52. Tenho um filho de 4 anos e estou chocada com este abuso, esta indecência e este despudor. Mostrar (chocar) publicamente uma lápide de uma criança (será que pediu autorização à família?) só para publicitar um poema seu, é no mínimo indigno e vergonhoso!

    Estou chocada.

  53. “Estalou o verniz do Danielinho, eu já previa. Desatou a insultar a gente, o peixeiro letrado, e logo de “canzoada” para baixo. Era todo salamaleques, mas não aguentou a pressão. E o alto conceito em que o pimpolho se tem, implicitamente, nos coices verbais que distribui a torto e a direito? Nestas alturas é que se põem à prova as virtudes da civilidade e da tolerância, que são muito mais interessantes do que a bondade de sacristia.”

    Perfeito. Perfeito.

  54. Tem interesse a pergunta, zazie, pois os protestantes são muito mais saudáveis do que os católicos em relação à morte (e ao sexo, o que não é um acaso – e, já agora, em relação ao dinheiro, também não por acaso).

  55. Valupi, eu ter referido que era “uma leitura possível” foi apenas por dar o benefício de dúvida ao Daniel; que, aliás, ali em cima, ao desprezar a baixa condição de seres morais e éticos, realmente acrescentou mais um tiro no pé, mas dou isso de barato, está desvairado com a crítica e ainda nem percebeu exactamente qual é essa crítica que lhe fazem. Já tu, me custa a acreditar que continues a fazer que não entendes. Portanto trocado por miúdos aqui vai:

    Este post é um exercício de auto-promoção de um autor, com recurso e utilização da morte de uma criança. Tudo o resto é paisagem, retórica e conversa fiada.

    Quanto à devassa, uma coisa são os pais colocarem um anúncio num jornal: por acaso sabem eles que este assunto está aqui a ser discutido? Foram consultados sobre se autorizavam a divulgação da fotografia da criança e a lápide e os seus nomes? Se sim, não há devassa. Se não, há devassa. Não percebo qual é a dúvida sobre isto.

  56. ALTO E PÁRA O BAILE!

    O Daniel tem toda a razão.

    Um pobre de um reformado já não pode escrever os postes todos jeitosos, cheios de amor e sentimento, que ai jesus dos modernaços da intenet lhes caíem todos em cima. Porra! Não à direito! Deixem lá o homem entreter-se à vontade, caramba!

  57. E a palavra sublimar, não poderia ser utilizada aqui, para estancar ideias feitas de quem não admite uma palavra pública, em modo elegíaco, sobre a morte de uma criança?

    Sublimar apela ao subido, à transformação alquímica de sentimentos.

  58. “E a palavra sublimar, não poderia ser utilizada aqui, para estancar ideias feitas de quem não admite uma palavra pública, em modo elegíaco, sobre a morte de uma criança?

    Sublimar apela ao subido, à transformação alquímica de sentimentos.”

    Ó José só uma singela pergunta:

    Tens a noção do teu ridículo!?

  59. Não sei o que mais é de lamentar aqui. Se o post e o ego com as críticas que em parte lhe são devidas, se esta cobardia e escárnio dos anónimos que não perdem uma oportunidade destas para cuspir o fel que trazem em si, ou se ainda esse efeito de matilha a que até os comentadores mais sensatos não resistem quando a multidão enraivecida lhes põe uma pedra na mão e diz atira, atira. A blogosfera refulgindo.

  60. Valupy, meu rapaz, chama-me cínico que isso te vai adiantar muito! Expliquei claramente o que penso no primeiro comentário que fiz a este infelicíssimo post. Relê-o, se quiseres arejar a tua verborreia. Acho a dor por um filho morto muito nobre e respeitável, mas acho que este post a desrespeita em várias escalas de despudor. A lápide é de mau gosto, embora os sentimentos que estão por detrás dela sejam muito pungentes e não se pode mais sinceros. Mas são duas questões totalmente diferentes. Falei de estética, não sei se sabes o que é. Há um aspecto estético em tudo, na vida como na morte. Mas nem é tanto da lápide em si que eu falei, mas sim do inqualificável contexto em que o Danielinho aqui a trouxe. Ponto final definitivo, pela minha parte.

