Sócrates pro bono

O 25 de Abril de 1974 apanha Sócrates com 16 anos. De imediato se dedica à política, dimensão cívica e intelectual onde o seu pai já marcava presença como interessado e a que se dedicaria como participante de relevo na Covilhã. Um ano e meio depois de se ter inscrito na JSD, Sócrates abandona a militância e o PSD. Tinha 18 anos e só voltaria à vida partidária em 1981, entrando para a JS e passando desde aí a lutar pelo PS.

O que há de estranho nesta recordação que tem a idade da democracia portuguesa? Isto: sendo o seu pai o fundador do PSD na Covilhã, Sócrates ainda adolescente mostra absoluta independência do laço familiar. Vindo mais tarde a ser o político português mais caluniado da História (se não for, agradeço a correcção com factos, faxavor), o que vemos logo na génese do seu percurso partidário é a completa ausência de calculismo oportunista e nepotista, abdicando da vantagem que o poder paterno por inerência faria derramar sobre a potencialidade política do jovem Sócrates. O que vemos, portanto, é uma manifestação de carácter, no sentido mais nobre do termo. Compare-se, para se atestar da raridade deste episódio, com o que constitui a normalidade das familiaridades políticas em Portugal, e mesmo além-fronteiras.

Salto para o Governo de Guterres. Estamos na segunda metade dos anos 90 e Sócrates destaca-se dos companheiros no Executivo pela qualidade e capacidade de decisão e ainda pelo carisma já incontornável. Terá 7 anos consecutivos de experiência governativa, sempre em crescendo de reconhecimento do seu talento e mantendo uma proximidade privilegiada com Guterres. De 2002 a 2004 ele foi, naturalmente, um concorrente à liderança do PS. Representava o melhor da geração nascida para a política após a Revolução, o sangue na guelra com provas dadas. Mas não se lhe reconhecia nenhum projecto de sociedade ou discurso teórico que congregasse o entusiasmo dos socialistas. E assim teria continuado caso António Vitorino tivesse avançado para o lugar deixado vago por Ferro Rodrigues. Quando vence as eleições socialistas em 2004, o País viu com naturalidade a derrota do passado romântico de Alegre e do presente dinástico de João Soares e a vitória da nova social-democracia feita por uma figura que permitia a associação com o universo simbólico de Tony Blair. Mas, quando vence as eleições legislativas em 2005, o País não faz a menor ideia do que vai acontecer na governação. Também por causa do trauma da fuga de Barroso e da decadência de Santana, a auto-estima nacional estava em farrapos e até a vitória do PS com maioria absoluta esteve a léguas do entusiasmo e da festa que encheu as ruas aquando da primeira vitória de Guterres.

6 anos de exercício do poder como primeiro-ministro não criaram “socráticos”. Este termo serve apenas como apodo para gasto paranóide e maníaco por essa mole de pulhas, fanáticos e broncos que constitui o grosso da direita partidária, da direita publicista e da direita atarantada. Os poucos que têm defendido Sócrates ao longo do tempo – alguém que aberrantemente até o seu partido não quis defender e que chegou ao inacreditável ponto de também o atacar – acrescentam a essa prática intransigente uma exuberante liberdade intelectual e moral. A evidência desta peculiaridade deu-a o seu regresso à política activa, onde alguns ditos socráticos notáveis foram céleres a reprovar a iniciativa por variadas e sensatas razões. De facto, e mais uma vez, ninguém sabe o que esperar de Sócrates. E porquê? Porque Sócrates é uma personalidade que ousa recusar o caminho mais fácil caso o preço a pagar seja a diminuição da sua autonomia de decisão. Este poder pessoal tanto pode ser usado para o bem como para o mal e chama-se capacidade de liderança. Algo que em Portugal não se ensina nas famílias, não se ensina nas escolas e não se ensina nos partidos. Mas que passará a ser exibido na televisão pública para benefício do público.

60 thoughts on “Sócrates pro bono

  1. Sócrates:
    Mestre na prosperidade ilusória, iludindo o presente e sacrificando o futuro.
    Aí estão pois as novas gerações a pagar o equívoco, o engano. Desemprego, dissolução das famílias, despojadas do pão, da habitação, da educação, da saúde. Da Alegria. Da esperança. IMPERDOÁVEL !!!
    Retrato de Sócrates e da (também sua) política de direita em todo o seu explendor.
    E é isto que os orfãos de Sócrates exaltam…

    João Pedro

  2. Val, estamos de facto na época dos retornados.Voltou ao jornal das 9 da SIC o seu apresentador de sempre, depois de uma alegada “operação á coluna”.Já mudei de canal..

