Ajustar contas com Sócrates

Sócrates regressou à cidade sem outro constrangimento do que aquele imposto pelos limites da liberdade de expressão. Isso encerra um ciclo longo, esse onde a sua responsabilidade como estadista o condicionava na defesa contra as imparáveis calúnias pessoais, e este onde incrível e escandalosamente ninguém da actual direcção do PS mexe uma palha para honrar um ex-secretário-geral alvo de imparável difamação política. Agora, se quiser, Sócrates responderá. Ao que quiser. Por exemplo, na primeira edição da sua rubrica de comentário reclamou ter concluído com mérito e licitude o seu percurso académico. Tirando os acéfalos, ninguém ousou contestar a declaração. E percebe-se. O trabalhinho que também aí o ensarilhou há muito que estava feito, e com estupendos resultados para o laranjal.

Eis o tempo, então, para ajustarmos contas com Sócrates. E não me ocorre ninguém melhor para se encarregar da tarefa do que esse trio de centrais que dá aos nossos sábados uma tablete de inteligência repleta de antioxidantes contra as decadências à direita e à esquerda, Paulo Tavares, Pedro Adão e Silva e Pedro Marques Lopes. Como os Pedros já se manifestaram desfavoráveis à infame contratação da RTP, e como não lhes faltam bons argumentos a respeito das falhas da governação de Sócrates, serão eles os opositores ideais à narrativa, essa sim, genuinamente socrática. Pelo que o método é simples: convidar o homem para ir ao Bloco Central, fazer um programa especial de 7 horas seguidas, e esclarecer os assuntos. Estariam a encher de histórias a História.

Sócrates foi um líder forte que escolheu os melhores do seu partido, e da sociedade, para o acompanharem num projecto que teve dimensões radicalmente inovadoras em Portugal – o qual só a maior crise económica internacional dos últimos 80 anos, e sua sequela europeia, tornou impossível prosseguir. Tal poder de decisão agastou quem foi preterido, com Seguro e Alegre à cabeça do ressentimento, ferindo letalmente os seus narcísicos bestuntos. Sócrates foi igualmente um líder fraco, não conseguindo desmontar os ataques conspirativos de uma direita degradada e degradante a lutar desesperadamente com as armais mais baixas que encontrou. Mas sim, claro, e claro que sim – talvez seja inevitável ser-se fraco perante a união nacional dos oligarcas sérios com os proletários verdadeiros, essa secular paixão lusitana.

6 thoughts on “Ajustar contas com Sócrates”

  1. vai ò feissebuque do poiares e vê o que o gajo escreveu sobre o socras na rtp que ele vai tutelar… desmantelar ou lá o que fôr. acho que o bjekas da ponte é um menino do coiro ao pé da versão madura do novo miguel.

  2. Valupi vai fora de contexto mas mesmo assim quero lembrar. São homens destes que as gerações futuras quer locais ou nacionais um dia vão lembrar.

    Conto à Lareira

    É um prazer recordar pessoas deste quilate. Freamunde muito deve a Fernando Santos (Edurisa Filho). Foi adoptado por casamento a esta terra mas tornou-se num Freamundense de sete costados, como se usa dizer. Morreu há anos e com ele morreu muito da cultura de Freamunde. Foi uma pessoa que levou longe o nome de Freamunde. Quer através de concursos televisivos ou como actor de teatro amador, ensaiador e criador do Grupo Teatral Freamundense, presidente de várias colectividades, convidado de honra para discursos e inaugurações de vária ordem. De um punhado de mulheres e homens tornou-as/os actrizes e actores e estes para nosso consolo colaboraram na conquista de prémios em vários concursos de teatro amador quer como grupo de teatro quer como melhor actor ou actriz.

    “GANDARELA”- MEMÓRIA TEATRAL DE FREAMUNDE

    “Há, todos nós o sabemos, uma Geografia Humana. E, sendo o Teatro uma das mais nobres manifestações artísticas com que o Homem fortalece e dignifica os dias difíceis e problemáticos do seu percurso terrestre, não pode deixar de considerar-se a existência de uma Geografia Teatral. Assim, pois, numa imaginária carta do Teatro Amador Português, assinalou-se Freamunde como uma terra altamente significativa, isto em meados da década de 60. Ele há cidades e vilas, e outros lugares até, cujo nome, pronunciado entre cidadãos de mediana cultura, já evocam um monumento, uma indústria, uma especialidade gastronómica. E se é certo que, em meios mais especializados, se sabia da existência de uma importante indústria de móveis em Freamunde, se é certo que por ali perto, em território mais cercão, não era desconhecida a “Feira dos Capões”, facto indesmentível é que, a um nível mais amplamente nacional, o nome de Freamunde se impôs pela produção de um teatro de qualidade. O qual, sendo natural e forçosamente amador, soube merecer o apoio generalizado do público e da crítica. Mérito que é, seguramente, da própria terra de Freamunde, do temperamento dos seus habitantes, entre os quais não foi difícil aliciar actores e arrebanhar espectadores, em tão grande número. Mas mérito que é, acima de tudo, do meu querido Amigo Fernando Santos, cujo trabalho, à frente do Grupo Teatral Freamundense, venho seguindo há mais de vinte e cinco anos…”

    Norberto Ávila

    Lisboa, Primavera de 1991

    O filho Fernando Santos (Nani) e o filho deste, neto de Fernando Santos (Edurisa Filha), resolveram fazer-lhe um vídeo com o título de “Conto à Lareira” em que retractam os seus pais. É uma maneira de matar saudades dos nossos entre queridos que nos deixam eternas saudades.
    Com este texto e, julgo com a permissão do Nani, relembro aqui os meus. Sendo que foram de condição mais baixa mas com o seu pouco também contribuíram para que Freamunde fosse o é hoje. O ânimo e a moral dos portugueses andam por baixo. Mas ao recordar os nossos progenitores elevamos esse ânimo e moral assim como a estima que tínhamos para com eles. A todos Aspirinas B deixo este texto e conto.

  3. não sei como poderia o socras responder… as armas da direita, mesmo que moralmente degradantes, tinham um poder de fogo terrível assentes numa comunicação social rasca e militante de direita. o socras, concentrado na governação, obviamente não poderia responder a cada ataque quotidiano. e no ps ninguém (ou muito poucos) se dispunham a fazê-lo.

  4. ignatz,estou admirado com o teu otimismo.o pcp no poder em 2055? só se na direçao dos reformados e pensionistas da carris

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