Lelé da cuca

A ser verdade o que esta notícia relata (e é), Ferreira Leite não tem condições psicológicas, ou cognitivas, para ser Presidente do PSD, nem voltar a fazer parte de um alto cargo no Estado. Repare-se:

Fico até sensibilizada com esse facto, nunca vi em relação a nenhum outro partido tanto escrutínio em relação às listas, eu fico orgulhosa com isso, significa que o PSD neste momento é uma verdadeira alternativa.

Isto é apenas o aquecimento, estamos perante uma reacção tipicamente infantil, de escola primária. A senhora tem o partido dilacerado, a ferro e fogo, em guerra civil, com passarões como Marcelo a dizer que há merda da grossa, e ela consegue fazer uma imitação muito credível de um estado esquizóide. Mas ainda não é matéria clínica. Isso vem a seguir:

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Bute aí dizer verdades

Não sei quem é o responsável pela comunicação da campanha do PSD, muito menos quanto ganha, mas sei que está a ganhar demais, mesmo que esteja a trabalhar à borla. Veja-se esta real bosta:

prometam só o que podem cumprirfaçam política com as pessoasolhem por quem mais precisaportugal não pode ficar hipotecado

Para isto ter conhecido a luz do dia, magotes de cérebros sociais-democratas deram instruções nervosas a magotes de músculos no pescoço em ordem a produzir um movimento vertical de assentimento às suas cabeças. E lá saiu o mais recente manifesto do atrofio nacional. Estamos perante quatro mensagens que retratam o futuro de Portugal se visto por uma clarabóia de um prédio de 2 andares na Lapa. É o ai Jesus que estamos falidos e desorientados, agarrem-se que vamos a pique em direcção ao inferno.

A minha mensagem preferida é Façam política com as pessoas. Gostava de falar com o seu autor, em alternativa com as pessoas dentro do PSD que acharam por bem lançar esse repto às pessoas fora do PSD. Gostava de compreender. No fundo, gostava de conseguir passar pelo cartaz e não sentir esta sufocante culpa. Quem é que não está a fazer política com as pessoas? E andam a fazer politica com o quê, em vez das pessoas? E que podemos fazer para acabar com isso? A problemática aflige-me uns minutos todos os dias.

Terem feito quatro cartazes que se distinguem apenas pelo inane conteúdo verbal, e onde a Manela aparece como uma avantesma, vai bem com a realidade deste partido: é a crise da social-democracia à portuguesa, a falência da inteligência política.

Silly monarchy

A brincadeira-crime da bandeira foi um sucesso. O 31 da Armada lidera agora a notoriedade da blogosfera portuguesa. E fez história.

O que nos leva para a pergunta: serão os actuais monárquicos incapazes de fazer História? Porque este roubo de património municipal (espremida, é a isto que se resume a acção) é apenas uma palhaçada. E uma palhaçada antimonárquica, precisamente por consistir na destituição da bandeira de Lisboa. Alguém lhes devia ter explicado que o municipalismo pertence ao ideário da causa Real, como Agostinho da Silva explicava a quem tinha a sorte de o conseguir ouvir ou ler. Se queriam marcar uma posição cívica, tinham colocado a bandeira da monarquia junto com a de Lisboa; ou acima, para o folclore. Fazendo a troca, arriando e roubando um dos símbolos de Lisboa, provaram que não passam de tontinhos.

A monarquia não é para cabeças de plástico.

Miscelânea

Can Graphic Design Make You Cry?

Temptation More Powerful Than Individuals Realize

Greenroofs Can Save Cities Millions Of Gallons Of Water *

Does This Avatar Make Me Look Fat?

2-Minute Memoir: Crazy Love **

Emotional Healing and the Automatic Defense System

Twenty-Three Phrases to Help You Fight Right ***

How to Ask Better Questions

Dogs’ Intelligence On Par With Two-year-old Human, Canine Researcher Says

The Art of Resilience

Compassion Meditation Changes the Brain

Why Groups Fail to Share Information Effectively

The rewards of volunteering

Cooperative Classrooms Lead to Better Friendships, Higher Achievement in Young Adolescents
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* O candidato à Câmara de Lisboa que se comprometer no apoio a esta solução, tem o meu voto.
** Porque ficam algumas mulheres com alguns homens que as vão destruindo no processo de se destruírem? O melhor é deixá-las falar, contar a sua história.
*** Isto treina-se.

