Vítor Gonçalves não quis saber tantas coisas nem tão depressa na quinta

O António José Seguro deu ontem uma entrevista, sabiam? Fartou-se de ser afirmativo e de fazer oposição. O pessoal cá por casa desconfia da energia inesperada deste despertar, continua a temer a lentidão das reações, a que Seguro chamou ponderação, sobretudo na borrasca em que já estamos, pelo que, da minha parte, gostaria de o alertar para o que aí vem de “austeridade” para ele próprio: a hipótese de ir para o poder pode cair-lhe no regaço mais cedo do que poderia jamais pensar, o que lhe vai dar muita maçada e o pode fazer perder o sossego e uns quilos; a recusa psicológica em falar do (e assumir/defender o) trabalho e herança do seu antecessor, como fez ontem (a propósito das PPP), só lhe trará dissabores e dificuldades dentro do partido e tornará inviável, se alguma vez chegar a PM, a colaboração das pessoas provavelmente mais competentes, indispensáveis para endireitar o país; parece-me tarde para mudar, mas se e enquanto mantiver essa postura e não desmascarar as mentiras propagadas todos os dias e noites pela direita, esta não abandonará o filão populista de «a culpa da bancarrota é do Sócrates», o que dá margem a que a maioria de portugueses que são leitores e subleitores do Correio da Manhã (os que só leem as gordas e os que não leem nada nas ouvem dizer a quem passou pelo café) estendam a acusação a todo o PS, independentemente do seu líder, que, encolhendo-se, fica à mercê das flechas; finalmente, tem de se ralar a arranjar uma estratégia de oposição caso o Governo recue na TSU, ou não recue na TSU, ou caso o Gaspar se demita, ou caso o Governo seja remodelado, enfim caso continue a ser o líder da oposição mais uns tempos. Quem diz que a dureza da vida não chega a todos?

18 thoughts on “Vítor Gonçalves não quis saber tantas coisas nem tão depressa na quinta”

  1. Eu acho que o que o Seguro não faz nem nunca fez oposição. Ele é merecidamente o líder de uma determinada posição. E mais não digo

  2. o gajo já disse que só ia para o governo se fosse eleito e como as sondagens só dão 1% de diferença vamos ter de esperar bués.

  3. Vi a reportagem sobre as novas minas de ouro alentejanas e peguei na máquina de calcular e, como tenho memória cheguei à conclusão que estes 38 anos evaporaram em média 13.708,69 gramas por ano, à cotação actual.

    Passos já deve ter gasto aqueles a que tem direito, e ainda sobra algum para o Seguro.

  4. Penélope, o Seguro é um medroso e um merdoso, pois além de não fazer oposição alguma, ainda contribui para a caixa das esmolas.
    Não sei o que se passa no interior do PS, mas o que se observa do exterior, é que a casa parece andar vazia e entregue à sua sorte.
    Seguro escorraçou quem o podia ajudar, e os restantes, não me parecem interessados em receber o poder no colo, pois no estado em que isto está é mais fácil estar na oposição do que ser governo.
    De um lado temos o Portas que com a história do “patriotismo” vai a todas dando a impressão de não gostar de nenhuma, do outro lado temos um PSD que não sabe muitop bem para que lado se há-de virar e que tanto diz uma coisa como o seu contrário, mas a isso já estamos habituados, de outras bandas ou chegam as “cassettes” do costume, que já poderia ter sido transformada em Blue-Ray mas que nem em CD estão disponíveis, resta o PS, que agora ninguém sabe ao certo para que lado cai, pois os porta-vozes mudam a uma velocidade estonteante, parecendo que estamos a assistir a um novo “casting” interno para dar tempo a que o Seguro se agarre a alguma coisa mais consistente do que o tradicional discurso do “nim” a que nos foi habituando.

  5. o tavares moreira foi condecorado pelo banco de portugal por ter garimpado 17 ton e o cavaco fez a rodagem ao toyota* na casa da moeda, já o segura se lá chegar vai lamber barras de sabão que os dalton deixaram em vez de.

    *http://www.toyota-forklifts.com.pt/SiteCollectionDocuments/PDF%20files/Toyota%205FG-FD%20brochure.pdf

  6. não gosto do seguro (só de vida) mas seguro ontem foi inteligente,quando disse que só ia para o governo depois de eleiçoes.Já há muito tempo, se fala num governo de iniciativa presidencial.Cavaco deve ter perdido uma horas de sono. Uma possivel ida do ps para o governo nesta altura era para queimar.

  7. Certíssimo!

    É um erro tão grande, tão grande!, que custa a perceber como é que Seguro não entende que se não defende a obra dos governos socialistas não terá qualquer futuro.
    É como se aceitasse toda a desbragada campanha da Direita+PCP+Bloco que conduziu à queda de Sócrates, vinda da troika e a este desgoverno. E no entanto bem poderia dizer àquela coligação negativa que agora pode limpar a mão à parede.
    É incrível a campanha em curso sobre as PPP sem que haja uma ideia esclarecedora sobre méritos e erros. Que coisa horrível deixar o populismo de Direita à solta!
    Na entrevista, Seguro até esteve bem em alguns pontos. Mas alguém terá de lhe dizer que não deve repetir slogans e que ainda não tem peso para dizer “eu, eu, eu”.
    Não estar sempre agarrado ao passado será certo. Porém, perdeu uma oportunidade de ouro para desafiar a RTP a exibir o debate Sócrates-Passos da última campanha. É que então a actual questão da TSU foi bem debatida, assim como Saúde e Educação.

