Mas não nos enganam. Bateram no fundo. E nós também. Às vezes é bom bater no fundo. Aconteceu uma energia coletiva que nunca testemunhei.
Apesar da chantagem.
Os Partidos reagiram, os sindicatos reagiram, personalidades várias reagiram, com palavras virgens nas suas bocas, os patrões reagiram, e, mais importante, o povo reagiu.
Aconteceu uma energia coletiva que nunca testemunhei. Recebi telefonemas de amigos e conhecidos de direita que foram à rua com os filhos pelas mãos.
Porque não nos enganam.
O discurso de chantagem fere de morte as dezenas de pessoas que, por hora, perdem o seu emprego . Gente, muita dela, que num colapso interno difícil de descrever, tinha nos pais um abrigo temporário, esses reforamados e aposentados roubados no que é seu de direito, uma ou duas reformas, estas pessoas sem alternativa, porque a reforma e a pensão foi a alternativa legítima que construiram ao longo da vida, descontando sempre, todos os meses.
O discurso da chantagem de Pedro Passos Coelho, segundo o qual “é isto ou perder os credores e cairmos na bancarrota”, ofende, na sua mentira violenta, todos os trabalhadores nas filas de horas e horas, em que agora, subitamente, vão dar lugar ao centro de emprego e não ao posto de trabalho, porque as suas empresas, pequenas, médias, os restaurantes e os cafés de nome 23% são cemitérios destes tempos.
Porque não nos enganam.
O povo sabe que sob o chapéu desse discurso não há limites, não há dignidade, não há mínimo de existência condigna, e por isso vê o sagrado salário mínimo descer abruptamente.
Nunca vi tanta energia coletiva, não, nunca vi, nunca vi a transversalidade do saber intuitivo daquilo que passa o limiar da moralidade, da justiça, da equidade e do adquirido desde 1974.
Porque não nos enganam.
Podem, agora, depois de esfolados vivos, anunciar um recuo na TSU, esse trágico imposto traduzido num roubo aos trabalhadores a favor do capital. Podem, pois, depois de terem defendido a medida como cães, mas fazem-no, não para nos salvar, mas para se savarem no lugar do poder.
Sabemos para sempre que aquela gente quis com todas as forças a TSU para além de todas as outras medidas, isto é, mesmo que haja um recuo, está exposta a natureza de quem nos governa.
E quem nos governa anda mal por dentro, Cavaco anunciava, mesmo antes do CE, que a coligação estava bem, e afirmava esta mentira com uma chantagem: essa de os portugueses saberem o desastre que seria outra coisa que não a coligação estar bem.
Seria bom pararem com a chantagem.
Porque não nos enganam.
Arquivo mensal: Setembro 2012
Entretanto, na Sala das Bicas
Inacreditável a imagem dos conselheiros atravessando a Sala das Bicas em grupinhos de conversas e risadas no final do Conselho de Estado. Tão ostensivo o modo jovial que até pareceu coreografado para transmitir um ar de descontracção a raiar o despautério. Se fossem a caminho de um jogo da bola ou de uma sardinhada não estariam num espírito diferente daquele que exibiram para os jornalistas captarem.
Depois seguiu-se o comunicado. Diz que a crise do TSU acabou. Que o Governo vai combinar umas cenas diferentes com os parceiros sociais, já se falando cá fora que o saque voltará a ser nos subsídios. E pronto. Nem sequer o estado da coligação provoca qualquer angústia, são todos bons rapazes.
Isto significa que nenhum órgão de soberania pretende assumir qualquer responsabilidade pela situação. O Governo recua derrotado e humilhado e aquelas cabeças acham que este é o fim da história. Acontece que se trata do começo de uma outra coisa onde o primeiro-ministro está definitivamente desautorizado, como já estava a maioria dos seus ministros. Nem sequer se deve falar em diminuição da credibilidade pois o estatuto deste Governo passa a ser o do escândalo. É um escândalo ter uma figura reles como Relvas ou inane como o Álvaro, é um escândalo ser uma coligação cujos partidos se agridem em público no meio de uma emergência nacional, é um escândalo ter o primeiro-ministro com a sua tonteira finamente modulada afundado ainda mais o País numa crise económica que agora passou a ser também de confiança e respeito nas principais instituições da República. Esta gente conseguiu destruir com o seu revanchismo e fanatismo o frágil tecido de esperança que ainda resistia pela ignorância de muitos e pela resignação de tantos.
