Má sorte seres tão pantomineiro, Portas

O CDS deve assumir sempre uma ordem de prioridades que eu, simplificando, traduzo da seguinte forma: primeiro, está o interesse de Portugal; segundo, estão as ideias em que acreditamos; só em terceiro está o partido e seu legítimo interesse; e, em último lugar, está a circunstância pessoal de cada político – e este último lugar não precede em nenhuma circunstância das outras prioridades anteriores.

O sentido do esforço que os portugueses estão a fazer – porque qualquer esforço tem de fazer sentido – é um e um só: recuperar a independência financeira do nosso país o mais cedo que pudermos para recuperar a nossa liberdade enquanto nação.

Paulo Portas, justificando o injustificável

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Não é nada fácil começar a falar deste número de Portas. Porque são muitos os alvos. Mas talvez o que haja de mais relevante seja que estas palavras mostram como este dirigente partidário e governante conta com a endógena inexistência da imprensa, a que se junta a actual inexistência da oposição, para assinar um discurso que depende todo ele da violação do princípio da não-contradição.

Tirei duas citações, poderia ter tirado vinte. E poderíamos ter ficado pela última: se o sentido do esforço é um e só um, resgatar a liberdade da Nação, por que quis Portas que Portugal perdesse a sua liberdade? Ou será que Portas não sabia o que aconteceria se chumbasse um plano de um Governo minoritário cujo propósito era esse mesmo de impedir que a Nação alienasse a soberania? Porque deixou Portas, esse grande patriota, que o País ficasse à mercê dos credores internacionais nas piores condições possíveis para o interesse dos portugueses?

É por não existir imprensa que Portas está protegido. Porque ele sabe que nunca terá de explicar como é que a sua noção de “interesse nacional” pode levar a duas intenções absolutamente contrárias: num caso, tudo fazer para afundar o País numa crise política cujo desfecho inevitável seria a perda da autonomia nacional; noutro, justificar as medidas mais ignominiosas alegando que são imprescindíveis para libertar Portugal da tortura o mais rapidamente possível. Nos dois casos, Portas sai sempre a ganhar, afastando adversários e não assumindo responsabilidades pelo saque. Nos dois casos, Portugal saiu e sai sempre a perder, tendo sido portugueses da linhagem de Miguel de Vasconcelos quem construiu dentro das muralhas o Cavalo da Troika.

Este é um Governo de chungosos e de chantagistas. Não sabem falar, não sabem escrever, já ouviram dizer que é possível pensar embora não acreditem e são uns craques a chantagear. Chantagear jornalistas ou 10 milhões de indivíduos, para eles é apenas uma questão de escala, não de escola. Entraram na fase do terror, ameaçam-nos com o apocalipse, como antes de terem chegado ao pote nos ameaçaram com o abismo. Sempre a mentir, sempre a chamar mentirosos aos outros, sempre a mentir. Portas está a representar o seu papel nesta cegada, cúmplice e aproveitador do que se fez em Portugal em Março de 2011. Eis o homem e a sua circunstância: ser um dos maiores pantomineiros na história da política portuguesa.

21 thoughts on “Má sorte seres tão pantomineiro, Portas”

  1. O Val, tu es mesmo um artista do spin manhoso.

    “o que aconteceria se chumbasse um plano de um Governo minoritário cujo propósito era esse mesmo de impedir que a Nação alienasse a soberania? Porque deixou Portas, esse grande patriota, que o País ficasse à mercê dos credores internacionais nas piores condições possíveis para o interesse dos portugueses?”

    O seu parolo, portugal ja nao tinha quaisquer condicoes para se financiar no mercado nos seis meses que precederam a vinda da Troika. Quando eles ca chegaram ja so havia cashflow para pagar um mes de salarios a funcao publico.
    Alias, se ha um reparo claro que a Troika fez ao aterrar em Portugal foi afirmar peremptoriamente que se deveria ter pedido o resgate muitissimo antes do que foi feito.

