Haja alguém que não ande distraído

Lá teve de ser Sócrates a lembrar o relatório do Eurostat que dá conta do ‘notável’ recuo do abandono escolar em Portugal, fruto das políticas adoptadas nos últimos anos. É que o tal relatório parece ter passado despercebido aos líderes da oposição. Talvez tenham achado pouco, ou pensem que, no lugar do Governo anterior, teriam feito melhor, embora não digam como. Seja como for, é incompreensível que ignorem os dados do relatório e não os esfreguem na cara dos actuais governantes. E são todos defensores da escola pública, imagine-se se não fossem. No caso dos líderes da esquerda pura não espanta, só um milagre os levaria a elogiar algo vindo de um governo socialista. Já no caso de Seguro é ridículo, é como se fosse líder de um partido completamente novo, que terá começado do zero com a sua chegada à liderança. De um novo partido que se juntou à velha coligação negativa contra os Governos de Sócrates, e que não precisa para nada de relatórios, ainda por cima, vindos de entidades estrangeiras para reforçar os seus argumentos contra as políticas desastrosas do actual Governo. As sondagens que o digam.

Passos a gabar-se de ter afundado um país com a ajuda de toda a oposição

Our Plan to Fix Portugal
The main economic challenge is to ensure that growth goes hand in hand with fiscal discipline.

Last Wednesday, all the opposition parties in the Portuguese parliament unanimously rejected the Socialist-led government’s fourth round of austerity measures in just over a year.

My Social Democratic Party, the country’s main opposition party, has been and remains a staunch supporter of reducing Portugal’s public deficit to 4.6% of GDP in 2011 (from perhaps 7% last year) and to keep narrowing the budget gap to 3% of GDP in 2012 and to 2% of GDP in 2013.

[…]

These latest measures—the 2011-2014 Growth and Stability Program—were announced without prior domestic consultation, surprising everyone and effectively sidelining the head of state and Parliament as the minority government took on international obligations without ensuring parliamentary backing.

[…]

We voted against the latest announced austerity measures not because they went too far, but because they did not go far enough. They do not address the heart of Portugal’s main economic challenge, which is to ensure that growth goes hand in hand with fiscal discipline. In our view, the latest austerity package would not have fostered growth, while imposing unacceptable sacrifices on the most vulnerable members of society. It was too much tax and not enough cost reduction.

[…]

A broad coalition for change aligning politicians around the principles of discipline and competitiveness will help market confidence and help the political process itself.

I will not relent until I bring this coalition about.

Mr. Passos Coelho is leader of Portugal’s Social Democratic Party.

Revolution through evolution

Bigger Not Always Better for Penis Size
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Women with Elite Education Opting Out of Full-Time Careers — Study Finds Women with MBA’s Are Most Likely to Work Less
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Mind Over Matter? Core Body Temperature Controlled by the Brain
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The Secret to Success Is Giving, Not Taking
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Adaptable Leaders May Have Best Brains for the Job
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Your Reputation Will Be The Currency Of The Future
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Women With Low-Self Esteem Work Harder to Keep a Keeper

Continuar a lerRevolution through evolution

Os silêncios de Cavaco

Passos Coelho voltou ontem a atacar o Tribunal Constitucional no conselho nacional do PSD.

Já algum jornalista perguntou ao Cavaco o que ele acha das repetidas acusações do primeiro ministro ao TC pelo chumbo de quatro artigos do OE? Cavaco tinha-se recusado a comentar o acórdão do TC e agora assiste em silêncio aos repetidos ataques do Coelho ao mesmo.

Lembro que foi Cavaco, alegando “fundadas dúvidas sobre a justiça na repartição dos sacrifícios”, quem primeiro requereu a fiscalização sucessiva da constitucionalidade do OE 2013, apesar de no OE 2012 se ter esquecido de o fazer.

Ora os juízes do TC deram razão às dúvidas de Cavaco sobre dois dos três artigos do OE que ele apontou, relativos à suspensão do subsídio de férias dos funcionários públicos e dos reformados (art. 29 e 77). Os juízes do TC não acharam fundadas as dúvidas levantadas por Cavaco relativamente à contribuição especial sobre as reformas mais elevadas (art. 78). Pelos vistos, esta última norma até suscitou mais dúvidas a Cavaco do que ao TC. Se calhar, por causa da cacetada que a reforma dele vai levar…

Portanto, ao acusar o TC de ser irresponsável e de fazer política, Coelho está por tabela a acusar Cavaco disso mesmo, com a agravante de que, para Cavaco, “fazer política” é uma acusação a rondar o insulto.

