14 thoughts on “O comentário definitivo sobre o momento político nacional”

  1. tu e os professores, Valupi… O PS contra os professores nos moldes em que esteve, não ganha. Aliás o comentário pressupõe a vitória da velha. É isso que queres?

  2. Falas como um corporativista, z. Se os professores não carecem de tutela, que expliquem isso aos portugueses. Passam a decidir sozinhos o que fazer quanto à progressão na carreira e demais chatices que o Governo teima em regular segundo critérios de política nacional.

  3. Por muito que me surpreenda nunca esperei ver o Nogueira a fazer campanha pelo PS. Cada vez que espuma de raiva esses argumentos pré-cognitivos só prejudica a causa que diz defender. Cá para mim deviam entrevista-lo todos os dias.

    O que se deve dar a um adversário enquanto diz baboseiras ? Um megafone !

  4. Não sou dessa corporação, também não sou da corporação anti-professores em que te pareces fundear. Hoje no jornal a ministra dizia lá numa caixa que as alterações introduzidas ontem e aprovadas pelo Governo visam responder e dar solução a problemas legítimos manifestados pelos professores.

  5. Nicolae, é matéria para uma antropologia do comunismo esta necessidade de radicalização do discurso nas barricadas antidemocráticas. O que Nogueira sugere é equivalente a qualquer dinâmica de guerra civil, por ser essa a matriz fantasiada. A revolução e a conquista do poder pela força (daí a importância das manifestações), não a negociação e o bem comum.
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    z, e quem representaria essa corporação antiprofessores? O Governo? É que eu limito-me a reconhecer ao Governo o direito de governar. As propostas feitas pelo Ministério da Educação podem ter erros, algures, como o Pentágono e a Nasa também erram seja no que façam, mas o que não se pode dizer é que tenham sido propostas contrárias aos interesses da comunidade. E o discurso e actos dos sindicatos escolhe essa estratégia de se recusar a qualquer mudança por questionar a própria legitimidade do Governo a governar segundo o seu programa e valores. A retórica do Nogueira é a de um opositor político da governação, não a de um representante de um sindicato.

    E é o que ele assume descaradamente, afirmando que está a conduzir o conflito de modo a que ele tenha influência eleitoral. Acho que isto devia merecer expulsão imediata da função, mas talvez os professores se revejam na perversão.

  6. Bom, eu que não tenho televisão não sou portanto o melhor observador do que o Nogueira anda a dizer, aliás nem gosto, mas não tenhas dúvidas que o PS e o Governo vão revêr alguns aspectos da política esboçada anteriormente: 100 000 pessoas na rua como aconteceu não pode deixar de ser relevante, como o Socrates veio a perceber inevitavelmente nas europeias. Qual função: sindicalista? Expulsar um sindicalista é sintoma de ditadura.

  7. Não se pode ceder a manifestações, isso é matéria de princípio. Dessas 100.000 pessoas (número meramente retórico), quantos eram familiares e amigos dos professores, reformados, desempregados, militantes e simpatizantes do PC e BE? Sabes quantos? Ninguém sabe, ninguém se preocupou em descobrir ou alvitrar, porque apenas importava o efeito propagandista dos “100.000”.

    Então, e se fossem 100.000 a recusarem qualquer tipo de avaliação, exigirem redução de horários e aumento salarial, querias que o Governo cedesse porque eles tinham vindo num sábado descer a avenida? Não entendo como te podes aliar a este argumento da quantidade.

  8. porque a quantidade é expressiva, Valupi, da tensão que se instalou, do descontentamento generalizado, mesmo que tenham vindo com os primos e tios o que aliás também não teria sido por acaso.

    Em democracia as manifestações são legítimas e servem exactamente para isso, para manifestar, e têm a força do número dos seus participantes. O fundamento da coisa é que haverá proporcionalidade entre a dimensão da manifestação e a tensão subjacente ao fenómeno. Os 100 000 não era retórico, era número confirmado simultaneamente pela PSP, se bem me lembro.

    Eu então não percebo como podes ignorar a evidência de que a coisa estava mal formulada, lembro-me daquele diagrama pesadíssimo que puseste então por aqui, mas enfim deixa para lá, deve ser a vigésima vez que falamos disto.

  9. z, por essa lógica, basta que os juízes, e seus familiares e amigos, se reúnam a passeio para os Governos guardarem a viola no saco. E quem diz os juízes, diz qualquer corporação. Queres ver os farmacêuticos a mandar nisto? Convida-os a virem até Lisboa com uns cartazes na mão. Obviamente, isto pode ser muita coisa, mas não é a democracia. Porque o Governo representa a comunidade toda, daí os conflitos.

    Os conflitos são tão legítimos como as manifestações. E tu aderiste ao lado dos manifestantes por adesão emocional ou afectiva. É que esse lado nunca apresentou nenhuma solução para o problema que o Governo queria resolver, antes optou por dizer que qualquer proposta que viesse do Ministério não prestava porque lhes retirava privilégios. Ora, precisamente.

  10. A avaliação dos professores é extremamente complexa por causa de duas palavras (de origem latina? o Valupi que esclareça): cota e quota. Admitindo que quota será mais pacífica, já cota gera uma dialéctica: será que os professores serão avaliados por levantamentos topográficos? Expurguem-se as ditas, e ficará a avaliação clarinha como água. Vai uma aposta?

  11. Valupi: não nego que qualquer posição terá componentes emocionais e afectivas, porque tal como enuncia o Damásio também não acredito na racionalidade pura, e já Aristóteles falava das afecções da alma, como te recordarás.

    Mas o mesmo se aplica a ti e às tuas posições, também sofrerás desse enviezamento mesmo que seja orientado em sentido contrário. A ponto de citares um gajo que vai votar PSD e que precisamente diz que deixará de votar se a manela satisfizer as reivindicações dos profs.

    Eu não fui a nenhuma, literalmente: a nenhuma, dessas manifestações, não só porque não sou, nunca fui (excepto 3 meses há muitos anos) e não quero ser professor do secundário, mas reconheço-lhes a evidência de se terem mostrado como uma multidão impressionante.

    Em democracia somos livres de ter opinião divergente, e em minha opinião o Governo, do partido socialista, procurou aplicar uma receita que já tinha sido ensaiada pela Thatcher em Inglaterra com muitos maus resultados pelo que se diz. Tu és favorável a essa perspectiva, ou similar, eu não.

    Quanto ao Governo e ao PS penso que vão inflectir alguma coisa na posição, e ainda bem.

  12. jrrc, latina, pois sim. E eu aposto contigo.
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    z, a citação é uma brincadeira relativa ao PSD, tu é que desviaste a atenção para os professores.

    O Governo pode ter errado em vários aspectos, como é natural num processo tão complexo e melindroso. Contudo, dizer que errou ou acertou é sempre relativo a um qualquer tipo de solução para este problema da avaliação e progressão docente. Que eu saiba, os sindicatos optaram sempre por boicotar o processo negocial, de todas as formas. E a classe, numa enorme maioria, queria manter tudo como estava. Não precisamos da Thatcher para entender esta parte da questão. A vontade do Governo era a de introduzir justiça e eficácia no sistema, é daqui que parto para a ponderação de todos os agentes no conflito.

    E concordo contigo: caso o PS seja outra vez Governo, os professores receberão uma proposta mais próxima dos seus objectivos, pois o sector tem de estabilizar num modelo qualquer, não se aceitará continuar no mesmo nível de tensão. Resta saber se isso será o melhor para Portugal.

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