Quando a nudez é provavelmente o único aspeto bonito

Sinceramente, não percebo a indignação com a divulgação de uma foto de Angela Merkel a caminhar despida à beira mar, datada de há pelo menos quatro décadas. Angela e as suas duas amigas, além de jovens e bonitas, estão com um ar feliz. A fotografia é bonita. Falar, neste contexto, de humilhação e de ódio parece-me completamente exagerado e deslocado. Não faço ideia dos motivos que levaram à publicação desta foto, mas, se a intenção era agredir a chanceler alemã com a mostra pública da sua própria nudez jovem, estou em crer que o tiro saiu ao lado. Do meu ponto de vista, trata-se até de um elogio, ao mostrar a faceta descontraída e, enfim, normal da política atualmente mais poderosa e eventualmente odiada da Europa. Quando muito, esta seria uma foto que, comparada com uma dos tempos atuais, serviria para mostrar os efeitos do implacável deus do tempo, que, convém lembrar, não poupa ninguém, nem o ou a autora desta divulgação nem os milhões que observam a chanceler hoje em dia. Pelo que será difícil alguém escarnecer do contraste. Assim sendo, o efeito é neutro a tender para o positivo. Imaginando-me alvo de uma manobra semelhante, tenho dificuldades em sentir-me violada na minha intimidade. Afinal a prática do (seu) nudismo era pública. E se Angela Merkel já foi descontraída o suficiente (e possivelmente ainda é) para expor com naturalidade o seu corpo, inclusivamente para uma câmara, não vejo porque não reagirá também descontraidamente e até com orgulho à publicação desta foto, embora suspeitando da intenção. Ah, e tomá-la como um incentivo à contenção alimentar.

23 thoughts on “Quando a nudez é provavelmente o único aspeto bonito”

  1. Olha, Ignatz, eu sou da tal “escaralhada” de que falas e acho absolutamente abjecto vazares num post uma foto da eventual intimidade de alguém que te não deu autorização para o fazeres.

  2. a única coisa mesmo feia que eu vejo na fotografia são os joelhos dela. e no teu texto, Penélope, é o aspeto – que está bom é para meter no espeto.

  3. ouve lá, oh nanómetro! se não desse autorização já tinha mandado recolher a fotografia que já anda na net desde 2009 e tu tens procuração da mercla para abjectar o objecto da eventual intimidade? fala do que sabes, se é que sabes alguma coisa, e deixa-te de demonstrações de ignorância que vêm violações de intimidade no nudismo praticado na rda nos anos 70.

  4. Olha cá, oh Ignóbil Homem do Aspirina, e o que é que tem que a tenham metido na net em 2009? Acaso achas que porque a (eventual) trampa está feita, isso te inocenta de lançares a merda na ventoinha? E tu acaso tens mandado da Angela Merkel (ou da rapariga em questão) para pespegares com a foto noutros lados? E acaso achas que mesmo que seja ela lhe servia de alguma coisa mandar recolher as fotos? Não te parece que mais vale ficar calada e não levantar ondas em redor da coisa? Não te parece que surgiriam logo centenas de Ignóbeizinhos pespagando com cópias da foto em caixas de comentários de blogues, tramando-lhe a intenção de discrição? E não te parece que o texto da Penélope era suficientemente claro e inteligente para não precisar de ilustração para nada?

  5. E qual é o interesse de a publicar? Preconceituoso é quem a publica porque a valoriza. Apetece perguntar: ok. é a Merkel nua e daí?

  6. oh nanómetro! e se a mercla estivesse vestida, já achavas bem? qual foi a parte que não gostaste? sabias que nos gloriosos tempos de leipzig, entre as missas da igreja de s. nicolau e as vigílias na augustusplatz, o pessoal tamém se entretinha nas saunas públicas e aproveitava o trabant do vizinho para ir fazer nudismo campestre. não, essa folha foi rasgada do manual por atentar contra a moral púbica do estado novo.

    “Apetece perguntar: ok. é a Merkel nua e daí?”
    exactamente, qual é o problema e já agora o preconceito?

    isto hoje tá ao nível da raquel varela

  7. mdsol: O interesse é nenhum e cabe aqui dizer uma frase mais do que batida: “Isto diz mais sobre o autor da publicação do que sobre a visada”. Por isso mesmo, não posso deixar de ridicularizar tal mentalidade tacanha (que pensava humilhar assim a senhora), enobrecendo a liberdade, a desinibição e o gosto de viver da potencial vítima.

