Vinte Linhas 659

Isso foi na Jardia ou no Alto Estanqueiro

As nossas memórias são assim: «coisas desencadeadas» como dizia o grande escritor Carlos de Oliveira.

A propósito de uma nota de leitura publicada no Aspirina B surgiram alguns comentários de pessoas que conheciam muito bem a geografia dos trabalhadores rurais chamados «caramelos» referidos no livro do professor Orlando Ribeiro.

Entrei para a Escola Primária do Montijo em Outubro de 1958, perto do Bairro dos Pescadores. Ali os alunos eram divididos em «bons», «assim-assim» e «burros». Todas as sextas feiras o professor promovia ou despromovia os rapazes conforme a sua prestação semanal. Como já sabia ler e escrever, entrei logo para a fila dos «bons» e lá fiquei. Como nasci em Fevereiro de 1951 foi por uma birra da delegação escolar que só entrei em Outubro de 58 quando deveria ter entrado em Outubro de 57. Resolveu-se o problema em Abril e Julho de 1961 quando, por despacho superior, fiz os exames da terceira e da quarta nas Caldas da Rainha.

Desse tempo do Montijo recordo uma cena muito violenta. Não tenho a certeza se foi na Jardia ou no Alto Estanqueiro mas, num certo Domingo à tarde, lembro-me bem de ter ajudado a preparar o altar para a celebração da missa dominical numa Escola Primária. Um dos jovens padres coadjutores do pároco do Montijo (ao tempo o padre Manuel) contou as pessoas e decidiu não celebrar a liturgia pois, segundo as leis canónicas, deviam estar presentes pessoas num certo e determinado número.

Ainda hoje recordo as lágrimas das pessoas que ficaram a rezar o terço na Escola Primária nessa tarde de Domingo entre o nevoeiro e a chuva miúda.

17 thoughts on “Vinte Linhas 659”

  1. Tadinho! Como tu és sensível, pá! Certamente que um padre ido propositadamente dar missa numa escola primária, se depara com meia dúzia de crentes, não está para perder tempo. A missa sem falhas é na igreja. Quanto ao título, meu, é mesmo de bradar aos céus. Atão não podias ter escrito «Não sei se foi na Jardia ou no Alto Estanqueiro»? Agora nesse péssimo português: «Isso foi na Jardia ou no Alto Estanqueiro»??? «Isso», «Isso» o quê??? Horrível, pá, absolutamente horrível e incrível como consegues escrever tão mal! E vê se esqueces as datas, pá, as datas dão-te cabo do miolo. Do teu e do nosso. É a tal coisa, começas o texto de uma maneira, desorientaste e acabas a falar de outra coisa completamente diferente. Pá, vai dormir, descansa a mona. Espremes, espremes e já não deitas uma frase que se aproveite. E agora postas logo depois da meia-noite para o texto de manhã ser o primeiro a ser lido frequinho que nem uma alface. Bates o Valupi aos pontos. Bom e já começaste a gabar os teus dotes de menino-prodígio: «(…) entrei logo para a fila dos bons e lá fiquei». Era bom, era, que lá tivesses ficado…

  2. Olha lá, «a missa dominical» não costuma ser de manhã? Atão como é que «ainda te recordas das lágrimas das pessoas que ficaram a rezar o terço na Escola Primária nessa tarde de domingo ENTRE o nevoeiro e a chuva miúda»??? Isto sugere-me que a missa devia ser no recreio da escola, não? E fico espantado com as pessoas. Eram choronas, é o que é. Em vez de se zangarem com o padre, desataram todas a chorar! E tu lembraste bem «dessa cena muito violenta», meu!!! Ainda pensei que tivessem batido no padre, enfim, entendia-se, agora recordares as lágrimas das pessoas enquanto rezavam o terço, olha que só mesmo tu, pá!!! Uma pergunta: por acaso és pescador? Esses é que costumam inventar… Não sei bem se os caçadores também… Mas não faz mal se não fores, porque mentes mais que um pescador e um caçador juntos. Tralmente, escreves este género de textos para mostrar a tua capacidade de improviso tipo prosa/poética. Não te cuides, não, que cada vez escreves pior e de um modo que ninguém entende. Já te disse e repito: não te trates, não…

    E olha o teu estilo: segundo parágrafo, terceira linha: «COMO já sabia ler…»
    Segundo parágrafo, quarta linha: «COMO nasci em Fevereiro…».
    E apontas tu defeitos aos outros! Meu amigo, «não atires pedras, porque não ficas sem resposta»!!!

