Agora escrevo também aqui. Passem por lá, estou muito bem acompanhado.
Arquivo mensal: Outubro 2012
Technology loves Amália
I have discovered Amalia through a PBS (Public Radio)….the announcer was telling how he, not knowing a word of Portuguese, upon hearing her voice…fell in love with it. Went to Lisbon on his 40th birthday just to learn more about Amalia and Portugal. He was right. This has become one of my favorite songs….and am learning a lot about Amalia through You Tube. The lyrics are very sensitive…got to google translator! Thanks Amalia for being with us…and for the technology today!
Aprender com o Pedro Marques
Há boas e excelentes razões para estar 9 minutos com o vídeo abaixo no centro da nossa atenção. Começa logo pela problemática do que se discute, passa pelo que mostra acerca da falta de coerência e de integridade do CDS e termina pela qualidade da intervenção de Pedro Marques. Nesta dimensão do episódio, realço a sua acutilância, assertividade e pujança. É notável, e uma lição ao dispor de qualquer outro tribuno, o equilíbrio conseguido entre o conteúdo, a forma e a intenção. Numa cultura política onde a oratória tende usualmente a ser bacoca ou balofa, quando não inane – e onde a emoção descontrolada anula a eficácia retórica e torna disfuncional o confronto de ideias – o que aqui vemos é um poderoso momento político em que o verbo alimenta o intelecto e promove a acção.
Quando finalmente Seguro abandonar o poleiro e puder dedicar-se a 357% à criação do tal Código de Ética prometido com que vai limpar o partido da sujidade socrática, então o PS poderá voltar a reunir os seus melhores talentos e começar a oferecer saídas para a desgraça que Cavaco, PSD, CDS, BE e PCP causaram pela sua imperdoável irresponsabilidade. Só o PS está em condições de juntar figuras históricas da democracia, líderes tarimbados no exercício governativo, independentes de mérito com ou sem experiência anterior e jovens quadros partidários com estas evidentes e superiores capacidades de comunicação.
Governo sem refundação possível deve ser corrido
Vamos então à “refundação do Memorando”, que Passos acaba de tirar da cartola:
Gaspar estampou-se contra a parede. As medidas “além da Troika” abriram um buraco orçamental monumental e levaram-nos diretamente para a espiral recessiva que se adivinhava, agora implicitamente reconhecida. Esta espiral resulta e é ao mesmo tempo a causa do agravamento das medidas de austeridade. Não tem fim à vista. O mais recente saque fiscal consagrado na proposta de orçamento para 2013 faz parte desse processo.
Gaspar ficou sem estratégia e sem argumentos. Não tendo sido despedido, passa então à fase seguinte, que sempre esteve na mente dos ministros não oficiais com quem troca impressões com cada vez mais assiduidade. Em reunião com Borges e Braga de Macedo delineia então o seguinte plano de execução: acusar os portugueses que se indignam e protestam contra a carga fiscal e os cortes anunciados (que surpresa!), contando-se entre os portugueses muita gente do PSD e do CDS que até costuma falar numa reforma do Estado (seja isso o que for), e aproveitar o ensejo para vender a mensagem de que, já que não gostam de pagar tanto, então quem não quer pagar tem de estar preparado para usufruir de menos serviços públicos, como a Educação pública, o SNS, a assistência social, etc. Brilhante. A dita refundação do Memorando consistirá, assim, em reduzir as funções do Estado e, basicamente, entregar tudo aos privados. A dívida continuará entretanto a subir, mas isso não interessa nada. Está lançada a manobra de diversão (pois não me parece que vão ter qualquer sucesso no plano).
Descrever tanto cinismo e farsa repugna-me enquanto escrevo. Mas esta gente é mesmo capaz de tudo. Sejamos claros. O aumento brutal de impostos previsto para 2013 é a tentativa desesperada para adquirirem as receitas necessárias para tapar o buraco aberto neste ano e meio de governo experimentalista (e falhado). Não é para assegurar funções (para eles dispensáveis) do Estado. Tudo está a ser visto, propositadamente, ao contrário. A morte da economia é a principal razão da falta de receitas. É pela economia que o país se pode reerguer. Que os credores não queiram saber disso, é com eles, mas tinham obrigação, se querem mesmo revaer o dinheiro emprestado, de ser mais espertos e perceber que programas de ajustamento impostos a países pertencentes a uma zona monetária são coisa inédita, que exigiriam um estudo e uma revisão prévios da receita tradicional.
