Um livro por semana 250

«O cisne submerso» de Fernando Pinto Ribeiro

Fernando Pinto Ribeiro (1928-2009) foi revisor de imprensa (Diário de Notícias) e colaborou em revistas de Letras e Artes e em páginas literárias de diversos jornais. Foi autor de fados e canções cantados por nomes famosos como Beatriz da Conceição, Anita Guerreiro, António Mourão, Artur Garcia e Tristão da Silva. Um exemplo: «As meninas dos meus olhos / nunca mais tive mão nelas / fugiram para os teus olhos / por favor deixa-me vê-las //As meninas dos meus olhos / num castigo que é perdão / prende-as dentro dos teus olhos / quero vê-las na prisão».

Fernando Pinto Ribeiro, para quem «Ser poeta é amar o amor», criou também outro tipo de poemas, voltados para as questões sociais, como as lutas nas grandes searas do Sul, num cântico que é também um grito: «Fui pastor, sou corticeiro / conheço o custo à desgraça / só ninguém sabe o dinheiro / que ela rende na praça // Ela rende lá na praça / ou na banca do galego / quem montar uma trapaça / cavalga qualquer borrego // Cavalga qualquer borrego / toureia qualquer carneiro / quando o cão de guarda é cego / arma-se o lobo em cordeiro //Se pão rijo é papa-açorda / e o óleo faz vez de azeite / quem é gordo mais engorda / quem magro é não se ajeite // Quem é magro não se ajeite / que o cevado enfarda a pança / ninguém durma nem se deite / o toucinho também rança// O toucinho também rança / bom vinho dá bom vinagre / quando o tempo é de mudança / a força faz o milagre!».

(Editora: Edium Editores, Organização: Julião Bernardes, Capa: Alice Fergo, Prefácio J. Leitão Baptista, Posfácio: Paulo Jorge Brito e Abreu)

18 thoughts on “Um livro por semana 250”

  1. oh poeta da treta! não dizes bem, nem dizes mal, antes pelo contrário é um vê se te avias a encher chouriços biográficos entremeados com versos supostamente retirados do livro que te ofereceram e que vendes na charcutaria literária do aspirina. qual é a ideia? assustar os possíveis interessados no livro do fernando?
    que porra de crítica tão mal amanhada e ainda por cima assinada por um gajo que se intitula secretário da associação portuguesa de críticos literários.

  2. ninguém te perguntou se é longe ou perto, a questão é se este poste é uma crítica literária ou uma manifestação de superioridade paternalista do suposto secretário da associação portuguesa de críticos literários para com os autores dos 250 títulos até agora referidos. nunca vi fazer crítica sem expressar opinião, insinuas umas merdas, gabas-te à exaustão e respondes umas asneirolas com fragrância do metanos. por muito maus que sejam os autores que práqui trazes é desumano o tratamento que lhes dás.

  3. já fui e só encontrei em fado e na voz da Mariza. fiquei desconsolada porque a letra inspirava-me, talvez, uma marchinha alegre e não o peso dramático e escuro do fado. que desconsolo. :-)

  4. Não conheço o autor mas pela amostra não me parece grande espingarda.
    Cantados por nomes famosos? Também não exageremos. O Artur Garcia famoso? E os outros também? Acho demasiado só para enaltecer o escrevinhador dos versos.
    Vejamos esta trova:

    As meninas dos meus olhos
    nunca mais tive mão nelas
    fugiram para os teus olhos
    por favor deixa-me vê-las

    Eu já não sei se isto é realmente uma trova. Então o 1º. verso “olhos” rima com o 3º. “olhos”? E depois também o 2º. “elas” rima com com o 4º. “êlas”. Convenhamos que os versos são um bocado coxos.
    Isto também eu fazia e sentado na sanita.

    Eu só faço poesia
    e só se me sai a dita
    logo que rompe o dia
    sentadinho na sanita.

    Não estava a brincar. É verdade. Esta é a 1º. trova duma poesia da minha autoria.
    Por isso é que digo que eu sentado na sanita faço muito melhor.

  5. Adolfo – Serão coxos para ti mas não para a Beatriz da Conceição (voz) Jaime Santos (música), João Sobral Costa (voz) e Joaquim Silveirinha (música). Topas???

