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Fraude, diz ele

Rui Ramos, no Observador, acha que a coligação de direita pode governar sem maioria na Assembleia e classifica de fraude um hipotético acordo governativo pós-eleitoral entre os partidos ditos de esquerda. Ainda não percebeu que é do Parlamento que emana o governo. A coligação só pode governar se o PS e os outros dois partidos quiserem, já que representam 60% dos votos.

Quando Sócrates venceu, em 2009, sem maioria absoluta, era impossível, e ainda hoje é e sê-lo-á sempre, a constituição de uma aliança de governo à cabeça (mas não de coligações pontuais negativas, como veio a acontecer) envolvendo o PSD, o CDS e o PCP ou o Bloco. Os primeiros por umas razões, os outros por outras (perderiam para sempre a pouca credibilidade que tinham). Se tal fosse possível, a direita não teria hesitado um segundo, só para impedir Sócrates de governar. Mas não foi. O derrube ficou adiado.

De facto, temos pena, mas esta oportunidade única e histórica para o PC, para o Bloco e também para o PS não pode ser desperdiçada. De nada serve acusar Costa de não ter obtido tantos votos como o PSD e o CDS juntos. É inútil. Também é com uma calculadora que se forma um governo. No entanto, se querem tanto governar, experimentem sem o apoio das restantes forças políticas. Se conseguirem e, antes disso, se Cavaco vos der posse, tudo bem. Terá havido uma bizarra extinção em massa no ocidente da Península Ibérica.

Há muita coisa importante em jogo do lado da esquerda neste pós-eleições. Sem nunca excluir a hipótese de todas as aproximações a que estamos a assistir não passarem de um jogo do PCP, ciumento do BE, e de uma alegre folia do BE assente num triunfalismo juvenil – que a ambos sairá muito caro, caso não resulte em nada de palpável (ficando o PS a ganhar com a falta de coerência e de ousadia dos outros) -, poder-se-á estar perante uma alteração histórica do exercício do poder em Portugal e da natureza dos partidos da extrema-esquerda também por cá. O radicalismo da direita de Passos em muito, se não em tudo, contribuiu para isso. Mas há também um factor que não é despiciendo: parece que o eleitorado gosta de novidades. Porque ganhou Passos, esse medíocre, as eleições em 2011? Porque, mesmo pondo em causa o apoio de grande parte do PSD social-democrata (e perdeu-o, sem dúvida),  se apresentou com a cartilha, inédita por cá, do neoliberalismo (com gurus tugas da Goldman Sachs por trás), da liberdade de escolha, do fim radical do Estado como interventor na economia, do endeusamento dos privados, etc., etc. a par da história da expiação dos pecados da soberba e da luxúria. Depois, deu no que deu e deu muito mal para a maioria dos portugueses. Deu numa oligarquia e numa grande miséria. Mas era novidade.

Agora a novidade é outra e vem da esquerda; não só os protagonistas não são medíocres, como também o resultado só pode ser bem melhor, já que pior é impossível. Não há como não achar a ideia atraente. Mais do que novo, o cenário é totalmente inesperado, arriscando-se a produzir mesmo uma revolução no panorama político português – a esquerda de protesto a querer finalmente assumir responsabilidades. Penso que a maioria dos portugueses, por estes dias, já classificaram Passos e Portas de lixo menos menos.

Banzada

Ouvi agora o Jerónimo de Sousa dizer que, no âmbito de um potencial acordo com o PS, o PCP rejeitará qualquer moção de censura vinda da coligação PSD/CDS que vise derrubar um governo do PS. Penso ter ouvido bem. Além disso, ouvi uma excelente comunicação de Jerónimo, merecedora de ser ouvida. Idem para a de António Costa.

Se António Costa conseguir o feito inédito de pôr a «esquerda pura» a corresponsabilizar-se pela governação, já ficará na história. Claro que ainda a procissão vai no adro. Mas ver figurantes tradicionais da política portuguesa, de cassete já gasta, a abandonarem finalmente a cassete e elevarem-se a protagonistas dizendo (para já só dizendo) algo de diferente parece-me admirável. A cara com que a direita terá assistido a este volte-face na política portuguesa não é difícil de imaginar. (Nem de propósito, eis já um título do Observador : 

“E se Costa não estiver a fazer bluff quando fala de governo à esquerda?”)

 

 

Ó Jerónimo, será que vamos ouvir um inesperado «habituem-se» da vossa parte?

