Vinte Linhas 657

A Big Band da Nazaré em São Pedro de Alcântara

Dirigida por Adelino Mota, a Orquestra de Jazz da Nazaré (fundada em 1999) tocou ontem (1-9-2011) às 19 horas no Jardim de São Pedro de Alcântara em frente à minha casa – ou quase. Moro a 50 metros e o som chega lá muito bem. Charles Mingus e Wayne Shorter são alguns dos clássicos interpretados durante mais de uma hora pelos músicos Vítor Guerreiro, Margarida Louro, Luís Guerreiro, André Venâncio, Reinold Vrielink, Élio Fróis, Luís Pires, Fábio Matias, Joaquim Pequicho, João Capinha, Nuno Mendes, Wilson Ferreira, Pedro Morais, Gonçalo Justino, Ricardo Caldeira, Tiago Lopes, Bruno Monteiro e (por fim, sem esquecer) a excelente voz de Júla Valentim.

Para além do usufruto das melodias e das canções, dos arranjos e dos improvisos de vários intérpretes, ficou no meu olhar uma outra memória sobreposta. Que será a memória da Nazaré dos meus tempos de criança: os círios que eu ia ver com o meu avô, as imagens de Dom Fuas Roupinho em todas as casas, o circo que muitos de nós só vimos na Nazaré e, por fim, a tourada das festas anuais. Sem esquecer as mulheres que iam vender peixe à minha terra e se abrigavam da chuva na adega e a quem a senhô Maria (como elas diziam) dava uma pinguinha de café. Aquele café forte que ao subir na cafeteira é parado com uma brasa grande que o faz descer de imediato. Neste momento chove. Por um estranho fenómeno de meteorologia chove em Lisboa, frente ao miradouro de São Pedro de Alcântara como chovia na minha infância muito perto da Nazaré nesse tempo dos anos 50. Regresso à minha infância pelo puro som da Orquestra, pelo olhar e pela voz das mulheres no palco, um mergulho na memória dum certo tempo português – entre círios, foguetes, arlequins e procissões.

29 thoughts on “Vinte Linhas 657”

  1. Sorte sua, poeta, ir-lhe ter a casa, a música .
    Ainda dizem que há crise !
    Não diga mal do seu Bairro.
    Jnascimento

  2. Este gajo tem sorte como ó caraças. Teria pago alguma coisa ao António Costa para ter a música mesmo ali por baixo da sua varanda? Ouvir uma orquestra sem sair de casa é obra. Eu que tenho um filho que toca saxofone numa banda de jazz se o quero ouvir tocar tenho que me deslocar e pagar bilhete.
    Isto é que devia ser tachado pelo Gaspar. A não ser que o sujeito seja asilado na Santa Casa da Misericórdia e aí já pode ver e ouvir um concerto em S. Pedro de Alcântara até sem se levantar da cama.

  3. Peço desculpa a todos – falhou a referência ao autor do desenho que é Abílio Mattos e Silva. Quanto à Santa Casa tu Adolfo espera pela pancada – com o Santana lá, ela vai rapidamente deixar de ser «Santa».

  4. desta vez não te queixas de terem mijado os pneus do citron, se calhar o maestro é compincha da teta cultural autárquica e dos doutoramentos honório da casa. raio de ideia ilustrar uma banda de jazz com 3 peixeiras que o abílio copiou do lino e a evocação das memórias folclóricas de infância com jazz, temos artista de fusão em substrato de abécula.

  5. “A propósito do Charles Mingus, deixa cá falar do D. Fuas Roupinho”

    Desculpa lá, mas tu és um malabarista de primeira. Como é que passas assim do jazz para a Nazaré? É que dizer que chovia na Nazaré quando eras menino e agora também chove não faz sentido nenhum.

    Por mais gosto que eu tenha em ler certas coisas tuas, isto é hilariante, ó camarada.

