Presos, ou o sucesso do Bloco

 

A alegria do Bloco com a conquista do dobro de lugares no Parlamento merece um comentário objetivo, algo frígido, que talvez refreie os sorrisos das meninas e desmanche os seus prazeres a prazo. Ou não. Há quem adore o poder, mesmo sabendo que faz figura de o ter. Sabemos hoje que nenhum governo de países do euro endividados é inteiramente livre para decidir as suas políticas e muito menos executar o seu programa. Em 2015, Portugal está ainda mais endividado do que em 2011. Na verdade, a iminência de bancarrota é real. A Troica não foi nem irá embora tão cedo e acompanha atentamente as eleições, como se vê pelos comentários e advertências já feitos, perante os seus resultados. Depois da experiência do Syriza, o que se suspeitava confirmou-se. Não há como ir contra a vontade e as ferramentas de coação dos credores. A não ser que se decida a saída do euro, coisa que o povo não quer (o grego, com muito menos a perder, não quis). É, assim, com algum dó que observo o entusiasmo dos bloquistas com o que consideram uma vitória e uma aproximação do poder. Mas não sem antes lamentar que ao partido socialista (e aos sociais-democratas em geral) nada mais reste do que uma enorme frustração e um contorcionismo desgraçado para encontrar o buraco da agulha por onde possa passar para preservar minimamente os seus princípios programáticos, se for governo nesta conjuntura, tornando-se nesse processo presa fácil dos predadores da direita, da extrema esquerda e de populistas em geral.

Voltando ao Bloco. É até possível que um dia destes lhes seja atribuída a oportunidade de governarem. Seguramente, nem se darão conta de que será o PS que assim quer e, mais do que querer, suplica. Chegará um momento em que a escolha será simples: ou Portugal é governado por delegados dos credores e dos mercados financeiros, como o executivo de Passos, e o país terá um conjunto restrito de pessoas muito ricas, sendo a restante população remediada, pobre, muito pobre, mas honrada, ou fugida, ou a tarefa ingrata e contranatura de partidos com preocupações sociais e desenvolvimentistas outrora importantes, como o PS, é voluntariamente (embora não pareça) deixada para radicais que nunca ocuparam o poder e que, ao contrário da frescura que pensam ter e espalhar, são por isso cordeirinhos ideais para serem imolados no altar da dura realidade e, na prática, fazer exatamente o mesmo que a direita, apenas desculpados pelos seus eleitores porque desafiaram fazer diferente. Alguém com um neurónio acredita que o programa do Bloco – que prevê a renacionalização da banca e das empresas privatizadas, o fim dos despedimentos, aumentos variados de salários e pensões, a renegociação da dívida, para resumir – será alguma vez posto em prática, caso cheguem ao poder?

Em Inglaterra, por exemplo, líderes da oposição sonhadores como Corbyn poderão ter alguma liberdade de ação se algum dia ganharem umas eleições. Se. A Grã-Bretanha não pertence ao euro nem vive uma situação de resgate. É um país rico. Mas, também lá, as pressões financeiras serão enormes, caso o atual líder trabalhista se apresente com hipóteses de ganhar. Possivelmente, nunca chegará ao poder. Em Portugal, o que estaria reservado a partidos como o Bloco seria igual ao que já vimos o Syriza executar. Se é isso que querem, força nisso, bloquistas, que os socialistas agradecem. Não tenho dúvidas de que metade das pessoas que votaram no Bloco nas eleições de domingo o fez por protesto, por simpatia, por gozo e por saber que não iriam governar. No entanto, nas próximas eleições, devíamos todos votar no Bloco. E sim, se necessário for, o PS deverá remeter-se para a penumbra. Enquanto esta Europa demente durar.

Não me esqueci que alguns defendem a «terceira via», neste caso a segunda, que consistiria em minar o sistema por dentro até o garrote castigador se soltar. Mas com que aliados? E como explicar isso a eleitores com pressa? Daqui a um ano, votemos todos no Bloco. Ou no Maçães. Parece-me indiferente.