Espero que a oposição em bloco os mande colocar o eufemismo da refundação do Memorando no devido lugar anatómico.
JÁ NÃO SE ESCONDE UM BOCADINHO A LOUCURA???
Estamos entregues a um PM que entende que não se deve dizer no exterior das nossas “dificuldades” – que reconhece – porque assim sendo “os credores não acreditam no nosso plano”.
Ou seja, se soubessem do estado do país, saberiam que o “plano” não vai dar certo.
Como disse Passos, é como um carro em terceira mão! Se o queremos vender, escusado será andar a dizer ao comprador dos defeitos na porta e aqui e ali.
Passsos, glorioso, assumiu a política anti-patriótica, a política fiel ao modelo do seu V. Gaspar, desviando-se do interesse do povo, gritando contra quem anda pela Europa a falar do sofrimento limite causado por uma receita errada.
Seguro faz mal, portanto, em pensar como os outros parceiros intervencionados, falando, sim, falando na Europa, em busca de um consenso em torno da ideia de que temos de mudar de política.
Agora sabemos o quanto Passos deve ter ficado passado com as declarações da DG do FMI.
Com que então lá fora há gente que começa a saber que estamos a conduzir o país para uma rutura social? – pensará.
É isto. Um PM que prefere o seu plano à nossa salvação e que manda sequestrar informação real acerca do estado do país.
O povo que sofra.
Mas os credores não precisam de saber…
Louçã saiu-nos muito caro
Louçã merece todos os elogios que tem recebido. É, por conquista própria, uma figura que pertence ao património cívico e político da comunidade que somos. Há valor na sua pessoa, no seu trajecto profissional e na sua entrega à causa pública. Portanto, ainda bem que pudemos contar com ele e melhor para nós se pudermos continuar a ter o seu verbo e a sua energia.
Mas Louçã igualmente merece algumas das repreensões que calhe receber. Como eu, muitos votaram no PSR e no BE só por adesão à sua promessa de renovo da esquerda, estagnada pelo conservadorismo e sectarismo do PCP desde o 25 de Novembro. Muitos se emocionaram com as suas tentativas para entrar no Parlamento, onde o imaginávamos a concretizar a imagem do pauzinho na engrenagem. E muitos, durante a maioria socialista, viram nele uma via para puxar o PS mais para a esquerda, essa esquerda romântica e imobilista, em negação face ao tempo e seus ecossistemas globais. Uma esquerda, enfim, já esquecida de Marx, por isso sem defesas perante aqueles que garantiam consistir a luta pela protecção dos mais frágeis e dos remediados na permanente recusa de tornar o presente dialéctico. A migração de eleitores do PS para o BE, em 2009, tinha vários factores na sua origem, sendo a reacção corporativa dos professores um dos principais, todavia um e só um propósito: retirar a maioria a Sócrates e forçar um Governo de coligação ou um acordo parlamentar com o BE. Nenhum daqueles que ofereceu a Louçã a melhor noite da sua vida política, em que até se viu à frente do PCP, pretendia que o Bloco mandasse nisto, queriam era castigar Sócrates por este ter realmente ousado governar o País.
Decisões à socapa, cortes fáceis, cruéis e estúpidos
Diz-nos V. Gaspar que estamos numa maratona. É uma imagem de “longo prazo”.
Fala de “regime”, de “funções do Estado”, de “adequação de custos em termos de “sistema político”.
E todos os dias somos confrontados com cortes cegos que revelam um pensamento nulo sobre estruturas ou funções do Estado.
Toda a gente percebe que despedir milhares de funcionários é um despedimento coletivo que diz nada, porque nada mudou, porque nada foi explicado, acerca de uma estudada reorganização da Administração Pública.
Da mesma forma, de que serve reduzir efetivos ou meios das Forças Armadas, se o Governo não apresenta uma pálida ideia do que é para si o conceito estratégico nacional e as funções que hoje, no Portugal de agora, com os compromissos internacionais que temos, devem ser as das Forças Armadas e, numa adequação a essas funções, o número de efetivos e os meios materiais necessários?
