Lizandro

Do alto deste ginger ale com limão

Uma paisagem povoada pelo vazio

Estas areias trazidas em turbilhão

Não deixam passar as águas do rio

Bolinhas que entram na espuma

A atravessar o areal tão povoado

Na festa de fazer coisa nenhuma

No mundo que fechou a cadeado

Do alto deste ginger ale com limão

Sobejam bolas de prazer e frescura

Na cultura do chinelo e do calção

Não fazer nada é uma licenciatura

Muitos ficam até já não haver luz

Altar do ócio, liturgia terminada

A praia é fábrica que não produz

Férias são a indústria mais pesada

6 thoughts on “Lizandro”

  1. O que posso dizer, que o vale do Lizandro (vale do arquiteto) é fantástico, a Sra do Ó é um sitio magnífico, que a vista do forte das Linhas de Torres para esse vale é deslumbrante, pena é que tenha levado com uma ponte da nova AE.

  2. POis eu também gosto muito; ainda outro dia fui à SEnhora do Ó mesmo sabendo que a porta estava fechada, andei por ali a olhar e a ver. O poema não é contra o lugar mas sim contra a cultura do chinelo e do calção, o não fazer nada como projecto de vida…

  3. obviamente que me estou a referir à atitude, podia falar da geladeira e do arroz de frango e das mulheres irem enterrar os ossos do frango na areia da praia…

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