Traquinices

Raispartam. Dizem que o Sócrates tem tantos contactos e move toda uma rede de influências e não foi capaz de convencer quem oferecesse um descaroçador de fruta à rapariga? Tinha-se poupado isto. Ah pois… não podia ser porque senão o bloco começava logo uma gritaria porque o governo estava a subtrair postos de trabalho. Ontem já não tive dúvidas que esta volta da escravatura protagonizada pelos arrastados só podia estar relacionada com os números do INE relativos ao PIB. Realmente o que é que se pode esperar da produtividade num país onde ainda se paga salário (digo eu) a alguém para tirar as grainhas da uva? Como a semana estava a chegar ao fim seria de esperar o sermão moralista do bloco. Ao responso juntaram a luta de classes como convém. No entanto, ninguém me tira da ideia que esta volta do esclavagismo está intimamente ligada com a tentativa de restauração da monarquia na capital. Vou esperar para ver.

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Não te engasgues com o caroço

A quem é que tu compravas um automóvel?

a)

Sou uma pessoa competitiva, odeio perder. Prefiro fazer batota.

Carolina Patrocínio 22 anos

b)

Este é filho do outro. Um pouco de pudor deveria refrear-lhe os instintos. Expele exactamente o mesmo estilo de flatulência política do papá. Não aprenderam nada. Não esqueceram nada. Estão bem em casa. Em família.

João Gonçalves 49 anos

c)

Sócrates tem uma visão retrógada e sovietizada, que não dá liberdade às pessoas, não confia nelas nem na iniciativa privada.

Aguiar-Branco 52 anos

d)

Acontece, no entanto, que voltou a convidar Joana Amaral Dias para cargos de Estado em troca de um eventual apoio, seja a chefiar um instituto público na área da Saúde, seja num qualquer lugar de Governo. Isto é uma vergonha, é a forma de governar em maioria absoluta, é pensar que o Estado é de um partido, mas não é. A democracia não permite traficâncias. Um partido que em vésperas de eleições anda a distribuir mordomias é um partido que não merece governar.

Louçã 52 anos

e)

José Sócrates é perigoso porque está muito discretamente a construir um estado policial. Esconde um projecto totalitário, reforçando os poderes da polícia e contentando o grande capital. As posições assumidas pelo Chefe de Governo são fascistas, mafiosas e têm intuitos ditatoriais.

Jardim 66 anos

f)

Os problemas nacionais são os que devem interessar a todos os portugueses, e eu pergunto: já nos esquecemos que não temos resposta para a questão do Eurojust? Como está essa questão? Como está o facto de termos uma pessoa que está a representar mal Portugal, que está a humilhar as instituições internacionais, que está acusada de uma forma grave de manipular o sistema de Justiça? Sobre isso calámo-nos todos, eu estou à espera da resposta e espero que os portugueses também estejam porque isto é que são as questões nacionais, vamos pôr as coisas no verdadeiro ponto em que devem estar. É isto que vai estar em causa nas próximas eleições.

Manela 69 anos

g)

Face às dúvidas instaladas, neste momento, na opinião pública, é importante que os responsáveis pela empresa expliquem aos portugueses o que está a acontecer entre a TVI e a PT. É uma questão de transparência. A transparência e a ética nos negócios são duas ilações importantes a tirar nestes tempos de crise.

Presidente da República 70 anos

h)

Entendo que fui nomeado conselheiro de Estado pelo senhor Presidente da República porque ele achava em mim qualidades.

Dias Loureiro 57 anos

Política da chungaria

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Suspeita-se do que está por detrás dos contratos dos contentores de Alcântara, suspeita-se do que está por detrás do financiamento dos computadores Magalhães, suspeita-se do que está por detrás da Fundação das Telecomunicações para as redes móveis, suspeita-se do que estaria por detrás do negócio da TVI, suspeita-se porque há alegadas pressões sobre magistrados no chamado ‘caso Freeport’ e que deu origem a processo disciplinar. Temos em Portugal um Governo sob suspeição e isto corrói as instituições e mina a autoridade do Estado.

Inesquecíveis palavras de Aguiar-Branco

O sonso

Cavaco Silva tem um perfil passivo-agressivo. Há vários sinais deste comportamento. Mas também podemos resumir tudo à sonsice. Como agora em Viseu. Disse que João Lobo Antunes é uma das figuras mais prestigiadas da medicina portuguesa e um cidadão com comportamento exemplar. Mas porquê dizer que a água é líquida? Para largar o veneno, acrescentando que a polémica à volta de Lobo Antunes é tema de campanha político-partidária. Ora, como o caso foi criado na Presidência da República, temos que Cavaco foi ao Cavaquistão confirmar que pretende atacar o Governo e o PS sem descanso. E que está metido até ao pescoço na campanha político-partidária; que tenta, por todos os meios, influenciar.

