Sérgio Figueiredo publica hoje no DN um artigo em que explica o “despedimento” de Augusto Santos Silva (ASS) da TVI24. Do que li, os factos parecem ser os seguintes: desagradado com a mudança constante de programação do canal (era notória), ASS escreve um e-mail ao diretor de informação a pedir esclarecimentos. Este responde-lhe cordatamente (a carta é reproduzida no artigo do DN) e propõe-lhe um encontro. ASS aceita conversar. No mesmo dia, escreve um desabafo numa rede social, tornando pública a contenda e deixando o diretor embaraçado e furioso.
O que se terá passado nesse dia para que ASS não esperasse pela conversa? Não sabemos. Mas gostaríamos de saber. Também não sabemos quanto tempo demorou Sérgio Figueiredo a responder ao primeiro e-mail. Sabemos, sim, que ASS se queixou durante algum tempo de não ter explicações.
O artigo de Sérgio Figueiredo é violento. Eventualmente tem razão. No entanto, a justificação dada para o saltitar do programa colhe muito pouco. Convém lembrar que o programa trata de política.
«Entendo que um canal de informação deve ser ágil e reagir a factos relevantes da atualidade. Se editorialmente a TVI entende que algo de inesperado e impactante aconteceu nesse dia ou se uma notícia que a estação deu e provocou ondas de choque na vida política e nacional (como sucedeu nesta semana com a reportagem Negócios do Plasma) é nossa obrigação não ficarmos a contemplar uma grelha de programação, seguramente interessante, mas estática e desajustada aos factos noticiosos que a maioria das pessoas nesse dia procura.
É evidente que isso introduz maior instabilidade nas rubricas fixas, nomeadamente no espaço de comentário premium do canal, como é esse o seu caso.[…]
[…] Se há uma operação de resgate dos bens pessoais da família mais importante dos últimos 50/60 anos de Portugal, se esse momento marca simbolicamente o fim de um império que dominou grande parte da economia portuguesa, e também da política, é meu entendimento que a TVI 24 tem o dever de ajustar e responder em prime-time a esse imponderável.»
Por que razão um acontecimento político ou social importante de um dado dia não pode ser integrado como tema no programa de comentário desse dia?
Pergunto-me se essa mobilidade do programa fixo também é imposta a outros programas de comentário. Assim de repente, não me parece. A questão do futebol também não é sequer mencionada.
Independentemente da sinceridade do que diz Sérgio Figueiredo e da sua boa fé, parece-me que há, no mínimo, algum amadorismo na organização da programação. E algum desrespeito, sim. Algum melindre da outra parte também me parece compreensível.
Falta agora a resposta de ASS.
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Adenda
Resposta já anunciada:
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