Para quando a entrada no século XXI?

O Bloco, pela voz de Helena Pinto, veio dizer que:

Infelizmente, este ligeiro recuo na queda do crescimento da economia não altera o quadro geral de profunda crise que o país ainda vive, não são estas três décimas que vêm alterar este quadro.

Começa por ser um truísmo. Mas rapidamente se desvela como palimpsesto. O BE está a falar de uma notícia apenas para passar mensagens demagógicas. A informação nem sequer é respeitada na sua objectividade e relevância, no que permite entender e perspectivar das dificuldades económicas nacionais e internacionais, antes se distorce até conseguir ficar conforme à promessa: vota Bloco se achas que o Estado te deve dar dinheiro.

Na sua génese, o BE tem um grupo que se designava Política XXI. Pelos vistos, não têm grande poder lá dentro. Porque este modo sistematicamente demagógico, populista, sofístico de fazer oposição é tudo menos adequado ao século. Claro que 3 décimas não acabam com a crise, mas as mesmas 3 décimas, ou menos, poderiam servir para o Bloco decretar o agravamento da crise, a desgraça do País, o desespero do PS, Governo e Sócrates. Bastaria que elas fossem negativas ― e, de imediato, entrariam em palco taxativas, superlativas, magníficas.

O Bloco sabe que o seu produto se dirige a um público-alvo composto de fanáticos e ignorantes. Tropa-fandanga que vai ter muita dificuldade em abandonar o século XX, uns, o XIX, outros.

17 thoughts on “Para quando a entrada no século XXI?”

  1. Em português, “um ligeiro recuo na queda do crescimento” é quase como “um passo atrás de um caracol a descer pela parede acima”.

    É uma salgalhada inábil, que nem a própria Helena Pinto consegue saber o que significa. Quando um gajo(a) se mete a denegrir uma boa notícia, acontecem destas.

  2. “Lo esperado no sucede, es lo inesperado lo que acontece.” – Eurípides de Salamina (485 AC-406 AC) Poeta trágico grego.
    Está gravado num palimpsesto…..para tragédia da oposição…
    Nick….deixa lá..o tal verrineiro é como as batatas: dá-se bem é debaixo de terra…

  3. Quem me “expilica” o que é “um crescimento marginalmente positivo” PSD dixit. Não, o Frasquilho não. Não lhe facultem esse prazer. Eh pá, se tivesse sido ao contrário seria com toda a certeza convocado um Conclave de “ecunumistas”na porqueira do Crespo e lá por volta da 24h iria aparecer novamente o Carreira a perorar sobre a alteração do Código do Trabalho que, segundo ele, deveria já ter sido efectuada antes da batalha de S. Mamede. Fónix, não há pachorra! Vou tomar a pílula para a tensão que já devia estar deitado.

  4. O Crespo acabou de anunciar que os números da economia vão ser analisados ao mais “alto nível ” lá na porqueira. Aguardemos para aquilatar quão alto é o nível e quem são os “ecunumistas” .

  5. Valupi: os PXXI eram poucos, vindos do ex-MDP, foram importantes para fazer o triângulo que possibilitou a convergência à partida contranatura dos trotskistas do PSR com os estalinistas da UDP, até porque criou logo outro vértice subsidiário: os independentes. Isso e ninguém conseguir eleger deputados de per se, claro. O Portas vinha daí, o Miguel Vale de Almeida também e outros, e já agora eu também.

    Agora grave mesmo é algo que só tomei conhecimento há muito pouco tempo: o PS terá aprovado naquele Código do Trabalho uma cláusula que permite que os despedimentos sem justa causa, mesmo com decisão favorável do tribunal, não sejam objecto de reintegração na empresa, ao que diz o Louçã por aí num youtube mas não vejo que ninguém o desminta.

    Não consigo imaginar maior traição ao ideário socialista do que isto, é a própria morte anunciada do Estado de Direito.

    Se o PS não se dispõe a revogar esta cláusula terá sido o algoz de todo um ideário, e de si próprio. Pago por quem?

  6. jrrc, toda a gente sabe que o INE está cheio de piratas. O Cavaco já o denunciou.
    __

    jafonso, ver o Crespo causa hipertensão.
    __

    z, a Política XXI bem que podia ter-se aguentado à bomboca e ter ficado independente. Quem sabe o que poderia dar…

  7. não sei Valupi, o que lá vai, lá vai. O que sei é que constato outra vez, e não estava à espera, que é o Bloco a trazer para cima da mesa um problema maior. Dizia o Louçã: um governo cai por isto? Pois que caia.

    E eu acrescento: caia sim.

    E ainda a procissão vai no adro, a não ser que, venha um milagre, e me digam que esta clausula não é verdade.

  8. z, o novo Código do Trabalho tem várias medidas inovadoras que combatem a precariedade (combate aos falsos recibos verdes, que são uma verdadeira praga, combate aos falsos contratos a termo, idem, etc). A medida que destacas não tem o impacto prático que o Louçã lhe pretende dar, omitido o que é verdadeiramente importante. Havendo um despedimento contestado pelo trabalhador, este continua a poder trabalhar até decisão judicial, o que é essencial, por causa das demoras da justiça. Se o tribunal declarar que se trata de um despedimento sem justa causa, acontecem duas coisas, pelo menos: 1) o trabalhador pode livremente optar pelo despedimento, mas com direito à indemnização; 2) tratando-se de micro-empresas (e só nessas), se o empregador alegar que a reintegração do trabalhador injustamente despedido «é gravemente prejudicial e perturbadora para a prossecução da actividade empresarial», e se o provar em tribunal (o juiz é que decide), poderá então o empregador optar pela não reintegração do trabalhador, mas terá que lhe dar o dobro da indemnização. Esta segunda possibilidade «não se aplica sempre que a ilicitude do despedimento se fundar em motivos políticos, ideológicos, étnicos ou religiosos, ainda que com invocação de motivo diverso, bem como quando o juiz considere que o fundamento justificativo da oposição à reintegração foi culposamente criado pelo empregador.» Trata-se pois, a meu ver, de uma medida equilibrada, pragmática, com garantias e compensações para o trabalhador. Micro-empresas não se podem dar ao luxo de ter empregados altamente prejudiciais e perturbadores, mas impossíveis de despedir. O BE e o PC fazem um grande barulho, distorcendo completamente o conteúdo da lei e tentando fazer passar a ideia de que tal medida vai ter uma grande aplicação e profundas implicações nas relações laborais a nível das empresas, o que é falso. Querem criar um clima artificial de medo, nem seria de esperar deles outra coisa.

  9. Obrigado Nik, enganei-me e respondi-te no outro post. Obrigado mesmo pá, estava tão mal-disposto que nem te digo, assim compreendo.

  10. Já repararam como a Helena Pinto, no seu ar de mulher, esposa e mãe “acertadinha”, cada vez está mais para o Louçã como a Odette estava para o Cunhal/Jerónimo? E como a Ana Drago corre atrás na tentativa de ver qual chega primeiro “à mão” cardinalícia do chefe? E como o Tavares já imita o pensamento do chefe? Parece que ouço Stalin a dizer na cova dos heróis: – Volta Trosky, estás perdoado. O novo método não utiliza picaretas -.

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