O caso Pacheco Pereira

Existe um caso Pacheco Pereira. E é mais interessante do que o caso Freeport. Este último está condenado a acabar em revelações patéticas ou sórdidas. Mesmo que a suspeita sobre Sócrates se confirmasse — o que implicaria esse feito, digno de entrar no Guiness, de Sócrates ter de ser mais estúpido do que o irrecuperavelmente imbecil Charles Smith — tal teria apenas uma consequência relevante para a política nacional: António Vitorino, António Costa e António Seguro iriam disputar o lugar vago. E este triunvirato de Antónios, por ordem decrescente de popularidade e probabilidade, agarraria o eleitorado PS e de centro sem dificuldade. Os pulhas não teriam muito, se é que alguma coisa, a ganhar com a troca.


Existe um caso Pacheco Pereira cujo interesse não está na sua pessoa privada, profissional ou política. Pacheco é um político absentista, intelectual banal, comentador social medíocre, investigador interessante e blogger de talento. Mas onde obtém os melhores desempenhos é como publicista na indústria da política-espectáculo. Aqui, aplica as técnicas publicitárias e panfletárias que estão nos canhanhos e na cultura popular, à disposição de todos. Pacheco não inventa nada, pois não tem sequer tempo para pensar. Ele tão-somente vai alimentando a voragem que lhe dá dinheiro e consolos narcísicos, gasta do que tem mais à mão. Por exemplo, foi gamar ao Adelino Maltez o conceito de situacionismo, o qual já tem anos de reflexão nesse peculiar, lírico e profundo pensador da portugalidade. Mas enquanto para Maltez o situacionismo é uma consequência do fim da História ocorrido com o 25 de Novembro, e consequente e definitiva institucionalização do regime democrático em Portugal — o qual se foi reduzindo, cada vez mais, a disfunções em todo o espectro partidário precisamente por causa da normalização da vida política —, para Pacheco o vocábulo é apenas um recurso de agitprop para desgaste do Governo, acertos de contas com jornalistas e renovo do seu marketing de polemista-circense. Curto e chocho.

Existe um caso Pacheco Pereira, um caso moral. Porquê? Porque ainda ninguém dentro da social-democracia denunciou o falhanço e decadência do cavaquismo, esse mito nefelibata. Ninguém reflectiu sobre a baixa qualidade, intelectual e cívica, do corpo político social-democrata, dos dirigentes aos ideólogos. Ninguém explicou a Portugal porque é que o PSD fez de João Jardim, Valentim Loureiro, Dias Loureiro, Isaltino Morais, Mendes Bota, Santana Lopes, Filipe Menezes, Marques Mendes, Durão Barroso, Ferreira Leite — entre tantos outros nomes, estes escolhidos ao acaso na memória recente, que simbolizam a Nação egoísta, bronca e cúmplice do atraso colectivo — referências de topo na hierarquia do partido. Ninguém teve coragem para relacionar a cultura partidária, logo desde a JSD, com o caldo de corrupção e ganância desenfreada que são a imagem de marca do homem PSD; esse ser que não discute a racionalidade da política ou a complexidade da ideologia, muito menos os abismos da ética, porque está ocupado com o poder, metendo célere e alarve as mãos na massa. Ninguém assumiu responsabilidades pela traição de Barroso, que fugiu e entregou o poder a um inqualificável Santana. Ninguém consegue sequer explicar este fenómeno do Entroncamento: o maior partido da oposição anda há 4 anos sem conseguir oferecer aos portugueses uma única ideia de esperança, de alternativa, de mera viabilidade ou sensatez executiva. E já teve 3 presidentes pelo caminho, fora os restantes candidatos e demais candidatos a candidatos.

O caso Pacheco Pereira é triste. A sua obsessão estouvada com Sócrates é bem o sintoma de quem se sabe a falhar um destino. Ele — e só ele, pois tanto Marcelo Rebelo de Sousa, Vasco Pulido Valente ou Vasco Graça Moura, por razões diversas, não teriam essa capacidade — podia ter sido a voz da regeneração e reforma do PSD; como até chegou a sugerir a Marques Mendes que fizesse, tendo desse modo, e nessa altura, assumido a consciência do problema. E Portugal ficar-lhe-ia agradecido para sempre, pois a desgraça do PSD tem sido também factor de grave perturbação na política e ânimo nacionais. Mas não. Talvez por dar muito trabalho, talvez por ser demasiado arriscado. Pacheco preferiu antes repetir a matriz degradante dos que estão na política para encherem a pança enquanto der, quem vier a seguir que se amanhe e faça pela vidinha. Por isso Pacheco, uma das personalidades públicas que pode chegar a todo País a todo o momento, não tem qualquer proposta política para Portugal a não ser a meta do contrapoder: derrubar o adversário. Nisto, Pacheco é igual ao PCP e BE, comunga do mesmo alvo, dos mesmos métodos, do mesmo deserto de ideias. E vai para a televisão, imprensa, rádio, blogue, salivar veneno, áspide debochada que utiliza a comunicação social para continuar a fugir ao confronto consigo próprio. Ou não. Se calhar, ele é mesmo só o que mostra — e já não há heróis com sabor a laranja.

