Um livro por semana 131

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«Pobre e mal agradecido» de Rui Tavares

Trata-se aqui de uma «miscelânea» organizada a partir de textos do blogue «Barnabé» mas não só. Nestas 200 páginas podemos ler digressões sobre as obras de Francisco Goya, Albrecht Altdorfer, Primo Levi, Ítalo Calvino, David Hume, W.G. Sebald, Haruki Murakami ou George Orwell: «A fome reduz uma pessoa a um estado sem cérebro, é como se a pessoa se tivesse transformado num molusco qualquer».

A propósito do 11 de Setembro de 2001 o autor escreve: «ouvi dizer que precisamos de um novo Salazar, reintroduzir a pena de morte, é pena os drogados não morrerem mais depressa e muitas outras coisas equivalentes». Sobre a expressão «orgulho de ser branco» afirma: «esse imbecil ainda não entendeu que ele nem sequer teve responsabilidade em ser branco. É só branco por acaso. Tem muito pouco de que se orgulhar».

Este livro passa por Paris («uma cidade mortalmente aborrecida») e pelas palavras de Woody Allen: «quando chegarem atrasados usem a desculpa dele – como o Universo está em expansão, demorei mais um bocado a achar a minha roupa». Passa também por Santana Lopes («o governo de Santana Lopes será tão lembrado quanto a revolta do grelo ou a guerra das laranjas») e pela Irmã Lúcia: «Estamos numa igreja de homens: agradecem-lhe o não ter atrapalhado. Estamos numa igreja experiente: agradecem-lhe o ter-se tornado numa relíquia viva». Sem esquecer uma das paixões do autor: «Corria o ano de 1772 e quatro dos melhores censores portugueses gastavam boa parte do seu tempo a tentar definir o que era a superstição».

(Editora: Tinta da China, Prefácio: Ricardo Araújo Pereira, Capa: Vera Tavares, Composição: Olímpio Ferreira)

10 thoughts on “Um livro por semana 131”

  1. JCF, por falar em pobre e mal agradecido aqui vai um texto.
    A bola de futebol:
    É redonda e tanto vai para um lado como para outro. É a única de entre 25 pessoas a que mais sofre e única a não tomar partido por ninguém. Não digo sempre a mais mal tratada, para isso temos os árbitros. A bola leva pontapé daqui e dacolá, sem ter culpa nenhuma. Admira-me aguentar tanto tempo, se fosse outro abandonava o recinto, a maior parte das vezes com justa causa. De vez em quando é agarrada por algum jogador mas logo arremessada. Às vezes o jogador faz-lhe um carinho, dá-lhe um beijo, mas ela sabe que tudo é falso, prefere ir para às mãos do guarda-redes, que entrar na baliza. Sabe que este dá-lhe mais carinho, segurando-a, abraçando-a, de vez em quando este dá-lhe um soco, mas tudo perdoa. Ao entrar em campo vem na mão de um senhor vestido de preto – hoje não é tanto assim; alguns vêm vestidos de amarelo, de roxo e alaranjado – dando a ideia que vem desconfiada, por vir com tais trajados e vulneráveis à verdade desportiva. Aguenta sempre firme, não protestando, é sempre a última a abandonar o recinto, quando às vezes não fica esquecida.

  2. O Rui Tavares, pelos vistos, veio dizer que quem escreve em blogues políticos fala pela voz dono, ou coisa parecida. Ele lá sabe. Eu desconfio é que se não fossem os blogues, praticamente, não se dava pela campanha. Aqui a campanha anda tão animada que o Louçã na sua blogconf afirmou que era aqui que queria ganhar as eleições. Não sei qual é a razão pela qual as televisões e mesmo os jornais não reflectem este entusiasmo. Isto, apesar de não terem os habituais incêndios comuns nesta época, nem ter desaparecido nenhuma criança, nem os assaltantes andarem muito inspirados este Verão. Têm tido a gripe para se entreterem, mas o vírus tem-se revelado muito pacífico para o gosto dos jornalistas, ao ponto de eu estar na dúvida se é melhor o Cristiano Ronaldo ter sido contaminado pelo vírus da gripe A ou pelo da sazonal…

  3. Sinhã, não assustes as pessoas com os diabetes. São piores que a gripe, e há para todos os gostos, fazem as delícias de qualquer jornalista que se preze. :)

  4. Amigo Pacheco quando o jogo tem 4º árbitro são 26 pessoas em campo. Um pequeno pormenor que não conta nos jogoso organizados pela F. Port. Futebol…

  5. JCf esse não conta para nada. A missão dele é mandar o treinador para o retângulo que lhe está destinado, para levantar a placa de substituíções e tempo extra. Foi mais um tacho que se arranjou.
    Cumprimentos

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