41 thoughts on “Presos, ou o sucesso do Bloco”

  1. é o partido do sobe e desce.e já agora inutil.com ele tirando os temas fraturantes oferecidos por socrates,só têm feito merda sob a batuna de louça na clandestinidade.aguardemos pela utilidade do bloco!

  2. os abstencionistas,tirando casos de velhice e doença,é gente que anda a comer à custa dos subsidios. temos que caminhar para o voto obrigatorio como na grecia p.exp.estou farto de chulos democraticos.consultem os cadernos eleitorais e vão ver a que conclusão chegam. ninguem é obrigado a votar,mas uns pela razoes expostas saõ mais do que os outros!

  3. Um post que encerra o problema do PS (e dos partidos congéneres). Preferem encolher-se (literalmente) à espera que a Europa mude em vez de usar a força que (ainda) têm para a mudar.

  4. agora vão ter de convencer a camarada domicília que acabou a campanha e vai ter que dar o lugar a outro.

  5. Luis: Na Europa, manda a Alemanha. Nos países resgatados, não manda, ocupa. O ideal seria os partidos socialistas fazerem como você diz, mas, por cá, isso exigiria um líder sobredotado em jogos de cintura. Neste momento, não existe.

  6. Ser sonhador merece a minha compreensão: Já a inverdade não. Se conseguirmos pagar as contas, sem os empréstimos dos outros, também como muitos países do euro, poderemos fazer e seguir a politica que desejamos. Esta linguagem de passa culpas e digamos mistificação, tem muitos seguidores, pouco seguros e voláteis; quando confrontados com a realidade, como se viu na Grecia, voltam o bico ao prego num abrir e fechar de olhos. O que mostra como a mentira não aguenta o embate com a realidade.
    Na minha aldeia, já ouvia o meu avô dizer : quem não tem dinheiro não tem vícios.
    Uma fauna urbana mantém umas narrativas bem líricas, vamos a ver até quando, conseguem vender ilusões.

  7. 1/2 – O TINA do PS em todo o seu “esplendor”. De mãos dadas com PSD/CDS e com Teixeira dos Santos/Banca chamaram a troika, depois do PSD roer a corda dos PEC’s Durante a “crise” Gaspar/Portas, envolveram-se em guerras intestinais para correr com o Seguro, o das “abstenções violentas”, que vencera as autárquicas e, contrariando a maré europeia, até aguentara as europeias. Perdida a maré do Costa, apelaram à votação cega dos eleitores do Bloco e da CDU e pediram as “maiorias” absolutas. Perderam uma e outra. E ei-los de novo em guerrilhas intestinais para darem novo fôlego ao PSD/CDS e a esCavaco, disponíveis para votarem o OE do PáF que deu Plóff. Apesar de PS/BE/CDU terem larga maioria no Parlamento, o PS está, como sempre, aberto à direita, no colo da direita ou de mãos dadas com ela.

  8. 2/2 – Sem entenderem que “Pode-se enganar todo o Povo por algum tempo, pode enganar-se algum Povo todo o tempo. Mas não se pode enganar todo Povo por todo o tempo. (Lincoln)” e que “O trabalho é mais importante e é independente do capital. O capital é apenas o fruto do trabalho e não existiria sem ele. O trabalho é superior ao capital e merece a consideração mais elevada.” (Lincoln). Parafraseando Cícero “Até quando, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo a tua loucura há-de zombar de nós?”

  9. oh luís, o último governo do ps tentou evitar a intervenção a todo o custo e demitiu-se porque os partidos que agora exigem actos patrióticos aos socialistas se uniram à direita e chumbaram o plano (péque4). agora querem o quê? que os socialistas tenham a iniciativa de chumbar o governo para haver outras eleições e eles subirem a votação à custa dos votos socialistas e assim sucessivamente até o partido socialista desaparecer do mapa eleitoral. se calhar pensas que somos todos domicílias.