Mendes Bota com remédio infalível contra a gripe

Recentemente, Ferreira Leite teve de ficar em casa por causa da gripe atlântica, logo por azar coincidindo com a agendada visita a uma festa, do PSD na Madeira, para a qual não tinha sido convidada no ano passado. Tendo bem presente o prejuízo causado ao PSD e ao País por essa ausência na bebedeira da Lagoa, Mendes Bota decidiu não convidar a Manela para a festa do Pontal, de forma a evitar o contágio pela gripe algarvia. Recorda-se que a senhora faltou no ano passado, apesar de ter sido convidada. Estava com a gripe do mutismo, não conseguiu discursar durante todo o Verão de 2008. Nada disto faz sentido? Pois, mas foi mesmo assim que se passou.

Vários investigadores confirmam o acerto de Bota, recomendando que se siga esse exemplo de contenção do vírus: acabar com os convites à Presidente do PSD, partido que já gripou muito antes da pandemia ter começado.

Um livro por semana 131

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«Pobre e mal agradecido» de Rui Tavares

Trata-se aqui de uma «miscelânea» organizada a partir de textos do blogue «Barnabé» mas não só. Nestas 200 páginas podemos ler digressões sobre as obras de Francisco Goya, Albrecht Altdorfer, Primo Levi, Ítalo Calvino, David Hume, W.G. Sebald, Haruki Murakami ou George Orwell: «A fome reduz uma pessoa a um estado sem cérebro, é como se a pessoa se tivesse transformado num molusco qualquer».

A propósito do 11 de Setembro de 2001 o autor escreve: «ouvi dizer que precisamos de um novo Salazar, reintroduzir a pena de morte, é pena os drogados não morrerem mais depressa e muitas outras coisas equivalentes». Sobre a expressão «orgulho de ser branco» afirma: «esse imbecil ainda não entendeu que ele nem sequer teve responsabilidade em ser branco. É só branco por acaso. Tem muito pouco de que se orgulhar».

Este livro passa por Paris («uma cidade mortalmente aborrecida») e pelas palavras de Woody Allen: «quando chegarem atrasados usem a desculpa dele – como o Universo está em expansão, demorei mais um bocado a achar a minha roupa». Passa também por Santana Lopes («o governo de Santana Lopes será tão lembrado quanto a revolta do grelo ou a guerra das laranjas») e pela Irmã Lúcia: «Estamos numa igreja de homens: agradecem-lhe o não ter atrapalhado. Estamos numa igreja experiente: agradecem-lhe o ter-se tornado numa relíquia viva». Sem esquecer uma das paixões do autor: «Corria o ano de 1772 e quatro dos melhores censores portugueses gastavam boa parte do seu tempo a tentar definir o que era a superstição».

(Editora: Tinta da China, Prefácio: Ricardo Araújo Pereira, Capa: Vera Tavares, Composição: Olímpio Ferreira)

Os burros dentro do Palácio

O comportamento oposicionista de Cavaco, de tão descarado e repetido, é estrategicamente intencional, não uma idiossincrasia atribuível à personalidade ou estilo político. Neste momento, ninguém ignora que o Presidente da República considera ter o direito de influenciar as eleições Legislativas, tanto no fito de diminuir a votação no PS, como no de aumentar a votação no PSD. Os cenários de Governos de iniciativa presidencial, à mistura com a promoção do presidencialismo e detrimento do parlamentarismo, vêm de há muito a ser sugeridos pelo círculo publicista presidencial. Last but not least, a decadência do PSD, e da direita em geral, favorece o ressurgimento de um messianismo cavaquista.

Nunca nenhum outro inquilino de Belém tinha ousado violar o compromisso de ser o Presidente de todos os portugueses até este desgraçado exemplo. Compare-se com as Presidências Abertas de Soares para se ver a diferença, estas um contrapeso legítimo ao poder da maioria PSD; enquanto a oposição de Cavaco é parte da campanha de destruição de carácter começada por Santana Lopes nas eleições de 2005, continuada José Manuel Fernandes após a SONAE ter perdido o mais importante negócio da sua história, e explorada até à sordidez máxima pelo Sol e TVI com o material da investigação ao Freeport. Pelo meio, passarões do calibre de Pacheco Pereira, Rebelo de Sousa, António Barreto, Mário Crespo, Cintra Torres, Medina Carreira, Pulido Valente, Rui Ramos, os fósseis da SEDES e uma legião de imbecis e ranhosos, encheram o espaço opinativo com variações desta campanha, todos a tentar manter um status quo ameaçado pela novidade que Sócrates representou e representa.

