O comportamento oposicionista de Cavaco, de tão descarado e repetido, é estrategicamente intencional, não uma idiossincrasia atribuível à personalidade ou estilo político. Neste momento, ninguém ignora que o Presidente da República considera ter o direito de influenciar as eleições Legislativas, tanto no fito de diminuir a votação no PS, como no de aumentar a votação no PSD. Os cenários de Governos de iniciativa presidencial, à mistura com a promoção do presidencialismo e detrimento do parlamentarismo, vêm de há muito a ser sugeridos pelo círculo publicista presidencial. Last but not least, a decadência do PSD, e da direita em geral, favorece o ressurgimento de um messianismo cavaquista.
Nunca nenhum outro inquilino de Belém tinha ousado violar o compromisso de ser o Presidente de todos os portugueses até este desgraçado exemplo. Compare-se com as Presidências Abertas de Soares para se ver a diferença, estas um contrapeso legítimo ao poder da maioria PSD; enquanto a oposição de Cavaco é parte da campanha de destruição de carácter começada por Santana Lopes nas eleições de 2005, continuada José Manuel Fernandes após a SONAE ter perdido o mais importante negócio da sua história, e explorada até à sordidez máxima pelo Sol e TVI com o material da investigação ao Freeport. Pelo meio, passarões do calibre de Pacheco Pereira, Rebelo de Sousa, António Barreto, Mário Crespo, Cintra Torres, Medina Carreira, Pulido Valente, Rui Ramos, os fósseis da SEDES e uma legião de imbecis e ranhosos, encheram o espaço opinativo com variações desta campanha, todos a tentar manter um status quo ameaçado pela novidade que Sócrates representou e representa.
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