  3. oh enchedor de xóriços! o segundo paragrafo, dos caramelos, vêm a propósito do primeiro, mas não faz sentido com os restantes, que por sua vez também estão de acordo com o primeiro. confuso? não, apenas coisas desencandeadas, como dizeria oliveira, o grande escritor carlos. lembro-me desse episódio da birra do director escolar, veio nos jornais e até interromperam a visita da isabel ii à d. leonor pra dar na tv, esse gajo era um valente cabrão e mais tarde foi saneado por um puto que teve o mesmo problema, portantes fica descansado que já tás vingado. o coadjutor do pároco do montijo tem sido mais dificil de localizar, parece ter sido visto em bani walid na companhia da maddie, mas não passa de rumores. agora vou rezar o 1/3 antes que o nevoeiro evapore e a molha tolos perca o quórum.

  4. “…por despacho superior, fiz os exames da terceira e da quarta nas Caldas da Rainha”

    tanta superioridade, só acredito depois de ver o diploma. foi silva cunha do paizinho que era motorista do estado novo.

  5. Pois, amigo Zé, há dias piores que hoje. Houve ontem, por exemplo, dia de Santo André dos Insultos com procissão de pálio mas pouco sol. Você reparou naquele estilo de Vergílio de Taberna, a largar bafo de medronheira de matar querubins com falta de ar à distância de 100 metros?

    Eu reparei. Olhe: O autor do comentário xóriceiro põe o carro a trabalhar e vai logo directo do ponto morto à terceira epiléptica pondo carimbos e cuspinhos no meu excelente amigo em letra gorda e tinta preta, coisas demolidoras de Mimi-didacta fora de si e apelida-o de quê, para começar? De Chéché, nojento, vómito, mal-formado, asneirento, gralhento ou gralhoso. Depois desse descarregamento de candonga regateirona não sujeita a IVA, afrouxa, pensa ele que satisfeito, a afagar a área pléxica da barriguita no sentido dos ponteiros do relógio e desmultiplica para neurose calma, provavelmente devido a desgastura no estômago e concorda consigo próprio, uma probabilidade constante, que o melhor se calhar é ir meter gasolina e comprar um pacote de amendoins para restaurar o HP. Faz isso e volta ao pópó, lerdo mas aliviado. Rói não rói, guia não guia, sente-se melhor, aproveita a paragem forçada nos primeiros semáforos que lhe aparecem pela frente da testa de caldeiro, e constrói esta extraordinária declaração baseada nos estatutos do direito do Homem de Letras Ofendido que não passa um mezinho sequer sem comprar um livrito da Assírio e Babilónica que o ensina a dispensar dicionários e enciclopédias na labuta diária para permanecer culto, instruído e muito musculoso nas bolas dos joelhos : “para usar a tua linguagem” diz-lhe ele, como se já a não tivesse usado antes, cheio de macaca agressiva em tempo de paz, “és um sacana da pior espécie… e um nabo”. É preciso não esquecer isto porque o André deve ser vegetariano de certeza e forneceu sem querer, com essa menção do vegetal favorito em certas sopas, uma pista ou rasto, como o melão que já foi comido e cagado mas deixa a cabeleira a exausta no terreno.

    Mas não se fica por aí, o palroso do André. Depois de mais uma manchinha de alcagoitas que amanda ao ar e engole sem perder uma (mais perfeito que isto só macaco), André prossegue no estilo destilado nos últimos anos, diz ele, do estilo do meu amigo Zé quando está zangado todos os dias: “ És um verme mal-cheiroso, um monte de merda, um desgraçado que se não fossem os comentadores como eu e outros não tinhas ninguém a comentar os teus posts”. Uma desgraça de maneiras é o que é, André. Uma tentativa de derramar insulto em nome duma aldeia, porventura em demanda do reconhecimento de estatuto de super-malcriado ferrinoso no Guiness dos Recordes.

