Agitprof

Este texto do Barreto, Aplicadores, é de alguém que tem perfeita consciência de ser instrumental para o acirrar dos ódios contra o Governo entre dois tipos de professores cruciais para a manutenção do boicote às reformas na Educação: os corporativamente mais bélicos e os cognitivamente mais frágeis. Faz parte do aquecimento para a manifestação de 30 de Maio e pretende incendiar emocionalmente os diferentes grupos que irão comparecer: professores, sindicalistas, militantes de partidos da oposição, familiares de uns e de outros, reformados e desempregados.

O recurso ao Manual de Aplicadores, para embrulhar as ofensas que preenchem todo o texto com nexos falaciosos, mostra-nos um Barreto completamente desvairado. Trata-se de uma desonestidade intelectual grosseira, chocante e nojenta — a qual não deve ser esquecida nem perdoada sem acto de contrição. Porque esse documento, abandalhado pelo Barreto, não passa de um simples protocolo destinado a uniformizar as condições em que se prestam provas, assim garantindo maior fiabilidade e justiça nos resultados a nível nacional. O documento oferece informações suficientes para que até um professor imbecil consiga cumprir com o objectivo, para além de apelar a que as eventuais dúvidas sejam apresentadas e esclarecidas em devido tempo. E o objectivo do protocolo está ao serviço dos alunos, dos seus encarregados de educação e da comunidade, como é óbvio, evidente e inquestionável.


Só que o Barreto está num outro campeonato, o do ressentimento narcísico. A sua atitude antigovernamental é a exuberante manifestação de alguém cujo prazer na vida já só consiste na descoberta de dragões para atingir com a sua lança; como outros precisam de encontrar água no deserto. Por isso a retórica usada é precisa, maníaca, pérfida. Mete golpes baixos como manual de instruções de uma máquina de lavar a roupa à mistura com fogareirices como regimento de disciplina militar — assim alertando as senhoras professoras para não se deixarem tratar como balofas donas de casa e avisando os senhores professores para resistirem à invasão da escola pelos coronéis e generais. O texto, como é timbre neste decadente publicista, não traz qualquer esperança nem esboço de soluções exequíveis, cívicas. Não gasta meio caracter na tentativa de levar as partes ao diálogo, ao entendimento, à negociação e ao compromisso. É precisamente ao contrário, aposta tudo no conflito, na batalha, na carga romântica e desesperada contra as linhas inimigas. É por isso que se permite catalogar a equipa ministerial, responsável por uma das áreas mais complexas e decisivas do nosso destino colectivo, como sendo um grupo de déspotas loucos. Esta bosta disfuncional vem de um sociólogo considerado referência intelectual, referência académica e referência da democracia. Bom, então, e que se pode fazer a um déspota louco senão assassiná-lo? É o que se tem procurado fazer, politica e moralmente, a essa honrada e corajosa portuguesa de nome Maria de Lurdes Rodrigues.

Barreto fala de professores desmoralizados, angustiados, ansiosos com o simples facto de terem de ir trabalhar. Ou seja, fala de professores deprimidos, doentes; tal e qual como se conhecem e se descrevem, muitos deles, há 10 e 20 anos. E depois explica que a causa está nas reuniões (!), nos quilómetros para as manifestações (!!) e no preenchimento de formulários (!!!) neste ano lectivo (!!!!). Barreto fala de pais inquietos, agressões entre alunos e professores, captação de sons e imagens dentro de salas de aulas — e associa o fenómeno a acções do Ministério da Educação, o qual teria como estratégia fazer tudo o que podia para virar a opinião pública contra os professores. Barreto não indica quais foram os meios de que se serviu o ME para levar a cabo essa homérica tramóia, para mais estando o Governo cercado por uma oposição histérica e uma comunicação social hostil e deturpadora, mas aposto que o Manual dos Aplicadores é uma peça essencial da conspiração que pretende reinstaurar o fascismo nas escolas e destruir a inteligência do povo.

30 thoughts on “Agitprof”

  1. Foi um dos vossos. Até foi ministro da Agricultura. Nunca foi melhor do que é agora.
    Foi um instrumento precioso, em 1976/77 para combater o PCP. Dir-se-ia que se trata o cão com o próprio pêlo. Aguentem-se!