É, o cavaquismo não foi um acaso.

Amanhãs que se odeiam

A esquerda imbecil ― actualmente representada pelo PCP, BE e borboletas que saltam de um para o outro conforme o vento ― é mais religiosa do que a Igreja Católica. Porque os católicos aceitam a ciência e advogam o ecumenismo, mesmo que a contragosto, enquanto as seitas marxistas são fundamentalistas e ultramontanas, e fazem gala disso. Em consequência, PCP e BE disputam a posse da verdadeira esquerda. E vão mantendo uma guerra fria feita de picardias melhor ou pior abafadas. A última nasceu com um texto de João Teixeira Lopes. Nele, o bloquista diz várias banalidades, uma delas que entre o PCP e a Máfia a diferença é menor do que entre o Cornetto Love Chocolate e o Cornetto Choc Disc. Isto pedia uma resposta, ou muitas, mas é mais rápido ficar por este espasmo. Vítor Dias começa impecavelmente: Os tontos nunca dizem a verdade. Depois desta entrada a pés juntos, deixou-se tomar pela emoção e nunca mais conseguiu acertar uma, de tão trôpego de raiva estar.

Os camaradas odeiam-se. E pela mais lógica das razões: os tiranos não partilham o poder.

Spartacus e a fruta

Pedro Sales, dedicado censor de serviço no Arrastão, resolveu expor na sua malignidade um poderoso inimigo da revolução, a Carolina Patrocínio. E o que Sales descobriu chega para acabar com ela e com todo o PS: a chavala é esclavagista.

pedro sales escravatura carolina

Talvez um dia este Sales presenteie a Humanidade com a sua definição do que deve dizer uma rapariga para não ser carimbada como tonta imatura e arrogante. Se for um tipo porreiro (e é, não se duvida), fará a destrinça entre tontas imaturas e tontas maturas, ambas arrogantes, e também entre as tontas imaturas e maturas não arrogantes. Vai ser de um gajo ficar tonto, mas vai valer muito a pena. E sublinho pena.

Entretanto, o esclavagismo acaba de entrar no debate eleitoral. A questão impõe-se obrigatória: quantos mais no BE consideram que a Patrocínio obtém a fruta descascada graças ao trabalho escravo? Não nos esqueçamos de que há uns tempos valentes isso tinha um nome: escravatura. [sick] Portanto, está a explicar-nos o Sales, não há cá merdas, estamos mesmo a falar de escravatura, daquela dos tempos valentes. Resta só saber quantos bloquistas ficaram indignados com a situação e estão prontos para lutar contra a extracção de grainhas das uvas, e caroços das cerejas, na casa da menina.

Todavia, e para lá da supina relevância política da denúncia, o Sales está apenas a exibir o seu termómetro. É que estamos em Agosto. Faz um calor de ananases. Tem ainda mais razões para se excitar com a fruta da Carolina.

Bloco Central sem o PSD

Ontem, enquanto ouvia José Miguel Júdice explicar à Ana Lourenço que a estratégia do PSD passa por dizer o menos possível aos portugueses até à votação, pois ao revelar as suas ideias perde votos, ficou claro que o PS tem de se preparar para um Bloco Central sem o PSD; isto é: pedir, insistente e entusiasticamente, nova maioria.

Devem já ser dezenas de milhares os eleitores tradicionalmente votantes no PSD que não poderão, em consciência, dar o voto à desgraça política e intelectual que Ferreira Leite e seu grupo manifestam. Essas dezenas precisam de se transformar em centenas até às eleições. E garantir que o PS tenha de novo condições para continuar o que teve apenas dois anos e meio para fazer: governar para o bem comum.

Planta o teu velho numa TV

Coincidiu com a chegada ao poder da areté de Sócrates a queda da folha geracional. A geração que em 74 estava no fulgor vitalista, a virar para os trinta, trintões pujantes, e quarentões aí para as curvas e regaços, está agora nos 60, 70 e 80. Estão velhos, fartos, azedos. E por excelentes razões: o tempo não volta para trás. Porém, se voltasse, eles iriam repetir o que fizeram, o qual consistiu em encher a pança ― a própria, a da família e a dos amigos. Por isso, ao falarem do presente, da situação, dos que governam, eles limitam-se a imaginar que são todos iguais, que se faz agora o que eles fizeram antes. A única diferença é a de que neste tempo, por se verem acabados, permitem-se falar no assunto; enquanto nos 30 anos anteriores eram cobardes ou gulosos demais para denunciar fosse o que fosse. Há excepções? Inúmeras, mas essas quase que não aparecem na TV.

