Aprender com o Pedro Marques

Há boas e excelentes razões para estar 9 minutos com o vídeo abaixo no centro da nossa atenção. Começa logo pela problemática do que se discute, passa pelo que mostra acerca da falta de coerência e de integridade do CDS e termina pela qualidade da intervenção de Pedro Marques. Nesta dimensão do episódio, realço a sua acutilância, assertividade e pujança. É notável, e uma lição ao dispor de qualquer outro tribuno, o equilíbrio conseguido entre o conteúdo, a forma e a intenção. Numa cultura política onde a oratória tende usualmente a ser bacoca ou balofa, quando não inane – e onde a emoção descontrolada anula a eficácia retórica e torna disfuncional o confronto de ideias – o que aqui vemos é um poderoso momento político em que o verbo alimenta o intelecto e promove a acção.

Quando finalmente Seguro abandonar o poleiro e puder dedicar-se a 357% à criação do tal Código de Ética prometido com que vai limpar o partido da sujidade socrática, então o PS poderá voltar a reunir os seus melhores talentos e começar a oferecer saídas para a desgraça que Cavaco, PSD, CDS, BE e PCP causaram pela sua imperdoável irresponsabilidade. Só o PS está em condições de juntar figuras históricas da democracia, líderes tarimbados no exercício governativo, independentes de mérito com ou sem experiência anterior e jovens quadros partidários com estas evidentes e superiores capacidades de comunicação.

28 thoughts on “Aprender com o Pedro Marques”

  1. Val, Felizmente, há Isabel Moreira, Penélope, Vega e outros por cá, para tirarem o Aspirina B da monomania messiânica. Obrigado por os teres convidado. Foi a maneira de teres um blogue legível. Só contigo e com os comentadores habituais não dava. Parecem pastores das seitas e religiões proselitistas, sempre a empurrar o folhetinho com os bons dias.

  2. «acutilância, assertividade e pujança» ?!! Quando estes três adjectivos se aplicam a esta debilidade o país está perdido!
    Como se pode considerar alguém com notórios problemas de expressão (i.e. sopinha de massa), como tendo «superiores capacidades de comunicação», ora se o homem nem sequer falar de forma perfeita consegue…
    Mesmo assim é perceptível no discurso do individuo a frequência de inúmeras aulas de terapia da fala…
    Bom p/ ele e seus correligionários que assim já lhe podem elogiar as superiores capacidades de comunicação…
    Neste país o que tende a ser bacoco e balofo é o sectarismo, politico, social, geográfico que não envergonha opiniões como a sua.
    Quando Pedro diz que não há alternativas, tem involuntariamente razão, trocar indivíduos da estirpe de Relvas por estas nulidades, é tirar João pra botar Tião.

  3. Ominona,

    Ser sopinha de massa não pode ser considerado como “notórios problemas de expressão”.

    Um vigarista com sucesso é sempre bem-falante. Reduzir os debatedores a meras máquinas oratórias diminui o debate. Já há milénios que se deveria ter começado a defender que importante é o conteúdo e não a forma.

    Veja-se o exemplo de Cavaco que já era um traste antes das aulas de dicção com a Glória de Matos. Não foi por perder vagamente a sopinhice de massa que se tornou politicamente potável e digerível. Não era por usar meias brancas (como O Independente denunciou) que era mau primeiro-ministro. Há coisas absolutamente irrelevantes na construção dos carismas.

  4. «O importante é o conteúdo não a forma», é uma ideia confortável, embora já se tenha provado cientificamente o contrário…
    Se um «sopinha de massa» não tem problemas de expressão, o que dizer?!!
    Nem todos os vigaristas são bem-falantes, vide Sócrates, só para não me alongar…
    Diria é que há «carismas» que se construíram através da irrelevância…
    Continuando na senda de elogiar simplórios, e de os elevar a cargos de estado, vai dar o resultado em que nos encontramos: bancarrota.
    So carry on…

  5. O que é que interessa a prova científica? alguém disse o contrário? Obviamente o pimba vende mais que o erudito.

    Para não lançar a discussão por caminhos sem interesse, ignoro Sócrates. Vou passar a referência que vos encharca os pijamas (a alguns, mal-servidos, como esse mais acima, quando muito humedece-lhos com as gotículas que são capaz de verter) pois como é óbvio o ex-pm está nos bem-falantes.