  8. Penélope,

    eu também não percebo a indignação e isto, para mim nao é assunto.
    Entretanto, sabes qual é o único país do universo do acordo ortográfico que o aplica? Pois, alguns portugueses. Não podiam, ao menos, esperar que houvesse acordo para o aplicar?

  9. Obrigado, Ignatz. Não está mal de todo e parece-me até que a chancelerina não tem necessidade nenhuma de se preocupar com ninharias, como diria o Catroga.

  10. edie: No meu trabalho quotidiano, em que lido com documentos oficiais equivalentes ao Diário da República, o AO já vigora há mais de um ano. Assim, deixei de fazer diferença entre ortografia oficial e informal. Mas não me choca a antiga ortografia, não tenho nada contra, penso até que ainda a sei utilizar caso se revertam as decisões em Portugal face ao que o Brasil finalmente decidir (embora me pareça difícil, pois tanto no Brasil como em Portugal já se começou a ensinar a nova ortografia nas escolas).

  11. eu pela foto vista à lupa,apercebi-me por alguns sinais, que mais tarde já velhinha,a senhora dona merkel,ia espalhar muita merda alemã na ventoinha!está confirmado.

  12. onde é que estavam os defensores da privacidade ou intimidade quando a gaja foi mostrar as mamas para a ópera em oslo ou quando se trata de mostrar as armas de distracção maciça já se pode publicar?

    http://operachic.typepad.com/.shared/image.html?/photos/uncategorized/2008/04/14/merkel_res2.jpg

    o link abaixo é para ajudar os comunas puritanos a perceberem que o nudismo era prática comum na rda e que a merckla só virou careta depois da unificação.

    http://www.spiegel.de/international/baring-it-all-get-naked-with-the-germans-a-415516.html

  13. ignatz: Muito oportuno o que aqui trazes do Der Spiegel. Não tenho a certeza que Merkel tenha “virado careta”. A bem da coerência, espero que não.

  14. Na imagem da ópera vê-se perfeitamente que a oriental e a ocidental não são assim tão diferentes como isso. E o artigo do Spiegel salta o período do nacional-nudismo hitleriano.

    Já em Portugal só o rei é que vai nu. Foi visto pela última vez numa fábrica de peixe congelado a cobrir as vergonhas com um oleado transparente que ainda excitava mais as admiradoras.

    E assim vai o mundo.

  15. “Na imagem da ópera vê-se perfeitamente que a oriental e a ocidental não são assim tão diferentes como isso.”

    são… são, a oriental exibe dotes líricos e a ocidental decotes pragmáticos.
    http://www.youtube.com/watch?v=cBDZ-KHe8gY

    “E o artigo do Spiegel salta o período do nacional-nudismo hitleriano.”

    tu é que negas as camaras de gás e os banhos prévios
    http://www.mirror.co.uk/news/real-life-stories/death-camp-treblinka-survivors-stories-1248242

    “Já em Portugal só o rei é que vai nu. Foi visto pela última vez numa fábrica de peixe congelado a cobrir as vergonhas com um oleado transparente que ainda excitava mais as admiradoras”

    andas a sonhar com chavalas de conserva e o que tu viste foi uma serração de postas de pescada

  16. Diz o Ignatz com o pelo todo eriçado: «tu é que negas as camaras de gás e os banhos prévios
    http://www.mirror.co.uk/news/real-life-stories/death-camp-treblinka-survivors-stories-1248242 »

    E manda isto: “More than 875,000 people, almost all Jews, were murdered at Treblinka in the space of one year, starting in the spring of 1942. […] But in February 1943, defeat by the Russians at the Battle of Stalingrad turned the tide of the war against the Germans. The destruction of all evidence of the Final Solution was ordered, including the cremation of over 750,000 corpses which had been buried at Treblinka.”

    Portanto os espertíssimos alemães que se tinham esquecido de eliminar os vestígios do crime que andavam a combinar através de palavras-código para ninguém poder descobrir o que tinha acontecido aos judeus, pensaram na hipótese de eliminar os 700 ou 900 mil cadáveres a posteriori, desenterrando-os e vaporizando-os pelo fogo sem deixar sinais, coisa sem precedentes nos anais da física, mas como os alemães são capazes de tudo, se bem o pensaram, melhor o fizeram. E depois vai-se ver e o solo não mostra qualquer sinal de ter sido remexido…

