Silly monarchy

A brincadeira-crime da bandeira foi um sucesso. O 31 da Armada lidera agora a notoriedade da blogosfera portuguesa. E fez história.

O que nos leva para a pergunta: serão os actuais monárquicos incapazes de fazer História? Porque este roubo de património municipal (espremida, é a isto que se resume a acção) é apenas uma palhaçada. E uma palhaçada antimonárquica, precisamente por consistir na destituição da bandeira de Lisboa. Alguém lhes devia ter explicado que o municipalismo pertence ao ideário da causa Real, como Agostinho da Silva explicava a quem tinha a sorte de o conseguir ouvir ou ler. Se queriam marcar uma posição cívica, tinham colocado a bandeira da monarquia junto com a de Lisboa; ou acima, para o folclore. Fazendo a troca, arriando e roubando um dos símbolos de Lisboa, provaram que não passam de tontinhos.

A monarquia não é para cabeças de plástico.

59 thoughts on “Silly monarchy”

  1. Não estragues a festa, Valupi. Para mim, o gesto em questão não se resume a isso.
    É sintomático, simbólico, incontornável: não se reconhecem nas politiquices actuais. Eu também. E não sou monárquica! Longe de mim tal ideia.

  2. exactamente , claudia. palhaços ou não , lá que são valentes , são. toca a abandalhar , já que somos abandalhados vezes sem conta.

  3. Deve ser por causa desta brincadeira que ainda não li em nenhum dos blogues que visito uma palavra acerca das crónicas publicadas hoje pelo primeiro-ministro e pela líder da oposição. Será por estar um dia quente que ninguém as leu?

  4. o que achei mais piada foi a apreensão dos autores nas notícias, por o Município ter pedido a intervenção criminal.

    porque afinal era apenas uma brincadeira…

    parece que eles gostam mesmo é da tal “república das bananas” onde se pode fazer tudo.

    mas pelo que escrevem ninguém diria…

  5. Uns palhaços que se dizem monárquicos. Gostava de os ver a limpar as latrinas da Cidade, espero que o António Costa os tenha no sitio e os não desculpe.

    Sucinto mas elucidativo q.b., está tudo dito.

  6. Valupi, já te fiz uma pergunta a um post anterior e deixaste-me a ver navios. Porém, não vou retorquir com a mesma moeda. Politiquices actuais, estava a referir-me a todos os partidos. Qual é o jovem que se revê num PS, num PSD ou num dos partidos restantes? Os políticos são palhaços. Os políticos são ladrões. São os que se indignam agora, feitos primas donnas, por uns sem-vergonha lhes ter dado uma lição. São tão palhaços que nem sabem defender o património público. São tão ladrões que decidem processar quem rouba menos do que eles. Face a esta república das bananas, não me importo com um abandalhamento geral. Pode não ser para agora, mas será certamente para mais tarde e com objectivos mais definidos. Repito: ELES FIZERAM MUITO BEM. E se não fosse a bandeira, haveria outras acções simbólicas. Aliás, o intento deles é continuar.

    Os nossos políticos são tão palhaços que nem um edifício público de relevo é vigiado como deve ser. Tiveram a chapada de luva branca que mereceram.

  7. guida, ao almoço, dei com o artigo do Sócrates, mas nada muda: os da esquerda a dizer mal dos da direita e vice-versa. Ainda bem que não me faltou o apetite!

  8. Valupi, lê bem o último post deles:

    “Uma das coisas mais tristemente divertidas de Portugal é a falta de capacidade que o país tem de se rir de si ou consigo. ”

    Então não eras tu que ainda há pouco tempo, num post dedicado ao Solnado, te referias a esta mesma falta de capacidade? Não é um pouco contraditório?