  61. “Eu prometera a mim mesmo não voltar aqui. Mas a canzoada continua a ladrar como se tivesse raiva. E venho num exercício de puro pedantismo, um pedantismo que é de desprezo absoluto pela vossa baixa condições de seres morais ou éticos. Pura estupidez, puro gozo de sangue nas vossas fauces sedentas de qualquer coisa que, espremida, possa parecer que sangra. Ide vomitar o vosso despeito onde quiserdes. Se vos agrada o alvo, continuai a fazer-lhe pontaria.
    E aqui vos deixo o exercício pedante. Um poema, com a métrica não muito correcta (eu sei-o), que compus para uma escritora americana que vive no Oregon e é de ascendência açoriana. O título é a legenda daquele estado. E eu não preciso das vossas fétidas baforadas para me manter nas minhas próprias asas. Sou osso duro de roer, palermas.
    “She flies with her own wings”

    Oregon, mythic land of my childhood,
    The time I had more dreams than other toys.
    A pistol was a crooked piece of wood
    Or a finger, and so we were cowboys.

    How many times I was the guy, the stranger
    Who came to fight for peace riding a reed.
    Who lost a fight would be too a revenger,
    And all we wished to do was what we did.

    Perhaps I had no shoes, but I had boots
    With silver, shining spurs on a black horse.
    Oh Oregon, you’re part of my own roots,
    When I could kill and die without remorse.

    I was never scared in my rocky way,
    There was no poison in the water springs.
    And now the old cowboy can proudly say,
    “Oh Oregon, I fly in my own wings.” ”

    O “de” Sá no seu espledor ético e moral.
    Sem mais.

  62. O QUE É ISTO!!!!? ISTO É UM CRIME!.. USAR A LÁPIDE DE UMA CRIANÇA PARA USO DE VAIDADE PRÓPRIA!!! PRENDAM-NO JÁ!!! CADEIA COM ELE, JÁ E JÁ!!!!!!!

  63. Ó Zazie, junta-te ao Daniel e vão jogar damas pró jardim… e já agora, vão também para o raio que vos partam!..

  64. Isto é puro elogio, puro amor próprio, pura vaidade e um falso moralismo do mais cínico e maquiavélico.

    Um monumento ao despudor da primeira à última letra.

  65. Detector:

    Do meu ridículo, não costumo detectar com facilidade ( et pour cause).

    Já o de alguns detectores, costumo reparar com maior facilidade.

    “Todas as cartas de amor são ridículas”.
    Todos os poemas e poemetos, perante a morte nua e crua, nem a ridículos chegam. Quedam-se nas lágrimas sofridas quando o são.

    Escrever sobre a morte alheia, emprestando-lhe sentimentos próprios, se isso contribuir para lenitivo da dor de quem perdeu algo essencial, é louvável.
    Fazê-lo de modo artístico e com apelo a sentimentos sublimes, ainda mais.

    Gozar com a sensibilidade alheia, desfazendo na capacidade solidária de partilhar a dor, mesmo de modo empático, parece-me, isso sim, perfeitamente patético.

  66. Disse patético? Queria dizer, mentalmente esquisito. Não compreendo a atitude.

    Quantos poemas há sobre a morte e a vida, como duas faces da mesma moeda? Os mesmos que vêm para aqui criticar o poemeto, processando intenções ao autor, serão adeptos de um Nick Drake, de um Ian Curtis, de um Saramago, não?!

  67. Catarina, tens fortes certezas. Desconfio que são, até, fortes demais. Poderão estar a tolher-te o pensamento. Ora, diz-me: neste caso, que está o autor a promover? Eu tentarei ir contigo até ao limite do teu raciocínio ou intuição: que benefício ilegítimo – ou moralmente questionável – detectas no texto?

    É que poderás ser tu, e os outros que protestam, quem se está a auto-promover, posto que só falam de si próprios, encarcerados num egocentrismo que não admite axiologias exóticas. Porque raio haveria o Daniel, e a família do Guilherme, de se conformar às concepções moralistas deste ou daquele no que à morte, aos mortos, ao funeral, ao luto e à memória concerne? É sempre espantosa a visão da intolerância perante o diferentemente humano.

    Posto que ainda ninguém inventou o intencionómetro, estar a emitir juízos sobre os propósitos do Daniel, para além do que o texto dá a ler, são tiros para o ar. Mas donde vem esse gosto pelos disparos? Que há, nesta singela homenagem prestada a uma família, que esteja a assustar? Porquê tanto policiamento do afecto alheio? Que vos pesa na consciência, ó gentes que preferis diabolizar em vez de unir?