Isto quer dizer que o povo do 15 de Setembro foi deixado ao abandono. Não tem um líder, o que faz do Medina Carreira, do Marinho Pinto e da Ferreira Leite fortes candidatos ao lugar. Mas também quer dizer que a própria lógica da austeridade está ferida de morte, pois quem se revoltou contra os 7% da TSU mais facilmente se irá revoltar agora contra novos cortes nos subsídios e o cambalacho que está a ser preparado no IRS. Os cenários futuros são completamente imprevisíveis, só a incompetência das actuais elites políticas continuará fatal.
5 anos
Os mesmos que mentiam à fartazana para enterrar Portugal, dizendo que os juros da dívida subiam porque os mercados não queriam Sócrates no Governo, são os mesmo que à fartazana mentem dizendo que os juros da dívida baixam porque os mercados querem Passos, Relvas, Álvaro e Gaspar no Governo.
Até 5 de Junho de 2011 não existia qualquer crise na Europa. Bastava afastar aqueles gajos do PS e os mercados viriam cá despejar dinheiro. Depois de meterem a bocarra no pote, passou a não existir qualquer efeito do BCE. Se os juros de repente descem, é porque os mercados ficam ofuscados com a credibilidade de tão incríveis farsantes. Se sobem, então sim, há uma crise internacional algures e não podemos fazer nada a não ser sofrer.
A idade mental de quem acredita nesta tanga é a mesma de quem acha que esta tanga chega para o gasto: 5 anos.
A Ilda Pulga do século XXI
How much austerity is too much?
A FORTNIGHT is a long time in the euro crisis. In two short weeks Portugal has gone from being a model pupil, praised in Brussels and Frankfurt for steadfastly pressing ahead with a reform programme tied to a €78 billion ($101 billion) bail-out to a cautionary example of the dangers facing governments which attempt to push austerity beyond the tolerance of long-suffering voters.
Um novíssimo Dia de Portugal
A manifestação de 12 de Março de 2011 foi preparada ao longo de meses. Teve a influência dos Deolinda e do seu sucesso “Parva que sou”, adoptado como hino apartidário em Janeiro. Recebeu o apoio das máquinas do PCP e BE, a salivar para reclamarem mais uma vitória na rua. E teve o impulso decisivo, ao longo do mês de Fevereiro, quando a imprensa escrita e televisiva começou a promover intensamente o evento por o entender como crucial manobra de desgaste do Governo no seu momento mais frágil. Por fim, até Cavaco Silva apelou à participação em massa nesse protesto. O alvo, para todas as agendas, incluindo as politicamente inconscientes, era o Governo socialista e a figura de Sócrates. Mas tratava-se apenas de uma festa, de uma farsa. Por isso a populaça ficou satisfeita só por lá ter estado. Já chegava para dar na televisão e ver na Internet. Estava tudo bem, até porque o Governo ia cair e rapidamente nos veríamos livres da fonte de todos os males.
A manifestação de 15 de Setembro de 2012 teve dias de anúncio, nenhum grupo musical a animar a malta, nenhuma campanha ou apoio na imprensa. Esperavam-se 50 mil manifestantes em Lisboa, chegou um jornal a prever, se calhar com ousadia. Quem participou sentiu-se a concretizar um dever de presença por questões relativas à sua própria dignidade. Mais do que o folclore de estar contra a Troika ou contra o Governo ou contra este ou aquele ministro, a manifestação era a favor de Portugal – entenda-se: foi um acto que simbolizou a existência de uma comunidade que está antes e acima das circunstâncias políticas e económicas. Assim, essa manifestação talvez tenha sido única nisso de representar de forma pura o Soberano.
É só lastimoso, e perigoso, que a actual ausência de responsabilidade na Presidência da República e no Governo, a que se junta a actual ausência de inteligência na oposição, deixe o campo aberto para que se dê a contaminação populista que ameaça o próprio regime de forma larvar e cada vez mais efervescente.
