“Queremos também dizer que o caminho do PSD não é igual ao do Governo, e que passa por reduzir eficientemente a despesa pública, e ainda que há um limite para exigir sacrifícios aos portugueses”. Paula Teixeira da Cruz fez questão de dizer que “o PSD não viabilizará medidas injustas e imorais”, pois o nosso caminho é outro: cortar nas despesas do Estado e promover o crescimento económico em condições de igualdade. Não escondemos que o caminho é muito difícil. O que não pode continuar a acontecer é o Governo exigir sacrifícios consecutivos aos portugueses, sem nenhum objectivo que não seja continuar a engordar a máquina do Estado” enquanto, ao mesmo tempo, pede aos mercados financeiros quantias imensas e paga juros como nunca se pagaram e que são, no mínimo, ruinosos – acrescentou a vice-presidente do PSD.
Questionada se as novas medidas anunciadas pelo Governo estão ou não em linha com o que defende o PSD, Paula Teixeira da Cruz respondeu: “Não, não estão”. “O nosso caminho é pela redução da despesa, não é pelo aumento da receita, porque isso leva-nos à recessão em que já estamos e é evidente que há um limite para a legitimidade de exigir sacrifícios aos portugueses”, afirmou.
“Ao contrário do mito que se instalou na sociedade portuguesa, Portugal não tem mais funcionários públicos do que a média europeia. Nós estamos perfeitamente dentro da média europeia. O problema são as clientelas, sob esse pretexto, que vêm prejudicando a Administração Pública, o próprio Estado e todos e cada um de nós”, considerou.
Arquivo mensal: Abril 2013
O problema de se ter razão antes do tempo
Não se pode continuar com o discurso do falso sucesso e permanentemente continuar a querer pedir sacrifícios aos portugueses, particularmente aos mais desfavorecidos. É altura de cada um assumir as suas responsabilidades. O Governo tem de ser capaz, de uma vez por todas, de assumir as responsabilidades.
Passos, o salvador de Portugal
Não dizemos uma coisa num dia e outra coisa no outro. Não é pelo facto de o Governo agora aparecer, com algum desespero, a comunicar ao país que, afinal, a crise pode ter consequências imprevisíveis e gravíssimas para Portugal que o PSD agora deverá tomar as dores que o governo não tomou quando devia ter pensado nisso previamente”.
“Chegados a este ponto, aquilo que deve preocupar os portugueses e a comunidade internacional não é saber se vamos fazer um alimentar de divergências com o governo, é saber como é que o país pode sair desta situação, em que um governo não procede em termos leais com o país nem com as instituições e depois confronta o país com o precipício de uma crise se aquilo que ele próprio apresentou não for aprovado. Não é assim que tratamos Portugal e não aceitamos tratar assim Portugal”, defendeu.
“Portanto, eu espero que, por mais dificuldades que tenhamos de enfrentar, e o país vai enfrentar dificuldades, está a enfrentar dificuldades, nós teremos de as vencer, não para salvar o Governo, mas para salvar Portugal.
Ainda sobre a inventona de Belém
Algumas observações colaterais ao post abaixo do Val, que subscrevo inteiramente.
1) Não foi até hoje revelada a identidade do herói que, arriscando um processo criminal, passou à comunicação social os emails trocados entre Luciano Alvarez e Tolentino Nóbrega e, desse modo, desmascarou a sórdida moscambilha armada em Belém e no jornal Público, com alegado conhecimento do PR, contra o governo de José Sócrates e o partido que ele liderou nas eleições legislativas de 2009. Por contraste, tomámos há dias conhecimento da vil e vergonhosa declaração de Henrique Monteiro, que, como director à época do Expresso, recusou cobardemente a publicação daqueles emails e, agora, pretende tomar-nos a todos por estúpidos, alegando desconhecimento da inventona.
2) A história da espionagem do governo a Belém, de que o sr. Cavaco e os seus colaboradores nunca apresentaram a mais mínima prova, configura realmente, em minha opinião, dado o alegado envolvimento do PR (como consta do email de Alvarez) e do seu próximo colaborador Lima na operação marada do Público, um gravíssimo atentado ao Estado de Direito democrático que esse mesmo sr. Cavaco jurou defender até ao limite das suas competências, se não mesmo das suas forças.
3) Como acto revelador de um atentado dessa magnitude e gravidade, a suposta ilegalidade cometida pelo herói que revelou os emails ao DN adquire plena legitimidade e alto valor cívico e patriótico. É sintomático que nem o PR nem o Público tenham jamais processado o presumível autor desse “crime” ou o DN, que o acolheu. Era tanta e tão mal-cheirosa a porcaria que o eventual julgamento desse processo traria à tona em tribunal, que os cobardes meteram o rabo entre as pernas e a viola no saco.
4) Para a história da miséria intelectual e cívica de um ex-jornalista por quem já tive admiração e respeito, deixo adiante a transcrição da entrevista que ele deu ao Correio da Manhã de 19 de Setembro de 2009:
Correio da Manhã – Como comenta a divulgação da troca de e-mails entre dois jornalistas do ‘Público’?
