Washington ali tão perto. O grau zero do jornalismo

Segundo noticia o Expresso em linha, Mário Crespo termina todas as noites o seu Jornal das 9 com uma campanha de difamação da estação pública, para a qual já trabalhou como correspondente em Washington. Assim, por volta das 22h00, Crespo lança para o ar que: “Passou mais um dia e a RTP custou mais um milhão de euros”. Li e quase não acreditei.

Os Relvas e Crespos que tomaram o poder já nem se dão ao cuidado de disfarçar coisa nenhuma, em especial agora, que entornaram o pote. Para este escarro de jornalista, vale tudo, até e sobretudo mentiras em horário nobre.

Estrangeirinha

O espectáculo decadente que PSD e CDS estão a dar, levando o Governo para uma inacreditável crise de confiança no meio de uma extraordinária crise histórica, é o corolário de uma cultura partidária onde vale tudo menos respeitar Portugal e os portugueses. Quando podiam ter defendido o País numa altura de sistémica fragilidade a que não se poderia fugir, nem se poderia ter evitado, preferiram usar essa situação para interromperem uma legislatura que ainda nem tinha chegado a meio. Queriam ser eles a mandar, a fazer os grandes negócios que a entrega de Portugal aos estrangeiros iria proporcionar. E assim montaram uma estrangeirinha que passou por mentirem com quantas promessas tinham na campanha eleitoral. Naturalmente, logicamente, obviamente, não podem confiar uns nos outros. Conhecem-se de ginjeira.

Precisamos de uma estratégia de tolerância zero para esta epidemia

Jovem agride ex-namorada até à morte

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Precisamos de perfis, padrões e profilaxias. Precisamos de conhecer o fenómeno por incidência geográfica, etária, escolaridade e história clínica. Precisamos de nos lembrar que para cada morte registada há centenas e milhares de episódios violentos escondidos. Precisamos de acudir a uma população onde a doença mental é um flagelo calado, onde a crise económica vem agudizar e multiplicar o que já era calamitoso.

Tenho 180 euros para dar ao Pedro Santos Guerreiro

Poucos políticos têm posto os interesses do país à frente dos seus. Desde 2008 que tem sido uma demência. Teixeira dos Santos aumentou então os funcionários públicos para ganhar as eleições em 2009. Cavaco Silva devia ter obrigado a um Governo de coligação depois dessas eleições. José Sócrates jamais deveria ter negociado o PEC IV sem incluir o PSD. O PSD não devia ter tombado o Governo. E assim se sucedem os erros em que sacrificam o país para não perderem a face, as eleições ou a briga de ocasião.

Pedro Santos Guerreiro

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Eis uma apresentação desta conhecida e cada vez mais popular figura do comentário político:

Jornalista, 39 anos, é director do Jornal de Negócios, de que foi um dos fundadores em 1997. MBA pela Universidade Nova e licenciado em Gestão pelo Instituto Superior de Gestão, publica diariamente artigos noticiosos e de opinião no Jornal de Negócios, é colunista da revista “Sábado” e dos jornais “Correio da Manhã” e “Record”. Comentador da RTP e da Antena 1, participando regularmente em programas e comentário de TV e rádio. Publicou em dezenas de títulos de imprensa, em Portugal, Espanha e Inglaterra, bem como em livros de gestão, economia e política.

Como se lê, é um cromo. Um cromo do universo da gestão, das empresas, da economia, das finanças. Um cromo do jornalismo, da produção intelectual, do comentarismo ubíquo. Ou seja, faz parte da elite portuguesa. Faz parte daqueles raros felizardos que estão munidos das capacidades cognitivas e disciplinares para entenderem o que se passa em Portugal e no Mundo, e em Portugal por causa do Mundo, e no Mundo apesar de Portugal. É muita informação junta, muito saber acumulado. Eis, pois, alguém a quem devemos dar atenção. Ou não?