  10. Alguém sugeriu a introdução do VOTO OBRIGATÓRIO.

    Num país, em que o incrível número de pessoas inquiridas acredita que está a ser vista do outro lado do ecran, acho essa medida aterradora.

    Com efeito, aquando de uma sondagem sobre audiometria ou medição de audições para efeitos de ranking de programas de canais TELEVISIVOS, o número de pessoas que disseram acreditar estarem a serem vistos do outro lado do ecran, deixou-me boquiaberto .

    Ora quem acredita nisso, em face da imbecilidade ou atraso civilizacional/académico que demonstra, também acreditará que, no tocante áquele em que vai votar, que está a ser visto, no acto de votação.

    Se a medida fosse avante, parece que já estou a ver políticos do género Valentim Loureiro a dizerem, NO DIA DA ELEIÇÃO, TENHO A CERTEZA QUE VAIS VOTAR EM MIM, e NO DIA DA VOTAÇÃO LÁ ESTAREI PARA CONFERIR O TEU VOTO.
    Outra consequência certa e nefasta, seria o voto de cabresto nos meios rurais, por influência do clero mais retrógrado.

    Fico estupefacto perante a sugestão do VOTO OBRIGATÓRIO.
    Nm país como o nosso, só faltaria a alguns espertinhos, acrescentar, VOTO OBRIGATÓRIO NO PARTIDO TAL .

  11. António Cristóvão: Qualquer país consegue pagar as contas se a economia for bem. Se se destroi a economia, essa obrigação torna-se impossível de cumprir (e penso que não está a dizer que as dívidas dos Estados são para pagar como a conta da luz). As políticas de austeridade colocam os países na dependência eterna dos credores, porque não há como reduzir a dívida com economias destruídas e populaçoes sem poder de compra. Todos os países têm dívida. A nossa rondava os 94% do PIB em 2010, e bem menos do que isso antes da crise de 2008. Onde é que já chegou com a austeridade que era suposto ajudar a reduzi-la?

  12. Ó Penélope, atenção que havia dívida orçamentada e dívida não orçamentada.
    Esta última, como sabe, pertença do sector empresarial do estado e empresas públicas, Metro, CP, CARRIS, REFER, RTP e por aí adiante. As dívidas das autarquias possivelmente também não estavam orçamentadas. E depois havia o ” buraco da Madeira ” e os buracos dos bancos ” que todos afirmavam estarem sólidos e não serem a causa do resgate .
    Foi o que se viu : falência do BES e empréstimos para capitalização do BANIF, BPI, BCP e CGD .
    A dívida que estava não orçamentada ou oculta no orçamento, era para aldrabar as contas públicas. Porém, era dívida e era para pagar . Todos desde Durão Barroso/M. Ferreira Leite usaram subterfúgios e espertices para maquilhar as contas do Orçamento e evitarem recriminações e mesmo multas da Comissão Europeia, por incumprimento do deficit.
    Depois veio a Troika e a conta da dívida foi toda metida no mesmo saco.
    A Troika veio porque nós nos pusemos a jeito. As instruções de Bruxelas eram para investir no sector público e portanto gastar dinheiro, mas, INVESTIR E GASTAR DENTRO DO POSSÍVEL.
    Como não tínhamos dinheiro gastamos o que não tínhamos .
    Investimos e gastamos, muito para além do possível.
    E não foi só nas obras públicas da área de decisão do governo, também as entidades a quem FOI ENTREGUE O LIVRO DE CHEQUES, casos da acima mencionadas METRO, CP, etc., andavam a gastar à grande e à francesa .
    Quando os credores decidem impor condições mais duras e até mesmo especular, os países mais endividados, que estão em condições de maior debilidade, é claro, sofrem as consequências.
    Para agravar o cenário, existem uns Migueis de Vasconcelos que não hesitam em lucrar com a oportunidade, José Luis Arnaut e quejandos .