  2. Nem vou ler essa bosta, a que já puxaste o competente autoclismo. Um gajo tem que poupar o nariz. Zapar!

    É gritante o tendenciosismo político das opiniões «abalizadas» de certos cientistas sociais. Como se ignorassem que o seu ramo profissional também tem, articulado com os próprios requisitos científicos, um código de bons procedimentos, como tem o médico, o advogado, o psicólogo, o jornalista e até, imagine-se, a bruxa da bola de cristal.

    Claro que ninguém lhes vai às mãos, ninguém os irradia de nenhuma Ordem dos Cientistas Sociais. O castigo da sua manifesta falta de independência, objectividade e imparcialidade é tão-só a descredibilização científica.

    E achas que eles se importam com isso?

  3. António Barreto mostra neste texto que não reconhece a importância de aplicar os métodos de Gestão da Qualidade quando se pretende evitar erros em procedimentos de rotina. Talvez não saiba que quando ele ou alguém vai ao laboratório fazer análises clínicas, os procedimentos dos técnicos do laboratório também estão descritos em Manuais de Procedimentos com regras rígidas. O cumprimento escrupuloso dessas regras é que nos dá a garantia de que as análises são bem executadas, e de que podemos ter confiança nelas. E os Técnicos dos laboratórios são gente com formação e são gente honesta e séria.
    Os Manuais de Procedimentos são documentos que ajudam as pessoas competentes a não improvisar quando executam tarefas para atingir objectivos precisos. Cada parágrafo de um Manual de Procedimentos está lá para evitar que se repita um erro cometido anteriormente por alguém, que tinha formação e que era competente mas que errou (talvez por ter confiado demasiadamente na sua própria criatividade).

  4. os manuais de procedimento são obra de quem não procede , de aí serem ridículos.
    Escrever papéis é considerado trabalho por quem nada mais sabe fazer , e pronto , lá temos de gramar com eles , com os escrevinhadores que chegaram a postos de poder. ( como é que chegaram lá , os inúteis , é que eu gostava de perceber).

  5. Para o Valupi, quando o que está em causa é a governação do Pinto de Sousa, nenhum critico escapa à sua censura: é o Pulido Valente que está senil; é o Pacheco Pereira que é um obcecado; é o Barreto que é um ressabiado e desvairado; é o Manuel Alegre que é um pateta e triste; e com certeza que ainda há mais tipos a necessitar de tratamento psiquiátrico, já que para isso bastará não aderir à farsa da «normalidade» tecnocrática, manipulatória, autoritária e plastificada, personalizada no Pinto de Sousa.
    Talvez fosse melhor perguntar quem é que se salva neste meio povoado por tantos tipos com distúrbios mentais. Quem são os «normais»? Já estou a ver alguns: ele é o Rangel cujos elogios ao Pinto de Sousa e à sua equipa são normais em quem vive ansioso com um novo canal de televisão; é o Júdice cujos elogios ao Pinto de Sousa são normais em quem vive obcecado com os seus negócios de hotelaria e outros que tais; é até o Dias Loureiro que se mostrou rendido às qualidades do «menino de oiro», o que só revela como quem é um normal chico-esperto se reconhece e projecta facilmente em quem é igual a si mesmo.
    Ah… E o maior «normal» de todos é, claro, o Valupi, que se dedica a fazer diagnósticos clinicos e psiquiátricos aos críticos do Pinto de Sousa, pois o que é normal nele é fazer a defesa deste contra «reaccionários» anormais, e de uma forma «desinteressada», própria de quem não vai votar na vítima das mil e uma conspirações. É o que se chama de normalidade esquizofrénica…

  6. oh , ds , esqueceu o joão marcelino ( tipo fisico interessante..faz-me lembrar alguém ) , pá. notou-se bastante quando ele passou pró dn.. o jornal do regime passou do c. da manhã para lá.