Presos, ou o sucesso do Bloco

 

A alegria do Bloco com a conquista do dobro de lugares no Parlamento merece um comentário objetivo, algo frígido, que talvez refreie os sorrisos das meninas e desmanche os seus prazeres a prazo. Ou não. Há quem adore o poder, mesmo sabendo que faz figura de o ter. Sabemos hoje que nenhum governo de países do euro endividados é inteiramente livre para decidir as suas políticas e muito menos executar o seu programa. Em 2015, Portugal está ainda mais endividado do que em 2011. Na verdade, a iminência de bancarrota é real. A Troica não foi nem irá embora tão cedo e acompanha atentamente as eleições, como se vê pelos comentários e advertências já feitos, perante os seus resultados. Depois da experiência do Syriza, o que se suspeitava confirmou-se. Não há como ir contra a vontade e as ferramentas de coação dos credores. A não ser que se decida a saída do euro, coisa que o povo não quer (o grego, com muito menos a perder, não quis). É, assim, com algum dó que observo o entusiasmo dos bloquistas com o que consideram uma vitória e uma aproximação do poder. Mas não sem antes lamentar que ao partido socialista (e aos sociais-democratas em geral) nada mais reste do que uma enorme frustração e um contorcionismo desgraçado para encontrar o buraco da agulha por onde possa passar para preservar minimamente os seus princípios programáticos, se for governo nesta conjuntura, tornando-se nesse processo presa fácil dos predadores da direita, da extrema esquerda e de populistas em geral.

Voltando ao Bloco. É até possível que um dia destes lhes seja atribuída a oportunidade de governarem. Seguramente, nem se darão conta de que será o PS que assim quer e, mais do que querer, suplica. Chegará um momento em que a escolha será simples: ou Portugal é governado por delegados dos credores e dos mercados financeiros, como o executivo de Passos, e o país terá um conjunto restrito de pessoas muito ricas, sendo a restante população remediada, pobre, muito pobre, mas honrada, ou fugida, ou a tarefa ingrata e contranatura de partidos com preocupações sociais e desenvolvimentistas outrora importantes, como o PS, é voluntariamente (embora não pareça) deixada para radicais que nunca ocuparam o poder e que, ao contrário da frescura que pensam ter e espalhar, são por isso cordeirinhos ideais para serem imolados no altar da dura realidade e, na prática, fazer exatamente o mesmo que a direita, apenas desculpados pelos seus eleitores porque desafiaram fazer diferente. Alguém com um neurónio acredita que o programa do Bloco – que prevê a renacionalização da banca e das empresas privatizadas, o fim dos despedimentos, aumentos variados de salários e pensões, a renegociação da dívida, para resumir – será alguma vez posto em prática, caso cheguem ao poder?

Em Inglaterra, por exemplo, líderes da oposição sonhadores como Corbyn poderão ter alguma liberdade de ação se algum dia ganharem umas eleições. Se. A Grã-Bretanha não pertence ao euro nem vive uma situação de resgate. É um país rico. Mas, também lá, as pressões financeiras serão enormes, caso o atual líder trabalhista se apresente com hipóteses de ganhar. Possivelmente, nunca chegará ao poder. Em Portugal, o que estaria reservado a partidos como o Bloco seria igual ao que já vimos o Syriza executar. Se é isso que querem, força nisso, bloquistas, que os socialistas agradecem. Não tenho dúvidas de que metade das pessoas que votaram no Bloco nas eleições de domingo o fez por protesto, por simpatia, por gozo e por saber que não iriam governar. No entanto, nas próximas eleições, devíamos todos votar no Bloco. E sim, se necessário for, o PS deverá remeter-se para a penumbra. Enquanto esta Europa demente durar.

Não me esqueci que alguns defendem a «terceira via», neste caso a segunda, que consistiria em minar o sistema por dentro até o garrote castigador se soltar. Mas com que aliados? E como explicar isso a eleitores com pressa? Daqui a um ano, votemos todos no Bloco. Ou no Maçães. Parece-me indiferente.

Opinando sobre o PS

António Costa não deve demorar muito a colocar o seu lugar à disposição no partido, candidatando-se ou não a uma reeleição. Não é pela cara de ressentimento e pelo ar ameaçador do António Galamba. Seguro nunca teria conseguido melhores resultados, como parecem agora pretender os seus ressuscitados apoiantes. É evidente que não teria. Em conteúdo intelectual, Seguro não se distinguia de Passos Coelho. Apenas diferia, em seu prejuízo, no facto de não ter por detrás as máquinas aparelhísticas de Relvas, Marco António e Nuno Melo voltadas para o combate externo, nem o respetivo descaramento e pulhice profissional, nem a arrogância e ambição de ideólogos como António Borges, Moedas, Maçães ou Gaspar. O apelo aos corações e ao amor das e dos militantes também era penoso de ver em Seguro (mas é certo que Passos tem o crucifixo). A questão é que, perante o falhanço total das políticas do Governo (falo das metas numéricas, todas incumpridas, do perigo de bancarrota iminente, que não desapareceu, muito pelo contrário (apesar do que Portas diz), dos efeitos sociais, da degradação dos serviços públicos, do retrocesso cultural, educativo e habilitacional, por exemplo), e perante o cúmulo nunca visto de mentiras, deturpações e truques contabilísticos da coligação, as eleições não foram ganhas pelo PS. Costa não foi capaz de contrariar a propaganda nem a demagogia de Portas e Passos (complementada pela dos inúmeros comentadores e jornalistas de direita), desde logo no que respeita às cicunstâncias em que a Troica foi chamada e também à alegada retoma. Será capaz a partir de agora? E como, se a coligação, em equilíbrio instável, e já tendo percebido os tabus de Costa, vai reforçar ainda mais a estratégia de ataque e do outro lado existe um BE ufano e desafiante?