Os cortes são cegos, sem planeamento, mantendo as estruturas alvo de cortes como estavam.
Veja-se a novidade obscura de hoje: acaba “provisoriamente” o cheque dentário para crianças carenciadas, o qual permitia diagnosticar precocemente patologias, as quais, se não diagnosticadas, desenvolvem-se num quadro clínico progressivamente mais complicado.
Por quê o corte à socapa?
“Razões orçamentais”. Dizem que é “temporário”. Que garantias temos? E que sentido tem este corte?
Para além da habitual prioridade nos cortes de enorme insensibilidade social, não ocorre aos maratonistas que cortar nisto, hoje, terá custos muito mais elevados no futuro porque as patologias dentárias simples das nossas jovens crianças não foram tratadas no seu início?
Gostava que me explicassem a que quilómetro de um percurso com olhos postos no futuro a longo prazo é que se impede uma criança sem recursos de tratar de uma cárie.
Pensar o inconcebível
Se há uma certeza que podemos ter nos tempos que correm, é esta: o OE2013 vai falhar, e falhar de uma maneira que fará o de 2012 parecer obra de génios. E bem sabemos o que aconteceu em 2012.
Quando falhar, o que se tornará evidente no primeiro trimestre do próximo ano, há uma possibilidade real do governo cair. Há quem tenha a certeza que “tem” de cair, tal como muitos tinham a certeza que o ministro Relvas “tinha” que sair. Não saiu, nem sairá. Por isso, como a falta de vergonha na cara, a sede de poder e a irresponsabilidade são uma das poucas constantes que este governo tem, a que se junta a cobardia de um presidente preso no seu próprio labirinto, prefiro pensar que haverá uma forte possibilidade, mas não a certeza, que estaremos sem governo algures para Abril. Com a economia em estado avançado de destruição, um défice descontrolado e uma dívida muito para além do sustentável.
O que leva à pergunta: e depois, fazemos o quê?
Aposto que Gaspar já tem pesadelos com o Galamba
Portas à beira do seu futuro
Portas explicou que cumpriu bem a sua função de Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.
Nas jornadas parlamentares, começou a sua despedida, e assim o seu futuro, ao garantir a boa fotografia possível de uma passagem por esta coligação que, de tão negadora do seu verbo “rimante”, já tem órgãos para se autogerir.
Portas, acusado enquanto MNE de andar por onde não interessa e fora do palco europeu, defendeu-se, explicou o seu papel, explicou as regras europeias que o afastam daquele palco e consistentemente descreveu um percurso sério na ação, com pensamento sobre o papel de Portugal no mundo e não se esqueceu de mostrar contas, no seu Ministério, inatacáveis.
Assim, um dia, pensará Portas, quando a coligação explodir, poder-se-á dizer dele que foi um bom Ministro de Estado, categoria, de resto, à qual Passos o remete em exclusivo, a par de Gaspar, como se Portas não fosse muito mais.
E é.
Aí, precisamente, bate o ponto. Na preparação do seu futuro, Portas, o parceiro de coligação que esteve calado quanto ao OE de 2013, que foi protagonista com Passos e outros tantos de uma guerra fria dentro do Governo, repetiu a conclusão inevitável da necessidade de termos um OE.
Simplesmente, porque sabe do falhanço desse OE, como sabe que esse OE é a sua morte política, contraria V. Gaspar e, em tom altamente institucional, para não irritar, negando “atitudes beligerantes” contra o memorando, elogia a Senhora do FMI, a tal que viu da evidência do erro da receita aplicada a Portugal.
Atirada a pedra de forma não-beligerante ao V. Gaspar que, como já escrevi, em modo psicopatia política, viu naquelas declarações uma ameaça, Portas prossegue, afirmando que elas são “amigas” e que na próxima avaliação temos de “negociar”.
A sua saída está feita quando convoca o PS para analisar o que sejam “cortes estruturais na despesa”, porque, recorda, é coisa para afetar gerações.
Numa palavra, Portas sabe que errou em tudo, sabe que o Governo vai cair e quer o direito a uma narrativa e a um futuro: a narrativa de que foi efetivamente um bom Ministro, patriota, com visão; um futuro de quem mostrou que não teria ido por aqui e que está pronto para ser parceiro de coligação.