O teatro
A decência é uma matemática
Quando olhamos para a direita partidária portuguesa, das personagens principais aos figurantes, dos passarões à arraia-miúda, dos que representam eleitores e dos que comentam eleitos, o panorama é tenebroso. Vai desde a figura mais sinistra e perniciosa do regime, Cavaco Silva, até essa sumidade do nacional-chungismo, Carlos Abreu Amorim, passando pelos paradigmáticos João Jardim, Dias Loureiro, Valentim Loureiro, Isaltino Morais, Duarte Lima, Santana Lopes, Filipe Menezes, Marques Mendes, Ângelo Correia, Marcelo Rebelo de Sousa, Ferreira Leite, Pacheco Pereira et alia, e ainda agrega um circo de horrores composto pela Moura Guedes, Crespo, arquitecto Saraiva, Medina Carreira, João Duque, Zé Manel Fernandes, Eduardo Cintra Torres, Helena Matos, João Miguel Tavares, Carlos Barbosa, este, aquele e a outra. Têm até um órgão oficial, o Correio da Manhã, esse esgoto a céu aberto, para além de variados satélites com que dominam a comunicação social. Apesar de não se poderem ver uns aos outros na maior parte dos casos, porque vivem na selva e é cada um por si, estão unidos no ódio a um tal de Sócrates que os humilha pelo simples facto de existir. É uma gente ressentida, ressabiada e velhaca, enquanto agentes políticos e/ou figuras mediáticas, que não se importou nada de atiçar o populismo dos ignaros e dos assustados para com ele derrubarem um Governo e o País.
Pairando acima deste charco putrefacto está o Pedro Marques Lopes, fonte de salubridade e inteligência para o molestado e depauperado eleitor de direita. O Pedro é admirável na sua intransigência perante as pulhices que os seus correlegionários despejam incessantemente no debate político e no espaço público. O Pedro, pois, é um defensor do próprio ideal de democracia enquanto sistema pensado para acolher a diversidade de opinião na procura de um bem comum, enquanto modo de realizar a liberdade em conjunto, não como palco de ataques ao carácter e arena de conspirações onde a política fica reduzida à violência. E que acontece? Acontece que as suas ideias – resumindo à bruta: que passam por defender uma sociedade onde o Estado tenha menos peso do que aquele que o PS concebe como apropriado, por exemplo – nada percam do seu valor, antes ganhem acrescido interesse por ser ele quem as assume. Ele, alguém que faz da decência a condição sine qua non para a intervenção pública. Se o PSD estivesse entregue a políticos desta fibra, fosse no poder ou na liderança da oposição, Portugal não estaria nesta desgraçada situação.
Relvas, o mais sumarento fruto da Política de Verdade
Se o único problema do Governo está na comunicação, tudo o resto sendo excelente ou estando nos mínimos aceitáveis, ouçamos o seu maior especialista vivo:
Estou convencido que Passos Coelho vai ser um primeiro-ministro que vai marcar a História do nosso país, nasceu para este lugar, tem um sentido de responsabilidade…
[…]
Sabe que em Portugal se criou a ideia de que boa comunicação política é iludir os portugueses, que má comunicação política é dizer a verdade. Não, nós seguimos o contrário. Os que comunicavam muito bem, que faziam uma grande coordenação política, que muitas vezes se fala… os da ilusão perderam as eleições, vão ser julgados pela História. Nós acreditamos que chegou a hora de um Governo chegar ao fim do seu mandato e dizer: nós prometemos isto e fizemos isto, nós prometemos fazer estas reformas e fizemos estas.
[…]
É muito importante que sejam apuradas as responsabilidades de cada um. A culpa em Portugal tem definitivamente de não poder morrer solteira na vida pública.
Serviço público
Liderança sólida. Como as rochas.


A coisa é simples de ler: o PSD está a implodir à medida que as pessoas se apercebem do embuste que representa, sendo que a TSU representou o momento em que subitamente os olhos se abriram. Portas também caiu mas está a tentar dar a volta com algum resultado, conseguindo manter o seu eleitorado tradicional. A jogada deve ter minimizado os danos. PC e BE capitalizam o descontentamento e representam já 24% dos eleitores, enquanto nas eleições se ficaram pelos 13%. Ou seja, subiram 11% em pouco mais de um ano, num claro indício de radicalização de uma faixa importante da população.
Resta o principal partido da oposição, que depois de um ano das mais severas medidas de austeridade e dos maiores sacrifícios, justamente no momento em que os eleitores se apercebem que não serviu rigorosamente para nada e pelo contrário, deve ter tornado as coisas ainda piores, esse partido sobe, em relação às anteriores eleições, 2.9%. Dois ponto nove. Ou seja, quem está desiludido com o PSD não vê solução alguma no PS, nada que inspire confiança, que indique um caminho alternativo claro, ou o relato de como foi possível chegarmos a este ponto. Os que ficaram são sensivelmente os mesmos que já em 2011 acreditavam. Os restantes, olharam para a alternativa e decidiram que não valia a pena. É este, em números, o resultado de mais de um ano de liderança de AJ Seguro. Uma sondagem é uma sondagem é uma sondagem. Mas esta diz tudo.
Parece as “tentativas de conciliação” no antigo regime do divórcio. Mas em direto. Só falta a Teresa Guilherme para mediar.