A seu favor, Costa tinha a experiência governativa e a liderança do município de Lisboa, ambas positivas, para além da aura de seriedade e competência de que gozava. Esses fatores devem ter tido algum peso, apesar de tudo, para o partido não ter ficado abaixo dos 30%, já que a campanha do PS para estas eleições foi mal preparada e Costa se mostrou, sobretudo na rua, mas também nalguns debates, sem garra nem combatividade.  As suas opções foram muito pela defensiva. Muitas delas totalmente erradas, como a do Seguro em relação a Sócrates e ao governo anterior. A um líder exige-se ousadia, mesmo contrariando o chamado senso comum.

Para além dos seguristas, que já começaram a ameaçar vingança, há bem quem entenda, ainda que com pena, que a estratégia de Costa não é ganhadora em geral (repararam como andava sozinho?): não o foi para estas eleições, quando tinha as condições ideais para o ser, já antes o não fora com a nomeação de Ferro Rodrigues para a liderança da bancada parlamentar, não o será para a legislatura que agora começa, com o partido ainda na oposição. Convém lembrar que as novas condições resultantes da perda da maioria absoluta pela coligação exigem extrema habilidade no quotidiano parlamentar e político e um plano de recuperação da maioria a médio prazo para o PS muito bem gizado. Quem estará à altura? Costa? Há milagres, mas, apesar de lhe reconhecer inúmeras qualidades e de ser capaz de lhe perdoar a falta de jeito para falar e discursar, tenho fundadas dúvidas. E não gostaria que o PS desaparecesse, caso Costa falhasse de novo. Não seria altura de o próprio António Costa incentivar Fernando Medina a avançar? Seria um desafio que lhe ficaria bem lançar, já que o próprio Medina provavelmente não desejará pôr em causa a confiança que Costa nele depositou ao escolhê-lo para número dois do município. Estarei curiosa para ver os objetivos e os valores que irão prevalecer.

Falemos das próximas eleições

A direita vai arranjar uma estratégia qualquer, ótima, para se fazer de vítima e alegar que o magnífico trabalho que estava a fazer foi bruscamente interrompido por irresponsáveis e que os mercados não gostam, que isso já se vê, etc. e tal, e ganhar assim as próximas eleições com maioria absoluta. O Bloco vai pressionar o PS todo o tempo para que derrube o governo, tendo já começado. Assim entalado, o PS tem que arranjar energia, inteligência e, muito importante, um bom e profissional «staff», para gerir tudo isto e ganhar as próximas eleições. Como dizia ontem uma amiga minha, a propósito da campanha bastante frustrante de António Costa: “Se o Costa ou os assessores não sabem como se faz, contratem-me a mim. Eu, por exemplo, sei o que ele havia de dizer. Poxa!” (para não dizer outra coisa).

Costa acabou de falar. Não foi claro.

Fraude nas contas? Subida do desemprego? Maioria absoluta logo à noite

Ou muito me engano, ou a Católica, a Intercampus, a RTP e a TVI podem arrumar as botas na segunda feira.

Pergunto-me o que leva estas empresas a jogarem toda a sua credibilidade nas anedóticas sondagens diárias. Será o desespero de quem está por detrás e pensa influenciar assim o voto dos ignorantes e da carneirada ou será o receio ou excesso de zelo do mero funcionário que agarra no telefone? Pode ser. É que incompetência técnica seria triste demais, penso eu. Ânsia de originalidade pode também ser. Mas, senhores, já viram a figura de alguém que leva com uma tarte de natas na cara depois de ter procurado ser original? Pois é. A tarte é figurada, mas olhem aqui uma amostra com imensa piada para quem vos vê…

Pergunto-me também por que razão os jornalistas-papagaios se prestam ao serviço. É que os resultados divulgados são, sob qualquer prisma, inacreditáveis e risíveis. Nem a PàF acredita neles.

Evidentemente, é sempre possível que a maioria dos portugueses tenha sido atingida por um surto da doença de Creutzfeldt-Jakob, estando louca, com o cérebro espongiforme, ou simplesmente cambaleante e atordoada com tanta mentira. Parece que, neste caso, dizem os estudos, passam a considerar as mentiras verdades e a adorar fanaticamente os mentirosos. Um assunto a aprofundar depois.