  8. Vi atentamente a entrevista de ontem. Surpreendi-me positivamente. A única nota negativa foi o querer demarcar-se na questão das chamadas PPP’s.

    Também acho que Vítor Gonçalves ontem esteve muito mais assertivo.

  9. Seguro demarcou-se das PPP, que são uma dos assuntos da campanha da direita para denegrir a governação socialista, demarcou-se do desvio colossal que afinal não havia, demarca-se de tudo o cheire a Sócrates.
    Pronto, até pode ter razão, o outro nunca lhe deu o valor que ele julgava devido e um homem não é de pau. Ele deixa passar todos os insultos e acusações ao ex SG e ao seu governo. Ora como quem cala consente isso facilita e de que maneira a vida à direita ,ficando nos eleitores menos dados à linguagem e meandros políticos a ideia de que o governo do PS foi incompetente e corrupto.
    Não digo que tenha sido tudo correcto e sem erros, nem sequer digo que todas as PPP da responsabilidade do PS sejam límpidas como ribeiros de montanha. Investigue-se e puna-se o que houver de criminoso. As PPP não são invenção de Sócrates, muitos governos as têm usado mas ele continua caladinho para o povo pensar que o PM socialista era um gastador e trafulha.
    Também mais não seria de esperar de um militante do PS, que aplaudiu o discurso de posse de Cavaco contra o melhor governo e o melhor PM que o partido já teve!

  10. estou de acordo com a ernestina,ele não deve falar como se fosse o dono de uma empresa. o Ps ,é um partido que funciona de uma forma colegial.o “nós” está mais de acordo com os fundamentos, de um partido de esquerda.tambem me custa ver,ele calar-se nestas criticas ao governo anterior,mas dessa forma,não permite que a direita começe a fazer demagogia à volta das ppp por exp.O Ps devia analisar as parcerias uma a uma, e depois com tudo equacionado entrar .no ataque à direita que já conseguiu ultrapassar a divida publica deixada por socrates.

  11. Todos os políticos no activo e desactivados, assim como os sindicalistas em geral, que se queixam desta curta governação de Passos, são como aquele ministro que comeu o fágado da vaca louca.

  12. Pois, o outro é que comeu o “fágado”, seja lá o isso for, da vaca louca, mas parece que quem ficou mal do cérebro foi uma arrastadeira, algo ligada às ruralidades.

  13. A entrevista do Seguro não foi tão boa como ele e seus apoiantes podem pensar!
    Esqueceu a máxima de que, do passado chegámos ao presente e o futuro constrói-se
    com as experiências do presente e passado! Foi inseguro com a apresentação da pasta
    com as propostas do PS na A.R.! Com a estória da abordagem do idoso que tinha de
    desmarcar a consulta por falta de dinheiro, caíu na mesma demagogia do candidato F.
    Nobre que ficou comovido com a criança a tirar o miolo de pão do bico da galinha…se
    a reforma é baixa o idoso tem isenção de taxas moderadoras, são as chamadas como-
    ções metidas a “martelo”! Não mostrou qualquer idéia mobilizadora para uma mudança
    deste regime partidocrático que vai cair de podre e, já cheira muito mal, falou vagamente
    no descontentamento popular!!!

  14. O PS precisa de uma liderança forte, fiável, que capte a confiança dos (escaldados) portugueses, que saiba motivá-los para a mudança que se impõe e de que Portugal tanto precisa. O CDS está condenado a ir pelo cano. Se houver uma limpeza a sério no PSD, mais de metade vai para o lixo (e nessa metade, vai o actual governo inteirinho).
    O Seguro, na entrevista, esteve postiço. Não consegue agarrar quem o ouve. Mas o Victor Gonçalves destapou-se: ficou-se a perceber que só queria confundir e baralhar. Ficou-lhe mal, mas percebe-se: é açoriano, é PSD irracional. Ou fazem destas ou baldam-se a uma comissão para a RTP por não ganharem os oito mil euros que já ganham, como aconteceu por estes dias com um melro que se mostrou incapaz de se bater pelo património público e pelo que é melhor para o país. Raios os partam!

  15. Tobias: Não critico o estilo de entrevista do Vítor Gonçalves neste caso, exceto as interrupções constantes. Um bom entrevistador tem o dever de perguntar tudo. Só lamento que não se tenha munido de igual afã nem de uma lista igualmente grande de perguntas para fazer a Passos e que tenha deixado tanto por esclarecer e rebater na quinta-feira passada.

  16. De acordo, Penelope, eu não me expliquei bem. Mas o seu reparo vem abundar na minha convicção de que Victor Gonçalves foi sectário.Não foi imparcial.

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