Agora, das duas, uma.

Ou o Coelho pretende realmente atacar o TC e o Cavaco, mas este não se importa e cala-se – hipótese masoquista.

Ou o Coelho e o Cavaco combinaram a partilha dos papéis de pide mau e pide bom, para dar a impressão que o presidente afinal não está feito com o governo – hipótese politiqueira aldrabona, mais provável.

Por consequência, Cavaco ou é masoquista ou, mais provavelmente, politiqueiro aldrabão.

Vale mesmo tudo no laranjal, tudinho

O Conselho Nacional do PSD aprovou hoje um voto de louvor ao militante Miguel Relvas, no dia em que este deixou o Governo, subscrito, em primeiro lugar, por Sabrina Furtado, Luís Montenegro e Luís Menezes.

O documento descreve a atuação de Miguel Relvas como “de inexcedível lealdade à causa pública posto ao serviço de Portugal e dos portugueses” e enaltece “o seu contributo como militante e dirigente do partido, particularmente nos últimos cinco anos”.

Fonte

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Este PSD considera que Relvas respeitou a causa pública e serviu os portugueses enquanto trabalhou para a ida ao pote e depois de lá ter metido as manápulas e as beiças. Este PSD, portanto, premeia a ofensa soez e demente, o perjúrio na Assembleia da República, a colossal incompetência política e a chantagem a jornais e jornalistas. Confere.

A figurinha pacóvia e soberba não foi odiada, nem será. Foi apenas ridicularizada e de imediato será esquecida dada a sua irrelevância para o nosso presente e futuro. Mas o voto de louvor ao militante Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas merecia não mais ser esquecido enquanto os signatários tivessem o topete de continuarem a ir a votos como representantes dessa cultura decadente que aqui celebram num dos seus exemplos mais flagrantes.

Um cruel desafio para os democratas

As declarações de Mário Soares, relacionando a actual situação com o regicídio, são mais uma manifestação da sua crescente debilidade cognitiva. Há nelas algo que é universal, um catastrofismo que as querelas políticas, especialmente em tempos de crise, inevitavelmente promovem. Basta lembrar o que alguns disseram de Sócrates e das circunstâncias nacionais ao tempo, enchendo páginas de papel ou de electrões com lembranças da República de Weimar, ou directamente relacionando Sócrates com Hitler, aparentemente sem terem sido vítimas de encefalite e estando agora com rendimentos mensais muito simpáticos. Aliás, basta o natural processo de envelhecimento, com as suas alterações neurológicas, para provocar um maior descontrolo no raciocínio e sua expressão verbal. Mas em si mesmas, e vindas de quem vêm, são absolutamente inaceitáveis – tanto pelo contexto, como pelo pretexto, como pelo subtexto.

Acontece é o seguinte: os cães que de imediato se lançaram às canelas de Soares não ficarão na História; e por nenhuma razão, boa ou má. Ladrai com raiva e continuai a cheirar o cu uns dos outros.

Brincando com o fogo

“A actividade económica baixou mais do que as estimativas e o desemprego aumentou” – confessou Gaspar em Dublin, com aquele ar de nerd perplexo com o resultado das suas experiências.

“O desemprego é o problema mais grave no meu país”- acrescentou dramaticamente, dando a impressão momentânea de que os problemas existenciais dos seus concidadãos lhe tiram o sono, como ao Relvas.

Logo a seguir Gaspar revelou que o primeiro dos sacrifícios a impor aos portugueses incidirá precisamente sobre os desempregados e também os doentes. O governo quer tirar, só este ano, 1.300 milhões de euros aos mais de meio milhão de desempregados e doentes a receber subsídios.

Não há aqui contradição alguma.

É que Gaspar acha que o desemprego “é o problema mais grave” não propriamente para os desempregados, mas para ele, ministro das Finanças.

O desemprego é um grave problema da tesouraria pública, seus estúpidos!

Provavelmente, a canção mais metafísica de sempre

“I remember when I was a little girl, our house caught on fire.
I’ll never forget the look on my father’s face as he gathered me up in his arms
and raced through the burning building out to the pavement.
I stood there shivering in my pyjamas and watched the whole world go up in flames.
And when it was all over I said to myself,
‘Is that all there is to a fire?'”

Is that all there is?
Is that all there is?
If that’s all there is, my friends,
Then let’s keep dancing.
Let’s break out the booze
And have a ball
If that’s all there is.