  9. claudia, e não deste com o da Ferreira Leite? Está no Expresso online. Se não vês diferenças entre os dois artigos, não sei que te diga. :)

  10. claudia, mas eu concordo contigo, o que eles fizerem foi engraçado. Onde discordo de ti é no resto da história, porque a história continua. Primeiro, temos o direito de criticar a acção em diferentes planos de análise. Assim, se pode ser engraçado conseguir aceder a uma varanda de um edifício público através de um escadote, tirar a bandeira que lá está já toca em dimensões que são melindrosas. Tudo seria diferente se eles tivessem apenas acrescentado outra bandeira, mas o que eles fizeram foi uma troca; e roubaram a que lá estava, não se limitaram a deixá-la no espaço que violaram. Aqui chegados, muitas mais questões se começam a colocar. Por exemplo, o que é que esta acção fez pela causa monárquica? Alguma coisa boa? Nada? Terá efeitos perniciosos? Não será meramente um aproveitamento do tema, e dos símbolos, para a promoção individual dos seus autores? Se eles queriam mesmo promover a monarquia, não poderiam ter feito algo mais relevante? E até mais arriscado, como entrarem a correr na Câmara no meio do dia e tentarem mudar a bandeira à frente das autoridades? Enfim, esta acção pode ser uma palhaçada, que parece brincadeira de estudantes, mas também tem matéria para outro tipo de reflexões.

    E qual foi a pergunta a que eu não te respondi?

  11. Concordo em substância; fundamentalmente no respeitante à deposição da bandeira do município… Só espero que o rapaz cujo apelido lembra touros não tenha aprendido as «escaladas nazi-trotskistas» neste blogue…

    P. S. Quanto ao terem feito «história»… fizeram-na bem pequena, do tamanho de uma borbulha de pulga – o Buíça fez mais história, não acha? (E olhe que fala um monárquico; e não um desses que descobriram a monarquia com o primeiro broche…).

  12. Há uns bons anos um político desastroso etiquetou injustamente uma geração… Como nomear a vossa?…

    a) Geração Darth Vader?
    b) Junkees da Internet?
    c) Geração blogger?

    Outras hipóteses…

  13. Manuel Pacheco, há quem mereça ser despido à má fila, principalmente câmaras que se assemelham a circos.

    Valupi, as tuas perguntas são mesmo interessantes. Vou dar o meu ponto de vista para cada uma delas.

    “Por exemplo, o que é que esta acção fez pela causa monárquica? Alguma coisa boa? Nada? Terá efeitos perniciosos? Não será meramente um aproveitamento do tema, e dos símbolos, para a promoção individual dos seus autores?”
    Esta acção nada fez pela causa monárquica por não me parecer que estejamos em tempos de desenterrar cadáveres; porém, fez muito para sacudir o pó soníforo político circundante, anestesista de mentes conscientes e despertas. Efeito pernicioso? Não vejo nenhum. Esperemos que a ideia se alargue a outras câmaras, não com bandeiras monárquicas, mas com toda a parafernália possível e inimaginável como posters de Mickael Jackson, Cicciolinas nuas, Madonnas com Jesuses e Samanthas Foxes sugestivas.

    “Se eles queriam mesmo promover a monarquia, não poderiam ter feito algo mais relevante? E até mais arriscado, como entrarem a correr na Câmara no meio do dia e tentarem mudar a bandeira à frente das autoridades?”
    Não. A resposta é redundamente negativa. Quem liga à monarquia? Hoje em dia, é como defender a causa dos mamutes desaparecidos. Portanto, fizeram eles muito bem em escalar aquela árvore, chamada Câmara de Lisboa. Costuma-se dizer “Cada macaco em seu galho” e eles só quiseram dar uma lição aos chimpanzés engravatados, que cirandam por lá diariamente, fingidores condoídos de males alheios. Até os chimpanzés engravatados vertem lágrimas de crocodilo.
    Mais arriscado? Eles são cómicos e divertidos, mas não são burros ou tolos. Dás aqui uma imagem ficcionada, tirada de um clássico: é um cliché. Em pleno meio do dia, o mais certo era a acção ter abortado e nada teria sido noticiado.