    Tens duvidas? Queres fazer um spin desta verdade inabalavel, vai consultar os yields da divida portuguesa na altura, e, em particular, a tendencia dos meses que precederam o pedido de apoio.

    Os emprestimos que o Rei Sol contraiu para portugal nesses meses foram ruinosos em termos financeiros, com custos muitissimo mais elevados que o financiamento conseguido da troika.

    As proprias condicoes que aceitamos da troika nao foram melhores porque a posicao negocial portuguesa nao era fragil, era inexistente.

    Es um parolo dos parolos, a tua oratoria de spin pode encher os ouvidos do pessoal de Chelas e do Barreiro, mas qualquer gajo com 2 dedos de testa e mais que a instrucao primaria topa o teus esquemas e argumentacoes manhosas a 15 kilometros de distancia.

  2. Basico, nesse caso podes descansar, viver a vida, estar com os amigos, ir à janela respirar um bocadinho de ar fresco. Estás a dar tanta importância a um tipo que apenas o pessoal de Chelas e do Barreiro não topa que começo a temer pela tua saúde. Tens tomado o xarope a horas?

  3. parece que os comentadores da comunicação social televisiva de hoje não engoliram pitada do discurso do Portas, Val. Em resumo, não negociou e falou tarde. O PSD ficou muito chocado e jé convocou as reuniões da praxe. Volto a dizer: estes incompetentes têm todos os ingredientes para serem eles próprios a fazer implodir o governo. O pote não está a correr bem. Caramba, nem a troika percebe a história da TSU. Felizmente alguns inteligentes comentadores deste blogue vão “para além da troika” na compreensão das medidas.

  4. “Os emprestimos que o Rei Sol contraiu para portugal nesses meses foram ruinosos em termos financeiros, com custos muitissimo mais elevados que o financiamento conseguido da troika.”

    quantifica lá essa treta das taxas de juro, prá malta rir

  5. Val,
    tudo isso será mais interessante se nos lembrarmos de que, na época, a Comissão Europeia insistia que o PEC IV fosse aprovado, os dirigentes europeus concordaram em arcar com uma parte das responsabilidades, mas por cá os patriotas preferiram a “troika”.
    Nessa altura, as sapiências internacionais eram todas burras, e a “troika” quando cá chegou impôs condições terríveis, porque sem elas, se calhar corriam o risco de irem à falência o FMI, o BCE e a Comissão Europeia, daí as elevadas taxas de juros, ou seja, quanto mais precisas mais juros pagas! Deve ser a nova moda de solidariedade à europeia!
    Eles fazem os estragos, governam-se com os estilhaçoe e depois emprestam-nos dinheiros com juros de usura e ficam como meninos bonitos.
    Anda por aqui muito laparoto que percebe tanto de política europeia (e doutros lugares) tanto como eu percebo de lagares de azeite.
    Entretanto os bancos acumulavam “prejuízos” ao irem buscar a taxas ridículas dinheiro ao BCE para o emprestar a juros elevadíssimos ao estado, e ainda argumentavam que estavam a ter prejuízo por causa disso.
    Se calhar, se não fossem esses empréstimos ,alguns tinham dado o estouro e a bronca teria sido muito maior.

  6. Ignoratz, ri-te em tao um bocadito com os numeros

    http://www.igcp.pt/fotos/editor2/2011/Programa_Financiamento/PF2011_uk.pdf

    Refinanciamentos em 2011, 20 Billioes

    Custo emprestimo Troika, 4.3% (4% para arredondarmos)

    Yields de mercado de Portugal em 2011, entre 7% e 15%. Aceitemos a media de 8% para os calculos.

    20 billioes x (8%-4%) = 800 milhoes de euros.

    Quantos subsidios de natal e de ferias da funcao publica pagavas com esse valor? Quantos empregos manterias em Portugal com esse valor?

    Achas que e um valor pequeno? Quantas pessoas ja viste a ir para a prisao por 800 euros? O que achas que deveria acontecer a uma pessoa que rouba 800,000? e a uma pessoa que rouba 800,000,000 ?

