Ironia socrática

Recuperando a ideia defendida desde a campanha eleitoral de que “Portugal não pode falhar”, Passos Coelho assegurou, contudo, que “no dia em que for necessário cortar mais despesa e aumentar impostos para impedir que Portugal caia na bancarrota” ele próprio o dirá aos portugueses.

“Isso não há dúvida nenhuma que não mando dizer por ninguém, digo eu próprio e desafio qualquer um em Portugal que tem uma solução diferente para evitar que o défice orçamental não resvale no final do ano”, sublinhou.

Fonte

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A ideia de que Portugal não pode falhar, começando logo por ser um tautológico cliché com séculos, é inerente à participação na União Europeia e seus condicionalismos inevitáveis e coercivos. Depois das eleições de Setembro de 2009, no contexto da crise económica internacional e da crise política nacional, Cavaco simulava apelar à concórdia entre PSD e PS precisamente referindo que o País não podia falhar a recuperação económica. Durante o teatro da viabilização do Orçamento de 2011, o Governo de então avisava que o seu chumbo levaria o País a falhar fatalmente essa recuperação. E em Março de 2011, ao se tornar evidente que o PSD queria abrir uma crise política para derrubar o Governo, Sócrates alertou para as consequências dessa irresponsabilidade: Portugal iria aumentar desvairadamente o risco de falhar os seus principais objectivos, onde se incluía a defesa do Estado Social até ao limite do possível.

Graças à decisão conjunta do Presidente da República e da oposição, estamos agora obrigados a suportar ainda mais e maiores constrangimentos, limitações, austeridade e sacrifícios do que aqueles já consequência das duas crises – a económica, causa do aumento do desemprego, e a europeia, causa do aumento dos juros da dívida soberana e arrastando a banca nacional para crescentes dificuldades de financiamento. E se este é o preço que foi infligido a Portugal só para fazer a direita regressar ao poder, está para nascer alguém que consiga entender que raio o BE e o PCP ganharam com a troca que promoveram entusiasticamente.

Estas declarações de Passos são exactamente iguais às que Sócrates fazia. Ambos descrevem uma situação de emergência e desafiam a oposição a apresentar alternativas. Sabemos que Ferreira Leite chegou ao patético de explicar que não apresentava soluções para os problemas nacionais para evitar ser imitada pelo Governo. E sabemos que Passos dizia que a solução era algo tão simples como voar de Económica ou tirar a gravata.

Mas sabemos mais, muito mais. Sabemos que o combate a Sócrates passou por assassinatos de carácter, devassa da sua privacidade, difamação da sua família e tentativas de criminalização, num conjunto de processos que foram todos demorada e profundamente investigados por dezenas de jornalistas, agentes policiais, procuradores, juízes e até autarcas. E sabemos que PSD e CDS estão ligados, por via de actuais e antigos dirigentes, aos casos BPN, submarinos e défices democrático e das contas públicas da Madeira. São casos para dizer: só sei que ainda nada sei.

18 thoughts on “Ironia socrática”

  1. Por falar em défice da Madeira. Se Jardim está a proclamar que não há buraco nenhum, pois então que não se transfira nem um pataco a mais para a Região. Não se tapa um buraco inexistente.

  2. Muito bem, Valupi.

    Quanto à Madeira, é ou não legítimo perguntar neste momento se o governo (o PSD) não teria conhecimento há muito do “buraco” na Madeira, que nada garante se fique pelos 500 M€, e por isso arranjou o discurso do “ir mais além do que a Troika”? Vejo-os bem capazes de utilizarem tal estratagema.

    Basta ver o desespero com que tentam encontrar “buracos” da responsabilidade do governo de Sócrates para com eles fazerem um berreiro que caiba no estratagema montado. Coitados, sem qualquer sucesso…
    O caso da sala escura onde foi encontrada uma mala repleta de facturas – + de 600! – por liquidar era mais uma dessas tentativas. Mais uma que saiu gorada. Tudo pago e as que não estão pagas (apenas 40) é por serem objecto de contencioso.
    Esta gente é mesmo abaixo de cão.

  3. o governo necessita de manobras de diversão para continuar a fazer merda, portanto preparem-se para uma reedição do friporcos e outros tantos sucessos da época passada para acalmar os ânimos dos geróminos, louceiros, cavaco & lacticínios em geral. a santa aliança continua a fazer oposição ao sócrates e o governo passa entre os pingos.