Na TV aparecem omnipresentes o Pacheco, o Crespo e o Medina. São três variações da caducidade, entre tantas outras, cada uma com encantos próprios. A mais espectacular é a do Medina. E a última edição dos Negócios da Semana fica como um Nec plus ultra.

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Embuçado

Aquilo do 31 da bandeira começou bem. Aposto que deve ser uma ideia já com vetustas e aristocráticas barbas. Talvez seja conversa de família séria, daquelas com senhores de bigode de ponta acerada. Fantasia muito glosada em copiosos jantares copofónicos. E a banhos nos Algarves. Até que alguns bravos pensaram: esta cena é youtubesca, é moderna, é toda nossa. E lá vai alho, escadote e filmezinho.

Mas pensemos. Pensemos nisto de estarem a pedir para brincarmos. Nessa pedinchice para vermos no roubo da bandeira de Lisboa, e precisamente do local mais nobre do Município, apenas uma brincadeira. E para alinharmos na brincadeira. Na brincadeira deles. Para a qual não nos convidaram. Mas pela alminha de quem é que eu vou achar piada a que se roube a bandeira de Lisboa, nem que seja por 5 minutos? Monárquicos sim, palonços não.

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Lizandro

Do alto deste ginger ale com limão

Uma paisagem povoada pelo vazio

Estas areias trazidas em turbilhão

Não deixam passar as águas do rio

Bolinhas que entram na espuma

A atravessar o areal tão povoado

Na festa de fazer coisa nenhuma

No mundo que fechou a cadeado

Do alto deste ginger ale com limão

Sobejam bolas de prazer e frescura

Na cultura do chinelo e do calção

Não fazer nada é uma licenciatura

Muitos ficam até já não haver luz

Altar do ócio, liturgia terminada

A praia é fábrica que não produz

Férias são a indústria mais pesada

Para quando a entrada no século XXI?

O Bloco, pela voz de Helena Pinto, veio dizer que:

Infelizmente, este ligeiro recuo na queda do crescimento da economia não altera o quadro geral de profunda crise que o país ainda vive, não são estas três décimas que vêm alterar este quadro.

Começa por ser um truísmo. Mas rapidamente se desvela como palimpsesto. O BE está a falar de uma notícia apenas para passar mensagens demagógicas. A informação nem sequer é respeitada na sua objectividade e relevância, no que permite entender e perspectivar das dificuldades económicas nacionais e internacionais, antes se distorce até conseguir ficar conforme à promessa: vota Bloco se achas que o Estado te deve dar dinheiro.

Na sua génese, o BE tem um grupo que se designava Política XXI. Pelos vistos, não têm grande poder lá dentro. Porque este modo sistematicamente demagógico, populista, sofístico de fazer oposição é tudo menos adequado ao século. Claro que 3 décimas não acabam com a crise, mas as mesmas 3 décimas, ou menos, poderiam servir para o Bloco decretar o agravamento da crise, a desgraça do País, o desespero do PS, Governo e Sócrates. Bastaria que elas fossem negativas ― e, de imediato, entrariam em palco taxativas, superlativas, magníficas.

O Bloco sabe que o seu produto se dirige a um público-alvo composto de fanáticos e ignorantes. Tropa-fandanga que vai ter muita dificuldade em abandonar o século XX, uns, o XIX, outros.

Até os cancerosos, Zé Manel?

Ontem o Público conseguiu fazer um truque que merecia ser estudado, ficando só a dúvida quanto ao local da investigação: se em escolas de jornalismo e comunicação social, se em seminários de
ética, se em cursos de psiquiatria, se em congressos de veterinária. Tratou-se de dar título à notícia que anunciava a redução do número de pacientes em listas de espera, e também do tempo respectivo. Eis o que foi escolhido pelo diário de referência pago pela SONAE:

Tempo médio de espera para uma cirurgia é de quase três meses e meio

Hoje, milagrosamente, alguém deve ter olhado para um espelho e corou de vergonha. E apagaram, trocando o título por um outro que se limita a dizer a verdade. Talvez um dia se saiba quem foi o herói que conseguiu levar o Público a aceitar fazer jornalismo em condições tão adversas para a agenda do Zé Manel.