    Quanto à questão da autorização para esta divulgação no Aspirina, acredito que entendes a armadilha onde acabas de te enfiar. Porque tudo indica ser este um acto apreciado pela família, a qual anunciou como anunciou a morte do Guilherme, e a qual escolheu para inscrever na lápide um texto que tinha já sido publicado na Internet. E se tal aprovação se confirmasse, que farias com o que já escreveste? E como justificarias ter escrito antes de conheceres o veredicto que, só ele, legitimaria a condenação?…

    Mais simples teria sido conter a emoção, a qual se confirmou tóxica, contagiante e injusta. Maligna.

    __

    Nikita, confirmo que não sei o que seja a estética tal como tu a entendes, posto que a colocas acima da ética.

  68. Hum. Ainda há os entendidos. A poção está ok, agora ainda não percebi se os romanos é o mahmoud ou o bush…

    Quanto ao conteúdo: no comment

  69. daniel, como pode ver, o problema maior com este tipo de post é vermos mal-tratada (e aqui não falo das críticas honestas de pessoas com pontos de vista diferentes relativamente ao assunto, mas da maltosa achincalhante e gozona) uma matéria cuja bondade importava resguardar e proteger. por isso a necessidade do maior cuidado numa exposição deste cariz, para que a intenção seja explícita e não possa ser misturada com assomos de vaidade e eventual oportunismo na percepção de quem lê.
    retirando daqui o que mais importa: muitos falam da dor de perder um filho como a questão central da história contada; para mim, está é antes de tudo a alegria de ter tido um filho, aquele filho. sorte do miúdo e de quem o conheceu, certamente.
    quem ainda aqui anda podia deixar o assunto descansar em paz.

  70. é INACREDITÁVEL haver ainda quem defenda esta bosta de posta, ofendendo a inteligência de quem tem um mínimo de decência. Por amor de deus…

  71. Para falar da morte de modo simples, com referência a símbolos chãos e acerimónias próprias, quem tem uns anitos, poderia lembrar-se de um cantor, chamado José Almada que em 1970, com cerca de 20 anos, compôs uma canção que intitulou Homenagem.

    Começa assim:

    Rufaram tambores,
    Canhões graves troaram.
    E pálidos senhores,
    em volta desfilaram.

    O resto, depois de descarregado, até pode ser ouvido aqui

  72. lá isso é verdade, ó anonymous, se para ti é ingenuidade dar sempre o benefício da dúvida ao que é bom, em detrimento do que é mau.

  73. Valupi, eu com o meu egocentrismo moralista e tu com o teu leque de eventuais razões diabolizantes daqueles que discordam, podiamos ficar aqui o resto da eternidade que eu já percebi que não queres ou não consegues perceber.

    Quanto à “armadilha”, mas qual armadilha? Eu fui claríssima: há devassa sem autorização, não há devassa com autorização. Duvido muito que esta caixa de comentários tenha o apreço da família, mas isso são os riscos de se colocarem posts em blogs onde assim que cheira a sangue há logo quem apareça a ajustar mais continhas.
    Fico por aqui. Eu acho o post no mínimo deselegante, tu achas lindíssimo.

    Eu devia era ter começado por dar a minha opinião assim mais como o Nikita; mas achei que deveria ser mais cordata e afinal parece-me que não fui suficientemente clara.

  74. Ó josé deslarga!
    Pronto, ok, és muito culto, admito, até conheces o Almada e tudo, pronto, agora vai lá chatear outro…

  75. A pretensa deselegância do postal, só pode ter a ver com a imagem da lápide que nos atinge como um soco no estômago da nossa sensibilidade.
    E atinge, porque percebemos ao ler, que é mesmo a lápide a que o poema se refere e tem uma história pessoal que aqui fica contada.

    Se entrarmos num cemitério qualquer, podemos ler dezenas de poemetos destes, sem graça artística, mas com uma força expressiva de sentimentos simples e directos que até doem. Acompanhados de fotos e tudo.

    Os que criticam este postal, provavelmente não aguentam essa exposição da sensibilidade e prefeririam o recolhimento de um silêncio. Pode ser.
    E para quem não for assim, tem algum mal estético ou representa alguma deficiência na sensibilidade?

