Vinte Linhas 391

Santos Fernando ou «Os grilos não cantam ao domingo»

O «Diário de Noticias» de hoje traz um texto sobre a Padaria do Povo em Campo de Ourique mas numa caixa sobre a sua biblioteca surge uma foto de Santos Fernando ao lado do nome de Bento de Jesus Caraça. Feliz mal-entendido este…

Lembrei-me logo dos velhos tempos (anos 60) em que eu atravessava Vila Franca de Xira para comprar o «Diário Popular» e ler a crónica de humor de domingo sob esse sugestivo título: Os grilos não cantam ao domingo. Uma dessas crónicas tinha a ver com um escritor muito estranho – já nos anos 60 os havia. Era um homenzinho que resmungava mais ou menos assim: «A arte de escrever foi a única, até hoje, que não sofreu alteração. Desde Rabelais para não ir mais para trás, até Bernard Shaw para não ir mais para a frente; desde Maquiavel e Erasmo até Eça de Queirós ou Charles Dickens e destes até aos nossos dias que não há uma pequena modificação! Os livros sempre estiveram sujeitos ao estilo, aos personagens, ao enredo criado por figuras fictícias, ao ambiente, ao melodrama, à comédia, ao amor, às palavras com sequência! Ora num tempo em que a vida moderna está atomizada o tal senhor queria escrever e lançar um romance atómico, um livro no qual não haveria nem princípio nem meio nem fim. Um livro no qual as personagens podiam ser um prego, uma bota furada, um pêndulo de relógio, um pedaço de sílex, um par de castanholas, uma argola de guardanapo. E a crónica terminava com o homenzinho a ameaçar: dentro de pouco tempo nas livrarias apenas subsistirão os romances atómicos…Esta troca de imagens no jornal de hoje fez-me recordar as saborosas crónicas dos anos 60 quando os grilos não cantavam ao domingo.

6 thoughts on “Vinte Linhas 391”

  1. Esse restaurante não é perto da igreja? Quando em 2007 saiu no PUBLICO aquela entrevista colectiva aos filhos dos homens que nunca foram meninos parece que o almoço foi nesse restaurante. EStava tão emocionado que nem reparei no nome do restaurante. Voltando ao Santos Fernando eu vinha do Bom Retiro a pé e atravessava a vila só para comprar o jornal de Domingo o inesquecíel DIARIO POPULAR. DEle recordo a frase «o humor é uma lágrima entre parêntesis»

  2. è naquela rua estreitinha, penso que se chama Migel Bombarda, que vem dar ao pé do viaduto, sob o ual se faz a feira. À direita vai ter ao acesso para o Bom Retiro e à esquerda à rua que leva ao hospital. Ainda que a última também dê acesso ao Bom Retiro e por aí fora.
    O Forno é um restaurante pequeno, mas simpático e bom.

  3. Uma curiosidade que vim a descobrir nesse almoço transcrito pelo PUBLICO em DEzembro de 2007 – o Jerónimo de Sousa hoje secretário-geral andava no curso nocturno e vinha de comboio todos os dias de Santa Iria para Vila Franca.

  4. Sim. Era operário na MEC, que fabricava ferros electricos e outros electrodomésticos.
    Conheci o Jerónimo em 1978, quando estivemos nos órgãos sociais de uma grande colectividade ce cultura e recreio. Deputado, andava de comboio com a “maralha” toda e contava alguns episódios pitorescos ocorridoa na Assembleia da República.
    Somos quase vizinhos, mas raramente nos vemos aqui em Santa Iria.

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