  3. desconhecia o percurso dele e as linhas do seu carácter. e é bom saber que (ainda) há gente, daquela que nos parece intocável, assim.

    para que conste, João Pedro, e ouve bem isto que te vou dizer: eu não sou filha da miséria do Sócrates, pelo contrário, com ele cresci na abundância.

  4. Bingo! resposta directa aos que o acusam de ser populista.
    Além disso, como é que se pode ter sido governado/a durante seis anos (fora o período de ministro do ambiente- duro e anti-populista, como sempre) por alguém e continuar sem perceber as linhas de carácter desse alguém???

    Óbalhamedeus…o ignatz não deixa de ter razão quanto a béculas…Bécula é o mínimo.
    Quanto ao máximo: segurar bem este que é um dos últimos exemplos de uma Política à beira da extinção. Até o Professor Martelo disse no seu último tempo de monólogo na TVI: Fazia falta a política a sério, “a cores, com emoção”(digo eu com convicção) em vez da “política pseudo-racional “e “chilra” que temos. Isto é simples de ver. Até o Marcelo vê, caramba.

  5. está visto, edie: os ranhosos e invejosos estão para o sócrates assim como tu – e os que partilham o teu clister – estão para mim. parece-me bem haver este tipo de divisão justa.

  6. ó parvalhota, primeiro entende o que se passa à tua volta (por exemplo o carácter do teu governante de seis anos) e depois sonha em comparares-te com o dito.

  7. estás enganada, edie: eu não me comparei a alguém – até porque em termos de carácter, e das linhas que mo fizeram, eu tenho tudo e só não tenho comparação -, antes te comparei ao ranho e à inveja.

  8. Mostrei este post a uma pessoa que nunca tinha lido nada deste blogue. Comentário “Este gajo ou se droga ou é novo.”
    A adjectivação chavista está ao rubro por aqui. Continuem, continuem! O pessoal vai-se rindo.

  9. eheheh… o pesadelo sonha ser cobiçado. cambada d’invejosos não podem ver pensamentos retorcidos e tremidos.

  10. joão leal, e esse opinion maker que consultaste ou é velho de cabeça, ou não se droga nem inalou, ou não entende um chavelho. E adjectiva como um boi.

  11. “s ranhosos e invejosos estão para o sócrates assim como tu – e os que partilham o teu clister – estão para mim.” – comparaste, parvalhota está escarrapachado. E tens tudo, de facto, para constituir um ego imbecil à última escala(é doença e devias tratar), quando rebentar com o toque da agulha no balão, despejará chuva de merda durante três dias. E depois puffffffff.

  12. Difícil acrescentar o que quer que seja às certeiras palavras de Val.

    Limito-me a isto: quando Sócrates se candidatou a Secretário Geral do PS, estive na sessão no CCB, em que Guterres, que o tinha tido como Ministro do Ambiente, o apresentou a uma plateia repleta de gente. Fê-lo quase se limitando a estas palavras:

    “Este homem trabalhou comigo durante alguns anos. Pois, meus amigos, faltam-me as palavras para descrever o homem que está à vossa frente! E faltam-me as palavras porque tudo o que dissesse ficaria sempre aquem do que ele é como Homem e como Político”. Nenhum dos presentes pode fazer uma pequena ideia de quem é este Homem!”

    Isto explica a razão por que ele é um político tão odiado (a direita portuguesa é mesmo pequenina) mas também tão amado.

  13. “Os poucos que têm defendido Sócrates ao longo do tempo – alguém que aberrantemente até o seu partido não quis defender e que chegou ao inacreditável ponto de também o atacar – acrescentam a essa prática intransigente uma exuberante liberdade intelectual e moral. A evidência desta peculiaridade deu-a o seu regresso à política activa, onde alguns ditos socráticos notáveis foram céleres a reprovar a iniciativa por variadas e sensatas razões. ”

    até aqui no aspirina, o receio tomou conta de muitos discursos…Oh homens de pouca fé :)

  14. a cena da tv deu para perceber duas coisas : há 1 milhão e 600 mil pessoas nos partidos , ou com ligações partidárias , e na comunicação social . muita fruta para um país pequeno , deve ser a chamada “bolha política” . pronto , uns tantos desses serão apenas curiosos mórbidos ou masoquistas ; deu tb para perceber que sistema partidário e comunicação social mais a bloga política vivem uns para os outros.
    ninguém normal ligou pevide a isso , trata-se de um não facto . capisce ?