  7. Esqueci-me de dizer, Val, que o título do post é um achado. Por isso é que trabalhas na publicidade, penso eu…

  8. Na publicidade? Está explicada então a identificação e atracção do Valupi pelo vendedor da banha da cobra…

  9. Os professores no meu tempo de estudante tinham uma queixa que costumava ser o principal factor para estarem fartos de ir para o trabalho, tratava-se do facto de terem de mudar de escola e consequentemente de casa e terra todos os anos. Foi esta ministra que lhes acabou com a vida de saltimbancos, mas parece que já se esqueceram, eles e o António Barreto. A ministra não precisa de pôr os encarregados de educação contra os professores, porque tem aqueles que são, no meu entender, o centro da escola, ou seja os alunos, do lado dela. A prová-lo está a ausência de manifestações de estudantes dignas desse nome durante todo o mandato, manifestações essas que eram tão comuns em governos anteriores e que foram a causa da queda de tantos ministros, mais um lapso de memória do António Barreto. O prolongamento do horário escolar não só veio facilitar a vida dos pais, que não saem dos empregos às 15h para poderem ir buscar os filhos à escola, como pelos vistos é do agrado dos miúdos. É uma medida que só daqui a mais uns anos pode ser avaliada, mas já se notam as vantagens: crianças de 10 e 11 anos pegam numa pauta de música, conseguem lê-la e ensaiam sózinhos a peça que lhes pedem e dominam melhor o inglês no 6º ano do que nós o dominávamos no 11º. Tudo isto passa ao lado de sociólogos como o António Barreto que só tem olhos para o “Magalhães” por um lado, e para a necessidade das manifestações de professores, por outro, nem que para isso tenha de embirrar com o tal Manual de Aplicadores.

  10. M da M, “foi um dos vossos”?! Estás muito enganada.
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    Nik, o Barreto não se importa com nada. Já se tornou num inimputável.

    Quanto ao título, embora me tenha ocorrido espontaneamente, não é original. O Google explica.
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    J. Almeida, diz que sim.
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    Medica Ribeiro, obrigado pela informação.
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    Manolo, exactamente.
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    j. coelho, o Barreto não se interessa por essa destrinça.
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    mf, what?
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    ds, interessas-te mais por mim do que pelos assuntos que se põem à discussão. Porque será? Incapacidade de os discutir ou mero desinteresse?
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    guida, muito bem.
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    z, são assuntos difíceis…
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    Vikleo, às vezes.

  11. Ó Valupi, mas então o assunto que está em discussão, como já é normal nos teus posts, não são os distúrbios mentais dos mais variados críticos do Pinto de Sousa? Pois então? Foi também disso que eu falei: tal como o Barreto, o Pulido, o Pacheco, etc, etc, tu também és um caso psiquiátrico digno de estudo, até porque para quem como tu está sempre a «desconversar», é, mais uma vez, de esquizofrénico vir agora dizer que os outros não discutem o assunto em causa.

  12. ds, não são os outros, a menos que sejas muitos, uma multidão. Cuidado. Talvez estejas possuído.
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    javali, designer? Foda-se.

  13. Val

    Permita-me uma atitude céptica em relação às “reformas” feitas pelo mesmo governo que “pariu” esta nova vaga de “Novas Oportunidades” e o inconcebível referencial de formação para os cursos que dão equivalência ao 12.º ano…
    E já agora, falemos do fantástico Magalhães… que não serve para muito mais do que “encher a mula” à J.P. Sá Couto e é uma bela forma de atirar areia para os olhos e dizer que se está a fazer muita coisa no domínio da luta contra a info-exclusão.
    E sim, os professores estão assoberbados de trabalho burocrático que lhes rouba tempo para fazer aquilo que é mais necessário… preparar aulas. Como consequência temos professores esgotados, com pouca motivação para dar aulas e a pedir reformas antecipadas.
    Há também muitos professores (conheço pessoalmente alguns) a trabalhar sem o mínimo de segurança, sujeitos a ameaças por parte dos alunos, e que ainda por cima tem de lidar com a pressão sempre presente de passar os alunos a todo o custo. Estes professores estão de mãos atadas com um regime disciplinar e de avaliação que não responsabiliza o aluno, fazendo-o acreditar que nenhuma consequência advém dos seus actos ou omissões.
    Lembro-me, nos meus tempos de liceu, de ter sido ameaçado com expulsão da escola e isso surtir efeito… Nessa altura (há relativamente poucos anos atrás) ninguém gostava de ter uma falta disciplinar ou da possibilidade de chumbar por causa disso. Se existem mecanismos semelhantes hoje em dia, não estão a ser postos em prática e o estado do ensino é o que se vê…
    Admito porém que o discurso deste senhor em relação ao “manual do aplicador” é ridículo. Não vejo qualquer problema em dispositivos “fool-proof”…