Do PS.
(no P3)
Tens um partido e vais concorrer às próximas eleições legislativas? Podes começar já a preparar o programa eleitoral
Basta que recordes ao eleitor estas passagens:
Da curiosidade
“É curioso que o programa eleitoral que nós apresentámos no ano passado e aquilo que é o nosso Programa do Governo não têm uma dissintonia muito grande com aquilo que veio a ser o memorando de entendimento celebrado entre Portugal, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional”, disse Passos Coelho.
Ou seja, quando o actual Governo e partidos que o formam repetem maniacamente que foram o anterior Governo e o PS quem chamou a Troika e assinou o Memorando, estão apenas, no fundo, a mostrar toda a sua gratidão ao anterior Governo e ao PS por lhes terem facilitado tanto a vida.
Da crença
O primeiro-ministro e presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, considerou na terça-feira à noite que os sociais-democratas têm um “grau de identificação importante” com o programa acordado com a ‘troika’ e querem cumpri-lo porque acreditam nele.
Ou seja, Troika e PSD são uma e a mesma coisa. Trata-se de um casamento feito no Céu e que nem que nos leva a todos para o Inferno se irá dissolver.
Da alegria
Segundo o presidente do PSD, por esse motivo, “executar esse programa de entendimento não resulta assim de uma espécie de obrigação pesada que se cumpre apenas para se ter a noção de dever cumprido”.
Ou seja, Passos Coelho está verdadeiramente entusiasmado com tudo aquilo que o Memorando lhe permite fazer a Portugal. E nas partes em que o Memorando for insuficiente, prudente, tímido, lá estarão os social-democratas prontos a irem além, a chegarem ao osso, a não deixarem pedra sobre pedra, sempre com um sorriso rasgado e o coração palpitante de alegria.
Da cruz
“Por isso, não fazemos a concretização daquele programa obrigados, como quem carrega uma cruz às costas. Nós cumprimos aquele programa porque acreditamos que, no essencial, o que ele prescreve é necessário fazer em Portugal para vencermos a crise em que estamos mergulhados”, reforçou.
Ou seja, na Via Crucis da austeridade, culminando no Calvário do empobrecimento, não contem com Passos para carregar a cruz, sequer por alguns instantes. Contem é com Passos para dar uso ao chicote, cumprindo um programa de carnificina generalizada que merecemos pelos muitos pecados cometidos a tentar desenvolver uma sociedade de maior inclusão, superior nível de vida e fundada esperança no futuro.
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Fonte (bem lembrada pelo Porfírio):
PSD tem um “grau de identificação importante” com o programa da troika
O Ministro do CDS e da solidariedade ou lá o que é
Estou a imaginar o Ministro M. Soares, o do “plano da emergência social”, do qual utilizou uma ínfima parte, a pensar onde cortar, a quem pedir para ser “solidário” com o “esforço nacional”.
O ex Deputado pró-pensionistas/doentes/fracos viu a luz:
a) Cortar 6% no subsídio mínimo de desemprego (depois ia ser mais, mas voltou atrás em 24h). Agora são 374 Euros, a loucura;
b) Cortar 2, 5 % do Complento Social de Idosos, auferido por mais de 200 mil pessoas. Corta dos milionários 97 Euros para 87 Euros;
c) Cortar 6% ao RSI, mas isso é o CDS que acredita que os pobres são aldrabões;
d) Cortar no subsídio de doença, corta 6%, a gente acamada a gente que vive com essas pessoas.
e) cortar no subsídio por morte…
Sim, vamos pedir a estas pessoas que paguem a crise. Por que não? Até porque o Ministro suicidário afirma, hoje mesmo na AR, que “está no memorando”.
Para além da loucura e da cabeça perdida, a mentira. Não está no memorando. No OE para 2013 estão previstos cortes nas prestações sociais, para não variar, três vezes superiores ao previsto no memorando.
Há limites para o desrespeito de tudo.
E de todos.
