Todos os artigos de Valupi

Solidão e fragilidade do poder

A maior parte dos portugueses, se posta perante a possibilidade de trocar de lugar com Sócrates amanhã às 9 da matina, assumindo o cargo de Primeiro-Ministro, ficaria cagada de medo. Recusariam de imediato e ficavam incrédulos com o convite. E o mesmo aconteceria se o desafio fosse para daqui a 1 mês, ou 6, ou 1 ano ou 100. Temor e tremor, seria o resultado dessa experiência.

Mas não só no caso do Governo: quantos portugueses aceitariam estar à frente do PSD, por exemplo? Quantos estão dispostos a ficarem expostos? Quantos conseguem sequer falar em público para o público? Quantos arriscam discutir ideias próprias, negociar compromissos com adversários, defender vontades de terceiros? Quantos aguentariam a pressão da responsabilidade máxima e constante? Quantos portugueses fazem alguma ideia da complexidade de chefiar o Governo, ou um partido, ou um destino?

No entanto, parece que não faltam valentes prontos para a função. Manuela Ferreira Leite, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa, Paulo Portas, Santana Lopes, Pedro Passos Coelho, Luís Filipe Menezes, Marques Mendes, Carlos Carvalhas, para ficar pelo passado recente, são nomes que, de uma forma ou outra, têm estado na calha para nos governar. E trazem os seus companheiros e amigos com eles, há muita gente que saliva por gabinetes, secretárias, motoristas, seguranças, repórteres, salamaleques, almoços grátis, conhecer o Mundo e os mundanos. Sempre assim foi e será.

Paradoxo? Não, imbecilidade. Os que tentam derrubar o poder vigente na chã cobiça de o substituir, nesse exercício erradamente designado por oposição, ignoram o que é a solidão e fragilidade do poder. Ignoram por inexperiência ou vício. Esses, claro, são os que mais estranham ver um primeiro-ministro a pedir ajuda à Justiça.

Da vergonha

A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral.

[…]

Numa coisa estamos de acordo: ele tem vergonha da democracia portuguesa por ser “terreno propício para as campanhas negras”; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático.

João Miguel Tavares

Quando saiu este texto, subiu-me o fel à boca. Porque é um texto odioso, alucinado. Toma partido pelas suspeitas, construindo com elas as conclusões. Nem as investigações entretanto feitas, que nada revelaram de errado no percurso e currículo de Sócrates, nem as investigações a decorrer, que obrigam a uma espera, contam para suspender a sentença: Sócrates já é culpado, e para sempre será tirano. Quem o diz é um jornalista, daqueles com opinião.

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Lembretes

– Se a oposição não apresenta projectos e programas alternativos aos do Governo e PS, tal não se deve a qualquer dificuldade no acesso aos meios de comunicação, bem pelo contrário. TVI, SIC, Público, Sol, Expresso e Correio da Manhã, pelo menos, assumiram uma desbragada postura anti-Governo. No outro lado, a oposição aparece a comunicar na RTP, TSF, DN e JN constantemente, entre tantos outros meios, fora os próprios. A explicação, obviamente, é outra: a oposição não tem projectos nem alternativas. Contudo, caso se reclame ser a anterior conclusão não mais do que rasteira propaganda, então terá de se admitir que essas ideias não ganharam favor, nem sequer curiosidade, apesar das circunstâncias extraordinariamente adversas para Sócrates e Governo. Choose your poison.

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A violência dos justos

O jugular é um blogue matriarcal. Para nossa sorte. As questões da igualdade de género, direitos das minorias, violência doméstica ― exemplos maiores de uma cidadania feminina, ou no feminino ― são tratadas com frequência, denodo e genuíno interesse. Noutros blogues políticos de topo não se encontra agenda culturalmente tão relevante, muito menos um elenco de qualidade similar para as mesmas questões. O que nos deixa num cenário blogosférico desolador, pois a congénita estupidez da rapaziada que reúne maiores audiências, seja à direita ou à esquerda, não faz avançar estas urgentes causas sociais, preferindo gastar munição na chicana, na infantilidade e nos delírios narcísicos. Ou pior. É, as mulheres fazem muita falta -> na política, lugar ainda demasiado adverso para um cérebro de mulher, posto que espaço de poder ainda estruturado e preenchido pela tipologia conflitual do masculino. E se o belicismo não chegasse para justificar o afastamento, nalguns casos repulsa, as mulheres também sabem que a política está cheia de clones daquele marmanjo que tuitou em nome do Pedro Duarte. Há nos partidos e no debate político um cheiro a balneário que tresanda, até na esquerda mais à esquerda se tropeça em túbaros falantes. Heróicas são as que se expõem e lutam pela elevação da humanidade nesta arena, pois.