  15. :))
    podes não gostar do homem, mas colocar um fenómeno das redes sociais, para além da comunicação social, ao nível de não facto, é colocares-te como a quem a realidade não interessa um cagalhoto. Tás como o governo. Quem acha que a realidade é um cagalhoto, está a projectar-se. Se não a queres ver, não vejas, mas não me venhas com o capisce, que fazes figura de parva…Agora quem não concorda contigo é estúpido, masoquista ou não existe? (capisce o tremendo disparate? aprende e aparece…)

  16. não edie , a mim só me interessa a realidade , ao contrário do governo que está a transformar portugal num não país :((( . a realidade das pessoas comuns importa-me , os fatos criados adrede para encher papel e écrans é que não me dizem nada .

  17. “ninguém normal ligou pevide a isso , trata-se de um não facto . capisce ?”

    pois, mas como somos um país de anormais toda a gente fala nisso e ainda fazem programas com sumidades do comento nacinhal, pagos a peso d’ouro, para dizer que afinal trata-se de um não facto.

  18. O fim do silêncio:
    Foi este o título que os responsáveis pela RTP denominaram o programa. Agora os que sempre mandaram “posta de pescada” – está em uso, que o diga Paulo Bento – vêm argumentar que José Sócrates só falou do passado e nada disse sobre o presente e o futuro. Há muito tempo não se ouvia, os mesmos dizer, que José Sócrates ao remeter-se ao silêncio é o mesmo que dizer que quem cala consente.
    Como respondeu às perguntas formuladas pelos entrevistadores sobre o seu passado, os “Velhos do Restelo”, vem criticar essa referência ao silêncio. Não sei o que estas pessoas querem. Se não se fala é porque não se tem argumentos. Se se defende dizem que só fala do passado. Se as perguntas são sobre batatas querem que José Sócrates responda com cebolas! À falta de argumentos respondo com… vão chatear outros.
    Em todos os programas, após a entrevista, os ressabiados à falta de argumentos argumentavam que a entrevista ficou aquém do previsto. Até mesmo quem andou a assinar petições contra a ida de José Sócrates à RTP. Que a administração da RTP ia cair num logro e que estava a abusar do dinheiro dos contribuintes.
    Só se lembram do dinheiro dos contribuintes quando são pessoas de partidos de esquerda. Quando são de direita está tudo bem. Aliás, José Sócrates vai para ali a título gratuito.
    Outros além de ir para as televisões granjear prestígio também vão tratar da sua vida. Que o diga Marcelo Rebelo de Sousa e outros mais.
    Os directores de programa da concorrência, é que deviam ser responsabilizados pelos accionistas, pela perda da “futura” – para eles – galinha dos ovos de oiro, por não terem visão para esta contratação.
    Em dezassete de Março de dois mil e doze, Miguel Sousa Tavares dizia: “Diga ‘Sócrates’ e tudo se explica”.
    Os de sempre, vêm criticar o teor da entrevista, mas passaram horas e horas a debater e rebater essa mesma entrevista. Até aproveitaram este tema para fóruns públicos no dia seguinte.
    Se a entrevista era uma mera forma de José Sócrates lavar a sua imagem não compreendo a atitude da TVI, TVI24, SIC e SICN contribuírem para essa lavagem.
    Sabe-se que foi tema em todos os órgãos de comunicação social e até a própria Assembleia da República não deixou de o referir. Que o diga Luís Campos Ferreira com toda a sua “patetice” sobre José Sócrates. – Julgava que lhe ia dar o chilique. Os adágios populares são ricos na sua sabedoria: “estão verdes… só cães as podem tragar”. Mas eis que cai uma parra.
    Também não falta quem queira medir meças com José Sócrates. O recentíssimo contratado pelo Correio da Manhã TV (CMTV), Santana Lopes, desafia José Sócrates para um frente a frente.
    Por onde andou Santana Lopes nestes dois anos? Não se lembrou de o desafiar nesse tempo? Só o faz depois de ver o sucesso da entrevista? Não o incomoda sentar-se à frente de um homossexual como o apelidou? Ou quando o apelidou não foi em tom pejorativo? Ah estes homens! As voltas que o “mundo” dá!
    Santana Lopes não passa de um agitador tal qual o Correio da Manhã. Lá vai outro adágio popular: “diz-me com quem andas dir-te-ei quem és”.
    Antes, riam-se a bom rir às escondidas das graçolas e brejeirices que lhe dedicavam. Nunca se opuseram a este tipo de informação. Até contribuíram para ele com a sua presença – paga – nesses canais. José Sócrates fá-lo de borla para a RTP.
    Ficam enrubescidos com a crítica a Cavaco Silva. Mas jornalistas com Jota grande não têm rubor a esse tipo de crítica. Que o diga Ferreira Fernandes na sua crónica diária:
    “Tirando esse deslize, Sócrates foi moderado, criticou no PR falhas de solidariedade institucional. Ora com Cavaco um animal feroz levantaria outra coisa: aquele que é hoje o Presidente de Portugal ganhou de um banco, num ano, mais do dobro do que lá tinha depositado – e, depois de ter sido provado que o banco era de bandidos, não devolveu as mais-valias.”
    Mas, Ferreira Fernandes, ainda disse mais numa crónica anterior:
    “Essa é a questão-chave, porque reconhecida e aceite, do desconforto dos portugueses com os seus políticos. Já com os chefes do Governo e da oposição, Sócrates limitou-se a mostrar, em contraexemplo, que Passos tem sido uma cucurbitácea, lá fora, e Seguro, um banana, cá dentro. Daí as minhas críticas por ele ir para essa coisa falsa que é político comentador político. Um político assim deveria ir ao congresso do seu partido e lutar pelo seu lugar.”
    Para o final da entrevista José Sócrates presenteou os telespectadores com frases de lhe tirar o chapéu: da “Divina Comédia” à entrada no Inferno: “Vós que entrais abandonai toda a esperança”.
    É o que este governo nos anda a dizer e fazer. – Elegeste-nos como governo! Perdei toda a confiança que tínheis em nós.
    É o que constatamos no nosso dia-a-dia. Sem esperança, tristes e mais pobres.
    E a uma pergunta de Paulo Ferreira sobre quem tem medo dos seus comentários José Sócrates responde:
    – Ninguém tem que ter medo dos meus comentários. Só quem tem medo da democracia é que tem medo dos meus comentários.
    A vida é isto… queriam que ele rompesse o silêncio e ele rompeu-o da forma que o sabe fazer. Comunicando num português perfeito tudo o que acha que deve ser dito. Quem não gosta que ponha na borda do prato.