Para já, uma aposta: depois de descoberta, hoje, a 345.ª fraude do Governo e revelada a subida do desemprego no mês de agosto (repito, agosto), as sondagens desta noite vão dar maioria absoluta à coligação!

Veremos a confirmação da loucura, seja de quem e de que natureza for.

Um enganado da PàF

(Clicar aqui para ver o vídeo)

Esta pessoa, de nome Guilherme Leite, diz-se traída e enganada por Passos, ao qual chama mentiroso. Não deve ser a única em Portugal. Interessa, porém, dizer que, com mais um esforço, estou certa, esta mesma pessoa perceberá tudo o resto: quem estava afinal a defender o país em 2011, quem reduziu o défice antes da crise financeira internacional sem provocar crises sociais, quem não provocou a subida vertiginosa dos juros da dívida soberana em 2011 que levou à quase ruína das finanças públicas, quem lidou o melhor que pôde com os ziguezagues da União Europeia em 2009/2010, primeiro estimulando a economia, depois cortando drasticamente no investimento público e significativamente na despesa do Estado (com a contestação de todas as bancadas da Assembleia), quem negociou um acordo com as instituições europeias de modo a não haver Troika alguma em Portugal; por outro lado, e não custará assim tanto, perceberá também quem criou o ambiente de que fala Paulo Rangel (nomeadamente através de um pasquim de grande circulação e de insinuações em todo o lado) para que a Justiça prenda e mantenha preso um ex-primeiro-ministro sem acusação, em época eleitoralmente conveniente, quem tem a comunicação social nas mãos e acusa os outros de asfixia e de «atentados ao Estado de Direito», quem ocupa os principais espaços de comentário político, inclusivamente e sem qualquer prurido, em período eleitoral, quem mente, esconde as contas (ver, por exemplo, notícia de hoje sobre o BPN e a Parvalorem) e torna a mentir (mas isto, pelo menos, o Guilherme já percebeu). A lista seria infindável. Agora, é só limpar o cérebro de toda a propaganda da coligação e recomeçar a pensar do zero, utilizando todos os neurónios disponíveis. Não me parece difícil. Como exercício coletivo, traria incalculáveis benefícios ao país.

Olh’ó belo juro que afinal não era

Com a proximidade das eleições, o débito de mentiras e insanidades por parte da coligação atinge níveis nunca vistos. A coisa é de tal ordem que a desmontagem de uma mentira arrisca-se a passar despercebida, pois é instantaneamente abafada/superada por outra mentira ou por mais um anúncio mentiroso, e assim sucessivamente, de modo a que nunca os desmentidos prevaleçam nos ouvidos e na mente dos eleitores.

Lembram-se da anedota dos juros que ganhávamos com o adiamento da venda do Novo Banco? Já nos rimos uma vez:

Quanto mais tempo o Fundo de Resolução levar a amortizar o empréstimo junto do Tesouro, mais juros vai ter de pagar. Contudo, o contribuinte não ganha nada com isso. É que os juros que o Tesouro recebe são, ao mesmo tempo, despesa do Fundo de Resolução. E como o Fundo de Resolução faz parte das Administrações Públicas, os ganhos anulam-se. 

Ontem, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, argumentou que ao longo do tempo o efeito positivo seria visível, já que as despesas do Fundo vão sendo cobertas pelas contribuições dos bancos. Mas as contribuições dos bancos são, para todos os efeitos, receita pública – receita que fica desde já comprometida com esta despesa em vez de ficar disponível para futuras necessidades.

Agora podemos rir-nos mais uma.

O adiamento da venda do Novo Banco leva o governo a não pagar antecipadamente 2,2 mil milhões de euros ao FMI. Estado fica mais tempo com dívida cara e endivida-se em mais 1,7 mil milhões.”

A coligação anda divertidíssima a atirar poeira para os olhos das pessoas. Parece que há palermas que gostam.

O respeito, a boa educação e o convite à leitura não ganham estas eleições

António Costa está a fazer uma campanha eleitoral cordata, argumentativa e racional. Em termos absolutos, é a campanha ideal. Mas tudo é relativo. A coligação, pelo seu lado, faz uma marcação cerrada a Costa e mune-se de todas as técnicas conhecidas, aliás previsíveis, de engano, demagogia e tiro ao alvo com qualquer arma que dê jeito e venha à mão para demolir o seu adversário e ganhar o eleitorado. Um eleitorado cujo alheamento da política bem conhecem e melhor ainda exploram.