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Farmacopeia chinesa

Confúcio Costa bateu à porta e pediu para entrar. Queria passar aqui uma temporada. A seu favor trazia o magnífico apelido e uma carta de recomendação especial de corrida. Aliás, mais três cartas. Pelo menos.

Tal como o meu primo — co-fundador e presidente honorário desta agremiação terapêutica — tão bem estabeleceu para toda a eternidade e mais 30 minutos, isto do HTML pede muita descontracção e um coração bem maior do que a Internet. E também dá jeito estar medicado com aquilo que Pessoa definiu como o individualismo fraternitário.

Confúcio virá por tempo indefinido, fazer não se sabe bem o quê nem para quê, e apenas porque lhe deu na real gana. Ou seja, está perfeitamente adaptado ao ambiente.

Pedro Sales, larga o vinho*

Anteontem, Pedro Sales escarrapachou a sua leitura do episódio da vaia a Sócrates no CCB. Acontecimento que ele não presenciou, mas do qual recolheu testemunho de seis amigos que lhe terão ligado a fazer queixinhas. Isso bastou-lhe para concluir que Sócrates foi o responsável pelo atraso. E daí parte para as suas pertinentes ilações: que Sócrates não se importou nada com a demora, que a administração do CCB se rege pela ideia que Sales faz da monarquia, que os espectadores foram tratados como figurantes do Primeiro-Ministro, que os espectadores foram tratados como escravos coloniais e que Sócrates ainda conseguiu cometer uma indelicadeza diplomática ao ter explicado o acontecimento.

Eis um rol de estapafúrdicas ofensas que atingem o Primeiro-Ministro, o CCB e as vítimas da escravatura colonial. Isto porque um evento público se atrasou 30 minutos, por razões absolutamente excepcionais, no País onde ninguém chega a horas a lado algum. E ainda termina declarando que há na explicação do caso, onde se refere a obrigação protocolar de esperar pelo Primeiro-Ministro de Cabo Verde, todo um programa. Quê? Mas qual programa?… Enfim, se dizes que há um programa, Sales, fala-nos dele, conta o que sabes, partilha com os teus concidadãos essas relevantes informações. Ou estarás com medo da PIDE? Não? É mais cagufa do Pina Manique?

Entretanto, fui lá fazer uma pergunta. Não obtive resposta do visado, mas apareceu um paladino. Tentei responder a este amigo, tendo enviado um comentário que foi apagado. Ora, tudo nice com a cena, camarada. É sobejamente conhecida a apetência da esquerda imbecil para a pulsão censória, e até estávamos em noite de apagão. Mas vir dizer que este comentário — Sérgio Pinto, desde quando é que perguntar a idade é despropositado e insultuoso?!… Larga o vinho. — equivale a uma insinuação de alcoolismo para terceiros, logo sendo um insulto gratuito de especial gravidade, logo tendo ultrapassado os limites da decência em caixas de comentários, logo merecendo ser apagado sem sequer se dar explicação pública ou privada, reforça-me a interrogação: Pedro Sales, que idade tens?

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* Não sei se és alcoólico, nem quero saber, mas sei que estás embriagado de moralismo e hipocrisia. O que tu deves sofrer no 25 de Abril, essa data onde se celebra o fim dos tiranetes e seus minúsculos poderes.

A blogosfera pula e avança

O nosso amigo João André voltou às lides. E já é doutor. Por extenso.

O nosso amigo Henrique Fialho abandona. Mas de uma forma que permite pensar ter ido de férias. Que tanta falta fazem aos que criam.

A Sábado lançou-se em versão digital. Lamentavelmente, sem ultrapassar uma atroz banalidade no conceito e conteúdos. O mais interessante acaba por estar na experiência de emulação dos blogues. José Mário Silva e Luis Rainha, figuras que foram desta casa, dinamizam o Blogue de Esquerda, ao lado da Ana Leonardo (que tentámos convencer a entrar no Aspirina, antes de ter aberto o seu Meditação na Pastelaria) e do Vasco M. Barreto. No Blogue de Direita, João Miranda, João Vacas, João Gonçalves e o nosso amigo Rui Castro são os artistas. Portanto, e dos dois lados, o elenco reúne bloggers prestigiados. Garantia de textos de qualidade, maturidade analítica e potencial polémico. Todavia, talvez a maior vantagem desta secção seja a captação de novos públicos para a blogosfera entre os leitores da revista. Há um desvirtuamento da independência dos autores quando servem uma marca, qualquer — e ainda pior se for um órgão de comunicação social — pelo que o espaço poderá ser frio demais para a comunidade. Também aponto como mau critério (são gostos, claro) a disparidade entre as pilas e os pipis, 7 a 1, uma correlação funesta. Seja como for, as maiores felicidades para todos.