A citação acima vem de um texto escrito a quente, na ressaca do nosso fatídico 11 de Setembro, dia em que o Governo caiu pelo monocórdico e delico-doce paleio de Vítor Gaspar. PSG conseguiu nessa peça sintonizar-se com a revolta que irrompeu desvairada por toda a sociedade ao darmos conta de que não havia ninguém no Governo que agisse em nossa defesa. O fartar vilanagem a coberto da Troika tinha conhecido o seu mais obsceno momento e o caldo estava finalmente entornado depois de um ano de consecutivas violações do contrato eleitoral. No meio do espancamento do seu homónimo, com soqueira, o preclaro autor passou um atestado de demência a quatro responsáveis políticos, dois do PS e dois do PSD: Teixeira dos Santos, Cavaco Silva, Sócrates e Passos Coelho. Distribuiu o mal pelas aldeias, assim contribuindo para reforçar o coro que berra “eles são todos iguais”. Mas será que são?

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Vítor Gonçalves não quis saber tantas coisas nem tão depressa na quinta

O António José Seguro deu ontem uma entrevista, sabiam? Fartou-se de ser afirmativo e de fazer oposição. O pessoal cá por casa desconfia da energia inesperada deste despertar, continua a temer a lentidão das reações, a que Seguro chamou ponderação, sobretudo na borrasca em que já estamos, pelo que, da minha parte, gostaria de o alertar para o que aí vem de “austeridade” para ele próprio: a hipótese de ir para o poder pode cair-lhe no regaço mais cedo do que poderia jamais pensar, o que lhe vai dar muita maçada e o pode fazer perder o sossego e uns quilos; a recusa psicológica em falar do (e assumir/defender o) trabalho e herança do seu antecessor, como fez ontem (a propósito das PPP), só lhe trará dissabores e dificuldades dentro do partido e tornará inviável, se alguma vez chegar a PM, a colaboração das pessoas provavelmente mais competentes, indispensáveis para endireitar o país; parece-me tarde para mudar, mas se e enquanto mantiver essa postura e não desmascarar as mentiras propagadas todos os dias e noites pela direita, esta não abandonará o filão populista de «a culpa da bancarrota é do Sócrates», o que dá margem a que a maioria de portugueses que são leitores e subleitores do Correio da Manhã (os que só leem as gordas e os que não leem nada nas ouvem dizer a quem passou pelo café) estendam a acusação a todo o PS, independentemente do seu líder, que, encolhendo-se, fica à mercê das flechas; finalmente, tem de se ralar a arranjar uma estratégia de oposição caso o Governo recue na TSU, ou não recue na TSU, ou caso o Gaspar se demita, ou caso o Governo seja remodelado, enfim caso continue a ser o líder da oposição mais uns tempos. Quem diz que a dureza da vida não chega a todos?

Gaia e Massamá, a mesma luta

Não é possível fazer uma melhor descrição do Pedro do que esta que o indescritível Luís Filipe Menezes nos ofereceu para ilustração do povo:

Em entrevista ao Jornal de Notícias, o presidente da câmara de Gaia entende que Passos Coelho é uma pessoa de «enormíssima seriedade» e garantiu que Portugal «nunca teve um primeiro-ministro com esta seriedade intelectual e com esta postura».

«É um primeiro-ministro que anda num carro velho, que passa férias em Manta Rota, que continua a viver na sua casa em Massamá e que anda na rua sem medo. É uma força do ponto de vista de caráter fundamental», acrescentou.

Fonte

Passos, um génio na teoria da relatividade

Passos no Governo:

Vítor Gonçalves – Mas houve alguma tentativa de negociação com o Partido Socialista destas medidas ou o senhor limitou-se a telefonar-lhe e a comunicar-lhe o que o Governo ia anunciar; isto é, tentou envolver o Partido Socialista, ou não, nas decisões?

Passos Coelho – O senhor acha que era praticável que eu estivesse a negociar previamente com os parceiros sociais, ou com o Partido Socialista, uma matéria que eu tenho de negociar com a própria Troika?!…

Passos na oposição:

