Comentadores

Agora que o governo patina, dando um trambolhão a cada duas piruetas, tendo já perdido a nota artística, os comentadores televisivos do PSD entenderam já ser tempo de mandar às malvas o princípio de não atribuir culpas ao governo anterior e de recomeçarem os ataques, agora em retroactividade (inclusive ad hominem).

As frases preferidas são já conhecidas: “Sócrates levou o país à bancarrota!” e “O estado em que o governo anterior deixou o país”, ou ainda “A dívida astronómica que herdámos” (Marcelo, Mota Pinto, José Eduardo Martins são alguns dos que ouvi estes dias). A cada três frases, lá metem o estribilho. Se dúvidas houvesse, esta é mais uma prova de que as coisas não lhes correm de feição, pelo que abandonaram as luvas e regressam, com algum prazer, diga-se, à técnica mais rústica.
A esses charlatões tenho apenas a dizer o seguinte: o governo anterior tinha sido o primeiro em décadas a baixar o défice para 2,8% do PIB. A redução da dívida seguir-se-ia, a par da redução da despesa e do aumento da actividade económica, como aliás se estava a verificar. Ninguém no governo andou a enriquecer à pala do endividamento. A crise de 2008, que levou inúmeras empresas a fechar por falta de encomendas, lançando milhares de trabalhadores no desemprego, obrigou a aumentar a dívida pública, sim senhor, e o défice, pois claro, como aliás em todos os países europeus, devido ao reforço dos apoios sociais e aos estímulos às empresas (lembram-se ou não?). A Parque Escolar foi mais uma das iniciativas para dinamizar a economia, com benefícios óbvios para os cidadãos.
Esta é a primeira parte.
Na segunda parte entram vocês, os grandes responsáveis pela espiral que nos levou ao precipício: Finais de 2009, eleições. Por razões que se prenderam com o desemprego e sobretudo as sucessivas campanhas de intoxicação da opinião pública, as calúnias e os ataques de carácter por vós perpetrados, Sócrates não obteve maioria absoluta. Para o exterior, a falta de uma maioria e de acordo político transmitia sinais de instabilidade. Juros começaram a subir perigosamente. O PSD, já com Passos e Relvas, salivava a cada subida (era, porém, preciso esperar até o Cavaco ser eleito). Na Assembleia, confirmavam-se os receios de instabilidade: todas as medidas de contenção da despesa – em matérias tão distintas como o ensino (carreira docente), as transferências para a Madeira, o aumento do IVA para produtos não essenciais como os refrigerantes e o leite achocolatado, etc., etc., etc. – contaram sistematicamente com obstáculos quando não mesmo com o bloqueio de vossas mercês e dos comparsas da extrema esquerda. Ainda este ano, o vosso avô amigo apregoava que “havia limites para o que o comum dos cidadãos pode suportar”. E agora têm a distinta lata de andar a dizer que o anterior governo não quis cortar nas despesas e que deixou descontrolar a dívida? Pois o certo é que, apesar da guerra movida, a despesa estava mesmo a baixar consideravelmente no primeiro semestre deste ano! A partir de agora é tudo a piorar!
Basta de mentiras. Afinal não foi o vosso ministro Gaspar que reconheceu, há dias, em entrevista, que o grosso dos cortes na despesa constava do orçamento de 2011? O exasperante disto tudo não é o Gaspar, pobre diabo – tem a sua visão do mundo a partir de bibliotecas e de uma poltrona dourada, que esperará por ele – é os jornalistas no estúdio nem ousarem interromper com o óbvio quem tão javardamente assim fala.

23 thoughts on “Comentadores”

  1. Vai ser muito interessante a sua entrevista esta noite. Veremos o que revela das suas capacidades, e incapacidades, perante o crescente aquecimento à sua volta e em tão pouco tempo.

  2. Ainda ontem na RTPN esse javardolas do Carlos Trambolho Amorim lá vinha com a lenga-lenga de que a situação se devia não só à crise internacional mas especialmente ao Sócrates. Enfim, agora já há crise internacional coisa que não existia antes. Este c* de merda já não haje como no tempo em que o PPD estava na oposição no programa direto ao assunto. Agora ao ouvir os outros vai torcendo o nariz, dá uns tiques com os olhos, um sorriso amarelo e pouco convicto. Depois quando chega a sua vez de falar como não tem argumentos para rebater vai dizendo que a culpa é do Sócrates. Estes gajos queriam era enrabados e enviados para o Tarrafal fazer uma cura de emagrecimento e também para lhes fritarem os miolos se ainda os tiverem.

  3. se os reis tiveram todos direito a cognome, eu também quero baptizar esse – que por habitar a tal poltrona dourada se tem como rei. reizinho, vá. :-)

    fica então: reizinho Gaspar I, o Esticadinho. que tal, Penélope? :-)

  4. Vamos ver se a Clara vai clarificar as perguntas. Eu gostaria que o “perguntador-mor” fosse o anafado, e flatulente ex-blasfemo, Carlos Abreu Amorim. Seria um deleite, ouvir as suas perguntas em forma de “boomerang”, ou seja, de forma a obter a resposta desejada (pelo CAAmorim).

  5. É pá isso não é uma notícia, é um bocado de porcaria tirado da sarjeta. É do mesmo da carta anónima de Alcochete aliás escrita em Marisol…

  6. Bom, confesso que estavapara que, se fosse a CLara de Sousa, fazia zapping logo de seguida, (é boa rapariga,mas não percebe muito de economia e o Gaspar é demasiado esquivo). Afinal, o entrevistador,apesar de ter deixado passar algumas flagrantes, espremeu-o bem espremidinho. O problema é que não saiu sumo nenhum.

    Entretanto, continua a contestação no PSD: além do Graça Moura, Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Marques Mendes, juntou-se ainda o Rui Rio e o Morais Sarmento.

    O proprio aliado CDS começa a lançar vestígios de demarcação. Qual é mesmo a base de apoio deste governo, que já me esqueci?

    Aliás, da entrevista do Gaspar, saiu claro, que ele parte do pressuposto que já não vai estar cá (ele os outros, provavelmente), para justificar porque é que não se chegou aos maravilhosos 0,5% de défice em 2015.

    Única parte realista das suas respostas.

  7. “A Parque Escolar foi mais uma das iniciativas para dinamizar a economia, com benefícios óbvios para os cidadãos.”

    E também benefícios para dinamizar muitos cidadãos óbvios.

  8. Dédé, se, para ti, qualquer obra que se faça implica corrupção, sendo o seu objectivo apenas encher os bolsos de alguns gananciosos e oportunistas, o teu comentário justifica-se. Mas também, se entendes que uma empresa, qualquer empresa, faz um contrato para prestar gratuitamente um serviço à comunidade, talvez seja melhor mudares de sociedade.

  9. Desculpa, Sinhã. Não, o problema é que não lhe vejo o mínimo perfil de rei, nem de reizinho. Este senhor foi incumbido de uma missão – cortar – e fá-lo como tecnicamente estudou, aproveitando para aplicar mais umas páginas da teoria a ver se dá. Se não der, não terá pena, foi mais uma teoria que não provou estar correcta na prática.
    Os teus comentários são sempre bem-vindos.

  10. oh, então não vês que é o rei dos esticadinhos: a tua paciência, como a do povo, não está a dar provas de ser esticada, esticada, correndo o sério risco de apanhar estrias de impostos? :-)

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