  6. Quando Pedro Marques chama, com todas as letras e números, aldrabão e incompetente ao ministro, a única coisa que têm como defesa os patarecos do costume é Pedro Marques ser “sopinha de massa”, mostra bem o estado de demência e desespero a que este governo e os seus já raros apoiantes chegaram.

  7. O pior, Comentador Acidental, é que nem sequer são só os raros apoiantes do Governo que atacam o (aqui) inatacável ponto de vista o deputado do PS.

  8. Primo: ser «óbvio o ex-pm está(r) nos bem-falantes», é-o para si; na minha modesta opinião o ex-pm José Sócrates não deve muito à inteligência. Considero-o no entanto, e de facto, um tipo muito esperto. Esta é apenas a minha opinião, aceito qualquer outra que lhe seja contrária, aceito mesmo que a maioria lhe seja contrária.
    Secundo: se bem que demência e desespero não me sejam estranhos, considerar-me «apoiante deste governo» por constatar a divertida contradição de elogiar um «sopinha de massas» pelas suas «superiores capacidades de comunicação» é pelo menos uma interpretação abusiva.
    Tertio: Não disputo o conteúdo das palavras do deputado em questão, interrogo-me apenas como para se buscar o elogio se procede por caminhos tão ligeiros que se soçobra no ridículo. Simplificando, comentei o post, não o nunca inatacável ponto de vista o deputado do PS.

  9. Pedro Marques deu uma trepa COLOSSAL ao imbecil do Mota Soares, o facto de o ter feito mesmo sendo sopinha de massa é um fait divers que interessa realçar apenas por quem não têm mais por onde argumentar.
    É também um fait divers deliciosamente humilhante para o ministro : esborrachado por um xopinha de massa, francamente. Devia ter vergonha.

  10. Ominona, Não respondo ao Secundo que não me é dirigido.

    Eu, que nunca votei ou votarei Sócrates, incluo o fulano, obviamente, entre os bem-falantes.
    Também acho a argumentação do deputado inatacável neste contexto. Ser ou não sopinha de massa é irrelevante para a eficácia da comunicação. E mais, mesmo que o não fosse temos de lutar para que o seja e não para o perpetuar de estereótipos. Há gagos que vale mais a pena ouvir que muitos oradores de vulto.

  11. Há bandidos que comentam aqui que deveriam ser pendurados pelo pescoço nos cabos da ponte.
    Esta seita que pertence à coligação que derrubou o anterior governo para criar esta situação e nos entregar às sanguessugas que hoje nos sugam, deviam, como eu, viver com uma reforma de merda, metido num bairro social, assim talvez (pelo menos) tivessem vergonha, por aquilo que fizeram.

  12. Uma vez que o leitor Ominona não põem em causa o conteudo do argumentário do deputado , deduzo que o precebeu na integra.
    Resulta daqui a minha dificuldade em perceber , do seu ponto de vista, onde está a dificuldade de comunicação e os ” notórios problemas de expressão (i.e. sopinha de massa)” do referido deputado.
    O que me leva a concluir que no fundo o seu comentário não é mais do que uma manifestação de ressabiamento perante um elogio legitimo a uma personalidade com quem embirra, nomeadamente por ser uma personalidade “sopinha de massa”.

  13. Vadio, eu explico… Então é assim: por partes e simplificando, comentei o post onde se elogia as «superiores capacidades de comunicação» de um «sopinha de massa», porque na minha modesta opinião, e é o Gato Vadio livre de discordar, uma coisa invalida a outra. Daí até que seja frequente quem padece de tal «dificuldade», recorrer à chamada «terapia da fala» como terapêutica; tal parece ter sido o caso do senhor deputado sobre o qual aqui discorremos.
    O que ele disse, honestamente não consegui ouvir nem perceber, como me parece também ter sido o caso do autor do post, pois doutro modo não o elogiaria; afinal o homem é um «sopinha de massa»…

  14. Nem arrumou nem deixou de arrumar. Cumpriu a sua missão. Fez oposição concreta, com inteligência e números. Não conhecemos a resposta do ministro. Até pode ter dado uma boa réplica, tipo: – vou alterar o orçamento e propor que enquanto as contas não encarrilharem, ninguém vai receber mais do que 1500 euros de pensão.

  15. Ominona,
    Só podes ser débil mental… quando após um exemplo destes apenas vens falar de sopas de massa.
    Continua assim… Ter de suportar uma intervenção demolidora destas do Deputado Pedro Marques deve custar-te horrores.
    Toma um analgésico que isso passa… ou então relaxa porque pelo andar da carruagem vais ter de aguentar muitas Odas… e supinha de macha sou eu bébé!