  19. ignatz,
    “e ainda fazem programas com sumidades do comento nacinhal, pagos a peso d’ouro, para dizer que afinal trata-se de um não facto”
    felizmente temos quem o faça pro bono…

    :))
    “a realidade das pessoas comuns importa-me”…queres dizer que os milhões que puseram a entrevista de Sócrates no top mundial dos comentários (twitter) são pessoas comuns, pessoas da vida real. Estás muito certa.
    Mas porque dizes “E ninguém normal ligou pevide a isso”. ?
    Estás a dizer que quem ligou é psicopata? Qu estamos inundados de malucos que deviam ser “internado no manicómio”*, como disse o jovem líder da JSD a propósito de Sócrates?
    E a medida de normalidade és tu? Capisce o doentio do argumento?
    * potencial futuro primeiro ministro, portanto.
    Nota: a Helena Roseta, que se afirmou insuspeita, por opositora de Sócrates, enojou-se com este representante da futura classe política:saberá ele que manicómio era o termo usado no tempo de estaline para o sítio de desterro dos dissidentes?

    :)), a realidade das pessoas comuns não devia ser algo com que dizes importar-te, devia ser algo de que fazes parte. Caso contrário, não virias aqui com um discurso tão fascista como o que acabaste de fazer, provavelmente sem consciência. A consciência importa. Muito.