    Enfim…

    Já agora Javali, qual é o seu problema com os designers?

  14. António Sampaio, obrigado pelas tuas palavras. Vamos lá:

    – Não se podem avaliar os méritos do programa Magalhães sem factos. Quais são os factos que sustentam a tua opinião?

    – Que tipo de trabalho burocrático é esse que desgasta os professores? Segundo a política do Ministério, se há tempo gasto a mais em burocracias, o problema já é dos professores e/ou das gestões locais em cada escola.

    – Ameaças de alunos sempre houve e sempre haverá, tal como ameaças de encarregados de educação, pais e familiares variados. Isso faz parte da profissão, só muda com a alteração sociológica e cultural das populações e indivíduos em causa. No entanto, é tal o melindre, complexidade e intensidade afectiva da matéria que não é crível que esses casos desapareçam – já para não falar nos episódios que resultam da incompetência dos docentes que não os conseguem resolver, ou que deles perdem o controlo, ou que os causam.

    – O ensino é a área mais difícil da governação, por isso tem estado sempre a ser contestado desde que temos memória democrática.

    Mas que propões?

  15. Val,

    Quanto ao Magalhães, é o facto de ser um computador apenas adequado a crianças entre os 6 os 8 (no máximo) e pretender-se impingir a coisa a crianças mais velhas e adolescentes. Podia-se oferecer um portátil mais robusto pelo mesmo preço ou mais bartato, usando exclusivamente software livre (o Magalhães é fornecido maioritarimente com Windows). O software educativo fornecido numa das versões continha erros grosseiros.
    O Magalhães é um desperdício de dinheiro visto ter uma esperança de vida inferior a qualquer outro portátil, uma ergonomia péssima (veja-se a porcaria de teclado que aquilo traz) e um design apenas apelativo aos muito novos. Podia-se ter apostado num produto mais transversal…

    As gestões das escolas são pressionadas pelo governo (isto não é um exclusivo PS) a trabalhar para as estatísticas. Deste modo cada vez que um professor tem de lançar notas multiplicam-se as justificações exaustivas, as horas extra de reunião , etc. Tudo porque temos que lançar números artificiais para dizermos que temos um baixo indice de reprovações… Se as avaliações fossem feitas de forma honesta, os números das reprovações voltariam ao que eram nos anos oitenta.

    Precisamos é de uma revisão curricular como deve ser, feita por pessoas compententes, e não por idiotas como os responsáveis pelos programas “Novas Oportunidades” que transformam as “palavras geradoras” dos programas de alfabetização dos “sem-terra” do Brazil em “Núcleos Geradores” para os referenciais do 12.º. Fazem-se extrapolações abusivas de programas com propósitos diferentes e espera-se que uma colecção mal alinhavada de factos e conceitos baste para formar pessoas que em seguida podem concorrer a uma universidade.
    A meu ver, é preciso sobretudo reformular o ensino de Português e Matemática, tornando-os mais apelativos e práticos. O que se tem feito até agora é simplificar, com o recurso à bela da escolha múltipla, o que é muito diferente de dar uma vertente prática a estas disciplinas…

  16. António, estás a inventar fortemente. O propósito primeiro dos Magalhães não é servir os alunos do Secundário, mas os do Básico, logo a partir do 1º Ciclo. Por isso a ergonomia é a adequada e a sua longevidade a normal. Os “erros grosseiros” que referes são erros num texto de um dos jogos o qual tinha algumas calinadas nas instruções. Nada de especial, nada de estatisticamente relevante ou evitável – e foi logo corrigido, ninguém descobriu mais nada. E quanto ao preço, tendo em conta que para muitos é oferta e para outros anda por 50 euros, é difícil imaginar melhor. O que tu dizes não passa da tua imaginação a trabalhar fora da realidade.