Sandra Sousa – Porque é que o Senhor omitiu que se tinha encontrado pessoalmente com o Primeiro-Ministro antes da apresentação do PEC IV?
Pedro Passos Coelho – Porque isso foi combinado com o Primeiro-Ministro e eu respeito sempre as combinações que faço, agora…
Sandra Sousa – Mas foi um pedido do Primeiro-Ministro?
Pedro Passos Coelho – Agora, deixe-me dizer-lhe também, a última coisa que eu vou fazer é uma campanha eleitoral baseada em pequeninos casos.
Sandra Sousa – Mas isto é importante esclarecer. O Doutor Pedro Passos Coelho acabou de dizer que foi combinado com…
Pedro Passos Coelho – Talvez para si, para mim não tem grande necessidade de maior esclarecimento do que aquele que já dei.
Sandra Sousa – Talvez para alguns portugueses também. O Senhor diz que foi combinado com o Primeiro-Ministro, mas foi um pedido do Primeiro-Ministro?
Pedro Passos Coelho – Foi aquilo que eu acertei com o Primeiro-Ministro. O Primeiro-Ministro quis-me transmitir que no dia seguinte ia apresentar em Bruxelas um conjunto de alterações que tinha decidido apresentar ao PEC, omitindo de resto que estivesse estado a concertar essas alterações com uma equipa que esteve cá, ao que parece clandestinamente também, durante três semanas a negociar com o Governo, mas enfim, transmitiu-me, isso é verdade, o principal das medidas que o PEC IV iria apresentar e eu agradeci a informação que ele me deu e separamo-nos dessa conversa.
Sandra Sousa – Mas isto não esvazia um dos principais argumentos do PSD para chumbar o PEC, quando se sentiu desautorizado por não ter sido informado, por não ter debatido com o Primeiro-Ministro as alterações?
Pedro Passos Coelho – Não, há aí alguma confusão. Aquilo que o Governo quis dar a entender quando, violando aquilo que tinha sido acordado, divulgou, pôs a circular que tinha havido esse encontro, aquilo que o Governo quis dar a entender é que tinha havido um processo negocial, mas não houve processo negocial nenhum. O Governo nessa própria semana, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, de resto, recebeu uma delegação do PSD para informar sobre o que se ia passar na Cimeira desse fim-de-semana, e informou zero sobre isto.

Passos na chungaria:

Durante o discurso de encerramento da Convenção Autárquica Distrital do PSD, em Viana do Castelo, Pedro Passos Coelho reiterou que não irá “ceder” no que concerne ao novo PEC anunciado. “O PSD não vai discutir nem negociar as medidas de um novo PEC. O Governo comprometeu-se em Bruxelas com o que não está em condições de garantir no seu país“, afirmou.

O líder do principal partido da oposição acusou ainda o Governo de se comprometer “em Bruxelas sem passar cartão a ninguém“, sobre o planeamento de um novo PEC. “A oposição, reunida na véspera a discutir uma moção de censura no parlamento, não soube de nada. Eu próprio recebi um telefonema apenas na véspera a avisar que iam ser apresentadas novas medidas de restrições. Os parceiros sociais que estiveram reunidos em concertação social com o Governo foram também surpreendidos“.

E “depois de o ter feito“, explanou, o Governo “agora diz que lamenta que o líder do PSD não esteja disponível para avalizar estas medidas porque estas medidas existem para defender Portugal“. Para Pedro Passos Coelho “não é normal em democracia o desprezo pelas instituições e pelas pessoas” que o Governo tem demonstrado neste processo.