  20. se trouxesses aí o que o zé e a maria e o antónio da rua disseram eu ainda ligava algum , agora os pios endogâmicos do jsd e da roseta e do moita ou do oliveira ou do zé manel ou do político x ou do comentadeiro y só me fazem dores de cabeça e arruma lá o insulto “fascista” no baú das velharias , já está muito démodé , nem cocegas me faz :)

  21. Valupi

    Acabo de ver a entrevista de hoje do regressado Crespo ao regressado Carrilho. É de vómito, o discurso pretensamente distanciado do filósofo, pontuado pelas deixas babadas do Crespo, tudo, sem novidade, porém – trata-se do que para aí está a dar: face à inegável pedrada no charco, que foi a entrevista de José Sócrates, e da sentida inviabilidade da continuação do discurso da calúnia abjecta (salvo para os mais patetas, que não perceberam nada), sem o freeport, a face oculta, a licenciatura e o mais que foi organizado e lançado, o remédio encontrado foi pôr em causa algumas das afirmações e alguns dos números deixados por José Sócrates e, sobretudo especular sobre os motivos, os efeitos, as razões do regresso e o plano de Miguel Relvas, em permiti-lo ou, mesmo, impulsioná-lo.

    Manuel Carrilho não trouxe a este fungagá mofado variação apreciável, a não ser uma especial vacuidade, um evidente rancor invejoso e, até (o fulano continua incuravelmente provinciano), o recurso à pequena maledicência caduca de que os mais urbanos já desistiram.

    Mas não foi para falar desta parelha de tolos que resolvi chatear-te. Para te dizer que o teu post que comento faz uma excelente conjunto com o discurso carrilhaste: o tom beato e hagiográfico do que escreves é tanto ou mais redutor e falseador da realidade que aborda quanto as tolices diabolizantes que estes carrilhos andam a papaguear. Deixa-te disso, não mates o homem de ridículo, que ele não merece. Só me lembrava das historiazinhas da infância do menino Jesus.

    Entendamos-nos bem: José Sócrates foi, sem dúvida e absolutamente, o melhor (o único) primeiro ministro da democracia (e não apenas). Mas este facto, objectivo, é político e não tem muito a ver com as excelsas virtudes que cantas, supondo que existam, coisa que não sei e que, para dizer a verdade, não me interessa rigorosamente nada.

    Interessa-me, isso sim, e é disso que deveríamos falar e não de como o Messias entrou em Jerusalém montado num burrico, ao colinho da mãe, é perceber a extraordinária pulsão nacional de recusa de fenómenos políticos como José Sócrates (temos uma meia dúzia de antecedentes); caracterizar esses fenómenos; inquietar-me com os contornos dessa recusa, com o odiozinho que ressuma, com a mediocridade da vingança desejada – não a morte, mas a humilhação, o achincalho, a entrega do réprobo às chufas da populaça.

    Perceber, em suma, este País. E, já agora, tentar perspectivar o que fazer, nós, activamente, não a compor odes laudatórias.

    Vamos a isso?

  22. Não estou para ler os comentários agora. Só uma pequena coisinha: “6 anos de exercício do poder como primeiro-ministro não criaram socráticos”. Um criaram. Pelo menos. Sou socrático. Com muito gosto e muita vontade. A primeira pessoa da minha curta vida consciente que me fez pensar que a politica valia a pena. Desta maneira

  23. João Pedro, senta-te e respira fundo. Bebe água com açúcar.
    __

    anonimo, esse maluquinho já não tem cura.
    __

    Joao Leal, tens pinta, de facto, de ser alguém que anda com vontade de rir. Vai na volta, és tontinho.
    __

    CÍCERO, excelentemente lembrado.
    __

    Manuel Pacheco, muito bem pensado e bem escrito.
    __

    Francisco Araújo, larga o vinho.
    __

    João, és tu, então, o único socrático que existe. Parabéns.

  24. Val,

    aqui entre nós, parece-me que como pessoa o Sócrates deve ser, mais do que um tipo decente, alguém realmente fixe. Digo isto pelo respeito profundo, e até afecto, que muitas vezes salta à vista nas palavras de quem o conhece (ou diz conhecer). Já a sua figura pública já não me parece tão porreira e acho-o um velhaco mentiroso como político. Mas, enfim, não é isso de que o post fala.
    Val, você diverte-me, o que é que eu posso fazer? A sua linguagem, os seus exageros de adjectivação, a sua fé e a sua parcialidade são quase um fenómeno. Um tipo percebe a cena do Chavez com esse tipo de intervenções. Vale a pena vir aqui e aproveitar para aprender mais sobre o que pensam aqueles que acho que não pensam como eu. Quer dizer, eu voto e imponho-me a abertura de espírito para decidir a cruzinha com consciência tranquila de que ouvi e pesei os argumentos e propostas do pessoal que concorre. Nesse sentido, sigo-o e tenho aprendido bastante consigo sobre um lado da política nacional que se tornou tabu em todo o lado: as virtudes da governação de Sócrates, que também as houve.
    Um tonto nunca sabe que é tonto: vale para mim, Sócrates e para o Val. Já para o ignatz e o eddie…