Speculu

Marinho Pinto levou a TVI a gastar o seu maior trunfo, talvez antes do tempo planeado. É a única coisa que vale a pena dizer após a audição de um diálogo sui generis. O que se acrescente, é espelho.

Valente

De leitura benfazeja a crónica de Vasco Pulido Valente, hoje. Só verdades, como recomenda Anibal aos seus paquidermes. E lanço a ideia de um abaixo-assinado para que o homem escreva apenas sobre o PSD. Pelo menos, até o PSD arranjar alguém com algo, qualquer coisa, que valha a pena ouvir. Aí, mas só aí, poderia descansar ou divagar.

Anéis de Saturno

1 minuto antes das 21h, ontem, cruzei-me com César das Neves (se me estás a ler, eu era aquele tipo com cara de mau, tão ou mais matulão do que tu, que passou em direcção ao jardim, ias em direcção da papelaria ou por aí). Somos vizinhos. 1 minuto depois das 21h — isto é, 1 minuto depois de Mário Crespo ter anunciado compungido que Portugal estava a caminho da falência — voltei a encontrar o César. Desta vez falou-me. Disse-me que dentro de poucos anos, por causa deste Governo, não ia haver dinheiro para nada nem para ninguém. Depois apareceu o João Ferreira do Amaral, mas como não puseram legendas fiquei sem perceber corno. Seguiram-se imagens do Medina Carreira, de perfil, mais a Ferreira Leite, mais malta em manifestações. Muita. Gráficos com as contas do Medina, que provavam com números o que diziam as autoridades. Voltou o César. Disse que isto de Portugal falir teria como consequência o fim da União Europeia. Numa outra parte, a seguir ao segmento onde Sócrates aparecia a confirmar que ia mesmo fazer investimentos públicos, eis a prova, César foi ainda mais intenso. Declarou que a política de Sócrates era criminosa, e nesse entusiasmo saltou-lhe o braço esquerdo para a frente com o dedo indicador espetado, ao mesmo tempo que, num movimento interrompido, quase levantou da cadeira as generosas carnes adjacentes ao fim das costas. Tive a certeza de que a vontade dele era avançar em direcção à câmara e entrar por ela adentro na esperança de apanhar um, alguém. A peça terminou com o aviso de um jornalista: para que em 2013 ainda seja possível salvar o pouco que nos resta, temos de tratar do assunto já nestas eleições, ou será tarde demais.

Quando acabou esta coisa que em tudo, até nos códigos de montagem, seguiu as regras de construção de um tempo de antena, Mário Crespo fez a transição para uma notícia sobre Obama. O seu rosto estava agastado, e disse que íamos para um assunto bem diferente; repetindo que era mesmo bem diferente, na esperança de que todos entendessem que estávamos a sair da choldra em direcção à civilização. E eu gostei disso, porque temos de gostar de um jornalista, ou de uma estação TV, que se julga com a missão de derrubar o Governo. Não é que seja ético ou faça sentido, mas é engraçado. Do que não gostei foi de recordar as sábias palavras do meu vizinho. De repente, percebia tudo, tudinho. Sócrates ia levar o País à falência com o fito de acabar com a União Europeia, e assim pôr no desemprego Barroso e acólitos, estava na cara. Mas, para um mariola como eu, ainda era pouco, porque é sabido que Sócrates não se contenta só com o espaço europeu, vide política comercial. Assim, estava cada vez mais claro que a falência de Portugal ia arruinar o Planeta, talvez também a Lua. E foi então que desceu sobre mim a mais ignominiosa das ameaças: era desta que teríamos de pôr no prego os anéis de Saturno.

Coelhinhas, design thinking e chocolates

Então, e a Sarah Couto, hã?!… Pois é. Também não fazes puto ideia de quem seja a Sarah Couto, né? Eu nunca vi a Sarah Couto mais magra (juro, e ela que não leve mal a confissão). Mas tenho a certeza certezinha de pertencermos à mesma geração, tenha ela a idade que tiver. Ou eu.

E tu, também fazes parte desta geração que não se envergonha de ser (e querer ser) hoje mais corajosa, mais inteligente, mais criativa, mais amorosa e mais livre do que foi ontem? Aposto que sim.

E o Zé Manel ainda não tuitou sobre isso?

Repito o que já disse antes: se a maioria dos portugueses soubesse efectivamente como são feitas as “notícias”, não comprava um jornal, não via um noticiário, a não ser como entretenimento, ou como obra de ficção.