    Como é que levas as escolas a fazer “avaliações honestas”? Explica aí, please.

    Estás por dentro, científica e pedagogicamente, das temáticas onde dizes que o Governo erra e onde dizes haver soluções evidentes e consensuais?

  17. Val,

    Não estou a falar de preços ao consumidor final estou a falar de preços de produção. O Magalhães é tão caro quanto modelos mais ergonómicos e com ecrãs maiores (8” é uma perfeita estupidez). E sim, o próprio Sócrates afirmou publicamente aquando do lançamento do dito computador que este modelo poderia vir a ser disponibilizado a alunos mais velhos, para além de que há um movimento, liderado por pais pouco informados, neste sentido.
    O Magalhães está mais adequado a programas de introdução precoce da informática do que ao uso no ensino regular. O computador é demasiado pequeno e devia ter um teclado de tamanho standard para que as crianças se habituassem a datilografar da forma correcta e não chegassem aos 10 anos com uma tendinite…
    É possível fazer um computador aproximadamente com o mesmo tamanho e peso, com um teclado standard. O Magalhães é simplesmente uma reprodução (inicialmente não assumida) do péssimo design de produto que tem o Classmate PC (sabia que as pegas descolam facilmente?).
    E o facto de não ter havido concurso público?

    Se você quer adoptar a postura “portuguesinha” do “é melhor que nada”, problema seu…

    As “calinadas” que você refere e que eu continuo a chamar erros grosseiros estavam também nos conteúdos. E não, não é algo admissível num produto que se destina ao ensino!
    Mas se calhar é porque eu tenho esta convicção estranha de que um tradutor sem qualificações não serve para projectos educativos…

    Avaliações honestas… Hum… Não pressionando as direcções das escolas a melhorar as estatísticas sem olhar a meios?

    A respeito de pressões levadas a cabo pelos nossos sábios governantes… Sabe que, por exemplo, no que toca aos processos de reconhecimento e validação de competências os centros RVCC têm quotas a atingir senão não abrem no próximo ano?

    Sim, trabalhei num projecto que envolvia referenciais EFA e 12º e posso assegurar-lhe que se os primeiros já são ridículos este último é do domínio da loucura total.

  18. z, estás atento a quê?
    __

    António, trazes questões que não desqualificam o projecto Magalhães, apenas realçam que ele é complexo, permitindo diferentes opiniões. Ora, essa variação de opiniões acontece em todas as áreas de intervenção do Estado, posto que não se pode agradar a todos, por um lado, e porque as pessoas que assumem a responsabilidade também erram, por serem humanas.

    A verdade sociológica e cultural dos Magalhães, porém, é outra: são revolucionários. E a revolução acontece tanto na vida das crianças por eles beneficiados como na dos adultos que constituem as famílias dessas crianças. Por isso os pais ficam tão orgulhosos com os computadores e aquilo que os seus filhos fazem com eles.

  19. Sim Val,

    Estamos cheios de projectos “complexos” em Portugal que não são passíveis de desqualificação…

    A tua fé é impressionante…

  20. tenho um sobrinho com 8 anos e já me confidenciou que ele e os outros meninos não fazem mais nada no magalhulho a não ser jogar um tal de jogo com um pinguim e ver umas coisas esquisitas de uma floribela alternativa . é fixe viciar os putos em jogos de pc logo aos 8 anos , um orgulho , sim senhor. tem dó , V : um pc revolucionário ? isso já foi há uns anitos valentes.

    comprendo pc como vão fazer na espanha , a partir do 5º , quando os garotos já sabem ler e escrever e contar bem , antes é pura perda de tempo e dinheiro. mais saudável jogar à bola , não estraga a vista e exercita o corpo. e aprender a mexer num pc é coisa que não oferece grande dificuldade , não são precisos anoooos de preparação.