  25. Por estas andanças só lhe falta falecer para que o camarada KIM SOCRATUM ENG seja nomeado pelos crentes “o querido e eterno líder”.

    Depois da sua morte aconselho os crentes a não publicar a sua conta bancária – como aconteceu com o Dr. Oliveira Salazar. Isso poderia provocar mal-entendidos que iriam imediatamente servir a um mole de pulhas e fanáticos da direita para denegrir a imagem do GRANDE LÍDER.

  26. João Leal, fazes muito bem em vir aqui para aprender. É esse mesmo o espírito, parabéns.
    __

    Cavaleiro da Parva Figura, se há.
    __

    campus, what?
    __

    carmo da rosa, larga o vinho.

  27. Carmo da Rosa

    A família socialista no seu melhor. Carrilho fala assim do “amigo” Sócrates…

    “Se o País desse credibilidade” a esta entrevista de Sócrates e ao seu regresso “ficaria encurralado entre 2011, nesta visão que Sócrates tem do passado, e o fracasso do actual Governo. Era como se o país ficasse encurralado entre a peste e a cólera. Como se não tivesse direito ao futuro.”

    Carrilho coloca ainda Sócrates num patamar semelhante ao de Silvio Berlusconi e Nicolas Sarkozy. “São líderes tóxicos”, sublinhou

  28. Oh francisco , o Manuel Maria faz-se notar porque é a ovelha negra da família socialista.
    Se souberes de quem o queira levar para o rebanho amaldiçoado, estejam à vontade, passa a ser apenas um entre muitos, mal se vai dar por ele.
    Ficava grato.
    O que o tipo tem é inveja porque apesar de tóxico nunca chegará a líder.

  29. Val, peço desculpa da minha veia católica. “Santo súbito” é quando os fiéis clamam que alguma pessoa seja rápidamente seja elevada á categoria de “Santo”. Não encontrei melhor imagem para a sua crónica.

  30. ”A família socialista no seu melhor.”

    Precisamente Francisco Rodrigues, não fazem a coisa por menos. É sempre 8 ou 80. O culto da personalidade em proporções patológicas ou então o líder é julgado e fuzilado pelos próprios crentes por fazer parte do ‘rebanho amaldiçoado’…

    ”Carrilho coloca ainda Sócrates num patamar semelhante ao de Silvio Berlusconi e Nicolas Sarkozy.”

    Não sei quem é o Carrilho!

    Mas também vejo no Sócrates uma espécie de Berlusconi português. Há dias um amigo meu, em total desacordo com esta minha comparação, dizia-me que o Berlusconi pelo menos gasta o dinheiro dele… Não sei até que ponto isto é verdade, até que ponto o Silvio não mistura as facturas, mas dá para pensar no assunto.

  31. O 25 de Abril de 1974 apanha Sócrates com 16 anos. De imediato se dedica à política…

    Ó Valupi, isto será mesmo verdade ou faz parte dos exagerozitos que os crentes usam (e normalmente abusam) para ornamentar os cultos da personalidade?

    Aos 16 anos o rapaz não andava a roubar fruta pelos campos da Covilhã? Nem à pedrada contra a malta do outro bairro? (pronto, de outro partido também serve!) Não brincava ao trinca cevada, ou ao peão, ao pica? Nem uma guerra de bolotas à fisgada? Nem tentou comer a sopeira que lhe arrumava o quarto todas as manhãs?

    Nem sequer umas punhetas à pala da professora de francês?

    Não pode ser!!!

    Ó aspirinas, ó martírio! E quereis vós fazer de um desnaturado um GRANDE LÍDER…

  32. Depois de pensar longamente:

    Val, mete-te no tinto (sempre ajuda a economia) e larga a portinhola do homem pá! Pelo menos quando opinares…

  33. carmo da rosa, depreendo que acumulas. Mas não desesperes, há mais como tu e até poderão começar a reunir-se para umas almoçaradas.

