Dentro de poucas horas teremos Oliveira e Costa no Parlamento a falar de dinheiros e outros trocos. Consta que Oliveira Caprichoso é capaz de ficar engasgado com a azeitona. Até há quem profetize que um Loureiro poderá acabar tão espremido que chegue a escorrer azeite. Mesmo que não se confirme o milagre, a pinta de azeiteiro já ninguém lha tira.
O que se passa no BPN, apesar da investigação e do inquérito ainda estarem a decorrer, permite constatar uma essencial diferença entre as culturas políticas do PSD e do PS. Repare-se como o PSD tenta aproveitar o caso Freeport em seu favor, rejubilando secretamente com cada ataque à honra de Sócrates, só não o fazendo às descaradas por ainda haver mínimos de lucidez naquela pobre gente. Porém, a génese da publicitação do caso, juntamente com o boato da homossexualidade de Sócrates, nasceram para efeitos de prejuízo eleitoral do PS no seio de pessoas ligadas à campanha de Santana em 2005.
Ora, e que temos no caso Freeport de substantivo? Nada. Nada que se conheça publicamente. Nem sequer se sabe qual a importância do vídeo de Charles Smith, tanto em Inglaterra como em Portugal, seja para o que for. A campanha negra faz-se, assim, com mentiras descaradas e deturpações de material avulso e não contextualizado pericial e policialmente. É pasto para pulhas.
Ao contrário, no caso BPN há uma abundância de factos tornados públicos que são, concomitantemente, factos que darão origem a punições. Podemos não saber quais serão as punições, e quem acabará punido, mas sabemos que estamos perante crimes e criminosos ao mais alto nível executivo e administrativo. Este plural em criminosos não ignora que apenas um indivíduo é arguido no momento em que escrevo, mas nasce de não ser concebível ter sido só uma pessoa a conseguir iludir todos os administradores e demais funcionários do BPN e SLN com acesso às contas e aos procedimentos, metendo sozinho os dois mil milhões de euros no bolso. Decorre do que é conhecido que, às violações legais, se juntam as falhas morais e as responsabilidades políticas. Ter um Conselheiro de Estado a mentir publicamente, e bacocamente, por causa deste caso é grave, e mais grave fica por ter a protecção do Presidente da República e do PSD.
Que tem feito o PS, e suas gentes, em relação ao caso BPN? Esperar. Está tudo à espera, com mais ou menos impaciência, que o processo avance pelas vias próprias. Pura e simplesmente não houve aproveitamento algum das implicações à disposição. E muito bem, nem carece de explicação, pois o que está em causa no BPN é suficiente para destruir o maior partido da oposição. Que ninguém se iluda: na eventualidade de Dias Loureiro ser arguido, e depois considerado culpado, é o cavaquismo que estará a ser prensado.