Os da retaguarda te saúdam, Hollande!

L’esprit européen a prévalu. Mais nous ne pouvons en rester là. J’ai proposé de reprendre l’idée de Jacques Delors du gouvernement de la zone euro et d’y ajouter un budget spécifique ainsi qu’un Parlement pour en assurer le contrôle démocratique. Partager une monnaie, c’est bien plus que vouloir une convergence. C’est un choix que 19 pays ont fait parce que c’était leur intérêt. Nul gouvernement d’ailleurs depuis quinze ans n’a pris la responsabilité d’en sortir. Ce choix appelle une organisation renforcée et avec les pays qui en décideront, une avant-garde. La France y est prête parce que, comme Jacques Delors nous l’a montré, elle se grandit toujours quand elle est à l’initiative de l’Europe.

Declarações de François Hollande, ontem, em carta publicada no JDD, a propósito do 90.º aniversário de Jacques Delors.

A ideia da «vanguarda», desenvolvida depois pelo primeiro-ministro Manuel Valls, é gira, extremamente oportuna e vem mesmo na linha do «apaziguamento» promovido pela França na recente crise grega. E é uma ideia conciliadora como mais nenhuma. Pois haveria lá maior harmonia do que oficializar uma fratura, após o triste espetáculo a que o mundo assistiu? Ainda por cima, reparem, não seria sequer a fratura observada nas últimas semanas, ou seja, Alemanha, Holanda, Finlândia, Áustria e Bálticos de um lado, contra França, Itália, Chipre e Grécia do outro. Não. É que a primeira seria liderada pela Alemanha. E isso não pode ser. A segunda já nem tanto. Mas, em termos de zona euro, corresponderia a quê exatamente esta vanguarda selecionada? Aos países menos endividados e em melhor situação económica, autorizados assim a ditar as regras e as rédeas? É que a situação da Itália não é melhor, neste momento, do que a da Espanha.

Segundo Valls, seis países – os seis fundadores da CEE – elegeriam um governo para a zona euro e os restantes 13 (dos atuais 19) ficariam a ser governados por ele. Nesta «retaguarda» ficariam países tão sintonizados como a Áustria, Portugal, a Irlanda ou a Finlândia. Estamos a ver. Resta saber o que fariam da Espanha, com uma dívida bem inferior a alguns dos seis.

Era o aniversário de Delors e fica bem a Hollande recordar e enobrecer o passado. Mas, sessenta anos depois, muita coisa mudou. Para pior. Afinal, Hollande também quer expulsar a Grécia da moeda única, só que acompanhada de outros 12. Uma autêntica proposta de paz para a Europa. A que faltava.

8 thoughts on “Os da retaguarda te saúdam, Hollande!”

  1. O Holande também quer brincar aos Impérios e aos Reizinhos!
    Não quer que os alemães brinquem sozinhos!

  2. Já previa que ao holandinho nem os”irmãos” socialistas dão qualquer crédito. Para compor o ramalhete nos média, que a Merkl não decide sozinha, serve; mal ,mas também não temos outro!!

  3. quando Delors fez o relatório para a UNESCO, e de onde saiu “os quatro pilares da educação”, o aprender a ser – o último pilar – estaria como o integrador dos restantes. era um esquisso deloriano para um futuro e aplicável em diversidade, estou convencida. e hoje, o futuro, aprender a ser é tudo o que falta na europa. isto dá tristeza. :-(

  4. ontém iam investigar a lavajato e relações com operação marquês, prendiam as odes do brecht, as construções do lena, as contas do santos silva e finalmente caçavam o sócras. hoje dizem que “crime que permite investigar lula da silva não existe no nosso ordenamento jurídico”. devem ter tocado as campaínhas do alarme que a bêbada da justiça mandou montar no sistema. ainda não é desta que o calex justifica a prisa do sócras e que o rosmaninho vai em diligência processual a copacabana.

    Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/exclusivos/detalhe/lei_portuguesa_trava_lava_jato.html

  5. O nosso ordenamento jurídico foi muito bem pensado…
    Esperem pelos novos aditamentos ao código penal e à constituição da república.

  6. Parece-me uma boa jogada política, esta do Hollande. E a demonstração de uma elevada inteligência e prudência.
    Com a sua proposta conseguiria assegurar o controle dos socialistas sobre o governo da zona Euro. Talvez consiga ainda encaixar a Hungria. Ou a Polónia de Jozef Retinger.
    Ter um Vals na sombra é sempre garantia de iluminação.

  7. Penélope,
    estou de acordo com o que escreveu o Hollande e em completo desacordo com o que disse o Valls.
    Atribuir a Hollande a ideia do Valls parece-me exagerada, no entanto o silêncio do Hollande não deixa de ser estranho.
    A ser verdade o que opinas, só demonstra que esta Europa é dirigida por gente muito pequenina, toda ela enredada nos seus projectos pessoais de poder.
    É pena, porque a ideia tinha pernas para andar se tivessem cuidado primeiro da solidariedade e igualdade, para então se poderem entreter com a economia.

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