  34. Valupi, e pode saber-se o que acumulo precisamente?

    Por falar em almoçaradas, eu vou estar em Portugal de 7 a 15 de Maio, Val, não queres continuar ao vivo esta amena troca de elogios?

    (Este convite é naturalmente extensivo a todos os Aspirinas, de direita, de esquerda, e até mesmo para os anti-semitas convictos).

    Dédé, apostamos em todos aqueles que têm uma predilecção especial para o culto da personalidade – uma actividade rara e em vias de desaparecimento no mundo ocidental.

  35. carmo da rosa, acumulas o ser estúpido com o facto de comeres merda
    às colheres, mas aposto que já desconfiavas.

    Quanto a esse encontro ao vivo, escreve-me para o email do blogue para apresentares em condições o teu convite.

  36. Ai Valupi, Valupi,

    És um espelho da nação pá, acumulas uma confrangedora falta de humor com o insulto rotineiro e infantil….

    E é uma pena, porque não te faltam qualidades para fazer melhorzinho, mas que havemos de fazer, não temos outra…….nação!

  37. Francisco Rodrigues,

    Só vou estar 3 dias em Lisboa, mas talvez seja possível um almoço algures! Aqui tem o meu mail para combinar um encontro: carmodarosa@kpnplanet.nl

    O Valupi também pode vir, o que não pode é durante o almoço mandar as bocas que aqui usa e abusa: carmo da rosa, larga o vinho

  38. “carmo da rosa, tenta mudar de nação,”

    Valupi,

    Podemos mudar de país, foi o que eu fiz, mas de NAÇÃO (isto deve ser dito com o trémulo que Salazar dava à palavra) nunca. Fica-nos agarrada a pele para sempre.

    E Porquê?

    Porque a verdadeira NAÇÃO é aquela onde aos 16 anos já nos ensinaram a roubar fruta, a atirar pedras aos do outro bairro, a jogar futebol e aos matrecos (a dinheiro), a saltar ao trinca cevada, a dar uma queca na Maria do Barrote em troca de um maço de tabaco e a tocar à sebastiana à pala da professora de francês…

    Os infelizes que não tiveram este percurso na realidade não tiveram uma juventude feliz. Coitados, foram por exemplo obrigados pelos pais a desenvolver a actividade mais baixa ao cima da terra: a política, e isso antes de terem vivido, antes mesmo te terem uma personalidade formada.

    Serão condenados a ser os Sócrates deste mundo. Calculistas, narcisistas, sem uma pinta de humanidade. Covilhã, Lisboa ou Paris é tudo igual ao litro – só o poder lhes interessa, mesmo que para isso tenham que roubar aos pobres para dar aos ricos…

    Amen

  39. “Podemos mudar de país, foi o que eu fiz, mas de NAÇÃO (isto deve ser dito com o trémulo que Salazar dava à palavra) nunca.”

    tu nem de cuecas mudas e é por isso que ” Fica-nos agarrada a pele para sempre.”

    “E Porquê?” atenção! nuno crato à portaria por favor.

    “Porque a verdadeira NAÇÃO é aquela onde aos 16 anos já nos ensinaram a roubar fruta, a atirar pedras aos do outro bairro, a jogar futebol e aos matrecos (a dinheiro), a saltar ao trinca cevada, a dar uma queca na Maria do Barrote em troca de um maço de tabaco e a tocar à sebastiana à pala da professora de francês…”

    tiveste uma educação de merda e uma infância fodida, é compreensível mas não desculpa tudo.

    “Os infelizes que não tiveram este percurso na realidade não tiveram uma juventude feliz. Coitados, foram por exemplo obrigados pelos pais a desenvolver a actividade mais baixa ao cima da terra: a política, e isso antes de terem vivido, antes mesmo te terem uma personalidade formada.”

    nem o gajo da spark diz tanta asneira por linha. infeliz és tu, oh cromagnoso que cristalizaste ortorrômbico em anikibóbo
    http://www.youtube.com/watch?v=w22wyRSFD9c

    “Serão condenados a ser os Sócrates deste mundo. Calculistas, narcisistas, sem uma pinta de humanidade. Covilhã, Lisboa ou Paris é tudo igual ao litro – só o poder lhes interessa, mesmo que para isso tenham que roubar aos pobres para dar aos ricos…”

    deves andar a rever filmes do robin wood em modo fast rewind.