  13. Penélope, a economia está paralisada porque os bancos não emprestam dinheiro aos privados para investir . Porque o hão-de fazer se conseguem ou conseguiram assegurar muito maior lucro e sem risco com compra de dívida pública portuguesa e de outros países ?
    E depois, mais grave que tudo, a CGD, que é um banco de Estado, empresta ao capitalista Mello, da Brisa, avultada quantia e sem garantias credíveis . Apenas para salvar a família Mello da falência e da desgraça . Idem para um outro bacano dos cimentos, que incumpriu e viu parte da dívida e juros perdoada . Porém, a empreendedores ” normais “, não empresta .
    Acho mirabolante os bancos nacionais emprestarem dinheiro ao Estado português porque este não tem dinheiro e simultaneamente o Estado português empresta aos mesmos bancos por eles não terem liquidez.
    Dá que pensar, não?
    Eu suspeito que caso ocorra um colapso de um ou mais que um bancos, o badalado FUNDO DE GARANTIA DE DEPÓSITOS, que cobre até 100.000 euros por titular, pura e simplesmente não existe e como tal não pode ser assegurado nem pelos bancos nem pelo governo .

  14. Continuem a não ver a floresta a arder. O PS se não ganhou estas eleições (em que tivemos o pior governo que houve em Portugal desde Abril de74) nunca mais ganha eleições nenhumas , porque o PS não é carne nem peixe, nem é esquerda nem direita . O declinio vai-se acentuar e Penelope por mais que lhe custe será o BLOCO que irá ocupar o espaço da esquerda social democrata que o PS devia protagonizar,. O Ps será no futuro a muleta do PSD até se reduzir á insignificância . A não ser que abandone a terceira via blairista que hoje começa a estar completamente ultrapassada.

  15. PORTANTO, vamos ver esta gaja e gajas sentadas no CHÃO a fumar um bourreau.

    E a despachar o expediente de ténis….olhem-me para aquilo!!! Mas aquilo APRESENTA-SE pás? Aquilo lembra-me os MRPP do antes armados em salvadores com espirito do maio de 68.

    Que COMUNALHADA. Ainda por cima, a gaja NUNCA apresentou soluções, caramba.

    Fogo, esta gaja deve ser daquelas que considera as pousadas de juventude, hotéis de cinco estrelas…
    Caramba!

  16. fifi
    6 DE OUTUBRO DE 2015 ÀS 17:29
    os abstencionistas,tirando casos de velhice e doença,é gente que anda a comer à custa dos subsidios.

    FIFI, DEVE ESTAR A BRINCAR! DEVE ESTAR A BRINCAR! EU SOU ABSTENCIONISTA. Sabe porquê?
    PORQUE NÃO ACEITO MEDIOCRIDADE NEM A NOJEIRA que se tem visto neste País! Vou-me deslocar para votar na mesma TRAMPA, mesmas MOSCAS?!

    E não vivo de subsídios! PAGO é os passes e livros desses ESQUERDALHAS que choram por tudo e nada!

  17. Antonio Lourenço: Não percebeu o meu post. Mal posso esperar por esse momento em que o Bloco sobe ao poder nesta conjuntura concreta!

    A minha terceira via estava entre aspas, pois não era a via Blairista a que eu me referia. Era a alternativa à política da direita atual e à do Bloco futuramente no poder, que são a mesma (ver o Syriza), e por isso lhe chamei segunda via (a dos socialistas/sociais-democratas).

  18. Abraham Chévre au Lait
    6 DE OUTUBRO DE 2015 ÀS 19:40
    fdp, o Camilo Mortágua ? Vai chamar-lho na cara,se tens coragem,pide cagão!

    Mas ó Gajo em extinção, tens dúvidas que o gajo é isso mesmo?

