Bom, assim vai a coisa:
Bastou o facto de se saber que Sócrates está vivo, activo, bem de saúde e com contactos políticos, ainda que mínimos, para se soltarem os tigres.
Ontem, fomos brindados com a “bosta” do director do jornal i.
Hoje, temos o Daniel Oliveira com a tradicional demagogia, cegueira radical e ataque ao principal adversário,
Como dantes. Nem falta o nome do bicho.
Partindo de uma triste frase do ainda mais triste António J. Seguro (“ficaria triste se o primeiro ministro do meu país fosse receber ordens da senhora Merkel ou do senhor Sarkozy“, snif), Daniel Oliveira decide investir contra o PS, começando, ora pois não, por Sócrates (carências!): “Mas o que raio fez José Sócrates, nos dois últimos anos, senão receber ordens de Berlim? Quem impôs as regras do PEC IV? Não foi a senhora Merkel? O que é o memorando da troika senão a institucionalização dessas ordens? O que tem feito o PS, nas últimas duas décadas, senão abdicar de qualquer discurso autónomo sobre a construção europeia e assumir uma postura umas vezes euroentusiástica, outras euroconformada?”
Há pessoas que têm de acordar: em primeiro lugar, hoje em dia (mas a história da Alemanha nem sempre foi gloriosa), toda a gente na Europa “recebe ordens” de Berlim. Até a França. Por outro lado, parece-me que há quem queira construir a Europa fora dela. Acontece que os países que a compõem, representados nas maiorias que os governam, são os interlocutores com quem temos de lidar. Não há outros. Em segundo lugar, nas últimas duas décadas, a Europa nem sempre tem seguido o mesmo rumo. A influência inglesa, as alterações do contexto internacional e os líderes têm sido factores determinantes no andamento desta “obra”. Daí as oscilações. Da Europa, dos socialistas, dos conservadores, da China, dos Estados Unidos, de toda a gente. Só quem faz da vida uma contestação e um berreiro permanentes é que não oscila. Está sempre bem e a salvo. Comprometido com coisa nenhuma. Apenas sujeito ao risco de extinção após breve fulgor.
Mas adiante: a alternativa de sair da Europa tem sido sempre pior, muito pior, do que a de ficar. E a força de Portugal para impor seja o que for num Conselho em que predominam dirigentes de direita, ou que fossem de esquerda, é bastante reduzida. Isto não é conformismo. É outra coisa e depende dos protagonistas. Sócrates, por exemplo. Este homem gostava do seu país. Não o entregava sem luta, ou ardis/salvaguardas, à Alemanha ou à Espanha, conformado com a nossa triste sina de pobrezinhos, ignorantes e obedientes (veja-se o que agora faz a dupla PPC/Gaspar às empresas públicas estratégicas, com entusiamo e convicação tudo vendendo ao desbarato, prestando autêntica vassalagem, estando-lhe a conjugação de salazarismo com neoliberalismo no subconsciente e Cavaco em Belém). Pelo contrário, Sócrates tudo fez para transformar o país, modernizá-lo, dar-lhe ambição e distingui-lo no contexto europeu e internacional. Por isso, merece o meu aplauso. Enquanto isso, o Bloco protestava.
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