Passos, um génio na teoria da relatividade

Passos no Governo:

Vítor Gonçalves – Mas houve alguma tentativa de negociação com o Partido Socialista destas medidas ou o senhor limitou-se a telefonar-lhe e a comunicar-lhe o que o Governo ia anunciar; isto é, tentou envolver o Partido Socialista, ou não, nas decisões?

Passos Coelho – O senhor acha que era praticável que eu estivesse a negociar previamente com os parceiros sociais, ou com o Partido Socialista, uma matéria que eu tenho de negociar com a própria Troika?!…

Passos na oposição:

Sandra Sousa – Porque é que o Senhor omitiu que se tinha encontrado pessoalmente com o Primeiro-Ministro antes da apresentação do PEC IV?
Pedro Passos Coelho – Porque isso foi combinado com o Primeiro-Ministro e eu respeito sempre as combinações que faço, agora…
Sandra Sousa – Mas foi um pedido do Primeiro-Ministro?
Pedro Passos Coelho – Agora, deixe-me dizer-lhe também, a última coisa que eu vou fazer é uma campanha eleitoral baseada em pequeninos casos.
Sandra Sousa – Mas isto é importante esclarecer. O Doutor Pedro Passos Coelho acabou de dizer que foi combinado com…
Pedro Passos Coelho – Talvez para si, para mim não tem grande necessidade de maior esclarecimento do que aquele que já dei.
Sandra Sousa – Talvez para alguns portugueses também. O Senhor diz que foi combinado com o Primeiro-Ministro, mas foi um pedido do Primeiro-Ministro?
Pedro Passos Coelho – Foi aquilo que eu acertei com o Primeiro-Ministro. O Primeiro-Ministro quis-me transmitir que no dia seguinte ia apresentar em Bruxelas um conjunto de alterações que tinha decidido apresentar ao PEC, omitindo de resto que estivesse estado a concertar essas alterações com uma equipa que esteve cá, ao que parece clandestinamente também, durante três semanas a negociar com o Governo, mas enfim, transmitiu-me, isso é verdade, o principal das medidas que o PEC IV iria apresentar e eu agradeci a informação que ele me deu e separamo-nos dessa conversa.
Sandra Sousa – Mas isto não esvazia um dos principais argumentos do PSD para chumbar o PEC, quando se sentiu desautorizado por não ter sido informado, por não ter debatido com o Primeiro-Ministro as alterações?
Pedro Passos Coelho – Não, há aí alguma confusão. Aquilo que o Governo quis dar a entender quando, violando aquilo que tinha sido acordado, divulgou, pôs a circular que tinha havido esse encontro, aquilo que o Governo quis dar a entender é que tinha havido um processo negocial, mas não houve processo negocial nenhum. O Governo nessa própria semana, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, de resto, recebeu uma delegação do PSD para informar sobre o que se ia passar na Cimeira desse fim-de-semana, e informou zero sobre isto.

Passos na chungaria:

Durante o discurso de encerramento da Convenção Autárquica Distrital do PSD, em Viana do Castelo, Pedro Passos Coelho reiterou que não irá “ceder” no que concerne ao novo PEC anunciado. “O PSD não vai discutir nem negociar as medidas de um novo PEC. O Governo comprometeu-se em Bruxelas com o que não está em condições de garantir no seu país“, afirmou.

O líder do principal partido da oposição acusou ainda o Governo de se comprometer “em Bruxelas sem passar cartão a ninguém“, sobre o planeamento de um novo PEC. “A oposição, reunida na véspera a discutir uma moção de censura no parlamento, não soube de nada. Eu próprio recebi um telefonema apenas na véspera a avisar que iam ser apresentadas novas medidas de restrições. Os parceiros sociais que estiveram reunidos em concertação social com o Governo foram também surpreendidos“.

E “depois de o ter feito“, explanou, o Governo “agora diz que lamenta que o líder do PSD não esteja disponível para avalizar estas medidas porque estas medidas existem para defender Portugal“. Para Pedro Passos Coelho “não é normal em democracia o desprezo pelas instituições e pelas pessoas” que o Governo tem demonstrado neste processo.

8 thoughts on “Passos, um génio na teoria da relatividade”

  1. Mentiroso era o outro, diziam até que o era de forma compulsiva!
    Passos Coelho sempre falou a VERDADE aos portugueses, tem sido de uma
    coerência a toda a prova! Na última entrevista, declarou-se ungido para nos
    governar pela sua e exclusiva cabeça…o cúmulo da prática democrática!!!

  2. pois, pior que um fascista,é um fascista que não tem consciência de o ser. Ele acha que está do lado do bem e ouvir os que estão do lado do mal- associações patronais, associações sindicais, partidos da oposição, os representantes do outro lado da coligação, o povo em geral, esses piegas histéricos – é perfeitamente desnecessário (subiu-lhe o poder absoluto à diminuta cabecinha). Por isso fodeu-se, o pior é que quando ele se fode, nós também.
    Nota: toda a gente aposta agora num “recuo” (oposição, CDS e comentadores) ou “rebalanceamento” da TSU (governo PSD).
    Mas esquecem-se da anunciada (frisado para aí umas 10 vezes na declaração do Gaspar) dos escalões do IRS, que só se vão saber depois do facto consumado, i.e., com o anúncio do orçamento de estado para 2013: a classe média vai ser empurrada para cima (não acredito que para baixo) nos ditos escalões. Tendo o ministro Gaspar o cuidado de avisar que os escalões máximos não seriam mexidos, “para não sacrificar mais essa classe de contribuintes”. Vai daí, passamos todos a ser ricos para efeitos fiscais, e pobres – POBRES, mesmo- para efeitos sociológicos e ecomómicos. Quadratura do círculo conseguida.

  3. Eu acho que a classe política ainda nao percebeu que o povo saiu massivamente a rua, nao para protestar contra a TSU, mas contra a cambada de idiotas que nos governa nos últimos 30 anos ( para nao ir mais para trás). BASTA de incompetência e negligencia. BASTA de por os interesses das clientelas partidárias e seus financiadores a frente do interesse publico. BASTA! BASTA! BASTA!

  4. Este tipo que chefia o governo é um VENDEDOR DE LONA da mais baixa extração.

    Ele ampara o inqualificável Relvas porque é igual a ele (veja-se até o modo como tentou calar a entrevistadora Sandra Sousa). Mentiroso, vigarista e sem carácter.

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