Parece que SSP não concorda com a estratégia de António Costa de tentar um acordo de governo à esquerda. Mas que alternativa existe? Vejamos o lado dos credores, que não sei se é o que aflige subitamente SSP, mas que tanto aflige a direita e reis da asneira fácil como o José Gomes Ferreira. O que teriam gostado de ver nestas eleições? Que os PàF, desastrosos mas subservientes, tivessem mantido a maioria absoluta. Porém não penso que sejam tão ignorantes ou ingénuos ao ponto de acharem que tal era possível. O que teriam então gostado a seguir? Que a PàF governasse com maioria relativa e contasse com a abstenção ou mesmo com o apoio do PS. Para quê? Para continuar o lindo serviço. Ora, para poderem acreditar nesta hipótese, teriam de desconhecer totalmente o líder socialista, os seus princípios políticos, as suas preferências, pensar que estava disposto a levar alegremente o partido para o suicídio e desconhecer também a história de partidos como o PASOK, da Grécia. Não desconhecem. O partido praticamente desapareceu de tanto se confundir com a direita.
De modos que ou as coisas se arrastam durante uns meses sem qualquer garantia de entendimento à direita e com este presidente a recusar um governo de esquerda, até que um novo presidente da República convoque novas eleições e a direita consiga maioria absoluta, o que, salvo campanha magistralmente urdida, que eleve a pulhice e a falta de vergonha à quinta potência, me parece bastante improvável, pois não há como escamotear a situação social, económica e financeira do país, perto do descalabro (já e antes do eventual bico de obra para a formação de uma maioria), ou os credores terão de agradecer a Zeus o facto de ser um moderado como António Costa a liderar a esquerda e a moderar os radicais nesta situação, com um programa credível, que respeita os compromissos internacionais do país. A alternativa seria as instituições amanharem-se com um Syriza 2 também aqui nesta ponta do continente. Mas calma, não vai acontecer. E é já em dezembro que a Espanha vai a votos. António Costa tem a única solução possível e tem que ser bem sucedido. E apoiado.