    A pergunta a que não respondeste era acerca dos cómicos, mas agora já não tem importância, pois penso saber onde reside a diferença entre cómicos em geral e cómicos-artistas do calibre de Raúl Solnado. (Cf. “A comédia à portuguesa continua sem ter herdeiros na comédia portuguesa. Não há escritores e realizadores para tal. Os cómicos vão aparecendo, mas falta quem ame o povo.”)

  14. Os gajos do 31 foram uns cobardolas.
    «Se eles queriam mesmo promover a monarquia, não poderiam ter feito algo mais relevante? E até mais arriscado, como entrarem a correr na Câmara no meio do dia e tentarem mudar a bandeira à frente das autoridades?»
    Coragem, coragem é «herdar» um «blog» que outros criaram e assinar: Val.
    Vale tudo na «blogosfera».

  15. claudia, estás a confundir a política com o espectáculo, parece-me. Se tu própria consideras inviável o regresso da monarquia, para ti esta acção é mesmo, e só, uma palhaçada. Nesse caso, palhaçada por palhaçada, não vale a pena ofender um dos símbolos de Lisboa.

    Quanto à tua pergunta, não respondi porque ando com pouco tempo para as respostas em certas fases, e depois passa a ocasião. Mas cá vai: todos os que te lembres. Há uma geração de cómicos da leva do Ricardo Araújo Pereira e do Bruno Nogueira. E antes havia a geração do Herman, Nicolau (um pouco mais velho, mas ligado ao começo do Herman), Fernando Mendes, e uma série de gente da revista e do teatro. O que falta não é este material moldável, falta é quem os molde, quem escreva bons textos, tenha boas ideias e as produza e realize.
    __

    pedro oliveira, que queres dizer?

  16. Estamos a querer ser a «república» do Irão ou a «monarquia» dos Estados Unidos da América?

    E depois ainda temos que assistir ao patético espectáculo – arena blogosférica como auxílio terapéutico ocupacional – dos insultos entre republicanos e monárquicos, quase sem um único argumento válido, e sem um pingo de reflexão acerca de Portugal, o actual estado do País, nem conhecimento do que seja república e monarquia… Em monarquia estamos nós a viver há um século; uma monarquia cretina e sumamente injusta, que se disfarça de república e elege chefes partidários para macaquearem por dois mandatos o papel de um Rei!

    Nenhuma nação no mundo realizou alguma vez a res publica; excepto episódios comunais de curta duração.

    O conceito de monarquia democrática parlamentar é politicamente válido, e dos que, no contexto da reflexão de filosofia política das últimas décadas, mais tem sido discutido. Há até quem no nosso País (não vou publicitar ninguém porque estou farto de intrigas de meia tijela!) tenha produzido obra recente, em que os conceitos de república e monarquia se embricam em novas formas políticas, na busca de uma renovação do pensamento político, no contexto pós-moderno da morte das ideologias.

    Não odeio a república nem quem a defende. Limito-me ao debate sério de ideias e, honestamente, a lutar pelo que me parece melhor para Portugal, especialmente para o nosso martirizado Povo, secularmente condenado à injustiça social por governantes cretinos, num conluio de empresários e políticos corruptos (alguns já andam montados no cachaço do zé povinho de antes do actual regime: boiam em todas as águas e dão vivas a tudo!), ao analfabetismo e a índices de qualidade de vida indignos para uma nação da europa ocidental!