Vicente Jorge Silva – Primeiro devo dizer que quando o ‘Público’ escreveu sobre o caso das escutas, achei aquilo inconcebível e disse-o. Não se faz uma coisa daquelas baseada em fontes anónimas e sem contraditório. Mas nunca pensei que um jornal em Portugal publicasse e-mails internos de outro. Fere os princípios mais básicos da relação entre órgãos de comunicação social. Acho um crime o que o ‘DN’ fez.
– Se fosse director do ‘Público’ o que faria ?
– Eu processava o ‘DN’. Estamos perante um comportamento pidesco. Espero que, por uma questão de seriedade pública, o jornal seja processado.
– A nota de direcção do jornal alega interesse nacional para a divulgação do assunto. Então, não concorda?
– Gostava de perguntar ao director do ‘DN’ qual é o seu conceito de deontologia e ética profissional. Vale tudo? É assim que se resolve as fracas tiragens?
– Chegou-se a falar na possibilidade de o SIS estar envolvido na divulgação dos e-mails. Como comenta?
– Já vi de tudo. Tudo é possível. Mas seria ridículo os Serviços Secretos servirem para isto.
Vais deixar?
O dia em que celebramos 37 anos após a Assembleia Constituinte, reunida na sessão plenária de 2 de Abril de 1976, ter aprovado e decretado a seguinte Constituição da República Portuguesa é a ocasião ideal para voltarmos a falar daquele que, na minha humilde e nada modesta substância de cidadão, me aparece como o maior escândalo do regime e da comunidade que somos: a Inventona de Belém.
Factos:
– A 5 semanas das eleições legislativas de 2009, o Público noticia com estrondo máximo que a “Presidência suspeita de estar a ser vigiada pelo Governo” e que Rui Paulo de Figueiredo, ao tempo adjunto jurídico do Gabinete do primeiro-ministro, já em 2008 tinha tentado espiar membros da Presidência num evento na Madeira.
– Nem o Presidente da República, nem ninguém da Presidência, desmentiu as notícias nas semanas seguintes. Nem nos meses seguintes. Nem nos anos seguintes.
– Ferreira Leite, em acções de campanha eleitoral, cavalgou nas suspeitas e até as alargou: “Não temos segurança praticamente em nada e até já se começa a duvidar da segurança da correspondência. Isso é algo de que não nos lembramos de algum dia ter visto no país. Considero péssimo do ponto de vista da democracia e é muito pouco salutar para um país que se quer desenvolver.” e ainda “Não quero saber se há escutas ou não há. A verdade é que as pessoas sentem que há.”
– Quando, a 1 semana das eleições, o DN publica um email atribuído a Luciano Alvarez, jornalista do Público, no qual se declara ter sido Fernando Lima, agindo em nome de Cavaco Silva, a fonte das suspeitas, o Presidente da República continua a alimentar e adensar a conspiração dizendo “Depois das eleições não deixarei de tentar obter mais informações sobre questões de segurança. O Presidente da República deve preocupar-se com questões de segurança.”
– O Correio da Manhã, no dia seguinte à revelação do DN, publica uma notícia onde se diz que os serviços secretos militares teriam ido a Belém tentar descobrir aparelhos de escuta. Esta notícia não foi desmentida pela Presidência da República, apenas pelo Estado-Maior General das Forças Armadas, a que se juntou uma reacção da PSP a manifestar a sua estranheza por se aventar essa possibilidade.
– Pacheco Pereira apareceu com um ar estouvado a dizer que o caso se devia a uma campanha do PS contra Cavaco, o qual “certamente esclarecerá tudo o que se passou e não tenho dúvida nenhuma que o que tem a dizer é certamente grave e é por isso que disse que não falaria antes das eleições. Penso que até havia vantagem em os portugueses saberem antes.” e mais berrou que Cavaco iria também expor o plano de Sócrates contra a TVI da Moura Guedes e o Público do Zé Manel.
– Depois das eleições, a 29 de Setembro, Cavaco Silva fez uma declaração sem direito a perguntas onde apresentou a sua versão dos acontecimentos a respeito do caso. Esta intervenção foi unanimemente considerada como o mais degradante acto oficial de um Presidente da República em democracia, tamanha a indigência mental do conteúdo exposto e dada a aviltante fuga à responsabilização pelo sucedido.
– A 23 de Janeiro de 2011, Cavaco Silva foi reeleito Presidente da República depois de uma campanha eleitoral onde nenhum candidato o confrontou com o caso.
Exactissimamente
Sócrates pro bono
O 25 de Abril de 1974 apanha Sócrates com 16 anos. De imediato se dedica à política, dimensão cívica e intelectual onde o seu pai já marcava presença como interessado e a que se dedicaria como participante de relevo na Covilhã. Um ano e meio depois de se ter inscrito na JSD, Sócrates abandona a militância e o PSD. Tinha 18 anos e só voltaria à vida partidária em 1981, entrando para a JS e passando desde aí a lutar pelo PS.