Haverá reunião entre elementos do CDS e do PSD num Hotel. Hoje.
Mas sem os líderes. Li bem? Sim. Sem os Passos nem Portas.
Parasitas e nefelibatas
A recusa do PCP e do BE em serem parte de uma qualquer solução democrática para a governança do País – invariavelmente exigindo ao PS que abdique da sua história, ideário e eleitorado e se submeta à cartilha radical de comunistas e bloquistas – explica sem surpresa a constante atitude de despeito e ofensas à dignidade dos governantes com que preenchem os discursos. Falam dos políticos eleitos como se eles não tivessem legitimidade para aplicar os seus programas, alimentam frenéticos as suspeições quanto à honestidade intelectual de qualquer um que aceite trabalhar com o Executivo e alinham com entusiasmo nas campanhas de assassinato de carácter que tenham como alvo socialistas. PCP e BE têm sido isto, porque isto lhes garante a manutenção dos nichos eleitorais que continuam a defender um Portugal pré-25 de Novembro e a preferir o consolo das utopias literárias à criação do homem novo em comunhão com a Humanidade envelhecida e constantemente infantilizada.
Ao mesmo tempo, lançam soluções que implicam alterações monumentais na lógica com que a sociedade tem estabelecido os seus modos produtivos e de regulação estatal. Se calhar serão as melhores saídas para esta e todas as crises, se calhar bloquistas e comunistas possuem uma inteligência superior, uma bondade muito superior, e por isso estão mais próximos da verdade última, ou mesmo já lá chegaram porque só eles é que conhecem as leis da História. Mas, então, em vez de a sua legião de fanáticos perder tanto tempo nas disputas teológicas acerca da superioridade das variadíssimas seitas marxistas, seria de esperar que conseguissem demonstrar a viabilidade, oportunidade e urgência daquilo que propõem. Por exemplo, o PCP que faça uns folhetos onde consigamos perceber como é que exactamente vai funcionar essa ideia catita do aumento da produção nacional. Aposto que não há um único empresário que queira ficar de fora desse grandioso plano. E o BE vá à TV dizer como é que vamos conseguir roubar aos ricos para dar aos pobres e não ficarmos mais pobres com esse assalto passado pouco tempo, pois terá 9 milhões de almas que não irão querer perder pitada da lição.
O bloqueio à esquerda tem um sentido unívoco: aumentar a pressão sobre as fragilidades do regime democrático, as suas inevitáveis disfunções, de modo a aumentar o capital de revolta. Isto é de manual e transpira por todos os poros dos sectários, por isso eles estão sempre em combate numa luta sem fim nem tréguas. Por um lado, dependem do dinheiro recebido em eleições e demais actividades financiadoras que o regime lhes concede, servindo-se de todos os direitos consagrados constitucionalmente para espalharem as suas mensagens. Por outro lado, boicotam o próprio modelo onde subsistem, esperando que ele continue a servir os seus interesses ou que seja substituído por outra coisa onde comunistas e bloquistas se tornem no poder dominante e a democracia tal como a conhecemos seja uma fase ultrapassada no caminho da felicidade por decreto.
Esta esquerda pura e verdadeira, sem qualquer espanto, foi a aliada perfeita desta direita boçal e revolucionária. A política faz estranhos companheiros de cama, mas neste caso a estranheza é nenhuma pois são as duas faces da decadência portuguesa.
Não sejam piegas, saiam da vossa zona de conforto, acabem com este regabofe, emigrem ou ide estudar, mas deixem de nos dar cabo do lombo e de nos lixarem a vidinha
Porta-voz do CDS ataca Gaspar e ministro responde
«Não há química entre PSD e CDS», diz vice-presidente democrata-cristão
PSD considera “inacreditável” intervenção de Paulo Portas
Paulo Portas “fez um ataque ao primeiro-ministro e à coligação”, diz Marcelo Rebelo de Sousa
Setembro
Um casal de amigos meus, norte-americanos actualmente a viverem em Londres, enfrentou um cancro da mama descoberto em 2011 na M. de forma completamente estranha para os hábitos portugueses: partilhando todas as informações clínicas, desenvolvimentos e consequências corporais da doença com a família e amigos, inclusive recorrendo a fotos da estadia no hospital, da parafernália de tubos e ligaduras, do corte de cabelo, da sofrida alteração daquele rosto. Através de um website fomos tendo acesso ao decorrer do processo. Para além disso, o M., dotado de talento profissional para a comunicação, usou a escrita para tranquilizar a comunidade ali reunida em angústia. Os seus textos conseguiram aliar o mais cru relato da realidade com a mais terna exaltação do optimismo e da indestrutível alegria de viver da sua mulher, daquele casal.