  17. calha sempre bem alguém que zele pelo bem estar do seu povo e pelo bom funcionamento das instituições sem depender de eleições , embuçado. não tem de fazer negócios escuros para conseguir/manter o poder e só tem a ganhar se os seus cidadãos andarem felizes. resulta lá para os lados da noruega e suécia , por exemplo. claro que , por herança , nos pode calhar um tontinho. rever a história do primogénito e transformá-la no mais apto era capaz de ser boa ideia , caso algum dia…

  18. Valupi, o que eles fizeram não é nenhuma palhaçada. Qual a diferença entre o teu “não vale a pena ofender” e os melindres ticosos dos estáticos ditadores? Aquilo não foi um mero espectáculo inocente. Foi uma ridicularização completa, perfeita, das nossas respeitabilíssimas instituições. O regresso à monarquia é mais que inviável, mas não condeno este acto inédito na nossa vidinha de placidez política por manifestar um subtil desejo de mudança, ainda que não se saiba qual a direcção a tomar.

  19. Amigo, a sermos, de facto, honestos, teremos que considerar que os monárquicos também são pessoas de bem, não são todos petizes em busca de 15m de fama e têm trabalhado no sentido de tornar a monarquia um sistema político moderno e justo, limitar-lhe os defeitos e torná-la politicamente viável.

    Essa questão está prevista, por duas figuras, politicamente renovadas e actualizadas: o plebiscito e a aclamação.

    a) O plebiscito permite «convidar» à deposição um Rei incapaz;

    b) A aclamação: sobre esta figura tenho eu próprio reflectido no sentido de contornar uma das principais objecções republicanas: a da sucessão dinástica do Chefe de Estado. Simplificando muito: Rei que não é aclamado não é desejado.
    É evidente que nós, monárquicos, encontramos vantagens na sucessão dinástica; só esta permite educar uma criança para as futuras funções de chefia de uma nação (e note-se, chefia do estado não é chefia do governo).

    NOTA: «Ribeiro Telles sabe que ainda há preconceitos sobre a monarquia: “Mas ela é de todos, dos comunistas aos conservadores, e não de uma elite nobiliárquica.” Aliás, um dos motivos que o levou a sair do PPM foi o de acreditar que o movimento é transversal na sociedade. O casamento de D. Duarte com D. Isabel reforçou a sua convicção que a causa monárquica deveria ser “alargada e não estreitada.” Daí que torça o nariz a partidos ou federações exclusivamente monárquicas.O receio de que um Rei incompetente se possa perpetuar na cadeira do poder é afastado categoricamente: “Defendo que se um monarca não proceder bem poderá vir a ser substituído por referendo ou plebiscito.” A História tem como grande exemplo o de D. Afonso VI.»

    Muito o citam, menos o seguem e ainda menos os que com ele reflectem: monarquia light é o que está a dar…

  20. Cláudia
    “Há quem mereça ser despido à má fila, principalmente câmaras que se assemelham a circos.”
    Não digo que não. Está-se a referir a pessoas e não a símbolos. Sabe que para eleger pessoas vai-se a eleições, para eleger uma bandeira, tem-se certas normas a cumprir e mediante proposta não me lembro a que entidade. Com um rei tem de o gramar toda a vida. Se for um D.João VI, então é que estamos tramados. Dizia ele: além de todas as doenças possíveis e imaginárias, ainda sofro das amborródias, tenho um grande peso na testa, que a Carlota Joaquina, me impôs.
    Se ao menos só dissesse: porque no te callas

  21. claudia, não perdeste grande coisa. Eu própria praticamente não leio o Expresso. Se quiser saber como está o tempo vejo um boletim metereológico ou consulto o Borda d’água. :)

  22. mas parece que o João VI, coitado, no meio daquilo tudo, e com as invasões napoleónicas à mistura, e a Carlota, incluindo laranjas com cianeto no fim, acabou por ser um homem de visão. No Brasil gostam muito dele e já revi a minha posição sobre o assunto.

    Sou gamado no Padre António Vieira, que bom homem e amigo.

    Portugal foi muito inovador na ordem mundial, desculpem lá mas somos dos maiores senão os maiores em inovação política na História, embora ao contrário dos ingleses e dos espanhóis não precisamos de andar por aí a reclamar, os factos falam por si.