    Não me parece. Aliás, parece-me apenas um reflexo dos tempos, em que se procura esconder a morte, último tabu.
    Modernos?
    Não. Recalcados e refugiados na negação do real.

  76. Já vou. Tenho que trabalhar com mais afinco.

    Podes descansar e pensar num nome qualquer, em vez de seres p´raí um zé ninguém.

  77. Afinal o que queria o Daniel a não ser o elogio ao seu “belo” poema (e naão me venham com a história da partilha e blá blá blá…)

    … expliquem-me como se eu fosse muito burra!

  78. E já agora, como conheces o Almada, podias fazer o favor de me dizer que é feito dele?

    Com essa informação fico imensamente grato e prometo não incomodar.

  79. E já agora, como conheces o Almada, podias fazer o favor de me dizer que é feito dele?

    Com essa informação fico imensamente grato e prometo não incomodar.

  80. OK, mas depois desamparas a loja!

    Olha, a última vez que o vi, foi… deixa cá ver, antes do 25 de abril, ali na zona do intendente, ia buscar um frango ao Amilcar, da churrasqueira, e cruzei-me com ele, vinha de aturar um chato como tu. Estava desempregado, e disse-me, que o sonho dele era impressionar em jeito de comentários na blogosfera, um dia mais tarde.

  81. Então, até já:

    Como um mendigo sem abrigo,
    Vou seguindo o meu caminho
    E de mansinho, até que a vida…Senhor!
    Sem casa nem campa rasa…

  82. Ò Zazie, a menos que me tenha escapado algum a expressão “pimba” fui eu quem a usou e não a apliquei à pedra mármore mas sim ao post no seu todo e no sentido de transmitir a percepção do que os comentários já existentes transmitiam do dito post, como um exemplo do que poderiam ser as interpretações de cada um(a).
    A minha opinião já a dei, aqui e no meu blogue (pois sou um oportunista e não tinha assunto para hoje), e em nada legitima alguma interpretação errada do contexto em que a expressão me ocorreu.
    Contudo, sou pai e esta merda bateu-me com mais força do que esperaria.
    Se calhar é por ser católico. Mas garanto que isso em nada afecta o meu desempenho sexual, mas apenas a minha reacção inicial a este tipo de coisa.
    Que, repito, peca acima de tudo por ingénua na forma(qualquer que tenha sido a motivação do autor).

  83. Esclareço ainda que só invoquei a questão do desempenho sexual porque alguém disse que os protestantes são mais não sei o quê. Ora eu sendo católico de formação mas agnóstico na convicção sou quase luterano. Mas não praticante.
    De qualquer credo, claro…

    (Não te zangues comigo, é pra ver se o ambiente desanuvia, pois já nada de bom sai daqui se a malta não atina numa onda mais moderada)

  84. Valupi, a ética (que o autor do post ofende, ao explorar publicamente e sem pudor imagens de dilacerante dor alheia para promoção do seu ego) não a ponho eu nem acima nem abaixo da estética. São valores distintos, não têm medida comum, embora às vezes corram em planos paralelos, pertinho um do outro. É o caso aqui: em ambos os planos o Daniel andou igual. O valor estético de que falo, no caso da experiência duma morte terrível, implicaria – para mim e para muitos mais, segundo constato – a preservação da sobriedade e do recato. A morte é igualitária, talvez seja esse o seu único consolo. Só é humanamente possível aceitá-la com humildade, por maior que seja a dor.

  85. Até gostei do poema… Tenho um filho pequeno e vieram-me lágrimas aos olhos quando o li. Ia dizer isso mesmo, ontem, quando vi o comentário do João Pedro Costa e concordei de imediato. Então retive o meu comentário.
    Não quero ofender o poeta dizendo que o gesto é vaidoso, alguém disse que era assunto para ficar entre a família e o poeta. Isto é o que mais concordo!
    Não tem nada a ver com poemas ao filho (como o do Eric Clapton), ou ao pai (como o Pereira Coutinho uma vez também quis desfazer no Peixoto, ou como escreveu o Dylan Thomas), como os há tantos quanto há dor.
    Ou tem a ver com um poema que não precisava de lápide ou da história para o explicar, ou tem a ver com a dor da família. Tudo junto não passa de uma salganhada! E o ruído em volta ainda pior. Tenham decência e apaguem esta merda toda antes que a família venha dar aqui por engano!