Pacheco, és um trengo.

44 thoughts on “O caso Pacheco Pereira”

  1. Valupi,

    Concordo em geral com a caractirização que aqui faz do “falhanço e decadência do cavaquismo, esse mito nefelibata”, e acho que entre os políticos “que simbolizam a Nação egoísta, bronca e cúmplice do atraso colectivo”, há também cada vez mais nomes destacados de gente do PS. O que nos coloca perante algo que ultrapassará aqueles partidos, e será porventura já uma questão de regime.

    Eduardo Lapa

    PS: No único post das formigas sobre o Freeport, em Janeiro, o 4º e 5º parágrafos, apontam num sentido semelhante ao 1º paragrafo deste post. Curiosas convergências para quem tanto tem divergido.

  2. Ai, ai, tanta coisa para desviar os olhos do patrão corrupto, trafulha e “super-tuga”.

    Enumera-se uma série de nomes menos felizes (uns menos que outros) de tempos em que Portugal ainda convergia com a UE e isso é suposto servir de areia atirada aos olhos de quem lê. “Esquece-se” é que depois vieram os felizes Socialistas (com tantos ou mais fundos que o Cavaco, pois repete-se sempre o mito de que o Cavaco só o fez graças a esses fundos) e Portugal começou, uma vez mais, a afastar-se da Europa. Isso já não interessa.

    Quanto a Pacheco Pereira, o chorrilho de caracterizações negativas esquece que tudo é relativo. Se ele é banal e medíocre quem serão os dois ou três que não o serão?

    Este blogue parece a Acção Socialista. Só que mais faccioso.

  3. Bravo Valupi, e não ligues às bocas do meu antecessor. Essa do triunvirato de Antónios merece ser exporada! Excelente post.
    Pedia-te um favor, se souberes do Estaca, ele tinha-me pedido que escrevesse sobre a especulação financeira e a crise. E é isso que ando a fazer. Deixo aqui o link:
    http://tinyurl.com/dzu2vy
    Abraço,
    Carlos

  4. Valupi,

    Os meus parabéns pelo post excepcional que recomendarei no meu blogue. Gostei dessa dos 3 Antónios. E não ligues à boca acima.
    O Estaca tinha-me pedido há tempos que deixasse aqui uma reflexão sobre a especulação financeira na crise (a primeira parte está aqui: http://tinyurl.com/dzu2vy). Abraço, Carlos

  5. E muito vaidoso ele tambem é.E tem um complexo mortal em relação às questões económicas.Já repararam como fica reverente perante uma qualquer afirmação nessa área mesmo que seja a mais banal do mundo.Só isto explica a admiração por Cavaco.

  6. What´s new?,

    Ai, ai, tanto que você cheira a justiça popular. Não quer antes apresentar factos e dados?

    Por exemplo, não lhe parece que o mínimo que podíamos esperar de dez anos de Cavaco Silva fosse o aumento do produto interno, após uma dezena de anos a tentar reconstruir um tecido produtivo abalado pela revolução e com sacas de dinheiro a entrar, vindos da EU, para infra estruturar um país que tinha parado no tempo?

    Concretamente, quais foram os sectores produtivos que o cavaquismo deixou mais fortalecidos para o país enfrentar o futuro?

    E a pouca vergonha que foi o desperdício de milhões gastos, supostamente, para dar formação e que serviram, a maioria das vezes, para pagar vencimentos de trabalhadores temporários e assim encher os bolsos de muitos empresários?

    E quem é que hipotecou, antes de bater com a porta, o futuro de várias gerações e a sustentabilidade do próprio estado com as alterações ao sistema de carreiras e remunerações da função pública, denunciado oportunamente por figuras carismáticas do próprio cavaquismo, como foi o caso de Miguel Cadilhe?

    Os seus esclarecimentos a estas poucas questões podiam ser um bom contributo para o debate. Um debate livre das partidarites e facciosismos que denuncia e parece criticar.

  7. Lamento. Sou amiga do Jpp. E embora esteja de acordo com o teor geral do que aqui se diz e denuncia e invulgarmente bem escrito assertiva e acutilantemente (refiro-me ao Val que muito considero), não posso concordar com a crítica ao Jpp.