  23. Z
    Tenho muito orgulho na nossa história. Era das disciplinas que mais gostava. Gostei de todas as dinastias menos a filipina.
    Quanto aos brasileiros gostarem de D.João VI, quem não gosta de paus mandados – veja o que nos acontece na actualidade – o que sempre li e ouvi é que gostavam do Príncipe D. Pedro. (Independência ou morte)

  24. (bem, mas parece que o D. João VI foi mesmo um homem de visão e empurrou o Pedro para a independência do Brasil, ipiranga. O D. Pedro foi muito lúcido e corajoso, morreu tão novo aos 36, no quarto D. Quixote.)

  25. Quanto ao Sr. D.João VI ter sido um pau mandado, olhe que não, olhe que não. A moderna historiografia portuguesa e brasileira revê a matéria e há vasta documentação que o prova.
    Quanto á bandeirinha azul e branca que uns cómicos hastearam, era ranhoseca como ranhosecos foram os últimos anos da monarquia. Lavrei o meu protesto na câmara de António Costa que naturalmente apoio. Desculpem mas quem não se sente não é filho de boa gente!

  26. O respeitinho é muito lindo.
    Troçar da república? Rir da maçonaria? Não havia nexexidade…
    A indignar-se por tão pouco, já dá para ficar com uma ideia do que acontecerá se um dias estes esquerdistas tiverem o poder nas mãos….
    É evidente que entre eles e Chavez não há diferença, apenas oportunidade

  27. Não consigo perceber de todo quantas gerações andam por aqui que falharam as aulas de História – mas enfim, quem quer saber disso já?…

    Agora as «amborródias» (!) é que por amor de Deus… ao menos aflijam os reis com doenças conhecidas pela medicina.

  28. Valupi,

    Recordo um extracto do teu primeiro «post» no Aspirina:
    «O Luis Rainha cometeu a imprudência de me convidar para esta embalagem. Trata-se de um conspícuo erro de casting; mas o homem também tem direito a errar, apesar de tudo.»
    Repara, neste «post» chamas tontinhos aos «bloggers» do 31, contudo eles não se escondem atrás de pseudónimos, dão a cara, assumem os actos que praticam e dando de barato que cometerem um roubo da bandeira, voltaram atrás e devolveram-na.
    Seria bom que outros ladrões tivessem a mesma dignidade os do BPN, por exemplo… «está aqui este dinheiro que resultou de acções ilícitas viemos devolvê-lo» (este exemplo poderia ser multiplicado por muitos outros «crimes sem castigo»).

    Quanto ao que escrevo acima e que te aborreceu, convenhamos que embora tenhas sido um dos fundadores deste «blog» foste para ele convidado pelo Luís Rainha.
    Posso estar enganado, mas penso que este «blog» terá sido pensado pelo Luís e pelo Zé Mário que convidaram umas quantas pessoas para nele escreverem.
    Na minha opinião este Aspirina nada tem a ver com o Aspirina inicial, perdeu com as saídas do Luís, do Zé Mário, do Fernando Venâncio, do Daniel Reis, do Rodrigo Moita de Deus (sim até o Rodrigo já escreveu no Aspirina).
    Basta lembrar as circunstâncias que levaram ao abandono de alguns.

    Tudo aquilo que escrevi antes é, apenas, a opinião dum gajo (eu) que está longe, desconheço, completamente, as intrigas, as vossas relações pessoais, etc… limito-me a acompanhar o que se escreveu e o que se continua a escrever no «blog»

  29. pedro, vou responder no pressuposto de que leste o que escreveste, e que o entendes.