Que se passa?!

Já passa do meio-dia, daqui a um bocado tenho de ir almoçar, e ainda não ouvi ou li alguém da oposição a queixar-se de que este Governo só trabalha para as estatísticas e que Sócrates é o grande culpado pela surpreendente recuperação económica em Portugal, França e Alemanha no último trimestre; e ainda pela não menos surpreendente vitória de Portugal contra o Liechtenstein, uma equipa surpreendentemente equivalente à dinamarquesa, revelação surpreendente do surpreendente Queiroz. É que se esta falcatruagem dos números continua, ainda corremos o risco de ver as exportações a aumentar, o desemprego a diminuir e as grandes obras a ficarem cada vez mais justificadas. E depois eu quero ver como é que Portugal vai resistir a tanto desenvolvimento.

E já agora, e se não incomodar muito, façam política com as pessoas, ok?

Um livro por semana 132

onde há crise, há esperança vasco pinto de magalhães

«Onde há crise, há esperança» de Vasco Pinto de Magalhães

Vasco Pinto de Magalhães (n. 1941) foi um conhecido jogador de rugby, tornou-se sacerdote em 1974 e é hoje especialista em Bioética. Através de 366 entradas, o autor (licenciado em Filosofia e em Teologia) organiza uma leitura do nosso tempo.

De um lado a dor («Uma das grande fontes de sofrimento é a nossa falta de solidariedade, num mundo em que não recolhemos o homem caído à beira da estrada») do outro lado a alegria: «Às vezes até arrepia estar a falar de alegria a uma pessoa que está a sofrer e que nessa altura não vê nada, sente tudo escuro e negro à sua roda». Como única resposta e caminho surge a esperança («O maior roubo que se pode fazer a alguém é tirar-lhe a esperança») e a paz: «Para caminhar para paz há três meios fundamentais: ouvir as dores do mundo, tornarmo-nos sensíveis a esses gritos dos marginalizados e dos excluídos e ouvi-los mais do que os outros gritos que temos dentro de nós, de desejo, de prestígio e de honra, sem dúvida mais sedutores». Para o autor a felicidade («Feliz vem de felix que quer dizer fecundo, produtivo.») passa pelo perdão («Perdão não é desculpa nem esquecimento») ou pela misericórdia: «Misericórdia significa um coração sensível, um coração atento à miséria, à necessidade, ao pobre».

No fim (e lembrando o rugby) o autor fala em poder de encaixe: «Nas famílias e nas escolas devia haver ensino prático de poder de encaixe, isto é, de se tornar capaz de, no insulto como na bolada no estômago, a seu tempo e a seu modo, voltar ao ponto de partida, mais sábio e consciente.»

(Editora: Tenacitas, Prefácio e contracapa: Nuno Tovar de Lemos, Capa: do autor)

Desesperante

“isso mostra-nos o desespero em que está o PS”26 de Julho de 2009

Louçã: “Traficâncias de Sócrates mostram desespero”25 de Julho de 2009

O discurso do PS sobre a maioria absoluta e a instabilidade «é uma chantagem de quem está desesperado»21 de Junho de 2009

As pessoas estão numa situação desesperada21 de Junho de 2009

Portugal está desesperado21 de Junho de 2009

Estão desesperados21 de Junho de 2009

Acomodar-se ao desespero12 de Junho de 2009

Louçã: “O primeiro-ministro está a desesperar com o crescimento do Bloco”12 de Maio de 2009

Louçã acusa Partido Socialista de estar desesperado com a Esquerda1 de Março de 2009

“desesperados com a esquerda”28 de Fevereiro de 2009

Desespera o congresso unanimista28 de Fevereiro de 2009

Estratégia desesperada do Não9 de Fevereiro de 2007

Desesperado e nervosíssimo20 de Janeiro de 2006

Louçã acusa PS de desesperar e confundir eleitores 9 de Janeiro de 2006

Frase de completo desespero22 de Dezembro de 2005

A direita está «desesperada»2 de Fevereiro de 2005

“coligação de desesperados”28 de Novembro de 2004

Quinto Império

As brasileiras estão a repovoar Portugal. Nada de mais justo. Os africanos também, com as nativas. Polvilhando com genes de Leste, e um cheirinho chinoca, daqui por 10-15-20 anos vamos ter uma mestiçagem que nos dará alegrias no desporto, encantos na passarela e consolos na academia.

Já era tempo de se começarem a contar estas histórias de amores e de vida. Já era tempo de conhecermos melhor os nossos vizinhos, amantes e filhos.