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Vinte Linhas 391

Santos Fernando ou «Os grilos não cantam ao domingo»

O «Diário de Noticias» de hoje traz um texto sobre a Padaria do Povo em Campo de Ourique mas numa caixa sobre a sua biblioteca surge uma foto de Santos Fernando ao lado do nome de Bento de Jesus Caraça. Feliz mal-entendido este…

Lembrei-me logo dos velhos tempos (anos 60) em que eu atravessava Vila Franca de Xira para comprar o «Diário Popular» e ler a crónica de humor de domingo sob esse sugestivo título: Os grilos não cantam ao domingo. Uma dessas crónicas tinha a ver com um escritor muito estranho – já nos anos 60 os havia. Era um homenzinho que resmungava mais ou menos assim: «A arte de escrever foi a única, até hoje, que não sofreu alteração. Desde Rabelais para não ir mais para trás, até Bernard Shaw para não ir mais para a frente; desde Maquiavel e Erasmo até Eça de Queirós ou Charles Dickens e destes até aos nossos dias que não há uma pequena modificação! Os livros sempre estiveram sujeitos ao estilo, aos personagens, ao enredo criado por figuras fictícias, ao ambiente, ao melodrama, à comédia, ao amor, às palavras com sequência! Ora num tempo em que a vida moderna está atomizada o tal senhor queria escrever e lançar um romance atómico, um livro no qual não haveria nem princípio nem meio nem fim. Um livro no qual as personagens podiam ser um prego, uma bota furada, um pêndulo de relógio, um pedaço de sílex, um par de castanholas, uma argola de guardanapo. E a crónica terminava com o homenzinho a ameaçar: dentro de pouco tempo nas livrarias apenas subsistirão os romances atómicos…Esta troca de imagens no jornal de hoje fez-me recordar as saborosas crónicas dos anos 60 quando os grilos não cantavam ao domingo.

Comédia à portuguesa

Tanto com Solnado, como com Herman, depois do fulgor inicial veio um imparável declínio. Os dois nomes maiores ― em vários sentidos, os únicos ― da comédia portuguesa, desde os anos 60 e até à chegada de Ricardo Araújo Pereira, não tiveram uma indústria que conseguisse tirar melhor partido do seu talento natural. Pois saber quais são os limites próprios, e ir buscar fora o que não se tem dentro, eis o segredo do génio.

A comédia à portuguesa continua sem ter herdeiros na comédia portuguesa. Não há escritores e realizadores para tal. Os cómicos vão aparecendo, mas falta quem ame o povo.

Até os bioéticos, Zé Manel?

No dia em que o Sol reconfirmou ser o Presidente da República o verdadeiro líder da oposição (pois é, Louçã, ainda tens de comer muita papa Mayzena), o Público continuou a campanha com o seguinte título:

Nova formação do Conselho de Bioética pode favorecer o Governo

Ana Machado assina este oxímoro. E eu, se pertencesse ao tal Conselho, já tinha reunido com advogados e directores espirituais para obter esclarecimentos. Porque a questão é fascinante: pode um grupo de individualidades eleitas por serem autoridades no campo da ciência e da ética favorecerem o Governo? Há uma primeira resposta para a bizantina questão: Sim, claro que sim e, foda-se, espero bem que sim! Esta resposta baseia-se num raciocínio bondoso: se todos os conselheiros cumprirem com as suas responsabilidades, se derem o melhor de si, estarão a favorecer o Governo; entre variegadas entidades cuja importância em nada fica diminuída por não serem aqui nomeadas. Aporia: o Zé Manel não é bondoso, é mauísta (de mauzinho como as cobras). Temos de procurar outra resposta para explicar a ameaça que o título evoca.