    Começo por te agradecer a explicação, embora ela traga novas perplexidades. É que afirmas estar longe e desconhecer as “intrigas”(??) e as nossas relações pessoais, mas depois dizes coisas que eu próprio desconheço: “penso que este «blog» terá sido pensado pelo Luís e pelo Zé Mário”. Donde vem esta informação? Leste nalgum lado ou alguém te contou? É que quando eu fui convidado, “este blog” ainda não existia. Não existia nome, nem existia uma equipa fechada. Havia, isso sim, a iniciativa do Luis Rainha, a pessoa que me fez o convite. Contudo, desde o início ele deixou claro que estávamos em equipa, todos no mesmo estatuto. Para curiosidade, o nome “Aspirina” foi proposto pelo Nuno Ramos de Almeida (entre outros nomes em votação), e eu propus a versão “Aspirina B”. Portanto, até por esta trivialidade, fiquei sem saber o que querias dizer com

    «Coragem, coragem é «herdar» um «blog» que outros criaram e assinar: Val.»

    Todos os fundadores criaram o Aspirina B, como espero que aceites sem dificuldades cognitivas especiais. E, depois, o blogue continuou a ser criado por todos os autores, ao longo do tempo. Como alguns foram saindo, esses deixaram de contribuir, mas o blogue continuou a ser feito pelos que ficaram. Quem saiu, e todos saíram de livre vontade, desligou-se do blogue. É tão simples quanto isto. Não existem títulos de propriedade, o blogue é de quem o trabalha (se tiveres dificuldade com estes pontos, eu voltarei a eles com mais detalhe).

    Sim, eu também acho que o blogue tinha mais interesse no tempo em que mais figuras extraordinárias, a vários títulos, faziam parte da equipa. No entanto, também estou grato pelas extraordinárias figuras que neste momento constituem a equipa. Porque o extraordinário, na minha opinião, está nisso de haver uma equipa. Mas, e então? Queres fechar isto porque os que nomeaste foram embora? Explica melhor o que te aflige. E, de caminho, elabora sobre as “circunstâncias” relembradas associadas à sua saída, tenho a certeza de ainda vir a aprender muito contigo.

    Finalmente, o pseudónimo, “Valupi”. Neste ponto também precisas de te esticar um bocadinho mais. Qual é, exactamente, o teu problema? Estás contra os pseudónimos por uma questão de princípio ou precisas de saber o meu nome? E para quê? E como é que saberias que o nome indicado era o verdadeiro? Se eu te disser que me chamo Pedro Oliveira, não acreditas? E se for António Silva, já acreditas? Conta lá como vais resolver esta imponderabilidade da nomenclatura no mundo da comunicação social.

  30. 1. Confirmas que a iniciativa do «blog» foi de Luís Rainha.
    2. Não li em nenhum lado nem ninguém me contou. Como o José Mário Silva era um dos maiores «alimentadores» do Blog de Esquerda [BdE], onde aliás fazias brilhantes comentários (outros nem tanto), pensei que o «Aspirina» fosse, também, por ele pensado.
    3. «O blogue é de quem o trabalha» parece-me bem. Viste o documentário Torrebela? Lembras-te da cena da enxada? «A enxada é de todos, camarada…»; «Não, não, a enxada é minha».
    4. Não quero fechar nada. Gosto do «blog». Gosto de alguns «posts» teus… pareces-me um gajo com opiniões próprias o que vai sendo cada vez mais raro. Gosto muito de alguns «posts» do José Carmo Francisco.
    5. Não de gosto de pseudónimos por uma questão de princípio. Se um dia for ao Bairro Alto ou ao Chiado ou assim, gosto de conhecer as pessoas. De as poder convidar para tomar uma cerveja ou um café. Aconteceu isso com o Pedro Mexia, por exemplo. «Olhe Pedro, gosto de o ler no seu “blog”, escreve bem, parabéns». Acho que quem não deve, não teme. Estou a lembrar-me que já participei em vários encontros de «bloggers», um deles em Santiago de Compostela, com Paulo Querido… que hoje o aloja.