    Pretendo chegar ao seguinte, amigo Zé. Come-se, diga-se a verdade, o que o André lhe disse hoje a propósito de missa e “isso”, xóriço e aqueloutro. E até se pode aceitar que um comentário como o de ontem é completamente justificado, mas só em certas situações e sujeito a medidas de segurança para evitar que a coisa vá aos ouvidos da mídia e cause escândalo académico entre os nabos na porca púcara das notícias. Uma das situações que me lembro na qual é perfeitamente admissível desculpar-se um comentário “extraordinário” na linguagem suja proveniente de cus universitários em época de defeso é a do parto não-natural em homens de letras, em que as dores são susceptíveis de causarem gritos de palavras feias de acusação e insulto barato, mas mesmo assim só será de aceitar pelos eleitores se os parteiros não estiverem a utilizar os ferros com a perícia que se exige de profissionais da arte extractiva. Enfim e acabando: penso que é tempo de o André começar a pensar sèriamente nos benefícios duma oclusão voluntária das “Trampas” de Fallopio, aquilo que por coincidência também se faz, mas mais rapidamente, aos chouriços do Montijo antes de os meterem em sacos ou latas, e que também é muito bom para reduzir a frequência do traque vaginal involuntário e depressões nervosas em dias de lua cheia. Haveria pelo menos duas caixas a ganhar com isso, uma delas é esta, nossa muito querida, e a outra é a da Previdência da história antiga.

  6. Caro Kalimatanos – tudo isto a propósito dos caramelos da Rua do Norte no Montijo, o Ti Jaquim que tinha força como um catrapil…

  7. Chouriços do Montijo desse tempo eram dois – do Izidoro e do Frescata, o rei das conservas em lata! Caro Kalimatanos – as saudades que eu tenho do Zeca Diabo. Isto que aqui aparece é muito mau…

  8. Não há um post deste caramelo em que não se gabe de qualquer coisa. Hoje foi o exame conjunto da terceira e quarta classes. Gostei também do “despacho superior”, a sugerir que a reputação do marmelo já chegara a Lisboa.

  9. que coisa isso de dividir e rotular os miúdos como se faz com as garrafas. quem eram os burros – os que passavam parte da aula a olhar os pássaros livres por fora das janelas?

    e esses tais burros, também assim eram engarrafados no recreio? :-)

  10. Não Sinhã, éramos todos amigos e brincávamos todos juntos no recreio. Só o professor e os sapatos nos separavam. Quanto ao parvalhão que finge não perceber esta de fazer a 3ª e a 4ª classe no mesmo ano por despacho ministerial devido a um erro administrativo do qual eu não podia sair prejudicado – só com um pano encharcado. Vai morrer longe parvo!

  11. V. Kalimatanos, parabéns, pá! Bom texto, bem escrito, escorreito! Assim escrevesse o «poeta»… Da minha parte só recebia elogios, podes crer. Até tive uma ideia: porque é que não te propões ao Valupi e passas a ocupar o lugar do da Benedita? Ficávamos todos a ganhar.

    Também não sei se reparaste, mas o «poeta» não esteve à altura de comentar o teu texto. Se calhar, nem o leu. Digo-te mais, se o leu, não o percebeu. Se não, repara: falas-lhe de forma erudita e ele responde-te que «os chouriços do Montijo desse tempo eram dois – do Izidoro e do Frescata, o rei das conservas em lata!»????
    Foi mesmo dar pérolas a porcos… Desculpa lá a linguagem, mas às vezes lembro-me da língua afiada do da Benedita e foge-me o pé prá chinela.

    Já agora, que me dizes tu do tipo fazer «a 3ª e a 4ª classe no mesmo ano por despacho ministerial»? Passou-te a referência, foi? Acontece, pá, acontece. E escreve, pá, não deixes de escrever os teus posts aqui na caixa dos comentadores. Estou sempre pronto para ler aquilo que tem cólidade. Continua, que o teu futuro na literatura está garantido. Ou eu não me chame André!

  12. Ó pá na Benedita é só para te cortarem os cornos, é a terra do embolador. Eu sou de Santa Catarina, és um paranóico!

  13. oh metanos! se traduzires isso pra soneto ainda encaixas na errata do transporte sentimental do carpinteiro da benedita. é só limpar umas rebarbas com a enxó.

  14. A missa dominical não tem horas, pode ser até à meia noite. Só mesmo um maluco ignorante pode fazer essa pergunta.A missa era às 3 da tarde; uma vez na Jardia outra no Alto Estanqueiro mas era no Domingo.

  15. isso era antigamente, a missa do galo foi antecipada para as 22h00 e é celebrada com caldos knorr. devias andar a distribuir avantes no sítio errado para saber de cor os horários das missas.

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