  86. Onde está o «Nadinho», e coisas assim?

    O Nandinho está desde o exacto momento em que fez Enter para este post do Daniel.

    No contexto, só me apetece confidenciar uma suspeita: a de que os tão canoros «retintos moralistas» (Valupi dixit) votam retintamente à esquerda. Inclui-se o PS.

    Alguém falou aqui em jacobinismo?

  87. Catarina, o Daniel não encomendou esta caixa de comentários. Cada comentador é o único e absoluto responsável pelo que escreve. E o post permanece no seu estatuto e significados, independente dos eventuais comentários; tanto os de boa-fé como os patológicos. De resto, nada disto surpreende, pois num tema fracturante foi introduzido explosivo poderoso e de pavio curto. Nem sequer nos falta o imbecil de serviço (ou a imbecil, ou o par de imbecis), responsável por dois terços dos comentários. Estamos, pois, numa banal “flame war”.

    A armadilha está nisso de teres circunscrito a devassa à questão da autorização. Ora, suspeito que não possuis essa informação – se a família aprova ou não -, mas já apresentaste a tua condenação. Estás, assim, a brincar com o fogo – pois é de ordem completamente distinta dizer-se de alguém “não faço o que ele faz” ou “sei por que ele o faz”. Num caso estás a expressar legítima, inócua, bondosa opinião, no outro a arriscar uma calúnia.

    Mais acrescento que em nada o Daniel pode ser responsabilizado, muito menos pela sua “ingenuidade” ou falta de experiência nestes agressivos ambientes. São os que se reclamam maturos e doutos nesta peculiar forma de comunicação e convívio que deveriam ter ido em seu auxílio, pedagogicamente se tal achassem curial.

  88. Pois desapareceram, zazie, e eu também lhes achei graça (mas, mesmo que não tivesse achado, era igual para o caso). Espero que tenha sido por engano.

  89. Esperei que os ânimos acalmassem para escrever estas linhas, mas parece que tal ainda não foi possível. Atrevo-me a vir aqui em defesa de quem não está presente “nesta guerra” para poder defender o seu nome, pela simples razão de que não é bonito criticar pejorativamente alguém que está longe de saber que foi, mais uma vez, alvejada neste blog.
    Refiro-me ao comentário, lá muito acima, assinado por Ana Cristina Leonardo, que diz: “Nem a desaparecida e pirosa Soledade teria lata para tanto.”
    Não é verdade o que afirma, não é justo e fica-lhe mal, Ana Leonardo. Sou leitor do Aspirina e sempre li com muito agrado os artigos dessa senhora. Todos eles, e foram muitos, sempre com temas diversos, construtivos, didácticos e muito bem escritos. Sobretudo os belíssimos poemas, gabados, aliás, por quem escreve neste blog, a começar pelo próprio Fernando Venâncio. Os seus comentários eram também sempre muito inteligentes, oportunos e graciosos. Não perdoava, isso sim, quando era preciso ser directa.
    Ela não é uma bloguista, é uma jornalista e uma escritora com obra e nome feitos. Desaparecida, não está, porque continuo a lê-la com o mesmo agrado no Sarrabal do sapo, blogue que criou, onde nem precisa de colaboradores. Os posts são dela e falam por si. Pirosa, sê-lo-à ainda menos. Muito mais pirosa me parece a Ana Leonardo, sou franco. Lata, nunca dei porque a tivesse, muito pelo contrário, e lata é o que não falta por aqui, pelo que se lê. Tenha tento na língua e respeite quem merece respeito, Ana Leonardo.
    A certa altura começaram a fazer-lhe a vida negra no Aspirina, vá-se lá saber porquê? Despeito? Quem sabe. Faço a sua defesa, eu que não sou muito dado à escrita, porque ainda penso pela minha cabeça e sei ver quando há injustiças malévolas, como foi o caso. Ninguém me incumbiu de ser advogado de defesa dessa senhora, mas não suporto troças nem zombarias lançadas a quem é injustamente agredido. E não tenha o Daniel de Sá cuidado, que também admiro como poeta, e qualquer dia estão vocês a tratá-lo como trataram a Soledade. Tenha cautela Daniel, isto, se calhar, é só o princípio.