O triunfo da transparência
Segundo a gente séria e seus capachos, Sócrates era corrupto. A Justiça vasculhou a sua vida e a da família, indo até ao período escolar, e o que descobriu entregou aos jornalistas amigos para eles fazerem manchetes. Pelos vistos, posto que nunca foi suspeito ou sequer arguido fosse do que fosse, era só disso que se tratava: produção de conteúdos para ajudar a imprensa do laranjal e a malta do eixo do bem, esse que vai da Lapa a Belém e vice-versa.
Segundo a gente séria e seus capachos, Sócrates era mentiroso. Era mentiroso logo por nunca ter confessado ser corrupto, o que muito irritou o Pacheco Pereira, era mentiroso porque jurou não ir aumentar uns certos impostos e depois aumentou uns outros e era mentiroso porque tinha prometido 150 mil empregos na campanha eleitoral de 2005 e apenas conseguiu oferecer 134.459* com a maior crise económica internacional dos últimos 80 anos pelo meio a dar-lhe cabo das contas. Parece que também mentiu no Parlamento, quando confrontado com uma devassa da sua privacidade. Os mentirosos têm esse péssimo hábito de tentarem preservar a sua intimidade, o que é que se há-de fazer…
Segundo a gente séria e seus capachos, Sócrates era arrogante. Talvez o primeiro teórico da arrogância socrática tenha sido Paulo Rangel, o qual em 2007 fez um discurso solene no Parlamento a dizer que nunca como então a democracia e a liberdade se viam perante tão tenebrosas ameaças. A prova que ele deu sem se rir, feito só ao alcance de um verdadeiro herói, foi a seguinte: Pina Moura ter ido para a Media Capital, a mesma empresa que daí por um ano estava a pagar fortunas ao casal Moniz para fazerem o belo servicinho que fizeram com o Freeport e o mesmo Pina Moura que deu o litro como um dos mais notáveis e facundos anti-socráticos. Mas foi aqui que nasceu o espantalho de um primeiro-ministro tirano, prepotente, sanguinário – finalmente dando ao PSD e restante oposição uma estratégia moralista para lidar com aquele que surgia politicamente imbatível e imparável. O facto de a realidade não permitir mais do que alguns segundos deste estado alterado de consciência não impediu o sucesso da fórmula. Uma vez estabelecido que o homem era arrogante, então qualquer manifestação sua passava a ser por inerência uma manifestação da sua arrogância. Se respondia com rispidez a quem o ofendia, estava a ser arrogante. Se respondia com uma ironia a quem o insultava, estava a ser arrogante. Se desmontava entusiasmado uma argumentação do seu adversário, estava a ser arrogante. Se não respondia a uma pergunta feita com má-fé, estava a ser arrogante. Se questionava os jornalistas que o entrevistavam, estava a ser arrogante. Se tentava expor as suas ideias para o público ao arrepio do interesse agendado ou fútil do jornalista, estava a ser arrogante. Se transmitia emoções de indignação perante qualquer facto, estava a ser arrogante. Se sorria em silêncio perante um facto qualquer, estava a ser arrogante. Se inspirava, estava a ser arrogante. Se expirava, estava a ser arrogante. Se entrava em apneia, estava a ser super-arrogante.
Felizmente, conseguimos expulsar o monstro. Agora, a gente séria e seus capachos já podem descansar e sair à rua em segurança. Os actuais governantes não são corruptos, muito menos são mentirosos, muito menos ainda são arrogantes. Eles são apenas aquilo que são, aquilo que não conseguem esconder, aquilo que está à mostra.
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* Não é este o número? Então, envia aí o número certo, faxavor.
Sporting, presta atenção
Nunca mais ponham por cima do coiro trapos cor-de-lampião-desmaiado:

Sporting, tu atina: peguem nestas camisolas todas e fogo à peça (peça a peça, fogo). Equipamento alternativo é a branco, a cor das origens. E acabou a mariquice.
Sporting, não brinques com coisas sérias. Muda o equipamento alternativo para acabar com a maldição cromática. Já. Esta semana. Agora.
Sporting, foda-se. Foda-se, Sporting.