Portas já foi, agora é Passos/Gaspar vs. Cavaco

No meio da gigantesca e deplorável novela política que se instalou à volta da TSU, há factos que me parecem óbvios: 1. independentemente da origem, esta medida é considerada central no OE de 2013 2. Passos não recuou quando os danos seriam menores, e agora está preso à medida. Qualquer recuo será visto como o seu fim. 3. Com as posições tão extremadas,  a única maneira de a evitar será fazer cair o governo. Bluffs e ameaças já foram tentados, tanto por Portas como por Cavaco via MFL. Passos não cedeu, nem vai ceder. 4. Portas pode distanciar-se o que quiser, fazer fitas, saltinhos e mortais invertidos, mas não será ele a abrir uma “crise politica”, ou seja, não tem coragem de pressionar o botão com medo de arcar com as culpas. A aposta pois é provocar o seu parceiro de coligação de modo a serem eles a romper. O que não acontecerá, apesar de provocar um fogo de artifício muito impressionante.
Resta pois Cavaco, que contra sua vontade e com óbvia irritação, vê o menino cair-lhe no colo.
E o que faz o PR? Mantém o absoluto silêncio que lhe permita salvar a face seja qual for a saída, e convoca uma conferência de negociações via conselho de estado. Essa, parece-me, é a chave da presença de Victor Gaspar, permitir a negociação da medida directamente com o responsável e sem intermediários, de modo a que qualquer que seja a solução encontrada esta seja definitiva, sem mais novelas, recuos ou demissões.
Resta pois saber se essa solução é possível. A mim, não me parece. Qualquer cedência ou alteração da medida seria inevitavelmente vista como um sinal de menoridade de Passos, Gaspar é um fanático irredutível que não gosta nada que lhe alterem os “modelos”, e a ajudar à festa, Bruxelas já fez saber que não admite recuos, não vão os países intervencionados pensar que podem ter margem negocial após as negociações. Assinaram, é para cumprir. Não gostam, azar, a caixa de pandora foi aberta e já não se fecha. A TSU é para baixar, embora me pareça que haja margem para decidir como se paga essa redução. Mas alguma coisa vai ter de ficar no OE a dizer “TSU”.
Logo, ou o conselho de estado acaba com umas alterações cosméticas para, por exemplo, “proteger os mais pobres” que inevitavelmente “já estariam previstas”, sendo que a medida avança “por exigência de Bruxelas”, reduzindo Cavaco à sua insignificância, ou para travar isto Cavaco terá que demitir o governo. O que significa que, muito em breve, lhe ouviremos a seguinte expressão:

“…não poderia abrir uma crise politica de consequências dramáticas para o país…”

Bem-vindos à experiência. Espero mesmo, mesmo estar enganado.

Até o PEN anda aos papéis com o Acordo Ortográfico

Em comunicado, o PEN Clube Português afirma que, no 78.º Congresso do PEN Internacional, que terminou domingo na Coreia do Sul, “foi aprovada por unanimidade uma resolução do Comité de Tradução e Direitos Linguísticos que manifesta uma evidente preocupação pela ameaça à língua portuguesa representada pelo Acordo Ortográfico de 1990 [AO/90]”.

No congresso, que reuniu 87 centros de todo o mundo, a maioria dos escritores presentes manifestou “incredulidade” e interrogou-se “como se teria chegado a tal situação”, afirma o PEN Português.

“Evidente preocupação pela ameaça à Língua Portuguesa”

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Bom, através do Fernando Venâncio, ajudemos o PEN a perceber como chegámos a tal situação:

Visita guiada ao reino da falácia

Chegar a bom porto

Desta vez estive nos Aliados no meio de um mar de gente. A ex-classe média e os mais desfavorecidos reencontraram-se na praça e na rua. Diz quem costuma vir que há muitos anos que não via coisa assim. Claro que também havia por lá o tradicional folclore da esquerda radical, mas a coisa foi tão desorganizada que penso que ninguém se sentiu constrangido ou manipulado. Famílias inteiras, avós, pais e netos. Diversos amigos e conhecidos, alguns das proveniências políticas mais improváveis. Muito civismo, mas também bastante desespero. Pessoas a procurar manter a dignidade, mas a contenção parece estar no limite.

E agora? A situação parece estar num impasse. Passos pode tentar o truque do “ouvi o País, recuo e até remodelo”. Mesmo com a colaboração dos inefáveis spins de serviço da direita na comunicação social portuguesa, parece-me muito difícil que a generalidade da população volte a acreditar na suposta credibilidade desta gente séria e competente como Passos, Relvas ou Gaspar. Se havia algo que unia a generalidade dos participantes na manifestação de ontem era a necessidade de afastamento deste Governo. O recuo nas principais medidas anunciadas significaria também que Cavaco e Portas ganhariam este round por KO a Passos e a Gaspar. Gaspar, na melhor das hipóteses, ficaria a prazo, antes de se acolher no banco mais a jeito. Passos ficaria à guarda de Cavaco e de Portas, ao abrigo da lei da proteção dos menores. O Governo, mesmo com alguma cosmética, ficaria com um Primeiro-ministro semimorto a apodrecer em “modo Relvas”. O País, mais tarde ou mais cedo, ficará ingovernável.