    Quanto ao resto, um abraço, parabéns pela disponibilidade que mostras para responder aos teus comentadores.

  31. Sem me desculpar, porque isto é público, mas reservando algum pudor, vou apenas comentar isto:

    «5. Não de gosto de pseudónimos por uma questão de princípio. Se um dia for ao Bairro Alto ou ao Chiado ou assim, gosto de conhecer as pessoas. De as poder convidar para tomar uma cerveja ou um café. Aconteceu isso com o Pedro Mexia, por exemplo. «Olhe Pedro, gosto de o ler no seu “blog”, escreve bem, parabéns». Acho que quem não deve, não teme. Estou a lembrar-me que já participei em vários encontros de «bloggers», um deles em Santiago de Compostela, com Paulo Querido… que hoje o aloja.»

    – que é das coisas mais patetas que já li numa caixa de comentários!

    O princípio de conhecer as pessoas (hilariante); aconteceu com o Pedro Mexia (outro pateta); quem não deve não teme (a sério? deve ser por isso que o povo anda sempre a ser fodido!); os encontros de bloggers (hilariante e depois soporífero); o Paulo Querido (ainda mais pateta que o Mexia, o que é obra!).

    Olhe, não se trate! Mas procure informar-se acerca do que é o cyberpunk, do conceito de webpersona, webknight, da ética dos cyperpunks, da sua relação com a Internet, etc…

    Gente que confunde o hiper-texto com papel, com livrinhos, jornais, etc, que andam pelo cyberspace em busca de uma fama lá fora, de um qualquer lucro, são a vermina da Internet, que nem deveriam estar aqui, e ser, repetidamente, devolvidos ao vazio e ao lixo!

  32. Caro Klatuu o embuçado,

    Não acredite em tudo o que lê nas caixas de comentários dos «blogs» se não vai ter muitas desilusões na vida.
    O Pedro e o Paulo são patetas?
    Podem sê-lo (é a sua opinião).
    Mas dão a cara.
    Essa é a diferença.
    «procure informar-se acerca do que é o cyberpunk, do conceito de webpersona, webknight, da ética dos cyperpunks, da sua relação com a Internet, etc…»
    Sou um gajo do campo, preocupo-me mais com minis e tremoços… mas «cavaleiros/guerreiros da rede (meias de rede?)» e «cyperpunks (será ciberpunks?)» parecem-me conceitos interessantes.

  33. «Olhe, não se trate! Mas procure informar-se acerca do que é o cyberpunk, do conceito de webpersona, webknight, da ética dos cyperpunks, da sua relação com a Internet, etc…»

    Não se arme em mestre escola: a palavra ocorre uma vez correctamente escrita; lapsos num teclado são frequentes.

    O tom paternalista, leve-o e depeje-o na retrete com os tremoços, e não se desilude.

    A verdade é que todos usamos tecnologias para que nada contribuímos; e depois há quem preserve a mística originária das mesmas, e quem não passe de um usuário… frequente nos campónios.

    Dão a cara? Bom para eles, sempre é melhor que dar o cu – mas depende dos gostos.

    «A fama é para as actrizes e para os produtos farmacêuticos.»
    Álvaro de Campos.

  34. «Não se arme em mestre escola: a palavra ocorre uma vez correctamente escrita; lapsos num teclado são frequentes.»

    É verdade.
    No meu teclado o «p» e o «b» estão mesmo lado a lado.
    Gostei do «post» recomendado nas reticências.
    Um abraço (virtual, claro).

  35. pedro, não estava em causa confirmar o convite do Rainha, se tu próprio citas o primeiro texto que escrevi no blogue. É que não se trata apenas de não ser um segredo, é até algo notoriamente público. O que estava em causa era o sentido das tuas palavras, as quais afirmavam que eu teria “herdado” algo que outros fizeram, e que, por isso, estaria a ter um qualquer benefício ou usufruto ilegítimo ou criticável. E foi precisamente sobre isso que te fui interrogar para perceber donde vinham essas ideias posto que eu era fundador (mas que não fosse, seria igual dado que quem sai do blogue declara que não quer mais saber do que larga, abdica dessa responsabilidade).