    Repito: tenha mais senso, Ana Leonardo, pois noutro post continua: “ Soledade diz qualquer coisa por amor de Deus”.
    Acho que devo dar o mesmo conselho ao Anonymous, até pela sua idade, e porque chegou a defender a Soledade por diversas vezes, que lhe fica igualmente mal quando escreve acima: “ Volta Soledade, estás perdoada!”. Sinceramente, é de mau-gosto, é injusto e de pessoas muito pouco inteligentes. Bem fez a Soledade em não voltar aqui. Por mim, não a mereciam.

  90. É verdade. Alguém com acesso aos bastidores do Aspirina apagou comentários da Zazie. Como é impensável que algum dos actuais redactores o tenha feito, fica razoavelmente disso suspeito algum dos enfermeiros aposentados.

    Não temos PJ nem Polícia de Choque. E ainda bem. Mas não nos agrada saber-nos tão vulneráveis.

  91. Se eu sabia que isto ia dar no que deu, não tinha comentado. Já estamos na fase prós e contras, com um anónimo a fazer de Fátima Campos Ferreira. Está na hora de mudar de canal.

  92. “Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
    Define com perfil e ser
    Este fulgor baço da terra
    Que é Portugal a entristecer —
    Brilho sem luz e sem arder,
    Como o que o fogo-fátuo encerra.

    Ninguém sabe que coisa quer.
    Ninguém conhece que alma tem,
    Nem o que é mal nem o que é bem.
    (Que ânsia distante perto chora?)
    Tudo é incerto e derradeiro.
    Tudo é disperso, nada é inteiro.
    Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

    É a Hora!

    Valete, Frates.”

    (Fernando Pessoa, Mensagem, Nevoeiro)

    Não precisa de nada disto, Daniel. E o poema é muito bonito.

  93. Não sei se os donos da “casa” são mais parecidos com o valupi ou com com o João Pedro da Costa. Seja como fôr a casa é muito mal frequentada e nem sei como aguentam o pivete a animais rastejantes. O sheltox é mal empregado e vou-me já pirar. Atrevo-me a aconselhar os maçaricos que aqui chegaram com ilusões de debate e colaboração nas lides: Pirem-se já porque isto é tóxico!

  94. Valupi amigo, tem tento nessa língua. Calunia quem mente, o que eu disse está à vista.

    FV, chego a pensar que o autor do post foi colocado no Aspirina para ser grelhado em arraial. Há inépcias e vaidades que merecem passar pelo grelhador. Mas não me parece que tu farias isso a um amigo, dado que até nem és jacobino nem nada.

    Esta caixinha de diálogo franco e cordial, como dizem os diplomatas, é divertida. Anda tudo à bordoada e ninguém se magoa, a não ser uns egos inchados que algumas pessoas arrastam pelo chão e até entalam nas portas. Mas eu, se fosse a vocês, tirava a imagem deste post. Já lá estava muito mal a princípio, agora está pior.

    Duas vezes prometi que ia embora do vosso blog e voltei. Desta vez não prometo, a ver.

  95. Ainda assim, dá ideia que houve tecnologia de ponta na limpeza.

    Fiz outro, sem ser com o meu nick, e passou despercebido.

    Anda por aqui a mãozinha da reaça…

    zazie

  96. “É verdade. Alguém com acesso aos bastidores do Aspirina apagou comentários da Zazie. Como é impensável que algum dos actuais redactores o tenha feito, fica razoavelmente disso suspeito algum dos enfermeiros aposentados.”

    Prof. Fernando Venâncio, isto é muito triste.

  97. ahahahaha

    A loucura é sempre muito divertida, com a vantagem de poder ser verdade.

    Não me espantaria nada que nem tivessem mudado a password após umas certas saídas.

    Mas lá que foi uma limpeza certeira, foi. E até gostava de saber o método porque me pelo por minhoquices técnicas

    “:O))))

    Zazie

  98. Nik, talento na língua, foi no que pensaste quando te saiu apenas tento.

    Tens, também, algumas dificuldades com os latinismos. Que todo o mal seja esse.

  99. Ó Valupinho, tu és mesmo esse piroso com trejeitos de forcado aposentado? Não acredito, dava mais por ti. Põe a placa antes de falares.

  100. Quem dá por carinho, amor, ou caridade, não precisa de publicitar…

    Quem dá por fama… sem maís palavras o resultado esta à vista de todos…

    Diz-me Daniel, onde te vais esconder?

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