  40. Oh Carmo e francisco, desculpem a intromissão, mas onde é que acham que o Seguro, o Relvas e o vosso Passos andavam aos 16 anos?
    Nas jotas, certo?
    Atão porque é que o Sócrates, nessa idade, tinha de andar à pedrada ou a dar quecas pagas, sem direito a participação politica?
    A não ser que, após a falhada e numerosa tentativa de lhe fechar a boca, se siga uma desejada suspensão de direitos políticos com aplicação retroactiva a 1974…

  41. ontem fui levado a rever o debate eleitoral entre socrates e manuela ferreira leite.se ele não fosse um homem educado punha-se ao nivel dela,que acabaria por abandonar a entrevista a dizer que não gostava de socrates.sou mais um socratico.admiro mario soares, mas foi por socrates por quem mais pus “a pele no assador” para lutar contra a injustiça de muitas criticas.o programa de crespo vai ser uma especie de contra- informaçao,com palhaços a atuarem toda a semana de borla,como o carmo rosa,joão lisboa, joão pedro para limparem o figado ao destilarem o seu odio sobre um homem que pelos vistos é um criminoso porque começou a gostar de politica aos 16 anos. esta malta com a sua grandeza moral,no intimo se pudessem, eram bem piores que o estripador da felicia cabrita ou do que o gang do multibanco.

  42. Pandil,

    finalmente uma pergunta inteligente num comentário sem insultos!

    Note que o personagem Sócrates não me interessa particularmente, uso-o apenas como exemplo de político modernaço, muito tuga e com um trauma de infância. Poderia ser outro qualquer, por exemplo um dos que você mencionou…

    Mas acho o vosso Passos muito chato (no sentido que os ingleses dão à palavra ‘borring’) e não sei muito bem por onde lhe pegar. Sabe, há caras (no sentido brasileiro) que se prestam melhor para caricaturas do que outras. Além disso, não conheço nenhum blogue onde Passos Coelho seja defendido com o fervor religioso que aqui vemos em relação ao Eng. Sócrates, que para muitos aqui se encontra um furo abaixo do Padre Américo, o que torna a coisa para mim, que não sou lá muito de religiões, bem mais ……… gira.

    “Atão porque é que o Sócrates, nessa idade, tinha de andar à pedrada ou a dar quecas pagas, sem direito a participação politica?”

    Não tinha de andar….. Podia perfeitamente levar pedradas e até na peida que ia dar ao mesmo. O problema é apenas a participação política em idade demasiado tenra: sem vivência, sem ainda ter a personalidade formada. Por um lado rouba a infância a um ser humano (apesar de socialista) e por outro é (foi) desastroso para a economia do país…

    O doutor Oliveira Salazar, muito em avanço em relação ao seu tempo, não aconselhava ensinar política e muito menos socialismo às criancinhas:

    «Ensinai aos vossos filhos o trabalho, ensinai às vossas filhas a modéstia, ensinai a todos a virtude da economia. E se não poderdes fazer deles santos, fazei ao menos deles cristãos»

    Quem assim fala não é gago.

  43. o emigra recita os pinsamentos do salazar, mais enternecedor só cavaco embevecido avec la vache qui rit.

  44. carmo da rosa, dizes que a política é “a actividade mais baixa ao cima da terra”. Creio que tal confissão explica tudo a respeito das tuas opiniões acerca da política e dos políticas. Sinceros desejos de melhoras, pois estás numa condição que não se recomenda a ninguém.

  45. …..dizes que a política é “a actividade mais baixa ao cima da terra”…

    Valupi,

    Digo, mas é claro que isto é relativo e não explica tudo, porque há actividades bem piores:

    Ser juiz em Portugal, chulo, presidente do Benfica, advogado de PPPês, profeta, testemunha de Jeová, monitor de cursos de autoconhecimento, converter-se ao Islão, cantor de intervenção, DJ, animador da Tv. estilo Luís Goucha.

    Mas a pior das actividades, realmente a mais baixa, é insultar na internet sob a protecção de um pseudónimo pais de família que dão a cara e o seu próprio nome … E isso apenas porque não conseguem dissimular o ódio de casta, de classe, em relação ao emigrante!

    Com socialistas destes não precisamos de fascistas…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.