Não me parece que Costa esteja a retirar alguma vantagem da sua postura. A sua cordialidade, sobretudo, não tem justificação perante o rol de mentiras, deturpações e estratégias manhosas a que diariamente assistimos por parte da dupla Passos/Portas. Veja-se o caso do «lapso» relativo ao pagamento de uma tranche ao FMI. Este dito lapso aconteceu no exato dia (ontem) em que se noticiava pela manhã mais um aumento da dívida pública em 1,3 milhões de euros. Enquanto os jornalistas, e por arrasto os políticos e comentadores, se concentraram na suposta «gaffe», a questão da dívida passou totalmente ignorada, tendo Passos ainda aproveitado o ensejo para culpar o anterior governo pela «obrigação» que agora estava a pagamento. (Veja-se o que diz sobre isto Nicolau Santos.) É o que se chama matar dois coelhos de uma cajadada. Infelizmente, nenhum deles é o Coelho que interessaria ao PS abater.

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Não quero com isto dizer que António Costa deva desatar a insultar os seus adversários principais, embora bem o merecessem, dada a total falta de vergonha com que se apresentam, seguros de que passarão impunes. Mas, havendo tanto que rebater diariamente e tão facilmente (e Costa já mostrou ser capaz de o fazer de maneira incisiva e desarmante), não se percebe o exclusivo afã esclarecedor de Costa e a sua passividade perante os ataques, que vêm de todos os lados (sendo a dobrar do lado da coligação) e se referem a todos os tempos, chegando ao ponto de se deixar gozar por andar como que a divulgar a Bíblia e a pregar o Evangelho segundo São Centeno ao brandir sistemática e repetidamente o programa elaborado por um conjunto de economistas sérios e bem intencionados. E brande-o sem moderação.

Muito poucos portugueses irão ler o programa do PS para uma futura governação. Deviam lê-lo? Sim, deviam. Mas não o vão fazer. Até porque têm (sem qualquer culpa de Costa, reconheça-se) motivos para considerar este tipo de programas irrelevante, sobretudo nesta fase. A realidade é que o combate da campanha trava-se na arena, não num centro de estudos. A arena de hoje são as televisões, a rádio, a Web e a rua. E, na arena, quer se queira quer não, avaliam-se as técnicas de golpe e contragolpe dos contendores, assim como o seu ânimo e segurança, em relação ao outro, não à bondade do propósito individual, até que um deles apareça como vencedor. Embora seja sabido que não é católico, a verdade é que Costa confia demasiado no poder da pregação e no sistema de oferta da «outra face», defendido, segundo consta de escritos antigos, por J. Cristo. Faz uma bela vítima, mas não mais do que uma vítima. Dizem que se ganha o céu. Mas penso que o objetivo, neste caso, é ganhar a Terra.

Não tenho dúvidas de que, uma vez no poder, Costa fará incomensuravelmente melhor do que a corja de aldrabões sem pátria que agora lá está. A Câmara de Lisboa funciona como bom exemplo e garantia. Para lá chegar, porém, tem que passar ao ataque. Se preciso for, mude de assessores. Arrange uns que o informem das calinadas, patacoadas, aldrabices e charlatanices diárias, e também passadas, dos membros da PàF. Mesmo dando desconto às sondagens, algo vai mal nesta campanha. E, definitivamente, não tem só que ver com o que é dito neste artigo.

Catarina Martins congela o sorriso com Costa

Confrontada com o programa real e totalmente delirante do Bloco de Esquerda e com a sua mera retórica, Catarina insiste na mentira em relação ao corte das pensões alegadamente previsto pelo PS, parece um disco partido a que o moderador não acode e continua a sorrir. Não foi bonito vê-la passar de um sorriso rasgado para um sorriso amarelo. Mas estava a pedi-las.

(Acabei de ver o debate entre os dois na TVI24)

Se nem um sorriso aguentam, que vai ser deles?

«De que ri José Sócrates?» é o título de um artigo publicado no Público por São José Almeida. Vale a pena ler para confirmar como os colunistas deste jornal poderiam estar, quase todos, a colaborar na secção de répteis do Observador, que ninguém daria pela diferença. Uma boa parte do artigo é, surpreendentemente, dedicada a enumerar anormalidades várias (embora não todas) deste processo, como a prisão preventiva, a sua duração, a falta de acusação, o desrespeito da presunção de inocência, as fugas de informações, parciais e fragmentadas (mas já não as mentiras e insinuações diárias, plantadas em grandes parangonas nos pasquins oficiais), assim como a relação de tudo isto com o estatuto especial do personagem na vida política portuguesa.

 

Porém, uns certamente difíceis parágrafos volvidos e aí está São José a achar que nada daquilo interessa, são meros pormenores, e que é impossível que Sócrates pense que os portugueses o consideram inocente. Os portugueses, claro está, são … ela. (Presunção de inocência? Ela disse isso?) Não está inocente, sabe ela, desculpem, sabem os portugueses. Assim, culpadíssimo, nunca o homem devia ter sorrido ao cumprimentar o seu advogado na noite da libertação. Devia ter chorado. Se possível, em choro convulsivo. É que é triste sair de uma prisão.