“And when I was 12 years old, my daddy took me to the circus, the greatest show on earth.
There were clowns and elephants and dancing bears and a beautiful lady in pink tights flew high above our heads.
And as I sat there watching, I had the feeling that something was missing.
I don’t know what, but when it was over I said to myself,
‘Is that all there is to a circus?'”

Is that all there is?
Is that all there is?
If that’s all there is, my friends,
Then let’s keep dancing.
Let’s break out the booze
And have a ball
If that’s all there is.

“And Then I fell in love with the most wonderful boy in the world.
We would take long walks by the river or just sit for hours gazing into each other’s eyes.
We were so very much in love. Then one day, he went away.
And I thought I’d die, but I didn’t.
And when I didn’t, I said to myself,
‘Is that all there is to love?'”

Is that all there is?
Is that all there is?
If that’s all there is, my friends,
Then let’s keep dancing.

“I know what you must be saying to yourselves.
‘If that’s the way she feels about it why doesn’t she just end it all?’
Oh, no. Not me. I’m not ready for that final disappointment.
For I know just as well as I’m standing here talking to you,
when that final moment comes and I’m breathing my last breath,
I’ll be saying to myself…”

Is that all there is?
Is that all there is?
If that’s all there is, my friends,
Then let’s keep dancing.
Let’s break out the booze
And have a ball
If that’s all there is.

Quem sabe faz, quem não sabe ensina

Cenas verdadeiramente cómicas, mas estranhas num mundo sem fronteiras comunicacionais.

Vi ontem, numa peça do Telejornal, o Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, a dar uma palestra no Trinity College de Dublin em que explicava por meio de gráficos projetados em Power Point os desafios com que estava confrontado para corrigir o orçamento português de 2013 após o chumbo de algumas das suas normas pelo TC e também a pronunciar-se sobre a nossa taxa de desemprego e outras contrariedades numéricas que, na sua linguagem, devem ser acomodadas num orçamento retificativo. Tenho dificuldades em classificar o ar com que a nossa situação estava a ser apresentada e modelizada. Vejam vocês mesmos. Qualquer coisa entre o puro gozo académico de uma minhoca de gabinete, o auto-convencimento, o deleite em utilizar a língua inglesa e a esquizofrenia de quem não faz a mais pequena ideia de onde trabalha e do desastre que já causou.

Pois a minha palestra é esta:
Sabendo nós o que sabemos e sabendo a comunidade internacional o que o Eurostat sabe e publica sobre a aplicação prática a todo um país das teorias deste homem, aquele exercício é de um descaramento, de um alheamento e ao mesmo tempo de um ridículo sem medida. É certo que a audiência não era numerosa, mas será que alguém apresentou previamente o orador, mencionando o cargo que ocupa, eventualmente uma referência à evolução/deterioração dos nossos indicadores desde que o orador assumiu funções? É deveras lamentável, mas sintomático, que não tenha havido período de perguntas. Ou será que quem lá estava foi pago para assistir?
O Ministro Gaspar far-nos-ia a todos mais felizes se fosse ensinar.

Álvaro 1 – CDS 0

Portas tem fama de ser inteligente e é sem dúvida um político experiente, não se percebe é o que o País tem beneficiado com os seus já longos anos de carreira política. Se vivêssemos tempos normais, depois da espécie de remodelação anunciada ontem pelo Governo, não faltariam vozes a declarar a estrondosa derrota do CDS, que, pela voz de alguns figurões, tem exigido uma remodelação mais profunda. Parece que a inteligência de Portas não está ao serviço do partido de que é líder e muito menos ao serviço do País. Aparentemente, serve apenas os seus interesses pessoais. Afinal, é muito melhor ser ministro do que interpretar o papel de Paulinho das Feiras, essa é que é essa. E a verdade é que (fazendo aquelas continhas que a direita tanto gostava de fazer durante a governação de Sócrates), nos últimos onze anos, Portas já conta cinco como ministro. É pois a ele que temos de agradecer os cinco anos de governação da direita, governação desastrosa, diga-se, ao lado de três primeiros-ministros, qual deles o pior. O que vale é que o que ‘nos trouxe até aqui’ foi única e exclusivamente a governação socialista. Adiante.

O que diria o Paulinho das Feiras do líder de um partido, do qual depende a coligação que suporta o Governo, que parece abdicar do seu poder negocial, preferindo deixar o seu partido a falar para o boneco?