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Revolution through evolution

When Battered Women Fight Back Stereotyping Can Kick In
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Women Are Starting Families Later in Life Because They Are Spending Longer in Education
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The Sky Is the Limit for Wind Power
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Watching reruns? You’re replenishing mental resources!
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Eye Contact Quells Online Hostility
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Facebook and Twitter: the art of unfriending or unfollowing people
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Physician’s Empathy Directly Associated With Positive Clinical Outcomes, Confirms Large Study
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Lights Out? The Dangers of Exposure to Light at Night
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Women Are People, Too
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Math Anxiety Causes Trouble for Students as Early as First Grade

Má sorte seres tão pantomineiro, Portas

O CDS deve assumir sempre uma ordem de prioridades que eu, simplificando, traduzo da seguinte forma: primeiro, está o interesse de Portugal; segundo, estão as ideias em que acreditamos; só em terceiro está o partido e seu legítimo interesse; e, em último lugar, está a circunstância pessoal de cada político – e este último lugar não precede em nenhuma circunstância das outras prioridades anteriores.

O sentido do esforço que os portugueses estão a fazer – porque qualquer esforço tem de fazer sentido – é um e um só: recuperar a independência financeira do nosso país o mais cedo que pudermos para recuperar a nossa liberdade enquanto nação.

Paulo Portas, justificando o injustificável

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Não é nada fácil começar a falar deste número de Portas. Porque são muitos os alvos. Mas talvez o que haja de mais relevante seja que estas palavras mostram como este dirigente partidário e governante conta com a endógena inexistência da imprensa, a que se junta a actual inexistência da oposição, para assinar um discurso que depende todo ele da violação do princípio da não-contradição.

Tirei duas citações, poderia ter tirado vinte. E poderíamos ter ficado pela última: se o sentido do esforço é um e só um, resgatar a liberdade da Nação, por que quis Portas que Portugal perdesse a sua liberdade? Ou será que Portas não sabia o que aconteceria se chumbasse um plano de um Governo minoritário cujo propósito era esse mesmo de impedir que a Nação alienasse a soberania? Porque deixou Portas, esse grande patriota, que o País ficasse à mercê dos credores internacionais nas piores condições possíveis para o interesse dos portugueses?

É por não existir imprensa que Portas está protegido. Porque ele sabe que nunca terá de explicar como é que a sua noção de “interesse nacional” pode levar a duas intenções absolutamente contrárias: num caso, tudo fazer para afundar o País numa crise política cujo desfecho inevitável seria a perda da autonomia nacional; noutro, justificar as medidas mais ignominiosas alegando que são imprescindíveis para libertar Portugal da tortura o mais rapidamente possível. Nos dois casos, Portas sai sempre a ganhar, afastando adversários e não assumindo responsabilidades pelo saque. Nos dois casos, Portugal saiu e sai sempre a perder, tendo sido portugueses da linhagem de Miguel de Vasconcelos quem construiu dentro das muralhas o Cavalo da Troika.

Este é um Governo de chungosos e de chantagistas. Não sabem falar, não sabem escrever, já ouviram dizer que é possível pensar embora não acreditem e são uns craques a chantagear. Chantagear jornalistas ou 10 milhões de indivíduos, para eles é apenas uma questão de escala, não de escola. Entraram na fase do terror, ameaçam-nos com o apocalipse, como antes de terem chegado ao pote nos ameaçaram com o abismo. Sempre a mentir, sempre a chamar mentirosos aos outros, sempre a mentir. Portas está a representar o seu papel nesta cegada, cúmplice e aproveitador do que se fez em Portugal em Março de 2011. Eis o homem e a sua circunstância: ser um dos maiores pantomineiros na história da política portuguesa.

Se, se, se…

“Se me perguntam se eu soube? Claro que soube. Se me perguntam se eu tive uma opinião diferente? Tive uma opinião diferente. Se me perguntam se eu alertei? Alertei. Se me perguntam se eu defendi que havia outros caminhos? Defendi. Se me perguntam se eu bloquei a decisão? Não bloqueei”. (Paulo Portas, 16 de Setembro de 2012).

E se te perguntarem se não tens vergonha, o que é que respondes? Que nunca a tiveste?

História mal contada

Portas quer fazer-nos crer que (i) estava a par de toda a nova roubalheira montada pela dupla Passos/Gaspar, (ii) que dela discordou, (iii) que apresentou alternativas, mas (iv) que a subscreveu para não pôr em risco as negociações com a Troika.