O que há de estranho nesta recordação que tem a idade da democracia portuguesa? Isto: sendo o seu pai o fundador do PSD na Covilhã, Sócrates ainda adolescente mostra absoluta independência do laço familiar. Vindo mais tarde a ser o político português mais caluniado da História (se não for, agradeço a correcção com factos, faxavor), o que vemos logo na génese do seu percurso partidário é a completa ausência de calculismo oportunista e nepotista, abdicando da vantagem que o poder paterno por inerência faria derramar sobre a potencialidade política do jovem Sócrates. O que vemos, portanto, é uma manifestação de carácter, no sentido mais nobre do termo. Compare-se, para se atestar da raridade deste episódio, com o que constitui a normalidade das familiaridades políticas em Portugal, e mesmo além-fronteiras.
Salto para o Governo de Guterres. Estamos na segunda metade dos anos 90 e Sócrates destaca-se dos companheiros no Executivo pela qualidade e capacidade de decisão e ainda pelo carisma já incontornável. Terá 7 anos consecutivos de experiência governativa, sempre em crescendo de reconhecimento do seu talento e mantendo uma proximidade privilegiada com Guterres. De 2002 a 2004 ele foi, naturalmente, um concorrente à liderança do PS. Representava o melhor da geração nascida para a política após a Revolução, o sangue na guelra com provas dadas. Mas não se lhe reconhecia nenhum projecto de sociedade ou discurso teórico que congregasse o entusiasmo dos socialistas. E assim teria continuado caso António Vitorino tivesse avançado para o lugar deixado vago por Ferro Rodrigues. Quando vence as eleições socialistas em 2004, o País viu com naturalidade a derrota do passado romântico de Alegre e do presente dinástico de João Soares e a vitória da nova social-democracia feita por uma figura que permitia a associação com o universo simbólico de Tony Blair. Mas, quando vence as eleições legislativas em 2005, o País não faz a menor ideia do que vai acontecer na governação. Também por causa do trauma da fuga de Barroso e da decadência de Santana, a auto-estima nacional estava em farrapos e até a vitória do PS com maioria absoluta esteve a léguas do entusiasmo e da festa que encheu as ruas aquando da primeira vitória de Guterres.
6 anos de exercício do poder como primeiro-ministro não criaram “socráticos”. Este termo serve apenas como apodo para gasto paranóide e maníaco por essa mole de pulhas, fanáticos e broncos que constitui o grosso da direita partidária, da direita publicista e da direita atarantada. Os poucos que têm defendido Sócrates ao longo do tempo – alguém que aberrantemente até o seu partido não quis defender e que chegou ao inacreditável ponto de também o atacar – acrescentam a essa prática intransigente uma exuberante liberdade intelectual e moral. A evidência desta peculiaridade deu-a o seu regresso à política activa, onde alguns ditos socráticos notáveis foram céleres a reprovar a iniciativa por variadas e sensatas razões. De facto, e mais uma vez, ninguém sabe o que esperar de Sócrates. E porquê? Porque Sócrates é uma personalidade que ousa recusar o caminho mais fácil caso o preço a pagar seja a diminuição da sua autonomia de decisão. Este poder pessoal tanto pode ser usado para o bem como para o mal e chama-se capacidade de liderança. Algo que em Portugal não se ensina nas famílias, não se ensina nas escolas e não se ensina nos partidos. Mas que passará a ser exibido na televisão pública para benefício do público.
A nossa notícia do dia
Este blogue é como uma fonte luminosa a jorrar saúde. Espectacularmente saudável.
Mais uma prova da superior inteligência de Obama
Quando a nudez é provavelmente o único aspeto bonito
Sinceramente, não percebo a indignação com a divulgação de uma foto de Angela Merkel a caminhar despida à beira mar, datada de há pelo menos quatro décadas. Angela e as suas duas amigas, além de jovens e bonitas, estão com um ar feliz. A fotografia é bonita. Falar, neste contexto, de humilhação e de ódio parece-me completamente exagerado e deslocado. Não faço ideia dos motivos que levaram à publicação desta foto, mas, se a intenção era agredir a chanceler alemã com a mostra pública da sua própria nudez jovem, estou em crer que o tiro saiu ao lado. Do meu ponto de vista, trata-se até de um elogio, ao mostrar a faceta descontraída e, enfim, normal da política atualmente mais poderosa e eventualmente odiada da Europa. Quando muito, esta seria uma foto que, comparada com uma dos tempos atuais, serviria para mostrar os efeitos do implacável deus do tempo, que, convém lembrar, não poupa ninguém, nem o ou a autora desta divulgação nem os milhões que observam a chanceler hoje em dia. Pelo que será difícil alguém escarnecer do contraste. Assim sendo, o efeito é neutro a tender para o positivo. Imaginando-me alvo de uma manobra semelhante, tenho dificuldades em sentir-me violada na minha intimidade. Afinal a prática do (seu) nudismo era pública. E se Angela Merkel já foi descontraída o suficiente (e possivelmente ainda é) para expor com naturalidade o seu corpo, inclusivamente para uma câmara, não vejo porque não reagirá também descontraidamente e até com orgulho à publicação desta foto, embora suspeitando da intenção. Ah, e tomá-la como um incentivo à contenção alimentar.
Revolution through evolution
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