  21. e mais , dado o pc ser fraquinho , quando pifar como é que é ? o estado compra mais ? as familias de poucos recursos farão o que , com os meninos aos berros porque não podem ir ao orkut ( valha-nos a India e os pc ao preço da chuva )? e a ligação à net ? quem paga ?. quem lucra sei eu.
    Criaram uma necessidade , mais nada. um presente envenenado.

    As escolas deviam era estar equipadas com pc suficientes e terem elas ligação à net , só isso bastava para a revolução.

  22. As escolas do 1º ciclo e os jardins de infância estão equipados com computadores ligados à net, e isso já acontecia antes do Magalhães, mas para haver uma revolução seria necessário que os professores lhes dessem mais uso, pelo que conheço, não é bem isso que se passa, são utilizados nem meia dúzia de vezes por ano. Apesar disso, o que acontecia antes do Magalhães era que as turmas estavam divididas entre os que tinham computador em casa e os outros. Os professores a partir do 3º ano (salvo erro), começaram a pedir, sem carácter obrigatório, aos que tinham computador em casa que apresentassem os seus trabalhos feitos em computador. Estes, rapidamente aprenderam a pesquisar na net, a fazer apresentações em power point e a utilizar a pen e o mail com o qual trocavam uns com os outros e com os professores as mais diversas informações. Era isto justo para os alunos sem computador? Não se sentiriam, e com razão, a ficar para trás?

    Não defendo de forma nenhuma que as crianças deixem de brincar ao que sempre brincaram, que o façam umas com as outras, ao ar livre, etc., mas é um facto que quem desdenha dos jogos de computador o faz por puro desconhecimento. Há sites que incluem jogos e actividades que de forma lúdica lhes desenvolvem mais capacidades que os brinquedos do nosso tempo todos juntos. Não vou descrever esses senão nunca mais daqui saio. Dou apenas um exemplo dos mais simples. As meninas gostam de brincar com bonecas, pois bem na Internet desenvolveram um novo conceito de brincar: criam as suas próprias bonecas, escolhem cabelos, olhos, bocas, etc.; criam as roupas e demais acessórios. Para além de servirem, obviamente, para vestir e despir, são colocadas em lojas virtuais que elas têm de gerir. Posteriormente, as melhores ‘criações’ são trocadas com meninas de todo o mundo. Trocam as roupas, trocam mensagens (a aprendizagem do inglês até desanda), aprendem e competem umas com as outras. A verdade é que a forma como vêem o mundo nos deixa a milhas. Enquanto nós brincávamos com as crianças da nossa rua, eles brincam com crianças do mundo inteiro.
    Teclam tão rápido que se os funcionários públicos e privados passassem a teclar assim com certeza o PIB disparava. Claro que existem pessoas que não valorizam nada disto e que julgam que não há problema nenhum em deixar parte das crianças fora destas novas formas de brincar. Mas existem outras que pensam que mesmo que o Magalhães só servisse para brincar, o que não é o caso, ainda assim valia bem a pena.

  23. Percebendo o que diz , Guida , acho que um pc é um mero instrumento de trabalho ( e de lazer , sobretudo , para a maior parte da população ) , e nada mais que isso. Não gosto nada que goste que as meninas compitam , prefiro que cooperem ; também não gosto que antes de adquirirem competências sociais e relacionais face a face andem na conversa com amigos virtuais em que a despedida é desligar o chat ( bué fáceis conversas em pc , dispensam um protocolo chato da vida real) ; eu sou bílingue , não precisei de pc nem de estranhos , bastou metade da minha família falar numa língua e metade noutra ( o cérebro dos infantes absorve tudo sem precisar de máquinas) ; quando era pequenina também recortava ( e treinava a destreza manual )umas “mariquitas” que vestia com as roupas que também tinha de recortar – mais difícil que clicar aqui e ali , tinha de manejar tesoura e ir comprá-las à loja ( vende-las é coisa que ainda hoje não me passa pela cabeça , a palavra negócio dá-me vómitos ): e por último , Guida , quem fez o pc não dispunha de pc. Antes de usar máquinas convém saber usar aquilo que a natureza nos deu , penso eu . A função faz o orgão , capisce?

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