“Abismo orçamental” – Por Pedro Marques (hoje, no Sol)

Abismo Orçamental

 

O Governo, confrontado com o segundo chumbo do Tribunal Constitucional (TC) à repetição do corte de subsídios de Férias a Funcionários Públicos e Pensionistas, ensaiou a via da dramatização.

O Primeiro-Ministro veio depois anunciar que conseguiria compensar os efeitos das inconstitucionalidades com cativações de despesa nos Ministérios.

Mas também teria que avançar já com os cortes na Educação, Segurança Social e Saúde. Cortes no Estado Social que, recorde-se, foram propostos pelo Governo na quinta avaliação do memorando, há mais de seis meses. Passos e Gaspar não perdem uma oportunidade para arranjar justificações para estes cortes.

Tudo é agora atribuído ao TC, e nada resulta dos erros e desvios de Passos e Gaspar. Tudo estava bem, afinal, antes do TC…

Acontece que, como já foi tantas vezes repetido, a duplicação da austeridade de Passos e Gaspar, revelou-se muito negativa do ponto de vista económico, social e até orçamental. Desemprego e queda do PIB nos piores registos de sempre. Mesmo do ponto de vista da sustentabilidade orçamental, 2012 foi muito mau, com o maior aumento da dívida pública desde pelo menos 1995, mais de 15 p.p. do PIB, em face dos desvios impressionantes na execução orçamental, da deflação da dívida e do efeito bola de neve provocados pela recessão.

A verdade é que tudo corria mal a Passos e Gaspar, mas o Governo aproveitou, uma vez mais, os seus próprios erros, para tentar lançar mais austeridade sobre a economia portuguesa.

É por isso legítimo rejeitar mais este abismo orçamental que Passos e Gaspar (com a mão “amiga” da Troika) nos querem impor. Desde logo, devido aos seus efeitos económicos e sociais muito penalizadores. Mas também porque, do ponto de vista das contas públicas, com multiplicadores orçamentais próximos, ou mesmo acima da unidade, como vivemos hoje (o Independent Annual Growth Survey, ou o FMI, através do seu Economista-chefe Olivier Blanchard, falam de valores acima de 1), a opção por mais medidas de austeridade apenas nos afasta da sustentabilidade orçamental desejada, como se demonstrou em Portugal em 2012.

O Governo devia aproveitar estes momentos para lutar no quadro europeu por alguma inversão de política. Como disse esta semana Manuela Ferreira Leite, não tomar medidas adicionais seria o melhor que nos poderia acontecer. Deixar por agora que os cerca de 1.000 Milhões de Euros que em termos líquidos decorrem da decisão do TC, pudessem chegar à economia, por via da melhoria do rendimento de desempregados, doentes, pensionistas e funcionários públicos.

Mas já ficou bem evidente que fora do consenso contra o reforço da austeridade só estão hoje Passos Coelho e Gaspar.

Presidente da República, parceiros sociais, partidos políticos, incluindo o CDS e uma parte muito relevante do PSD, pediam a interrupção da espiral recessiva, que se deixassem funcionar os estabilizadores, em particular quando as previsões para o desemprego já chegavam aos 19%. Tantos, mesmo na maioria, referiam os efeitos recessivos do corte na despesa e apelavam a uma discussão aberta da reforma do Estado, sem prazos ou montantes de cortes previamente definidos.

Passos e Gaspar, pelo contrário, passaram os últimos dias a dramatizar e a pedir aos seus companheiros europeus da política de austeridade que ajudassem nessa dramatização, para continuarem decididamente em direção ao abismo orçamental.

Pode o país sair ainda honradamente desta situação? Pode.

Há cada vez mais atores, tantos deles oriundos da direita, que defendem uma outra política de estabilização económica e da procura, favorecendo deste modo a consolidação, que passa necessariamente por uma renegociação profunda dos termos do ajustamento e do serviço da dívida.

Mas com Passos e Gaspar é já certo que tal nunca acontecerá.

 

 

 

 

Ajustar contas com Sócrates

Sócrates regressou à cidade sem outro constrangimento do que aquele imposto pelos limites da liberdade de expressão. Isso encerra um ciclo longo, esse onde a sua responsabilidade como estadista o condicionava na defesa contra as imparáveis calúnias pessoais, e este onde incrível e escandalosamente ninguém da actual direcção do PS mexe uma palha para honrar um ex-secretário-geral alvo de imparável difamação política. Agora, se quiser, Sócrates responderá. Ao que quiser. Por exemplo, na primeira edição da sua rubrica de comentário reclamou ter concluído com mérito e licitude o seu percurso académico. Tirando os acéfalos, ninguém ousou contestar a declaração. E percebe-se. O trabalhinho que também aí o ensarilhou há muito que estava feito, e com estupendos resultados para o laranjal.