  16. Mas é claro que sou débil mental, não é óbvio?! E é também claro que obviamente este tipo de intervenções me custam horrores! São do mais eloquente atavismo comunicacional, logo confrangedoras para qualquer adepto do debate e do diálogo.
    Em vez de analgésicos, decidi que a terapêutica indicada seria expôr, de forma ponderada e moderada , a minha modesta opinião. Não antecipei causar tamanha angústia…
    Acrescento no entanto que, mais uma vez, apenas e só, na minha modesta opinião, pelo andar da carruagem, me parece estarem este tipo de intervenções datadas e destinadas ao olvido breve dos seus mais fanáticos apoiantes.
    Ah e adjectivar esta intervenção de demolidora é de quem saliva tanto a escutar o deputado como este enquanto fala…

  17. Val, obrigado por me ter permitido assistir a esta extraordinária exposição de Pedro Marques! É tudo o que o Val nos anuncia no seu texto!
    Que grande tragédia estamos a sofrer com este governo PSD/CDS, apoiado por uma maioria parlamentar …e por um “CHICO/ESPERTO” QUE FINGE DE ZOMBIE como presidente da república!

  18. onicoisa,
    e à parte o nojo que te causa o estilo, tens alguma coisa a dizer quanto à substância , ou quanto a isso, és o vazio? Porque vazio é o que transmites, apesar do espalhafato da forma.
    São factos. O teu argumento é o quê, precisamente??

  19. Ainda?! Mas ainda não vos «esborrachei»? :)
    O meu argumento é a bancarrota! Substância?! Que substância pode advir de representantes de um estado falido, que mesmo ontem, na sua maioria, se «esgueiraram» da população que, alegadamente, representam? Como pode haver seriedade no discurso, seja ele qual for, venha ele donde vier, se a classe politica ou os gestores da coisa pública, falharam a toda a prova.
    Questiono-me como pode haver ainda alguém que elogie seja qual for o discurso politico, pois não há nenhum que represente uma ruptura com o actual status quo, que neste momento admite ser útil ao país empobrecê-lo (!!!), retirar-lhe direitos (!!!), etc.
    E não, não sou de BE, PCP, ou PNR, esses por radicais que sejam, pretendem uma certa manutenção de status quo, são talvez até mais conservadores, à sua própria maneira…
    Decididamente, pelo menos para mim, está demonstrado que não é a democracia que está mal, não é o sistema, são as pessoas, são os «vampiros» que deixados à solta fazem aquilo que lhes é inato, chupam os outros, e emprestam os cadáveres aos amigos.
    Há muitos anos que deixei de dar importância ou atenção à « substância», esta acaba sempre por me insultar e ofender mesmo quando me falam através da televisão…
    Aqui, mais uma vez refiro, critiquei apenas o facto de se elogiar, com termos do séc.XIX, um discurso que não pertence ao séc. XXI.
    Se há alguma necessidade de «refundar» o estado comecemos por aqui, por nos elevarmos na exigência, não dos discursos mas das acções. E deixemos a Constituição em paz…

  20. Prefiro um” sopinha de massa” a um” canalha” que busca defeitos de nascença ( a pide usava estes pormenores na procura de opositores ao regime) para tambem sustentar as suas criticas.A este tipo de homens qualifico-os como repteis.

  21. Antes lagarto que vampiro. O tal defeito de nascença foi apenas referido como contraponto ao elogio que lhe é feito, seria o mesmo que elogiar um coxo por correr muito depressa…
    Constatar um facto, como eu o fiz, só é insulto se o visado assim o sentir, como parece ter sido esse o facto. Em bom português: enfiou a carapuça!
    Repare na prosápia de insultos que me foram dirigidos e atente em quem de facto se apresta a ser «canalha»…

  22. Lamento a estreiteza de quem afirma não se pode debater «factos», um deputado cospe «factos», logo não se lhes pode dar outra leitura que não a do emissor e seus babosos apoiantes. Muito bem!
    É o proverbial espírito democrata de que padece Portugal… Aliás, mesmo aqui, parece haver uns saudosos da PIDE/Inquisição, que, dizem-nos, procurava por «defeitos físicos» para acusar os opositores de… «bruxaria» certamente…

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