  7. “Ouvi ontem as palavras – parole, parole, parole – do Primeiro Ministro e fiquei irritada. De facto ser economista é uma menos valia nestas coisas da política.
    Ou estes senhores que nos governam entendem que a classe média trabalhadora, os reformados e pensionistas dessa mesma classe média não aguentam mais sacrifícios, ou o caldo vai entornar.
    Fazer trocadilhos com as palavras escolhidas para as decisões tomadas não resolve o problema. As medidas anunciadas envolvem um agravamento tributário sério e são injustas.
    Governar é atenuar desigualdades, abrir oportunidades, evitar injustiças. Isso não está a acontecer e é bom que esses senhores que foram legalmente eleitos tenham consciência de que precisam de encontrar outro caminho. Este não serve e é necessário procurar alternativas. Para isso é que eles lá estão. E para isso também é que deve haver uma sólida oposição, na qual possamos confiar.”- 08/09/2012

    Sabem quem escreveu isto ? Helena Sacadura Cabral. BASICamente, ela é , tão só, uma conhecida economista que , por acaso , também é mãe do Dr. Portas.

  8. Terrorismo.
    Para reflectir.

    A União Nacional dos Tachos, que nos governa já á 35 anos, é useira e vezeira a utilizar nos seus combates combinados para a rotatividade nos cargos governativos, em usar a cassete ou nós ou o caos.
    Esta forma de terrorismo tem sido usada até á exaustão, mais uma ver o governo de turno a vem utilizar, é pena que os portugueses ainda se deixem enganar por esta gente, com este truque já tão gasto, decerto todos nos lembramos do senhor da tanga.
    E o resultado final é sempre o caos, se não reparemos na composição dos actuais conselheiros de estado.
    Os conselheiros de Estado eleitos pelo Parlamento são António José Seguro, Manuel Alegre, Francisco Pinto Balsemão, Luís Marques Mendes e Luís Filipe Menezes.

    Os conselheiros de Estado designados pelo Presidente da República são João Lobo Antunes, Marcelo Rebelo de Sousa, Leonor Beleza, Vítor Bento e António Bagão Félix.

    O Conselho de Estado é ainda constituído por membros que o são por inerência dos cargos que desempenham ou que ocuparam: a presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro, o presidente do Tribunal Constitucional, o Provedor de Justiça, os presidentes dos Governos Regionais dos Açores e da Madeira e os ex-presidentes da República, Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio.

    Com esta composição, o Conselho de Estado integra neste momento cinco antigos líderes do PSD – o próprio Presidente da República, Francisco Pinto Balsemão, Marcelo Rebelo de Sousa, Luís Marques Mendes e Luís Filipe Menezes – além do actual presidente social-democrata, Pedro Passos Coelho, e do líder do PSD/Madeira, Alberto João Jardim.
    Como podemos constatar, o Conselho de Estado é composto apenas por elementos, que desempenharam cargos ou são próximos da União Nacional dos Tachos, nem sequer contempla o espectro politico que compõe o parlamento, porque será?
    Que podemos esperar deste conselho apenas a continuação do caminho que nos conduzirá ao caos completo.

  9. já me rebolei a rir e agora ando à procura da placa. onde é que foste buscar os 4%? o fmi diz que são 5% + alcavalas variáveis e imponderáveis e que o pugrama total são 78 mil milhões dos quais 34 são juros mais coisa menos pancada. não tá mau para ajuda, considerando a taxa do empréstimo aos espanhóis.

  10. Ignoratz, tu es tao limitado que ate da do. So mais uma antes de ir para a cama.

    http://economico.sapo.pt/noticias/portugal-paga-344-mil-milhoes-em-juros-a-troika_132310.html

    “Os empréstimos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) ou do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) têm uma maturidade (duração) média de 12 anos, a uma taxa de juro média de 4%”

    A media dos dois sistemas da 4.3%.

    O meu calculo, o seu granda burro, foi sobre os custos de financiamento de 2011, nao sobre a duracao do programa da Troika.