    Então, vocês podem aqui dizer tudo e os OUTROS não? Este gajo OCUPOU e tem um passado que é públicamente conhecido. Ele não o desmentiu. Junta a isso o código genético, e a educação COMUNA deste gajo, ó ChÈvre podre. Qual é o teu problema pá, para além de seres ESQUERDALHA?!

  19. CARAMBA! Olho para a imagem e dá-me vontade de correr com aquilo tudo para uma reserva… que comunas, pás, aquilo cheira a esquerda só de de olhar para elas, ó pa elas.

  20. Agora ou nunca, uma chance aos comunistas de 1917, do Jerónimo. e aos comunistas 100 anos mais novos, o das raparigas durante 1 anito.

    Vamo lá!

  21. Penélope, esta “Europa demente” não é a Europa do marco… perdão, do euro?
    E não irá “esta Europa demente durar” enquanto durar o marco… perdão, o euro?
    E não será o garrote do marco… perdão, do euro o principal factor a tornar demente esta “Europa demente”?
    Ou será que a hipótese de saída do euro não presta só porque o Bloco também a defende?
    É por o Bloco defender a inevitabilidade da saída a prazo do euro que a dita saída se torna uma esquerdilhice aventureira?
    Será que o Reino Unido se mantém (e provavelmente manterá) fora do euro por ter sido e ser ainda governado por esquerdelhos aventureiros da esquerda pura e verdadeira, como o Tony Blair ou o Cameron?
    Entre o equacionamento de uma saída bem preparada e organizada do euro, que nos permita a prazo usar a ferramenta da soberania monetária, e a paulatina mas contínua decadência da nossa economia, com a inerente degradação de todos os serviços públicos e da qualidade de vida dos mesmos de sempre e cada vez mais alguns outros, será racional a opção pela morte lenta da segunda hipótese?

    Eu sei que a muitos cosmopolitas deste miserável quintal a saída do euro desequilibraria as umbiguistas carteiras. Eu sei e sabes tu que teriam de pagar muito mais para se poderem gabar intramuros das gloriosas férias em que pavonearam as peles pelas avenidas de Londres ou Nova Iorque ou encharcaram as tépidas bundas nas não menos tépidas águas das Seychelles. Dirás que são uma ultraminoria, mas essa minoria é aliada objectiva das máfias especuladoras que destroem países como quem deita para o lixo um lenço de papel com ranho. E têm, infelizmente, um peso desproporcional nas opções que acima exponho. Como diria o Rhett Butler, em americano erudito, eu quero mesmo é que eles se fodam!

  22. Portugal é diferente da Grécia.

    O Bloco de Esquerda não é o Syriza.
    O PCP não é o KKE.
    O PS não é o PASOK mas é parecido.

  23. @Penélope

    Na actual conjuntura — em que os países ocidentais estão inundados de capitais que fogem das economias emergentes — não há condições para sair do euro; e mesmo uma tentativa de reestruturação da dívida viria acompanhada de condições leoninas. No futuro, a reestruturação e mesmo a saída do euro podem vir a ser possíveis; mas, neste momento, não me parece.

    Assim sendo, se o BE e o PCP aceitassem um acordo de governo com o PS teriam que governar tendo em conta essa condicionante. Na prática — mesmo que (como fez Alexis Tsipras) afirmassem que o fazem apenas por motivo táctico — teriam que aceitar governar de forma mais ou menos compatível com o tratado orçamental. Se, além disso, o PS está disposto a governar para travar o assalto neoliberal, creio que talvez o BE e o PCP possam ser convencidos de que tal objectivo vale o prejuízo em que incorrem.

    De facto, com a continuação da política neoliberal e da emigração forçada dos jovens qualificados, Portugal ficará reduzido ao pauperismo. E num país pouco desenvolvido será muito difícil conseguir mudanças sociais num sentido positivo. Em países pouco desenvolvidos a (reduzida) classe média é tão mais favorecida que o povo que acaba por alinhar os seus interesses com a elite. Isso acontece hoje no Brasil, por exemplo.