Pacheco

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Haja alguém amigo do Pacheco que seja amigo do Pacheco e lhe diga, como amigo, Ó Pacheco, se sabes efectivamente como são feitas as notícias, dá notícia, Pacheco. Anda Pacheco, força Pacheco, toca lá essa guitarra.

Cineterapia


The Dark Knight_Christopher Nolan

Dizer que este filme foi o melhor de 2008 é curto. Foi também o melhor de 2007 e de 2009. Ah, dane-se, é o melhor filme que o século XXI já viu. Porque é uma análise matemática, um ensaio político e uma reflexão ética, tudo incluído no preço do bilhete. E porque é a obra de um virtuoso, um criador de clássicos, de perfeições. Trata do problema que enchia anfiteatros nas cidades gregas, 2500 anos atrás: que é o Homem? Eles não sabiam, sortudos. E quem não sabe, pergunta. Nasceu a filosofia, nasceram esses chatos do caralho que zumbem aos ouvidos dos sonâmbulos. Tão perigosos que a polis os persegue, quer castigar, envenenar. Mas são eles que vigiam e protegem a pergunta, sempre ameaçada pelos que não querem abandonar a ilusão que lhes calhou à toa ou pelos que receiam perder-se caso se encontre a resposta.

Grandes verdades são reveladas neste filme, mausoléu do génio de Heath Ledger. Seguem a sapiencial tradição de esconder o tesouro mais valioso no local mais próximo e visível. Por exemplo, que quando se joga ao dilema do prisioneiro são os loucos aqueles que têm razão; isto é, aqueles que escolhem confiar no outro. Por exemplo, que há heróis que temos de perseguir e afugentar, pois ainda não estamos preparados para eles. Por exemplo, que sometimes the truth isn’t good enough, sometimes people deserve more, sometimes people deserve to have their faith rewarded. Por exemplo.

O que é o Homem? É aquele ser que faz filmes.

Frente Unida dos Imbecis

O que se passou no processo que levou à brutal censura de um anúncio da Antena 1 prova como a democracia é frágil. Não sei se a virose agitprop teve origem no Nuno Ramos de Almeida, mas a favor desta tese está a data de publicação, 19. Ontem de manhã, Pacheco Pereira acrescentou veneno ao que tinha nascido podre e deu-se uma explosão no final da tarde. Pelo meio, o PSD alinhou com a esquerda imbecil, partido invertebrado que actualmente é, e Carvalho da Silva disse esta coisa fabulosa; que fica como programa de abolição da singularidade humana e manifestação psicótica:

A concepção individualista apresentada no spot não configura a missão de serviço público a que a rádio pública está adstrita, antes parece reflectir uma atitude de subserviência a posições de incómodo manifestadas pelo Governo relativamente à contestação das suas políticas.

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Do adubo

A bosta é natural e alimenta muito bicharoco. Entra na economia do sistema vegetal e sai da vegetação dos economistas. Também a real bosta que é a TVI veio enriquecer as nossas opções lúdicas na versão 24. Nada se perde.

É o caso do Prolongamento, onde se encontram reunidos Pôncio Monteiro, Fernando Seara e Eduardo Barroso, os três sob a desculpa de irem falar de futebol. Mentira. Eles são mantidos naquele espaço apenas para não andarem à solta na cidade. Pelo menos durante duas horas, uma vez por semana, ficam num ambiente controlado, monitorizado por um auxiliar de enfermagem e vigiados por várias câmaras de televisão; assim descansando familiares e amigos que podem aproveitar para ir jantar fora, ao cinema ou pôr a conversa em dia.

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Não enfies a inteligência no preservativo

Defender a Igreja é um dos meus pecados favoritos. Porque ela não tem defesa, daí o luxo (ou luxúria) a que me entrego apaixonadamente. E também porque nem sequer cristão sou, quanto mais católico, daí o gozo supremo da peleja. Os temas do aborto, eutanásia e preservativo são ocasiões de flame wars onde não se fazem prisioneiros nem se vira as costas ao inimigo. E o inimigo é só um: a luta da inteligência com ela própria.

Ana Matos Pires e Carlos Amorim Abreu formam um par de opostos que atinge a perfeição dos contrários. Opostos em tudo menos na banalidade de uma inteligência acrítica quando o assunto é religioso. As suas reacções são intelectualmente infantis, manifestando profunda ignorância acerca da própria natureza de uma instituição religiosa. Eles representam a mediania, a enorme mole das opiniões comuns. Para esta gente a Igreja faz muito mal em ter valores e ideias próprias, há muito que deveria ter adoptado as ideias e valores deles. Sim, estamos no domínio das liberdades, e estas explosões emocionais nascem do desejo de retirar a liberdade de expressão e vivência às religiões.

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