  6. Coitada da Conceição e do João Sobral, à falta de melhor… Quanto aos guitarristas, a música nada tem a ver com as letras. Pode haver boas músicas com más letras e vice-versa. Topas, ó caramelo??? Mas, realmente, de crítico não tens mesmo nada. Não és peixe, nem és carne. Limitas-te a trancrever uns versos, e fazes o post. Nunca dizes bem – podia fazer-te sombra. Mal, não te atreves, lá se ia a amizade que te pode dar um certo jeito. E assim vai a «crítica» no aspirina…

    Atão e as respostinhas às perguntas que já cheiram a mofo? Nada, né? O gatinho comeu-lhe a língua, senhor dr. josé do carmo francisco? Pensas que por não responderes, a coisa esquece, mas tás completamente enganado: vão é somando. É só somar, ó da Benedita!

  7. Ó animal maluco eu não te respondo, já percebeste. Se quiseres pergunta à Câmara de Almada. Se te tomarem a sério respondem. Eu não tomo. Podes esperar sentado.

  8. …”Fui pastor, sou corticeiro / conheço o custo à desgraça / só ninguém sabe o dinheiro / que ela rende na praça // Ela rende lá na praça / ou na banca do galego / quem montar uma trapaça / cavalga qualquer borrego”,não sei porquê fez-me lembrar o Américo Amorim…

  9. jcfrancisco: citaste 2 cantores/ fadistas e 2 músicos. Não sei o que é que os músicos têm a ver com versos. Eles tocam música e em cima põe-se o que se quiser que em nada altera a música.
    Quanto aos cantores pois esses cantam os versos que encontram, bons, menos bons e maus. Também nada têm a ver com os autores. Podes dizer: mas não prestando não cantavam. E se não tivessem melhor? Ficavam sem cantar?
    Não me lembro quem cantava o “Olha a mala olha a malinha de mão”. Alguém foi. E quem cantou essa bosta achou-a boa? São gostos. E quem cantou “O raspa, raspa, raspa” também a achou boa? Gostos não se discutem.
    E muitas vezes canta-se aquilo que o povo acha bom (muitas vezes não prestando) em vez de se cantar o que realmente é bom mas o povo não aprecia. Exemplo: Quim Barreiros canta “A garagem da vizinha”. O povo gosta. E depois? É bom?
    Finalizando: eu não apreciei. É a minha opinião.
    A tua será outra, não contesto. Gostos, são gostos!
    Dei apenas a minha opinião que não foi rebatida. Artur Garcia e os outros não foram famosos cantores ;não foi contestado. Analisei uma das quadras e essa análise não foi contestada.
    Fica para a posterioridade.

  10. Na verdade estão lá para cima algumas rimas encaixadas a martelo.

    Até o António Aleixo que era analfabeto fez bem melhor. Mas hoje em dia qualquer um consegue publicar desde que pague a edição ou conheça as “pessoas certas”.

  11. Agora é que o «Morto» falou verdade. «Pagar as edições ou conhecer as pessoas certas». Ora aí está a «receita» adoptada por muitos. Ó da Benedita, isto não te diz nada?

  12. basta conhecer as pessoas certas, a outra hipótese custa dinheiro e a ideia é rentabilizar os conhecimentos. a única edição que o gajo paga é de recibos verdes e de preferência com uma nódoa de café a tapar o número de contribuinte.

  13. Isto por aí acima faz-me lembrar uma batalha feroz aqui há anos na caixa de comentários do Aspirina B à volta dum livro de Fernando Venâncio, se bem me lembro com o título Um Minarete em Lisboa, uma fantasia de mil e uma noites que, na opinião de JCF, denegria o carácter e a integridade química de José Saramago. Agora é a sua vez de defender este outro Fernando. Acho muito democrático da parte do meu amigo Zé. Quanto à poesia que aqui tem sido maltratada, bom, está assim, assim. Mas porra, nem todos os dias se bebe bom vinho!

    E tenho uns poemetos onde entram zombies e cadelas em cio que um dia ainda hei-de mostrar aqui aos meninos.

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