  6. JCF:
    É uma sorte ter à nossa porta, na nossa terra, manifestações de cultura. Quer suportada pela Câmara Municipal, Junta de Freguesia ou qualquer outra entidade a nós consumidores o que nos interessa são esses sons agradáveis que nos é transportada através do ar para os nossos ouvidos. É um prazer quando se ouve.
    Ainda trago na memória o acompanhamento que fazia quando a Filarmónica da minha terra fazia os “ruados” como eles apelidavam, os grupos de Zés Pereiras, com as gaitas de foles, que som agradável a anunciar as festas percorrendo a freguesia. Quando iam tocar à Juiz/a da festa e nós putos a acompanhava-mos e ruídos de inveja quando víamos um qualquer puto que fazia parte da Filarmónica.
    O instrumento que mais admirava e se tivesse aptidões era a Caixa. Quando numa procissão e ao toque de uma marcha ouvia só o som da Caixa ficava abismado com a descontracção do seu executante ao ser só ele que se fazia ouvir! Dizia para comigo: – gostava de ser eu a fazer aquele papel.
    Segui outros caminhos. Enveredei pelo futebol nos tempos livres e assim uma das minhas paixões foi-se à vida. Não podia servir dois senhores ao mesmo tempo. Por isso hoje quando ouço alguma banda ou grupo lá me vem à memória a minha meninice e aspiração.
    Somos uma terra, hoje cidade, com cerca de dez mil habitantes, mas se fosse dado o titulo pelo que se faz pela cultura, julgo que éramos a Capital do País. Há cidades que a cultura é fomentada pelas autarquias. Aqui em Freamunde é sempre um grupo de carolas que nos tempos livres se dedicam a administrar, a ensaiar, a executar, pondo de parte o tempo que muitas vezes seria dedicado à família. Depois dá-nos gozo apresentar produto made in Freamunde.
    Envio um vídeo da Big Band Pedaços de Nós. O Maestro e os músicos fazem-no nos tempos livres, a maioria deles são professores de música ou músicos em orquestras. Mas, quando há amor à terra que os criou tudo o que se possa fazer por ela é pouco.
    Bendita terra que gerou assim uns filhos. Benditos filhos que põem de parte tudo para elevar a sua terra.
    Por isso é que alguns se roem de inveja.

  7. o rancho folclórico da nazaré foi cantar as setembreiras ao princípe real, sua alteza sereníssima dr. josé do carmo francisco, bardina & versejador em língua portuguesa recomendado pelo prato de coelho com ervilhas.

  8. “Bendita terra que gerou assim uns filhos. Benditos filhos que põem de parte tudo para elevar a sua terra.”

    oh pacheco! falta um “e” em benedita

  9. Oh francisco até que enfim me alegras. Gostei dessa do Santana. Felizmente já trabalhei na Santa Casa mas foi há muito tempo e já me livrei desse putanheiro.
    Aliás também me esqueci de dizer que dormi muitas noites no Palácio do Ludovice (não foi na comissão de censura, não!, como estás a pensar) e nunca tive a sorte de ouvir uma orquestra de jazz. Quando muito ouvia as prostitutas ali perto da tabacaria do Carneiro.

  10. Não Sinhã, elas não levavam nada disso. Elas levavam era num sítio que eu cá sei mas agora não digo, mas tu sabes, olá se sabes. Tens mais buracos que um assador.

  11. pois tenho: tenho buracos cinza, vários. e o buraco negro, o meu, está muito longe de algum dia se abrir – ao contrário, certamente, do teu que há-de já ter nascido aberto. :-)

    mas podes dizer onde é que elas levavam, já que mostraste tanta prontidão de orangotango de sumatra. :-)

  12. Obrigado Amigo Pacheco pelo excelente vídeo da Big Band de Freamunde (foi assim que percebi) mas isto as conversas são como as cerejas… Este senhor Carneiro que o «Adolfo» refere como tendo uma papelaria perto do Palácio Luduvice foi meu colega e do escritor Dinis Machado na ADEBA – Associação de Defesa do Bairro Alto. A filha do senhor Carneiro foi monitora no colégio onde esteve o meu filho na pré-primária. Somos todos primos…

  13. tu eras o presidente da adega, o mcshade escriba, carneiro arrebanhava as putas e a filha fazia de televisão para o teu filho, parece confuso mas é assim que o prosopoeta doutorado pelo município de almada e nado na benedita interpreta o freakmunde soul gentilmente cedido pelo pacheco. mais um exercício de cabotinagem para não perder o terino.

  14. Bom, como o dia parece que estava chuvoso – nada bom para concertos ao ar livre, portanto – , livrámo-nos da revolta do «poeta» sobre o pó levantado pelas alterações no Jardim do Príncipe Real. Comia-se pó, as pessoas com alergias terão piorado, por aí fora. Só queixas, posts a fio. Agora, calou-se. Nada mau! E saiu-se tão bem o comuna da Benedita naquela tirada genial sobre o Santana! Deve estar à espera de um louvor do Partido! Só não sei se ele ouviu o concerto da janela ou se esteve no jardim. Como de costume, trata-se dum texto que não se entende…

  15. Sinhã estou a puxar-te pela língua e parece que és capaz de ir longe com ela; claro, que quando refiro ir longe estou a falar de conversação, nada de segundas intenções, já que a língua serve para muitas outras coisas, como sabes.
    Mas agora é tarde, estou cansado e tenho que responder ao sr. francisco a respeito do Carneiro. Afinal este mundo não passa duma aldeia onde toda a gente se conhece. Foi para aí em 1962 que conheci o sr. Carneiro. Como disse, trabalhei em frente na Santa Casa e ao lado no Palácio do Ludovice. Tenho uma ideia de o sr. Carneiro que nesse tempo já era um opositor de Salazar ir ao nosso serviço, de vez em quando, passar uns bocados a cavaquear e a discutir política já que o meu chefe era situacionista.
    Depois rumei para outras paragens e deixei de frequentar aquela zona que conhecia como as minhas mãos.

