Embuçado

Aquilo do 31 da bandeira começou bem. Aposto que deve ser uma ideia já com vetustas e aristocráticas barbas. Talvez seja conversa de família séria, daquelas com senhores de bigode de ponta acerada. Fantasia muito glosada em copiosos jantares copofónicos. E a banhos nos Algarves. Até que alguns bravos pensaram: esta cena é youtubesca, é moderna, é toda nossa. E lá vai alho, escadote e filmezinho.

Mas pensemos. Pensemos nisto de estarem a pedir para brincarmos. Nessa pedinchice para vermos no roubo da bandeira de Lisboa, e precisamente do local mais nobre do Município, apenas uma brincadeira. E para alinharmos na brincadeira. Na brincadeira deles. Para a qual não nos convidaram. Mas pela alminha de quem é que eu vou achar piada a que se roube a bandeira de Lisboa, nem que seja por 5 minutos? Monárquicos sim, palonços não.


Os politicamente correctos, os alienados, os cagões, os cínicos e os imbecis, todos acharam muita graça. Porque parece que não se fizeram reféns nem se destruiu propriedade, alegam. Portanto… não teve mal! Assim se institui o materialismo jurídico, onde vale tudo desde que não se deixem nódoas no sofá. E agora proponho que a brincadeira continue com clubes, que também têm bandeiras a que dão tanta ou mais estima. Dois trambalazanas da Juve Leo, antes de Agosto acabar, estão desafiados a ir roubar a bandeira do Município e deixar lá pendurada a do meu Sporting. Vai ser giro, até porque vão filmar, publicar no seu blogue, dar entrevistas na rádio e TV. E vão rir à parva e à louca, chegando ao ponto de propor às autoridades uma troca de bandeiras em local a combinar. Porque vale tudo, é Agosto e a malta curte é brincar. Aliás, nem é só o curtir, a malta precisa de brincar. Brincar é fonte de saúde, os sisudos que não acharem graça estão doentes. Calma, és do Benfica? Em Setembro é a vossa vez, desculpa lá. Porto? Ó pá, isso não é aqui, é no Porto; ou não têm Câmara abandeirada na vossa cidade? Então, é quando quiserem, não há conflito de calendário.

Entretanto, temos uma vítima republicana desta acção terrorista a mando dos Braganças, o Daniel Oliveira. O homem declarou a sua solidariedade a dois cidadãos que foram responder pelos seus actos perante as autoridades policiais. Como seria escandaloso se não fossem, se as autoridades nem a isso os obrigassem depois de entrar a queixa da Autarquia. E como seria inadmissível se a queixa não fosse feita pelos responsáveis camarários. O título faz jus ao que escreve, Sem sentido. Mas eu tenho um título melhor: Embuçado. Porque o Daniel, debaixo da máscara de apoiante de um partido que tem as suas raízes na Revolução Francesa, da qual ainda guarda umas guilhotinas oleadas não vá a nobreza levantar a cabeça, esconde um fidalgo sempre pronto a dar umas bengaladas nessa ralé policial que persegue a beautiful people das arruaças.

13 thoughts on “Embuçado”

  1. nem mais Valupi.

    neste país começa a haver a tendência para confundir a realidade com a ficção. tudo isso porque há demasiadas figuras reais que só deviam existir nos livros…

    e ainda há outro drama no nosso dia a dia, parece que os “maus” e os “espertos” ganham sempre, não há “super-homem” ou “homem-aranha” que nos valha…

    o Daniel tem outro problema, sempre quis parecer mais democrata que os outros e depois torna-se patético…

  2. Mas consta que há para aí uma maltosa bem empenhada em substituir tudo o que é bailarino voador do símbolo do BE pela figura do senhor na cruz. E as imagens do chefe pelas do bob marley. Sem trancinhas claro, para não haver confusões. Dizem que é para ver se conseguem uma foto com um sorriso natural do grupo de candidatos a deputados do partido. O Dani vai ficar de fora. Da fotografia claro. Mas não é de esperar que ele vire para o sério. Nada que duas ou três gargalhadas alto e bom som e alguns esgares nervosos não resolvam. O resto será pose em descompressão e exercícios de relaxamento. Ver o Daniel em pontas é que está completamente fora de questão.

  3. não será antes o nosso senhor escorchado, tra.quinas? Há quem goste de ver, ficam consolados, o pinto de sousa se calhar gosta.

  4. Pois eu, acho que serão mais as vítimas desta palhaçada embandeirada. Mas esqueçamos isso que é Agosto e vamos aos ganhos. E eles, são este texto do Valupi, para começar

  5. Não sei se gosta, z. Mas de facto não falta neste país quem se console com o mal dos outros. Basta ver as reacções de toda a oposição aos números de ontem do INE.

  6. Até parecem crianças… o meu neto tem 3 anos e outro dia fomos a Azeitão e ele quis saber o que era aquilo. Expliquei que era uma «floresta» mas quando chegámos ao Portinho da Arrábida ele questionou: «SE isto é uma floresta onde estão os mosntros e os dragões?»

  7. Valupi,

    Estás a desiludir-me, com a porcaria dos “posts” que tens “postado”. Borradelas de galinha, dir-se-ia na minha terra. Manuel da Mata é pseudónimo, como Pêro Amigo de Sevilha ou João Airas de Santiago ou Pêro Garcia Burgalês.

    Atão agora andas entretido com o 31 da Armada e esqueceste-te da roubalheira do BPN e a gestão burlona do BPP? Atão como é que é companheiro? Ao menos o NIK dá-lhes com força e certeiramente.

    A seguir vem o 7 de Cavalaria e lá se vai a socrática maioria. E depois ficas a chorar o leite derramado ou a torcer a orelhinha mas sem remédio. Não dês a coisa já como perdida. Se a velha ganha… É como se houvesse um eclipse total do sol por vários anos.

  8. Disse apenas o que tinha para dizer, já que não te abres() aos comentários. Tenho-te lido com agrado, apesar de saber que tens munições contra tudo e contra todos. Olha o efeito de “boomerang”.
    Eu também tenho contra a pseudo social-democracia, mas não confundo os planos. Guarda bem essas munições que te podem fazer falta. Naquela mala, onde há restos dos dos restos da Fonte Luminosa.
    Boa tarde e atira-te a eles!

  9. ah Nik, obrigado, finalmente alguém me esclareceu. Estava tão mal disposto com isso, vou relêr, mas sim se é o que me pareceu já não acho perverso. O que me derribava era a perversidade implícita, parecia-me mesmo o suicídio político do PS e da esquerda. Nas micro-empresas compreendo.

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