    Será que o conhecem ? mesmo?

    cumprimentos.

  8. Irra, que me fez ir ao dicionário! Trengo, com que então? Às vezes, o Valupi também é um grande trengo.

    Eu só não percebi como é que o Valupi começa por considerar Pacheco Pereira “um político absentista, intelectual banal, comentador social medíocre” e termina afirmando que ele “podia ter sido a voz da regeneração e reforma do PSD”. Não há aí contradição?

  9. Caro Valupi, até concordo com muito do que aqui diz, mas creio que, quanto ao JPP erra nalguns pontos como por exemplo considerá-lo um intelectual banal ou um político absentista. Afinal, Valupi quem é que está sempre na segunda linha a segurar as pontas daquele partido, tendo mesmo que engolir tamanhos sapos como é o caso do Santana Lopes? Vê outro nome de relevo nacional fazer o que ele faz por aquele partido?

    Também não concordo que o JPP possa hoje ser considerado um blogger de talento, já foi.

  10. Tinha abandonado o assunto se não fosse uma pergunta que aqui surgiu. Conheço o P.P. pelo que escreve. Conheço-o pela sua mediatização. Conheço-o pela sua obra como fazedor de História. Conheço-o pela sua patética cruzada e por outras atempadamente levadas a cabo. E do que conheço não gosto. Pode ser que ajude velhinhas a atravessar a rua. Pode ser que dê milho aos pombos no Rossio. Pode ser que seja um tipo porreiro para beber uns copos (nunca o vi no British Bar), mas isso não me chega. Pacheco Pereira não é um investigador interessante nem um blogger de talento, ele é apenas um “jongleur” útil, um industrial do bota-abaixo, um intelectual arrogante para ser brandido pelos “media” quando isso lhes apraz. Pode ser um homem culto, inteligente, mas isso não basta, apenas lhe confere mais responsabilidades. Vale a pena dizer mais? Acho que não, tu já levaste a cabo esse trabalho. Tudo o mais que fosse dito seria apenas redundante.

  11. Discordo de várias coisas.

    O Pachecão não é um intelectual nada banal, pelo menos em Portugal não o é. Sejamos objectivos. É alguém com grande inteligência e vasta cultura, que se foi habituando não só a pensar, como a fazê-lo pela sua própria cabeça, sobretudo desde que abandonou a extrema esquerda marxólatra-leninólatra – e se curou, espera-se piamente, daquela arreliadora pulsão queimadora de livros.

    Um necas como ele dar-se-á forçosamente mal dentro dum partido que não tem por hábito pensar e que só tem uma ideia: conquistar o poder e trocá-lo por patacos. O Pachecão não me parece encaixar nesse perfil tacanho da maioria dos políticos laranja, de que só excluo Cavaco e poucos mais – discordando aqui também contigo, Val.

    O Pacheco trouxe da sua formação ultra-esquerdista a inclinação para o bota-abaixo. Só que virou o canhão para trás, para o campo político de que é originário. Tem feito brilhante carreira disso, como outros seduzidos pela sereia capitalista.

    A direita – que, quando não é analfabeta e primária, é tradicionalista e cafona – precisava dum homem moderno como o Pachecão. Precisava do seu conhecimento in-sider da esquerda, do seu neo-conservadorismo ilustrado. O Pacheco é também, convém não esquecê-lo, a inteligência e a auto-crítica de que a direita portuguesa tanto precisa, porque tradicionalmente as não tem.

    Pacheco ensina a direita a pensar, a defender-se e a atacar. Depois de 50 anos no poder, habituada a ter um Chefe pensante, uma censura, uma propaganda e uma polícia política, a direita portuguesa teve que recomeçar dos bancos de escola, do bê-á-bá, para poder encarar a vida em democracia e liberdade.

    Pacheco não tem ambição de mando. Ele acha-se num plano muito superior a isso. Nunca pensou, creio eu, em liderar o PSD. Acha mais graça em fazer a cabeça dos políticos do seu partido. Adora estar na oposição (ele vem da esquerda!) a botar sentenças. A repulsa enojada que sente pelo seu próprio passado, canaliza-a para a actual esquerda portuguesa, acentuando o tiro sobre o PS se este estiver no poder.

  12. Caro Valupi, ultimamente afinou o tiro? Já não é justo dizer “cada tiro cada melro”,
    o amigo está apanhando dúzias deles, deve comprar uma rede e um saco.
    Quanto ao Maltez, o seu “bracito” vai longe camarada, ou nem por isso?
    Um trengo? O que é?