  4. e se o s+ocrates tivesse negociado o pec IV com as forças de esquerda, já que a direita só estava interessada no poder, para que as forças de esquerda o deixassem passar?

  5. Não há um socialista com alguma visibilidade pública que exija explicações ao ministro Relvas pela calúnia das facturas por pagar? Seguramente não há. Seguramente nâo temos oposiçâo PS. Seguramente os senhores do governo poderão continuar a insinuar todo o tipo de trafulhices ao governo Sócrates, sem perigo de desmentido. Seguramente, Seguro é o seguro da direita, com quem se coligou contra Socrates durante os últimos seis anos.
    Seguramente.
    Nunca tinha visto tanta cobardia num dirigente PS democratissimamente eleito. Por isso nâp sou PS. Por isso recuso filiações partidárias, apesar da consciência que tenho de que sem partidos a democracia que temos não funcionaria. Por isso vou sonhando com uma democracia mais evoluida e considero esta, que se assenta em partidos tâo fragilizados , como o patamar inferior de uma nova realidade. Já estamos melhores que em ditadura.

  6. um dia destes ainda se descobre que o bicho, o Sócrates, é testa de ferro da máfia italiana. depois, optimizando-se este recurso humano, vai ser convidado para protagonizar um filme nos estates – que será sucesso de bilheteiras mundiais – e, com esse dinheiro, vai liquidar todas as nossas dívidas. :-)

  7. Os fdap, os Frasquilhos (idiotas), as Manelas (que já não dão leite), os economistas de pacotilha que iam armados em sabichões à tv cagar postas de pescada, andaram um ror de tempo a dizer que a política do Sócrates estava errada, só aumentava o desemprego, a dívida, não desenvolvia a economia, e agora acabam por ir muito mais além, fazendo muito pior que o PS. Eu pensava que eles tinham alguma solução (o trafulha do Portas incluído) mas afinal era tudo fogo de vista. Ao fim de 2 meses está mais que provado que o que eles queriam era ir ao pote. E foram com a ajuda do pcp, do be e do gajo de Boliqueime que ainda não explicou donde e como lhe vieram parar às mãos valores tão chorudos. Estamos em presença de gatunagem da pior espécie a começar nos amigos do dito de Boliqueime o Oliveira e Costa.
    Como neste país a justiça faz que anda estamos entregues à bicharada.

  8. Er,
    você ainda nâo teve tempo de se informar junto de quem de direito que o Relvas inventou seis milhões em facturas por pagar, escondidas numa sala? Num país decente aquele ministro já tinha sido demitido. Aqui, há gente como você que ainda nem sabe da odiosa calúnia urdida por Relvas!!!!!!Por onde ‘e que anda, homem? Esteve a banhos nas Caraíbas?

  9. Mário, melhores que em ditadura, mas com alguns sinais da tal suspensão da democracia. Não sei é se durará só seis meses…sem oposição, de facto, até pode durar mais.

    A alternativa da esperança: que caia por dentro, com o Portas e o Cavaco a retirar o tapete a esta chafurdice (como quem não teve nada a ver com o negócio).

  10. er, já foi investigado : http://www.ionline.pt/conteudo/146966-facturas-do-desporto-afinal-eram-apenas-40

    Agora, a menos que a definição tenha mudado no dicionário sem que eu tenha dado por isso, aquilo que o Sr Relvas afirmou chama-se mentira. Pura e dura. E não há desculpa que o safe.
    A menos que se tenha precipitado e não tenha sequer olhado para o que estava nos dossiers antes de lançar a calunia. O que é grave na mesma.

    Se tem dúvidas veja também este video e compare-o com a noticia acima : http://www.youtube.com/watch?v=-6maSJ6AEgg&feature=player_embedded

  11. tambem nao era isto que contribuia para o buraco nacional.. para isso já basta a madeira e a subsidiazação do banco falido bpn(falencia causada por orangemen) mas que a soluçaõ encontrada pelos rosemen de nacionalizar foi pior emenda que o soneto.Agora todos nós pagamos a factura desses desvarios

  12. oh terminação! és uma anedota em deduções selectivas, ficas pelos sonetos e omites a negociata da recompra pelos culpados da falência

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