Ora, há aqui elementos que não jogam. Em primeiro lugar, se as coisas estiveram nesse pé de discordância, por que razão não estavam os deputados nem a comissão política do seu partido a par do que passava, sendo inegável que foram apanhados de surpresa? Em segundo lugar, de acordo com os jornais e as declarações de Passos, a Troika não sugeriu nem muito menos impôs a descida da TSU, ainda menos assente na transferência de rendimentos dos trabalhadores privados para os patrões. Como pode agora Portas afirmar que assentiu porque não quis prejudicar as negociações? Como permitiu sequer que tal ideia macavenca, que tanto desacordo lhe suscitava, chegasse às negociações? Se é verdade o que diz pensar, não devia ele próprio ter “prejudicado” e muito as ditas negociações, de preferência antes de começarem? A medida da descida da TSU é absurda, além de ofensiva e provocatória, e, para cúmulo, não visa reduzir o défice.

Não faz sentido vir agora dizer de forma oportunista perante a opinião pública, face à onda de indignação, e de forma esfarrapada perante o seu partido, que até nem concordava, mas, desculpem lá, a estabilidade e tal.

E se a verdade for que Portas desconhecia mesmo a totalidade das medidas, mas, apesar de “traído” ou simplesmente ignorado, não quis simplesmente provocar uma crise política que acabaria com a coligação e o forçaria a abandonar o governo? Tudo aquilo a que assistimos a seguir aos silêncios, já de si estranhos, não terá sido, então, mais do que o resultado de intensas negociações com Passos para resolverem a embrulhada.

Ou seja, a moeda de troca para aceitar ter sido ignorado na coligação e para não pôr a parte PSD em cheque pode bem ter sido o apresentar-se agora perante a opinião pública como o bonzinho que até discordou da medida, mas que em nome do patriotismo anuiu. Vem tarde e não cola. Se não sabia de nada, saía imediatamente da coligação, se sabia e subscreveu não se compreende porque não esclareceu mais cedo a sua bondosa posição e não se apresentou ao lado do PM na comunicação das medidas. Estar mas não estar na coligação não é estatuto que possa durar muito.

O que as pessoas sabem

O que as pessoas sabem é que há uma dignidade a manter, que há valores que são intocáveis.

O que as pessoas sabem é que um governo não pode ser absoluto e cego independentemente da legitimidade que lhe foi dada em eleição.

O que as pessoas sabem é que ninguém lhes tira a confiança, e que não serão meia-dúzia de badamecos que deitarão por terra o que levou 38 anos a construir.

O que as pessoas sabem é que incompetência não se compadece com o momento difícil e delicado de governação que necessitamos.

O que as pessoas sabem é que independentemente das alternativas o futuro é promissor, porque trás de novo essa coisa maravilhosa que é a esperança.

Oferta da nossa amiga Raquel Viana

Ninguém sabe

As pessoas que saíram à rua neste sábado sabem que Portugal está sujeito a condições de austeridade impostas pelas entidades que nos estão a fazer um empréstimo de emergência. As pessoas que neste sábado expressaram a sua indignação com superior civismo sabem que esse acordo tem sido alterado por este Executivo e que vários dos seus artigos são apenas metas, não se definindo no texto o modo como lá chegar. As pessoas que neste sábado aliviaram juntas a ofensa que este Governo ameaça fazer-lhes sabem que os actuais governantes, quando na oposição, e o Presidente da República, enquanto oposição ao PS, deturparam, esconderam e mentiram a respeito da origem dos problemas de financiamento de Portugal após a Grécia e a Irlanda terem sido obrigadas ao resgate. As pessoas que fizeram deste sábado uma data que recordarão com orgulho sabem que o PSD e o CDS não foram a eleições prometendo ir além da Troika, o que eles prometeram foi exactamente o oposto: ficar aquém da Troika no que à austeridade sobre os trabalhadores, empresários e pensionistas dizia respeito.

O que as pessoas não sabem depois de um sábado que exibiu a força dos eleitores do centro é o que fazer a seguir. Nem elas nem ninguém.

O povo na rua

Bom, parece que foram todos para as manifs.

Nunca esquecerei a maior manif em que participei: Alameda D. Afonso Henriques, 19 de Julho de 1975. Fez história.

Espero, sinceramente, que as de hoje, por todo o país, também façam história. Por razões muito diferentes…