Nunca se tinha visto, um Primeiro-Ministro incendiário

Passos Coelho deixou ainda um aviso a «quem se entusiasme muito com as redes sociais e com o que vêem lá fora esperando trazer o tumulto para as ruas de Portugal», muito embora tenha lembrando a existência de direitos da população.

«Em Portugal, há direito de manifestação e à greve, direitos que estão consagrados na Constituição e que têm merecido o consenso alargado em Portugal. Não confundiremos o exercício dessas liberdades com os que pensam que podem incendiar as ruas e ajudar a queimar Portugal», concluiu.

Fonte

__

Estas declarações são alarmantes. Alarmantes porque têm sido repetidas em diferentes ocasiões e o Governo tem apenas 10 semanas, estabelecendo um padrão. Alarmantes porque revelam uma surpreendente fobia e fragilidade no exercício da autoridade do Estado. Alarmantes porque o seu efeito é exactamente o oposto do aparente sentido da mensagem. Alarmantes porque foram proferidas pelo Primeiro-Ministro, assim escalando a sua importância e atrofiando a autoridade do Ministro da Administração Interna e seus Secretários. Alarmantes porque causam alarme social. Alarmantes porque Passos tem mais de 20 anos de actividade política constante, não podendo reclamar inexperiência.

Tirando a forte hipótese de estarmos perante mais uma prova da incompetência do indivíduo e de quem o aconselha, como vimos ao longo do processo que levou à crise política e durante a campanha eleitoral, a única explicação lógica para se estar a despejar gasolina na rua é a de que tais convulsões sejam desejadas pelo Governo. De facto, tal permitiria assustar o eleitorado da direita, oferecendo um inimigo comum que amansaria a ala Cavaquista e promoveria a unidade à volta do Governo. Nada como uns 20 ou 30 taralhoucos a partir montras na Baixa para o Governo ficar com um escudo protector para as suas políticas.

É de esperar que os imbecis mordam o isco. Eles têm sido de uma fidelidade canina aos propósitos e estratégias desta miserável direita, até entrariam em ressaca se não pudessem continuar a ajudar os seus aliados.

17 thoughts on “Nunca se tinha visto, um Primeiro-Ministro incendiário”

  1. Viu as barbas dos vizinhos a arder e agora está assustado, mas o melhor seria rapar as dele. Se não as tem, pergunte ao Catroga o que é que deve rapar.

  2. quando o assunto bpn estiver completamente neutralizado o cavaco trata-lhe da tosse, até lá a santa aliança contínua a fazer oposição ao governo e o seguro à espera de morrer de velho. um presidente, um governo e uma oposição, cavaco fez o pleno.

  3. Talvez o pc e o be caiam nessa. Aliás nunca se viram tão grandes aliados da direita.
    E não é difícil. Há sempre uns “bombistas” de serviço prontos a atear o fogo.
    esperem pela pancada. O Passinhos mansos bem os estás a alertar.

  4. “Incendiar as ruas e ajudar a queimar” o país dele, pois, isso é traulitada psicológica que ele aprendeu com os seus amigos da Nato, e não apenas ele. A táctica é imputar aos adversários a intenção de crimes por eles cometidos em barda no passado, e no forno para o futuro, que esta doença de querer ganhar não importa como não se cura com xaropes.

    http://www.youtube.com/watch?v=Q11R56Y0Dx4

  5. No meu cantinho sempre lhe chamei «passos perdidos», desde sempre e para sempre. Tudo nele é tempo perdido. Continuarei a chamar, haja o que houver mas não vou partir montras. Trabalho desde os 15 anos e com os meus descontos desde Setembro de 1966 este País já é mais meu do que dele.