  16. Já viu, amigo Adolfo, como o animal não pára de investir com aquela da Benedita, o brutamontes. Nada lhe basta. Está a precisar de um embolador que lhe acerte as pontas.

  17. eu continuo sem saber, Zézinho, se elas – tal como na pintura – levavam as soquinhas pretas de verniz e as meias calças branquinhas sem pés. se perguntei é porque quero saber. :-)

  18. Sinhã tu achas que eu podia saber a cor das cuecas de todas as prostitutas que passavam e passam diariamente no Bairro Alto? Só de algumas, claro. Olha, por exemplo, na Eva (c., c. e broche), no nº. 2, 1º. andar, do Largo Trindade Coelho (era assim o nome não era?) eu tinha o privilégio de entrar para uma sala onde elas se vinham arranjar depois de servido o cliente. E aí sim elas mostravam tudo e mais alguma coisa quando se arranjavam ao espelho. Mas isso era para um número reduzido de clientes e também elas eram meia dúzia. A não ser que eu lhes perguntasse. E achas que elas me respondiam?
    Se eu te perguntar:
    – Sinhã qual é a cor e o modelo das tuas calcinhas?
    Tu vais responder? Se não vais é porque não as usas e andas com a “fruta” ao léu, será?.

  19. Sinhã, só agora respondo, estive fora. Esta imagem do professor Abílio Mattos e Silva que eu escolhi para ilustrar as minhas palavras nada tem a ver com a Big Band da Nazaré em si mas com as minhas memórias das pessoas da Nazaré. Elas quando iam vender peixe a casa da minha avó (senhõ Maria!) e lá guardavam as canastras não iam vestidas tão em rigor como aparece nos desenhos. Muitas delas estavam de luto carregado mas as mais novas usavam blusas de chita e saias de escocês ou castorina. Os homens usavam calças de surrobeco e barrete de lã preta. Chinelas de verniz (meninas) e botas escuras (rapazes) só em dias de festa.

  20. sim, Zézinho, era das peixeiras que eu queria saber. :-)

    eu gosto de ouvir contar histórias também do tempo antigo, assim como gostei de saber que o Adolfo fala do alto do carango com sífilis na alma. :-)

  21. Acertei-te em cheio, Sinhã?
    Foi sem querer e peço imensas desculpas. Mas acho que não te aleijei, pois não? Foi um bocadinho ao lado. Mas, olha, normalmente quem tudo quer saber, muitas vezes fica a chuchar no dedo. (acho que é no dedo que se diz, ou não? Já não sei.
    Olha! Chucha onde quiseres que a mim não me faz diferença. Não sou ciumento!
    Até sempre!

  22. Oh Sinhã, desculpa mas não tenho mais paciência. Se queres resolvemos isto doutra maneira. Dás-me o nº. da tua conta bancária e eu amanhã deposito lá 1 euro e cinquenta cêntimos. É bom, não é? É como os concursos do Malato que começam em 100.000 euros e acabam por dar 500.
    Eu deposito essa quantia e não falamos mais nisso. Tá bem!
    Ou queres continuar à cabeçada.

  23. está resolvido por natureza: como a embalagem do meu cérebro é frágil, mas só a embalagem, desdenho das cabeçadas. e como terás idade para ser meu pai, mas não és, só aceito dinheiro do meu.

    (de resto, não vás mais longe: fica já aqui) :-)

  24. Está bem, ficamos por aqui.
    Mas já agora, se não te importas, tens alguma coisa contra os velhos?
    Olha que às vezes os velhos (eu diria, usados) saem pior quer a encomenda.
    Em tempos, tive um amigo desses, a que chamas velho, que me dizia: “Quando a lixa é boa o fósforo acende sempre.”
    Não sei se ele tinha ouvido isto em qualquer lado se era por experiência própria.
    Uma coisa é certa: os “velhos” sabem muito mais que os novos.
    E quanto a mim ainda sou capaz de dar a volta ao quarteirão, embora, claro, mais devagar.
    Passa bem!

  25. absolutamente. como poderia ter alguma coisa contra as rugas do tempo e das histórias? só não aprecio gente, nova ou velha, ridícula. ou, pelo menos, que mostra não ser. :-)

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