Mas esta mulher empunha decididamente um chicote. Sócrates não deve também falar publicamente. Neste caso, porque influencia demasiado a vida política. Como se ele, socialista, não soubesse o que fazer.

 

Em que baseia São José a sua chicotada? Em que é impossível que um ex-primeiro-ministro absolutamente perseguido e massacrado durante anos do seu mandato, e sem nadar em dinheiro, tenha ido para Paris fazer o que lhe deu na real gana – e vá lá que lhe deu para estudar em vez de se meter na droga -, pedindo para isso dinheiro a um amigo rico, que, não é difícil de imaginar, até lho ofereceria se preciso fosse. Não pode. Impossível, acha ela enquanto insinua que são os portugueses quem acha. Depois do Freeport e da frustrada mas profundíssima investigação da TVI de Manuela Moura Guedes, e depois de perdidas as eleições em 2011, o mínimo que o homem devia ter feito, na ótica da escriba, era pedir autorização a Rosário Teixeira para se ausentar do país, pedir a sua aprovação para a modalidade de financiamento da sua estadia sabática e, nada disto tendo feito, ir pelo seu próprio pé requisitar uma cela à Procuradoria. E nunca mais rir. Só para deixar a senhora São José satisfeita.

 

Quer a senhora saber de que ri José Sócrates? De alívio, de satisfação! Encarceraram-no sem facto algum e, dez meses depois, querem fazer de Vale do Lobo o grande tema da acusação. Vale do Lobo. O homem devia era estar a dar gargalhadas. Certamente já o fez. Depois, suponho que ria também dos procuradores e juizes, das atribulações das investigações, divertidas se a inocência for um facto, e ainda dos Tavares e das São Josés deste mundo, que não sabem do que falam, apenas expelem ódio e vertem em letra acusatória convicções pessoais e conjeturas, e que vão, eles sim, passar o resto dos seus dias a desativar as granadas de que demasiado prontamente se muniram, não vão elas explodir-lhes nas mãos. De pouco valerá o chicote.

Na direita, não se distinguem os broncos dos ardilosos

Passaria pela cabeça de alguma criatura inteligente que José Sócrates falasse para dizer mal da atual direção do PS? Isto em vésperas de eleições? Pois é o que passa pela cabeça da direita: comentadores, políticos e jornalistas começaram aos pinotes mal o homem saiu de Évora, excitados com a perspetiva de Sócrates criticar António Costa. Alguns chegam ao delírio de declarar que Sócrates quer que o PSD ganhe as eleições. Mas parem aí, oi! Afinal dizem isso porque querem que Sócrates critique Costa (eventualmente pelo picante e o entusiasmo de que estão totalmente privados com o gélido e enfadonho Passos) ou para alertar Sócrates para a obrigatoriedade de respeitar António Costa? Neste caso, estariam a ser super-queridos. Ou paternalistas?

Não se sabe. Excitam-se com o marmanjo e perdem a cabeça como num casino. Apostam nisto, apostam naquilo, encavam, enfim, quem assiste, diria que retomam o prazer de viver. Compreende-se. É que o país está há quatro anos nas mãos de um agente funerário e de um míscaro engravatado, que se esganiça para parecer importante, que diz e se desdiz à velocidade da luz, mas faz número. Alinha em tudo por um poleiro. Sócrates é outro campeonato.

Mas, retomando o mistério, dir-se-ia que, sendo Sócrates um bandido, as críticas que pudesse tecer só beneficiariam António Costa. Não? Ah, esperem. E os elogios? Não será que, de facto, o prejudicam? É que Sócrates é um ladrão, lembram-se? Roubou aos portugueses todo o dinheiro que perderam. E elogios de um ladrão… não sei não. Então, se calhar, era melhor que o elogiasse. Mas que embrulhada.

Para os pretensamente objetivos, as discordâncias entre Sócrates e Costa, a serem expostas, enfraquecem o partido socialista. Mas isso só acontece se Sócrates não for um ladrão, um corrupto e um criminoso. Parece, assim, que acham que não é. Na direita, até os ardilosos são esquisitos.