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Vinte Linhas 390

«Um poeta recorda-se» de Armindo Rodrigues

Estas «Memórias» (Edições Cosmos) são a vida de Armindo Rodrigues (1904-1993) em 330 páginas. Nelas o poeta lembra o lugar onde nasceu («Nasci no Campo das Cebolas»), as viagens da infância («Custava oito tostões o bilhete») e as comidas: «Eu era um comilão capacíssimo de devorar a um almoço ou a um ceia três bifes de trezentos gramas». Recorda a mãe («Sonhava que eu me casasse rico») e as suas zangas com o pai («não cessavam e levaram o meu pai a sair de casa») além de aspectos do quotidiano: «Os muito asseados lavavam os pés todos os dias num alguidar de barro. Mesmo no Verão os banhos de mar não eram como hoje». Registou as aparições de Fátima («Em 13 de Outubro à roda das três da tarde houve um grande milagre em público na Cova da Iria») e recordou a sua vida de médico: «Levava eu pela consulta na Farmácia cinco escudos e por uma visita domiciliária trinta». As memórias são povoadas pelas figuras mais diversas: artistas plásticos como Bernardo Marques e Manuel Ribeiro de Pavia, políticos como Afonso Costa ou Sidónio Pais e tarrafalistas como Bento Gonçalves ou Alfredo Caldeira além de escritores, ensaístas e poetas: Manuel Mendes, José Gomes Ferreira., José Rodrigues Miguéis, Mário Beirão, Raul Proença, Afonso Lopes Vieira, Sebastião da Gama, Bento de Jesus Caraça, Manuel da Fonseca, Carlos de Oliveira, Tomás de Figueiredo, David Mourão Ferreira, João Gaspar Simões e Aquilino Ribeiro – entre outros. E Salazar, sempre: «Aos opulentos protegia mas haviam de lhe comer à mão. Ao povo rasteiro de que provinha desprezava-o. Perante a Igreja comportou-se sempre como um Papa autocrático e ao Bispo do Porto expulsá-lo-ia do País».

Em Marte também não estão

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A NASA confirmou, esta manhã, ter dois veículos de exploração no solo de Marte, desde Janeiro de 2004, ambos equipados com brocas e pás para escarafunchar o terreno. Porém, continua sem ter encontrado qualquer ideia do PSD para o futuro de Portugal. É agora voz corrente, na comunidade científica internacional, ser mais fácil encontrar no Planeta Vermelho uma 1ª edição da Morgadinha dos Canaviais, mesmo que com algumas nódoas de azeite, do que os tão procurados vestígios do Programa social-democrata.

Estupefacientes

A Casa Civil do Presidente da República está estupefacta. Não apenas pelo facto de o nome de Dias Loureiro não figurar na lista das pessoas designadas pelo PSD para fazerem parte do Parlamento, como também por, até ao momento, sobre o assunto não ter sido dada nenhuma explicação à Presidência”, reagiu ao semanário “Sol” fonte oficial de Belém.

Vinte Linhas 389

Toma e embrulha ou Thomas no alto dos seus 3 anos

Do alto dos seus 3 anos o meu neto Thomas Francisco revela um certo fascínio pelo uso correcto da língua – nada de coisas mal amanhadas, confusas ou pouco explícitas. Vejo-o brincar com um grupo de carrinhos em miniatura e pergunto: «Isto o que é? É uma corrida?». Ele responde: «Não. Não vês que é uma confusão de trânsito?» E avança na explicação: «Estes carros são comuns, não são carros de corrida.» (Toma e embrulha).

Passado um bocado vejo os 12 carrinhos em miniatura arrumados em quatro correctas filas de três viaturas e pergunto: «E isto é uma confusão de trânsito?» Resposta imediata da criança: «Não vês que isto é um estacionamento?» (Toma e embrulha).

Um passeio com paragem em Azeitão para compra de tortas respectivas e de vinho Moscatel – como não podia deixar de ser. Um olhar mais demorado para a serra da Arrábida e a pergunta: «O que é isto?» Respondo eu: «Isto é uma floresta.» Arrancamos pela serra acima e quando estamos a chegar ao Portinho da Arrábida pergunta a criança: «Se isto é uma floresta onde é que estão os dragões e os monstros?»

(De facto as histórias de florestas que ele conhece estão repletas de monstros e dragões. Falta de lógica é que a criança não tem…)

À noite ao colo do pai, prestes a adormecer, ouve pela centésima vez uma história de uma floresta com leões e de tigres acrescentando ele numa rigorosa adversativa «mas também monstros e dragões».

Oxalá ele possa continuar a ser assim rigoroso e atento a todos os pormenores da língua, da linguagem e da vida. Para eu poder dizer feliz de mim para mim «Toma e embrulha».