Não temos nada
Com a decisão de Mario Draghi, presidente do BCE, de comprar dívida soberana (embora no mercado secundário), a chegada de Monti à liderança da Itália, a eleição de Hollande em França e o agravamento da situação em Espanha, finalmente uma ameaça séria à sobrevivência do euro, alguma coisa está a mudar na Europa, apesar das imposições alemãs e dos discursos de Merkel para o eleitorado. Ontem, Mario Draghi deslocou-se ao Parlamento alemão, ato inédito, a que não está naturalmente obrigado, alegando que queria ouvir as dúvidas dos deputados quanto à mais recente política do banco, cujo mero anúncio já representou um importante tiro de partida para uma certa descompressão na zona euro. Na prática, foi explicá-la melhor e desfazer os receios dos cabeças duras alemães, desconfortáveis, ofendidos ou simplesmente tontos com tanta ousadia. Só prova que o italiano está determinado e tem um objetivo. Esta passagem do seu discurso é sintomática:
Clearly, it was not by chance that some countries found themselves in a more difficult situation than others. It was mainly those countries that had implemented inappropriate economic policies in the past. This is also why the first responsibility in this situation is for countries to make determined reforms and convince markets that they are credible.
But many were already doing this, only for interest rates to rise even higher. There was an element of fear in markets’ assessments that governments, acting alone, could not remove. Markets were not prepared to wait for the positive effects of reforms to emerge.
In our view, to restore the proper transmission of monetary policy, those unfounded fears about the future of the euro area had to be removed. And the only way to do so was to establish a fully credible backstop against disaster scenarios.
We designed the OMTs exactly to fulfil this role and restore monetary policy transmission in two key ways.
First, it provides for ex ante unlimited interventions in government bond markets, focusing on bonds with a remaining maturity of up to three years. A lot of comments have been made about this commitment. But we have to understand how markets work. Interventions are designed to send a clear signal to investors that their fears about the euro area are baseless.”
Infelizmente, é evidente que tudo isto acontece muito tarde para as populações. A situação na Grécia está péssima, embora mais calma, em Espanha idem e em Portugal a agravar-se a cada hora. Mas… Mas. A Grécia descobriu que tem petróleo em abundância no mar Egeu e no Jónico, podendo estar aí uma das explicações para o facto de, aparentemente, já ninguém falar na sua saída do euro, conseguindo há dias um prolongamento de dois anos para o seu programa de ajustamento, a Espanha é grande demais para ser resgatada nas condições dos seus predecessores, começando por beneficiar de uma tolerância em matéria de défice, a que se vão seguir outras medidas, como a ajuda direta ao setor bancário (OK, há de haver uma maneira de não escandalizar os alemães eleitores da chanceler), a Irlanda fala inglês, tem muitos ruivos e muita família americana. No entanto, Portugal não tem nada, a não ser um repugnante servilismo. Não tem sequer um governo com orgulho nacional suficiente para congeminar uma estratégia de amenização das exigências desta diabólica Troika (para 99,5% dos portugueses) e de busca de possíveis aliados. Pior ainda, o próprio Ministro das Finanças, que podia bem integrar a missão assassina, do outro lado da relação, portanto, tem a cabeça formatada pelos anos de trabalho no Banco de Portugal e depois na CE, numa época em que o FMI ainda não fazia auto-críticas. Arrisca-se a ser chamado de antigo e quadrado, na melhor das hipóteses desatualizado e ultrapassado, pelo Selassie, e a rever os modelos sob a pressão dos críticos, já que o povo português, e o maior partido da oposição, não força a sua expulsão. A posição de reverência em que este governo se colocou, apenas faz com que o tratem como um cachorro. Não tenho mais nada a dizer. Portugal devia ter.
Façam-lhe um desenho
Louçã já não estará no Parlamento para a discussão e votação do Orçamento. E se Seguro, que foi tão rápido a pôr-se em bicos de pés para substituir Sócrates, não fosse tão lento a perceber que a sua permanência à frente do maior partido da oposição agrava ainda mais o descalabro em que o País se encontra, passaria a bola a outro e também já não participaria nessas sessões parlamentares. Em praticamente ano e meio, não teve uma ideia digna desse nome, e as que teve foram para esquecer, são muito mais os que o criticam do que os que o elogiam (na verdade, não são nenhuns), só viu o PS subir nas sondagens por demérito (isto sou eu a ser simpática) da concorrência, para não falar das sondagens que indicam que a maioria preferia ver outro no seu lugar, o que lhe falta para perceber que também ele está ali a mais?