Rui Ramos já não tem certezas

Para grande inquietação e desespero de Rui Ramos, historiador que escreve no mais direitola jornal digital do momento, Sócrates, tragicamente, não caiu por causa das campanhas que lhe moveram os cães raivosos da direita. Caiu porque calhou estar à frente de um executivo minoritário na altura em que rebentou a maior crise financeira internacional de há muitas décadas, com consequências na banca nacional, nas empresas, nos trabalhadores e em toda a classe média e baixa em geral. Caiu porque era facílimo culpá-lo de todas as desgraças. Caiu por javardice política. O temor que este facto lhe provoca, a ele, o guardião da decência e dos bons costumes (tão decente que é a direita, a começar no Cavaco!), não vá o povinho voltar a reconhecer qualidades ao bicho, leva-o a escrever uma crónica em que não consegue, apesar de tudo, esconder as dúvidas. Afinal o homem é criminoso, não é criminoso, o seu comportamento pertence ao foro da Justiça ou deve apreciar-se meramente à luz da moral? E defende que se discuta o caso. Possivelmente, fonte de quase tudo o que sabemos, brandindo o Correio da Manhã. Até Sócrates falar, lembremos que, até ver, sem acusação, nada sabemos de verdade. Mas, pelo menos, este galaró acha a questão discutível. A sério.

É natural que, depois desta constatação pública, minha e de outros, de uma admissão de dúvida, Rui Ramos volte às certezas certezinhas já na próxima crónica, não tendo isto passado de um momento de incompreensível e imperdoável fraqueza. Não é esta a normalidade dos caluniadores. Por exemplo, o Zé Manel mesmo ali ao lado não deve ter gostado.

Só há uma palavra: estupor

Vasco Pulido Valente, em mais um vómito de crónica, decidiu hoje implicar com personalidades que decidiram ir estudar já em idade avançada e com uma carreira feita. O alvo privilegiado do escárnio é, como não podia deixar de ser, Sócrates. O que é que o homem tinha que ir estudar filosofia? Que interesse foi esse, que curiosidade, que pretensão? Enfim, que ousadia? E também que parolice? Não saberia ele que só pessoas de apelido Pulido Valente (o pedante bacoco omite sempre que o nome por que escolheu ser conhecido não é o de nascimento), Mónica e equiparáveis é que podem frequentar universidades estrangeiras de renome? Francamente! E o livro? Impossível ter sido aquele analfabeto das Beiras a escrevê-lo! Claro que não foi. Como sabe? Não diz. Mas insinua.

 

Para chegar a Sócrates, começa por implicar com Eanes, por ter ido tirar um doutoramento em Espanha, já depois do fim da sua carreira política e militar. E eu pergunto: o que é que ele tem a ver com isso?

 

Mas o cúmulo da sabujice é mesmo quando decide meter pelo meio o Relvas e a sua passagem pela Universidade Lusófona. Como todos sabemos e já foi devidamente sancionado, Relvas, apesar de “pautar a sua vida pela busca do conhecimento permanente”, não foi estudar coisa nenhuma. Relvas foi comprar um canudo e possivelmente nem isso. Pode ter sido em saldos ou mesmo oferta da casa. Meter Relvas nesta crónica é dizer que nenhum dos outros foi verdadeiramente estudar. O que é um insulto.

 

Este homem conspurca o espaço público e o Público. Um jornal, diga-se, que, não respeitando os seus leitores, já faz gala em conspurcar-se com o João Miguel Tavares, o caluniador principal e grande instigador de ódio só porque sim. E porque pode.

Ai Fernando, não estavas a trabalhar como deve ser

O diretor de informação da Lusa foi demitido pelo conselho de administração em pleno começo da campanha eleitoral. Fernando Paula Brito fora nomeado para o cargo logo após as últimas legislativas, em 2011, já com o atual governo em funções. É, assim, extraordinário, o modo como a presidente do dito conselho, Teresa Marques, quando confrontada pelo conselho de redação (CR) com a coincidência de tal medida com o período eleitoral, justifica a decisão.

Eis o que diz o Público (bold meu):

«Em comunicado, o CR refere que, na reunião com o CA, questionou Teresa Marques sobre o que a levou a mudar o director de informação no período pré-eleitoral e os motivos que estão na base dessa decisão, tendo “insistido na questão de o momento da escolha de mudança de DI poder ter uma leitura política (a um mês das eleições)”. Teresa Marques respondeu aos elementos do CR que “é um momento difícil mas não político”, porque momento político seria se a mudança fosse a seguir às eleições, garantindo que “não vai haver um mínimo de alteração em relação à forma como vai ser feita a cobertura das eleições”. Teresa Marques disse também ao CR que a Lusa tem de “aumentar receitas e reduzir custos e isso vai ser tudo menos reduzir pessoal”, sublinhando que a agência de notícias tem “capacidade interna para criar uma nova direcção de informação”.

A preocupação com a leitura política é partilhada pelos 35 editores e editores-adjuntos da Lusa que, em comunicado, manifestaram “incredulidade” com o “momento escolhido” para afastar a direcção de informação da agência noticiosa, considerando a decisão “inapropriada” devido à proximidade das legislativas.»

A ver se percebo: o atual diretor foi nomeado num chamado «momento político», certo? Certo e confirmado. Para evitar um «momento político» após as próximas eleições, depois de uma mudança de governo, assegura-se já o cargo ao Camacho?  É isto?