Eis o tempo, então, para ajustarmos contas com Sócrates. E não me ocorre ninguém melhor para se encarregar da tarefa do que esse trio de centrais que dá aos nossos sábados uma tablete de inteligência repleta de antioxidantes contra as decadências à direita e à esquerda, Paulo Tavares, Pedro Adão e Silva e Pedro Marques Lopes. Como os Pedros já se manifestaram desfavoráveis à infame contratação da RTP, e como não lhes faltam bons argumentos a respeito das falhas da governação de Sócrates, serão eles os opositores ideais à narrativa, essa sim, genuinamente socrática. Pelo que o método é simples: convidar o homem para ir ao Bloco Central, fazer um programa especial de 7 horas seguidas, e esclarecer os assuntos. Estariam a encher de histórias a História.

Sócrates foi um líder forte que escolheu os melhores do seu partido, e da sociedade, para o acompanharem num projecto que teve dimensões radicalmente inovadoras em Portugal – o qual só a maior crise económica internacional dos últimos 80 anos, e sua sequela europeia, tornou impossível prosseguir. Tal poder de decisão agastou quem foi preterido, com Seguro e Alegre à cabeça do ressentimento, ferindo letalmente os seus narcísicos bestuntos. Sócrates foi igualmente um líder fraco, não conseguindo desmontar os ataques conspirativos de uma direita degradada e degradante a lutar desesperadamente com as armais mais baixas que encontrou. Mas sim, claro, e claro que sim – talvez seja inevitável ser-se fraco perante a união nacional dos oligarcas sérios com os proletários verdadeiros, essa secular paixão lusitana.

Escuta telefónica

Relvas telefonou ontem à noiva, todo ufano:

– Para conseguirem preencher o meu lugar tiveram que nomear dois ministros. Dois, ouviste bem? Um licenciado sem equivalências e outro doutorado pela estranja.

E a noiva, babada:

– A história já começa a fazer-te justiça.

Portugal reduzido

O vendaval de populismo que tomou conta da direita desde 2008 afundou Portugal num oceano de estupidez e incompetência. No dia em que o Governo começa a engordar também no número dos ministérios, recordemos a intrujice alucinada que andou a ser servida aos broncos sedentos de vingança contra os políticos:

Caso vença as eleições de 5 de Junho, Passos Coelho quer um Governo reduzido, só com 10 ministros e 25 secretários de Estado, e prepara-se para juntar o Ministério da Justiça com o da Administração Interna, com um secretário de Estado para cada uma destas duas pastas.

Esta é uma decisão que já está tomada pelo líder do PSD, tal como a fusão dos Ministérios da Agricultura, Mar e Território (inclui o Ambiente). Em contrapartida, apenas os Ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Defesa e das Finanças continuam como até aqui, sem serem agregados a outros.

Quanto às restantes alterações, o líder social-democrata deverá juntar as áreas sociais num só, criando o Ministério da Saúde, do Trabalho e da Segurança Social, o Ministério da Economia e Turismo com o das Obras Públicas e ainda o Ministério da Educação, com o Ensino Superior, a Ciência e a Cultura. Por fim, o Ministério da Presidência e o dos Assuntos Parlamentares também ficarão sob a alçada de um único ministro.

Fonte

Será que Gaspar congelou o Governo?

Se ainda restasse alguma dúvida a respeito da incompetência de Passos Coelho o episódio da substituição de Relvas serviria para a dissipar. Nunca se tinha visto nada assim, um ministro anuncia a saída do Governo e, aparentemente, não há necessidade de o substituir. Nem se substitui o que saiu, nem se faz a remodelação que tantos, incluindo os parceiros de coligação, exigem. Até parece que vivemos tempos calmos e tranquilos em que tudo pode ser feito sem pressas.

E, desta vez, Passos Coelho, não pode acusar o Governo anterior, nem o Memorando, nem a crise internacional, nem a oposição, nem tribunal nenhum, o único responsável pelas remodelações governamentais é, ou costumava ser, o primeiro-ministro.

Por este andar, ainda o ouviremos dizer que este impasse é bom para a credibilidade do Governo e para a imagem do País perante os nossos credores.