  6. O Passos Coelho acordou inspirado, primeiro foram estas espantosas declarações e de seguida o não menos espantoso anúncio do ‘princípio do fim da crise’ já para 2012. Curiosamente, ao lado desta notícia, que li no Público, está outra onde se lê que a directora-geral do FMI adverte para a iminência de uma nova recessão da economia mundial. Não sei se o primeiro-ministro está a contar com este dado para as suas previsões, o que sei é que noutros tempos o seu parceiro de governo, Paulo Portas, por muito menos, acusava outros de viverem na estratosfera. Se calhar, agora dá um desconto porque o ruído do afiar de facas na ala Cavaquista pode desorientar qualquer um e levar a que se produzam afirmações mirabolantes como estas. É que, como eles bem sabem, aquela gente não é para brincadeiras e depois da provocação do Passos Coelho, do ter ido para a Alemanha contrariar o Cavaco na questão do limite da dívida, é de esperar o habitual vale tudo. Para já soltou os cães, e depois logo se vê. Passados todos estes anos, uma coisa sabemos de Cavaco: ele não tolera quem o contraria.

  7. E eu nunca tinha ouvido um presidente da republica de Portugal falar de “uma década perdida”, entendendo como perdas e ganhos de toda uma nação, o deve e o haver contabilistico. Tudo o resto, pura inutilidade!!!
    A isto chegamos e ninguém se escandalizou. Nem o Valupi.

  8. E ainda tive de ouvir, há poucos minutos, o palavroso comentador, verdadeiro vendedor da banha da cobra, Marcelo-TVI, enaltecer a obra do Alberto João. Dizia ele que era só comparar o que era a Madeira de antes de Alberto, com a Madeira de Hoje! E aquela nulidade de jornalista que estava lá na sua frente, como jarra de enfeite, nâo foi capaz de lhe dizer para comparar Portugal de há trinta anos com o Portugal de hoje, apesar da turbulência gerada por uma sucessâo de governantes!
    A gente assiste a estas enormidades e ninguém se indigna. Nem o Valupi.
    Até quando estes jornalistas indigentes abusarâo da nossa paciência? Sim, porque o programa é deles e porque eles é que dão voz aos marcelos.

  9. Estou como o Manuel Pinho: Isto vai acabar mal; resta saber quando e para quem, além dos que já têm o destino traçado com três meses de governação PSD/CDS (refiro-me aos pagantes do costume).

    O mesmo faz uma comparação interessante: enquanto noutro lado do atlântico, o Madoff leva 150 anos de prisão, a mulher e filha mudam de nome , e o filho se suicida, aqui, os responsáveis pelo maior buraco financeiro – BPN – de que há memória ficam impunes. E eu ate acrescento, não só impunes, como recompensados, veja-se atentamente as nomeações para a gestão da CGD…

    Quem lá tiver dinheiro é melhor começar a precaver-se, sobretudo antes da privatização. Aliás, parte da alienação já foi acoradada com o Amorim. Como alguém já aqui informou:”Amorim fez deslocar para lá um dos seus peões, António Nogueira Leite, depois de igualmente ter garantido que a CGD seria obrigada a alienar a posição que detém na área seguradora e na saúde, precisamente a área que Nogueira Leite administrava no grupo Amorim.”

    Ring a bell?

    E, claro, depois, disto ,tenho de acabar sempre com os vampiros…

    http://www.youtube.com/watch?v=ZUEeBhhuUos

  10. … e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.

    José Saramago (Cadernos de Lanzarote – Diário III – pag. 148)

  11. Mário,

    para além de alguns deles sofrerem de evidente deficit intelectual, há que contar com o facto de os “Marcelos” depois lhes retribuirem com cargos… Só do DN foram seis, fora o resto. o José Eduardo Moniz tem como prémio programa autónomo sem limites de orçamento na RTP, e por aí. Já não há jornalismo em Portugal. Já foi…Há mercenários da informação. A espécie proliferou bastante na era socrática.

  12. Speachless!
    Finalmente o Kalamita-mos conseguiu cortar-me o pio.
    Agarrei no computas danadinho para a brincadeira e, de repente, esbarro numa posta que me deixa embasbacado. Talvez seja bipolar…, Graçádeus mérrmão!
    Enquanto me recomponho deste choque inesperado, deixo-vos um exemplo do que o Coelho deve estar prestes a sacar da cartola:

    http://www.youtube.com/watch?v=St1-WTc1kow&feature=youtube_gdata_player

    Há mais exemplos na Web desta nova moda global, pesquisem e divulguem, sff.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.