Respira-se tão mais desafogadamente agora.

No fundo, obrigada, Correio da Manhã

Esta é a capa, onde se pode ler «Parque Escolar, TGV, futebol».  O rol já conhecido dos leitores, que, no entanto, podem já ter-se esquecido. Clicando na notícia, porém, obtemos a seguinte informação primeira:

Sócrates alvo de novas investigações.

Processo vai centrar-se no caso Vale do Lobo.

 

 

Sem querer, este extraordinário pasquim vai dando inteira razão a Sócrates quando este afirma que o processo anda a saltitar de tese em tese, detendo-se a cada poiso na barreira da verdade. Assim é que as parangonas já nos levaram a Paris, Lisboa e arredores, Suíça, Leiria, Angola e Brasil, sem que de tais alarmes tenham resultado desenvolvimentos capazes de transformar o Correio da Manhã num jornal sério e os senhores procuradores em exemplos de competência, respeito pelos direitos dos cidadãos, racionalidade e isenção.

Não sabemos se o referido TGV tinha um ramal para Vale do Lobo ou se lá foi construída uma escola de luxo ou um estádio de futebol com bancadas de ouro, mas, recentemente, temos sido transportados até à estância turística do Algarve, onde a tese parece fazer ainda menos sentido do que as restantes. Trata-se, tudo indica, de mais uma escala bem sonante, mas gorada no que a uma acusação diz respeito. A ligeira demora nesta escala – talvez por estar na iminência de ser a última? – leva o jornal a noticiá-la só porque sim, como prova a notícia acima (e nem preciso de ler o resto). Assim como que para alertar que a viagem ainda não acabou, e que a galhofa ao longo do passeio continua garantida. Aqui, aliás, vão ainda escavar um bocadinho mais por mais galhofa, enquanto os senhores investigadores não se despacham, e por argumentos para que os senhores juizes que apreciam os recursos da defesa, e a Judite de Sousa, invoquem a opinião e a convicção públicas. Trabalho em rede é moderno e é isto.  Mas, azar, Sócrates parece ter razão.

 

Falemos do que não sabemos

Sérgio Figueiredo publica hoje no DN um artigo em que explica o “despedimento” de Augusto Santos Silva (ASS) da TVI24. Do que li, os factos parecem ser os seguintes: desagradado com a mudança constante de programação do canal (era notória), ASS escreve um e-mail ao diretor de informação a pedir esclarecimentos. Este responde-lhe cordatamente (a carta é reproduzida no artigo do DN) e propõe-lhe um encontro. ASS aceita conversar. No mesmo dia, escreve um desabafo numa rede social, tornando pública a contenda e deixando o diretor embaraçado e furioso.

O que se terá passado nesse dia para que ASS não esperasse pela conversa? Não sabemos. Mas gostaríamos de saber. Também não sabemos quanto tempo demorou Sérgio Figueiredo a responder ao primeiro e-mail. Sabemos, sim, que ASS se queixou durante algum tempo de não ter explicações.

O artigo de Sérgio Figueiredo é violento. Eventualmente tem razão. No entanto, a justificação dada para o saltitar do programa colhe muito pouco. Convém lembrar que o programa trata de política.

«Entendo que um canal de informação deve ser ágil e reagir a factos relevantes da atualidade. Se editorialmente a TVI entende que algo de inesperado e impactante aconteceu nesse dia ou se uma notícia que a estação deu e provocou ondas de choque na vida política e nacional (como sucedeu nesta semana com a reportagem Negócios do Plasma) é nossa obrigação não ficarmos a contemplar uma grelha de programação, seguramente interessante, mas estática e desajustada aos factos noticiosos que a maioria das pessoas nesse dia procura.

É evidente que isso introduz maior instabilidade nas rubricas fixas, nomeadamente no espaço de comentário premium do canal, como é esse o seu caso.[…]

[…] Se há uma operação de resgate dos bens pessoais da família mais importante dos últimos 50/60 anos de Portugal, se esse momento marca simbolicamente o fim de um império que dominou grande parte da economia portuguesa, e também da política, é meu entendimento que a TVI 24 tem o dever de ajustar e responder em prime-time a esse imponderável.»

Por que razão um acontecimento político ou social importante de um dado dia não pode ser integrado como tema no programa de comentário desse dia?

Pergunto-me se essa mobilidade do programa fixo também é imposta a outros programas de comentário. Assim de repente, não me parece. A questão do futebol também não é sequer mencionada.

Independentemente da sinceridade do que diz Sérgio Figueiredo e da sua boa fé, parece-me que há, no mínimo, algum amadorismo na organização da programação. E algum desrespeito, sim. Algum melindre da outra parte também me parece compreensível.

Falta agora a resposta de ASS.

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Adenda

Resposta já anunciada:

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