Em Portugal está a acontecer algo parecido, e numa escala de exposição muito maior quanto ao alcance. Miguel Esteves Cardoso tem relatado no Público a doença da Maria João com inaudita transparência e intimidade. Como estamos perante um dos nossos melhores escritores de sempre, os seus testemunhos – servidos por um ritmo de escrita diária e sintética, etimológica e formalmente à maneira de um blogue – conjugam o dilaceramento pungente face ao pânico, à degradação da saúde, à morte, à finitude com a lírica de um artista da palavra, a capacidade de exorcizar a sua dor no acto mesmo de nos convidar a senti-la como só nós, cada um de nós na nossa irredutível solidão, a poderá fingir.
Esse o contexto, o subtexto e pretexto para esta lindeza tamanha:
Ainda assim Setembro
Setembro é o mês que recapitula o Verão, narrado pela voz do Outono, ainda longe da pressa do Inverno. Na zona equatorial não há estações do ano. Contou um escritor do Sri Lanka que viveu um ano em Londres como aprendeu a achar graça às mudanças das estações do ano, apesar de não gostar da maneira como havia meses muito mais frios do que os poucos que não o eram.
Tem sido tão estranho este ano. Setembro, nos últimos dez dias de Verão, ainda poderá ser um regresso ao ano passado, em que as coisas estavam mais bem encaminhadas, ao ponto de estarem à espera dos prazeres da praia em Outubro.
Este ano, até hoje, fui só uma vez à praia, tomar banho, sem ter tomado no dia anterior e sabendo que não iria tomar no dia seguinte. Mas não são os anos que são maus: são as vidas. São as estações. São os dias. São as manhãs. São as horas. É a noite, todas as noites, da noite a começar, mais uma vez.
Todos os dias a Maria João tem fotografado o fim do dia, visto das muitas janelas da nossa casa nova. Chama-me para ver o que às vezes até conseguiu fotografar. Ela diz-me: “É único”. Ela diz-me: “Está quase a acabar”. Ela diz-me: “É lindo”. E eu penso, como ela quer que eu pense: “Nunca mais vai ser assim”. A não ser, talvez, amanhã. Amanhã ainda é Setembro. Ainda falta mais de uma semana para o Verão acabar. Os nevoeiros desceram e as pessoas voltaram ao trabalho.
Mas ainda falta uma medida certa de magia. O nome do mês conta o segredo: é Setembro.
Miguel Esteves Cardoso, 11 de Setembro de 2012
Seguramente, demite-se
Na sondagem da Católica o PSD consegue nas intenções de voto 24%, ou seja, uma queda de 12 pontos percentuais em relação a Junho. Sobem os comunistas quatro pontos para 13%, o Bloco dois pontos para 11% e até o CDS um ponto para 7%. O PS, que aparece agora à frente com 31%, desce no entanto dois pontos dos 33% que tinha em Junho. A sondagem foi realizada nos dias 15, 16 e 17, já depois do anúncio das novas medidas de austeridade do governo.
Que ilações tira Seguro a seu próprio respeito desta sondagem? E que vai fazer?
Obviamente, demite-se.
Cavaco, sempre sem surpresas, a inventar o sentido de estado que nunca teve
Já não vale a pena recordar o historial de um PR que põe a sua agenda pessoal acima do interesse de Portugal.
Podemos ir somando as suas pegadas nesta impressionante caminhada politica rumo a um espelho.
Cavaco olha para uma crise de governo muito, muito grave e aceita, claro, falar com Seguro.
Mais resolve convocar o Conselho de Estado, Órgão a que pertence, naturalmente, Passos, pois é PM, mas, perante a crise instalada dentro do Governo e em cada porta de cada casa, tenha ela o nome que tiver, Cavaco, “institucionalista”, “imparcial”, chama à reunião V. Gaspar.
É certo que Portas não faz parte do Conselho de Estado – Cavaco pode nomear cinco membros, mas não lhe ocorreu nomear o líder do Partido coligado com o seu -, mas por que raio não quer o Presidente ouvir Portas?
Faz sentido ouvir toda a gente implicada no desastre ou na solução do problema governamental exceto Portas?
Num mundo normal, não.
Num mundo onde rivalidades antigas e agudas enterram ainda mais qualquer hipótese de um PR primus inter pares faz.
O sentido de Cavaco é Cavaco.
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