    A questão do pseudónimo, tal como a pões, não faz qualquer sentido para mim. Não precisas de saber o nome de baptismo seja de quem for para teres uma qualquer interacção social com essa pessoa, como é óbvio. Por exemplo, eu não faço nenhuma ideia se “Pedro Mexia” é o verdadeiro nome do indivíduo que assina “Pedro Mexia” – mas sei que é indiferente! E tu, acaso desconheces a longa lista de escritores, celebrados e premiados escritores, que optaram pelos pseudónimos ao longo de toda a sua carreira, fosse para terem múltiplos registos literários, fosse pelo que fosse?

    O Paulo Querido sabe o meu nome. Todos os bloggers do Aspirina sabem o meu nome ou podem sabê-lo se o desejarem. Os meus colegas de trabalho e amigos sabem que escrevo no blogue. Qualquer pessoa que me peça um contacto pessoal fica a saber o meu nome. Se alguma autoridade o requerer, apresento-me com o meu nome. Não sou eu que tenho problemas com o meu nome, nem ele é secreto. Eu tenho é o direito a usar pseudónimo, e quem achar que isso colide com a sentença “quem não deve, não teme”, está a declarar o seu estado paranóico, ou coisa pior.
    __

    KLATUU, o Paulo Querido é um baril. Quanto a ser pateta, não faço ideia a que te refiras, tendo eu dele a opinião absolutamente contrária. Se há coisa que ele não é, é ser pateta.

  36. Conheces algo mais pateta que «ser baril»? Pior que isso, neste País, só «ser um bom homem», pior ainda, péssimo, só «no fundo não é má pessoa, até é um gajo porreiro».

    P. S. Ser pateta é um certo estado moral, social e político – e não privação de inteligência; não disse que era estúpido e inculto.

  37. KLATUU, seja lá o que for que estás a tentar dizer, ainda só disseste que ele era pateta. Ora, para mim, pateta é o que ele não é. E é um baril, o que quer dizer que ainda menos pateta é. E por aí fora, sempre a aumentar a distância para a patetice.

  38. Ou seja: não é pateta porque tu dizes que não é pateta – e é pateta porque eu digo que é pateta… :) Mas eu ainda argumentei. Agora isto: «Ora, para mim, pateta é o que ele não é. E é um baril, o que quer dizer que ainda menos pateta é. E por aí fora, sempre a aumentar a distância para a patetice.»… Desculpa lá!

    Uma coisa concedo: tem fôlego na escrita, enquanto que o Mexia, nem isso (os pedacitos de prosa do Mexia só têm interesse para quem queira fazer um estudo sobre a novel mitologia intelectual urbano-depressiva de que as gajas boas não fodem com gorduchos…).

    P. S. Eu posso esclarecer: «Mexia» é a versão concisa de «Mexilhão» (assim dá menos a ideia de que certos gajos que simulam estar fora dos eixos… tudo fazem para ser adorados pelo sistema – quiçá, «Querido» também é pseudónimo…).

  39. Pois, o Mexia gosta de grelo fresco. Pelo menos, de o imaginar. É um desporto com muitos praticantes no mundo das letras. E talvez até pareça fino.

  40. Até é um gajo baril… LOL!… mas com ele por perto não se come uma gaja… Se abre a tampa de uma garrafa a uma moçoila, saem-lhe logo umas piadolas sexistas, de gelar os trópicos… :)

  41. P. S. Gostas de Bakunin?… Ando farto da blogosfera mas lá consegui escrever um post.
    Há dias que acordo nos extremos do socialismo, ora de Esquerda ora de Direita; deve ser metabólico, ou então é consoante o tomate que me apertam… :)

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