    Treblinka Ground Radar Examination Finds No Trace of Mass Graves

    The 1999 Krege Report on the Treblinka Extermination Camp

    Cito:
    ____________

    Arnulf Neumaier has calculated the technical characteristics of such a hypothetical cremation operation:
    — total surface area of the “grills”: 10,800 m², operated by
    — 6,000 workers at the “grills”, at grinding bones, organization, administration etc., fueled by
    — 50 million liters of gasoline (a train 15 km/10 miles long), or alternatively
    — 195,000,000 kg air-dried wood in
    — 185 freight trains with 55 cars @ 30,000 kg wood each, or alternatively
    — 351,000,000 kg fresh wood (515,000 trees, 6.4 km² forest), felled, debranched and cut up by
    — 3,450 lumberjacks, transported with a motor pool of 42 15-t-trucks, resulting in
    — 4,000,000 kg ashes (wood and human ashes)
    ____________

    Ignatz, também acreditas na fada do dentinho?…

    Background aqui:

    TREBLINKA

    Vídeo sobre Treblinka, Sobibor e Belzec aqui:

    ONE THIRD OF THE HOLOCAUST
    Ignatzio, também acreditas na fada do dentinho?…

    Recomendo:

    The Last Days of the Big Lie

  17. [Argh, lá foram os tags todos trocados. As minhas desculpas e repito o envio para reconstituir os links. Se se opuder eliminar o prévio, agradeço. É pena este blog não possibilitar revisionismos de comentários]
    _____________________________________

    Diz o Ignatz com o pelo todo eriçado: «tu é que negas as camaras de gás e os banhos prévios
    http://www.mirror.co.uk/news/real-life-stories/death-camp-treblinka-survivors-stories-1248242 »

    E manda isto: “More than 875,000 people, almost all Jews, were murdered at Treblinka in the space of one year, starting in the spring of 1942. […] But in February 1943, defeat by the Russians at the Battle of Stalingrad turned the tide of the war against the Germans. The destruction of all evidence of the Final Solution was ordered, including the cremation of over 750,000 corpses which had been buried at Treblinka.”

    Portanto os espertíssimos alemães que se tinham esquecido de eliminar os vestígios do crime que andavam a combinar através de palavras-código para ninguém poder descobrir o que tinha acontecido aos judeus, pensaram na hipótese de eliminar os 700 ou 900 mil cadáveres a posteriori, desenterrando-os e vaporizando-os pelo fogo sem deixar sinais, coisa sem precedentes nos anais da física, mas como os alemães são capazes de tudo, se bem o pensaram, melhor o fizeram. E depois vai-se ver e o solo não mostra qualquer sinal de ter sido remexido…

    Treblinka Ground Radar Examination Finds No Trace of Mass Graves

    The 1999 Krege Report on the Treblinka Extermination Camp

    Cito:
    ____________

    Arnulf Neumaier has calculated the technical characteristics of such a hypothetical cremation operation:
    — total surface area of the “grills”: 10,800 m², operated by
    — 6,000 workers at the “grills”, at grinding bones, organization, administration etc., fueled by
    — 50 million liters of gasoline (a train 15 km/10 miles long), or alternatively
    — 195,000,000 kg air-dried wood in
    — 185 freight trains with 55 cars @ 30,000 kg wood each, or alternatively
    — 351,000,000 kg fresh wood (515,000 trees, 6.4 km² forest), felled, debranched and cut up by
    — 3,450 lumberjacks, transported with a motor pool of 42 15-t-trucks, resulting in
    — 4,000,000 kg ashes (wood and human ashes)
    ____________

    Ignatz, também acreditas na fada do dentinho?…

    Background aqui:
    TREBLINKA

    Vídeo sobre Treblinka, Sobibor e Belzec aqui:
    ONE THIRD OF THE HOLOCAUST
    Ignatzio, também acreditas na fada do dentinho?…

    Recomendo vivamente:
    The Last Days of the Big Lie

  18. Ignatz, desta vez, com a pressa, foi um link errado que remete para o fim de um artigo. Aqui vai a correcção:

    (…) 700 ou 900 mil cadáveres a posteriori, desenterrando-os e vaporizando-os pelo fogo sem deixar sinais, coisa sem precedentes nos anais da física, mas como os alemães são capazes de tudo, se bem o pensaram, melhor o fizeram. E depois vai-se ver e o solo não mostra qualquer sinal de ter sido remexido…

    The 1999 Krege Report on the Treblinka Extermination Camp

  19. Estudo do campo de trânsito de Treblinka, o favorito do Ignatz, transformado em «campo de extermínio» (em alemão »Vernichtungslager«, uma designação que jamais existiu antes da sua invenção no pós-guerra) e finalmente em santuário milagroso, aqui, online, em pdf:
    Treblinka: Extermination Camp or Transit Camp?

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