Exactissimamente
Não é um Governo, é um traseiro
Governo recua nos cortes ao subsídio de desemprego
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Governo recua e só despede 10 mil contratados a prazo
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Governo recua no IMI
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Governo recua no corte salarial aos gestores de entidades reguladoras
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Governo recua e mantém taxa sobre gorjetas em 10%
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Governo recua na compra da Caixa Seguros e Saúde à CGD
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Governo recua nos exames do 12.º ano
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Governo recua no regime de mobilidade da Função Pública
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Governo recua no despedimento por inadaptação
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Governo recua na lei do tabaco
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Governo recua na excepção aos cortes aplicados na CP
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Governo recua e admite entrega da casa ao banco para saldar dívida
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Governo recua e abre corrida às reformas na função pública até ao final do ano
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Governo recua na TSU
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Governo recua e mantém RTP2
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Governo recua e garante que não vai alterar tabelas salariais
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Governo recua na Lei dos Compromissos para o Superior
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Governo recua na eliminação das “férias frias”
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Governo recua nos 30 minutos extra de trabalho diário
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Governo recua na mudança de vínculo dos docentes
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Governo recua e volta a conferir estatuto especial ao Turismo de Portugal
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Governo recua nas restrições a empresas municipais
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Governo recua no IVA sobre a cultura
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Governo recua na venda de centro de secagem de Alcácer do Sal
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Governo recua na extinção da Parpública
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Governo recua no RSI e volta à fórmula de Sócrates
A MJ, sempre “corajosa”, somando a ignorância ou a violação dolosa do p. da separação de poderes
A cruzada da MJ “contra tudo e contra todos”, contra “quem tem qualquer coisa a esconder”, contra “quem não tem coragem de rasgar todos os Códigos de Portugal” é também uma cruzada contra a o princípio da separação de poderes.
Quando questionada sobre isso, tem uma fúria, porque na sua cabeça autoritária a AR não a fiscaliza.
Esta cruzada, em pouco tempo, teve três momentos dignos de uma demissão:
1) a pressão sobre o TC enquanto este decidia o Acórdão que se debruçava sobre normas do OE de 2012;
2) a decretação do “fim da impunidade” no dia da notícia das escutas a 3 pessoas, defendendo-se com o fato de ter dito especificamente que se referia a “todos os casos”. Toda a gente percebeu. Mas mesmo que se referisse a todos os casos, quem pensa a MJ que é para “decretar” o fim da impunidade?
3) agora, sabemos que o pedido de esclarecimentos à PGR sobre as escutas que apanharam por acaso o PM foi feito pela MJ. Acontece que a lei confere a possibilidade de serem prestados tais esclarecimentos “a pedido de pessoas publicamente postas em causa”. Já se sabe que do Gabinete do PM não surgiu qualquer pedido. Mas lá está a MJ a falar, a pedir, a exigir “em nome do Governo”.
Esta postura pode não afligir muita gente, mas talvez convenha recordar que é esta MJ, que não sabe o que é o Estado de direito, que apresenta a reforma penal e todas as outras. É esta MJ que elimina 1000 artigos do CPC porque “o que interessa é a verdade e não a forma”, a “forma”, essa conquista suada da democracia.
Gaspar aprendeu depressa as técnicas da demagogia
Gaspar convenceu-se de que tem piada e pretende aqui fazer humor e ironia com a famosa expressão “enorme desvio”. Acontece que piada já não tem nenhuma, sobretudo quando pensa que faz de nós parvos. Não são as “funções do Estado” que estão aqui em causa neste aumento brutal de impostos que propõe. A maior parte dos portugueses não se importaria de pagar mais para obter melhores serviços de saúde, de educação, de transportes ou sociais. Tal como os cidadãos dos países nórdicos aceitam o nível de impostos a que estão sujeitos face ao que o Estado lhes garante. Mas o Governo não está a aumentar os impostos desta maneira para prestar melhores serviços aos cidadãos. Aumenta-os, e de maneira punitiva, para tapar o buraco enorme nas contas públicas de 2012, da responsabilidade exclusiva do Ministro das Finanças. Destes novos impostos, muito pouco reverte em benefício dos cidadãos. Assim sendo, a afirmação é totalmente falaciosa e deslocada.