    O ano de 2011, em que o Rei Sol nao quis abdicar do poder, custou somente cerca de 800 milhoes de euros a portugal.
    Foram 20 billioes que foram pedidos emprestados a uma taxa media de 8% (se nao superior). Esses 20 billioes poderiam ter sido pedidos emprestados a cerca de 4%. Assumindo que o dinheiro foi pedido a 1 ano (pode ter sido por prazos mais longos), o custo e 20 x (8-4) = 800 milhoes de euros. Caso o dinheiro tenha sido pedido por prazos mais largos, e multiplicar por 2, 3, whatever, e tens ai o custo para portugal de tirar o Pinto de Sousa do poleiro.

    http://www.acapor.com/2011/05/nao-foi-o-governo-que-perdeu-foi-o-pais.html

  11. misturas taxas de 6 meses com taxas de 12 anos e tiras as médias que dão mais jeito e depois não há médias possíveis dos dois sistemas, há o custo total da brincadeira e agora vai-te foder que tenho mais que fazer que aturar palermas armados em económicos. gostei particularmente daquele link para o press release do igcp metido a despropósito, deu ideia que que usavas numeros oficiais, foi pena acabares por recorrer a links da pasquinada citados nas redes sociais da antral.

  12. se leres o contrato vais ver que falta adicionares a taxa de risco, emolumentos e imponderáveis em valores a determinar e que provavelmente só serão conhecidos quando da liquidação do empréstimo, mas estamos a falar de 44 mil milhões à fatia a curto e longo termo. os restantes 150 mil milhões, para ser meigo, porque ao certo ninguém sabe quanto é, vão sendo mantidos em banho maria com letras aceites pelo estado e descontadas pela banca nacional a juros superiores aos míticos 8,5% do teixeira, diz que é para evitar a falência de quem empresta e fomentar a dita na industria nacional. óbvio que nada disto é para pagar, é para ir pagando, quando não há verba para reformar a letra contrai-se empréstimo e a amortização do capital está garantida pelo broges com saldo de activos e futura mão de obra barata. já dívida privada é um sucesso enquanto o mexia e a sua equipe maravilha estiverem à frente da edp and so forth. analfabeto és tu que acreditas em juros de 4%, no alô-mercados-moedas-chegou e na pasquinada ao serviço do incompetente 33 rpm.

  13. Basico, tenho que te agradecer as risadas. És um cómico, já pensaste seguir a carreira?
    Já agora, o teu nick é mesmo Basico ou esqueceste-te do assentuo?

  14. Ignoratz.

    Eu trabalho em mercados financeiros e nao entendo uma palavra do que escreves. nao tarda muito estas a invocar a kabala ou coisa do genero para aproximar coisas que nao sao aproximaveis. Tu es dos gajos que a olhar para o sol facilmente dirias que nao e o sol.

    Raquel,

    O que e um assentuo? Fizeste a escola primaria? Es um produto das novas oportunidades do Pinto de Sousa?

  15. pois, até podes ser sobrinho da rainha de inglaterra, mas isso não prova que as taxas de juro da dívida portuguesa tenham descido desde que a troika tomou conta do assumpto e que o gaspar começou a balir sucessos em cornucópia. as merdas que esparramaste aí em cima não ligam e comparas alhos com bugalhos provando caralhos. vê lá se apanhas alguma retro-conjuntivite provocada pelo brilho da tua inteligência.

  16. Basico,

    se tivesses feito as novas oportunidades decerto que tinhas mais inteligência. Como qualquer básico, a ratoeira pegou. Pensei que era assim que se escrevia para ti, para ver se entendias.
    Básico. (com acento)

  17. oh dos mercados financeiros que não compreende português, vê lá se entendes a kabala de vez:

    juros da dívida pública a 10 anos, em jun11: 7% e em jun12: 12%
    risco de bancarrota para os próximos 10 anos, em jun11: 40% e em jun12: 80%

    num ano de governação, a equipe maravilha do gaspar & moedas conseguiram um aumento de 5% e dobraram o risco de incumprimento.

    podes ganir à vontade que não entendes que já não volto a dar para o peditóino.

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