    Ficar na oposição a fiscalizar o governo significaria tentar impedir a pauperização do país através do veto parlamentar. Mas, não será mais fácil fazê-lo a partir do governo?

    Além do mais, depois de ouvir Cavaco Silva sugerir o bloco central — com o claro objectivo de implicar o PS na governação neoliberal — não sei até que ponto não está a ser montada a António Costa uma armadilha similar àquela em que caiu José Sócrates. Recordo que em 2009, um ano depois do maior crash bolsista desde 1929, Cavaco Silva não se importou com a instabilidade governativa. O presidente aceitou então colocar o PS sozinho num governo minoritário, o que poupou a direita ao desgaste eleitoral da austeridade (mas não poupou o país ao resgate).

  24. anonimamente,
    “Portugal é diferente da Grécia.

    O Bloco de Esquerda não é o Syriza.
    O PCP não é o KKE.
    O PS não é o PASOK mas é parecido.”

    Por acaso até os acho muito parecidos…

  25. Por outro lado, a ideologia do pragmatismo não tem seguidores em Portugal. Então, mesmo que pragmaticamente seja hoje possível uma aliança de governo à esquerda, há uma questão ideológica que a impede. É que o PS está convencido que estar no euro é vantajoso para Portugal (ou é um mal menor), enquanto o BE e o PCP acreditam que a União Monetária é uma estrutura neoliberal, que promove a neocolonialização do nosso país.

    Daí eu concordar com Cavaco Silva, que veio hoje dizer que uma aliança à esquerda não parece possível. Mas deixo de concordar com ele quando afirma que 70% do eleitorado apoia a manutenção no euro, custe isso o que custar ao país. Mesmo na direita há vozes contra o euro. (E se Cavaco está assim tão seguro disso, por que não ousou convocar um referendo, quando era 1º ministro, a perguntar se o povo português queria ver o escudo sacrificado ao altar do euro?)

    Assim sendo, quando a conjuntura internacional se tornar mais favorável à reestruturação da dívida e à saída do euro (por exemplo, logo após a próxima crise financeira grave), uma eventual aliança entre o PS o BE e o PCP desfazer-se-ia. (Pois também, nesse momento, o PS não agiria pragmaticamente.)

  26. caramba. É só tijolos na imagem. E a filha do batata, ai a filha do batata!? Esta cambada de ténis só pode convencer outros iguais! Ó páquilo! E o tijolo de segunda escolha, e o tijolo de segunda escolha – caramba! Aquela meia – leca armada em estadista. Já se imaginou esta gaja a passar revista às tropas?
    Nem os SALTOS ALTOS se sentiriam bem naqueles tocos, pás! Aquilo come com os cotovelos na mesa, pás! Caramba! O país precisa de gente com apresentação e cabeça, e não de um tijolo que vem regatear com ar descarado os outros.
    No meio disto tudo, esta CAMBADA esquece-se de DIZER que quem ganhou as eleições foram os ABSTENCIONISTAS! Estes é que ganharam! Estes mostraram que não se deve votar nas mesmas MOSCAS e PORCARIA! A TRAMPA é igual, igual!
    Estou a pensar seriamente em fazer algo…o ABSTENCIONISMO devia estar representado! Eu daria um bom porta voz. Hum, verieis então o que é a EXPRESSÃO. O «Albatroz», em Cascais, seria um excelente espaço para as press conference…sem ratos, evidentemente. Esquerdalha comuna, seria completamente PROIBIDA de entrar no perímetro.

  27. E a merkel a rir-se, ela ri-se, porque no fundo quem manda é ELA ( tá beie, o amigo da cadeira de rodas é que determina e antes deste os USA), o Tratado de Lisboa, e ao abrigo deste o parlamento da UE. Tão a bere, a coisa? Hum? Mas estão mesmo?

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