  13. Eduardo Lapa, fui ler o teu texto. E estamos de acordo, pois, nisso de se reconhecer que o PS tem várias e boas alternativas a Sócrates. O que só responsabiliza ainda mais aqueles que estão obsessivamente focados em Sócrates, como se não existisse um partido com vastos recursos políticos e sociais.
    __

    What’s new?, o facto de Guterres não ter deixado resolvido problema estrutural algum do País, antes agravou, não anula a evidência de que o cavaquismo foi uma fraude a mando do sector da construção; entre outras negociatas cabeludas que, aliás, até estão na origem do BPN.

    No PSD, Miguel Veiga não é nem banal nem medíocre. Era com essa estirpe que poderiam começar a curar-se do arrivismo cultural.
    __

    Carlos Santos, o ESTACA desapareceu do mapa. Ele costuma tirar longas férias, não sei se foi o caso ou se tem mais e melhor para fazer.
    __

    jafonso, espero que o British Bar esteja solidário com esta coça no Pacheco, para ver se ele acorda.
    __

    cjt, explica lá isso melhor. Então não achas talentoso ter tantas variações do tempo a passar por S. Amaro?
    __

    Jose Nunes, pois é, vaidoso até mais não. E classista, oligárquico. Snobe, enfim.
    __

    tra.quinas, muito bem.
    __

    piano, conta lá a tua versão. Como é óbvio, o que escrevi é um desabafo, ninguém me encomendou o sermão. Muito menos alguém terá juízo se não for crítico do que vai acima. Os exageros e erros que detectas, a partir do que conheces e pensas dele, serão muito bem-vindos.
    __

    Fernando P, pois é, temos tido vários antónios de longa duração.
    __

    MPS, sou, pois. Ser trengo é também ser português.

    Não vejo contradição, mas contraponto. Ser a voz da regeneração do PSD está no plano da possibilidade, não da realidade. Como não o foi, confirmou ser um político absentista, cujos desafios políticos são irrelevantes posto que não se chega à linha da frente, nunca arrisca o coiro e mantém-se a mandar bocas na retaguarda.

    Não é preciso ser um intelectual de monta para se ser político. Sá-Carneiro, Soares e Cunhal, só para dar exemplos caricaturais, não dependiam da intelectualidade para serem políticos carismáticos e influentes. A arte da política convoca outras instâncias que não as da intelectualidade, por serem mais viscerais e volitivas, guerreiras.
    __

    PiresF, boa questão. Mas, vamos ver: até que ponto está Pacheco metido no Partido? Ele não marca presença nos congressos e é um mal-amado; tanto pelos barões, como pela arraia-miúda. Até neste consulado da Ferreira Leite, quando Pacheco tentou ser o cabecilha estratégico, algures em Agosto-Setembro de 2008, ninguém lhe deu atenção na Comissão Política ou no círculo dos que aconselham a Manela. Tal como essa de ter de engolir Santana faz mais parte do seu folclore do que é relativa a qualquer responsabilidade partidária – que ele não tem alguma!
    __

    Nik, trazes boas questões. A primeira sobre o definição de “intelectual”. E, é verdade, se tivermos como limite Portugal e o sentido social da palavra, Pacheco é um intelectual mediano ou bom. Não foi essa, porém, a definição que utilizei implicitamente, antes a noção de que um intelectual é um produtor de conhecimento ou um influenciador da cultura. Por aí, não podemos atribuir a Pacheco nenhum acrescento intelectual para além da sua obra como investigador, pois até as suas intervenções regulares como publicista são totalmente falhas de interesse para além do efémero jornalístico ou sociológico.

    A seguir, se ele não encaixa num PSD que é uma escola de videirinhos, que está lá a fazer? A resposta só pode ser uma: está lá a tratar de si. Estar no PSD garante-lhe uma presença na comunicação social, é uma marca de que se diz representante para assim capitalizar na sua relevância mediática. Depois, é só seguir o truque de estar sempre a correr por fora, mesmo que em direcção ao ponto de partida. Vale tudo, e continua sempre a ser do “PSD”.

    Dizes que Pacheco é a inteligência de que a direita precisa, por tradicionalmente não a ter. Esta tua ideia é tão sugestiva quanto arriscada. Para mim, nem a direita é falha de inteligência (bem ao contrário!), nem Pacheco é de direita. Pacheco está ao centro, imaginando-se num plano superior, donde observa a realidade pequenina aos seus pés. A verdadeira direita, não a que aparece com esse nome desde que Freitas abandonou o CDS, não precisa do Pacheco para nada de nada.

    Dito isto, concordo com muitas das tuas outras observações.
    __

    ramalho, explica lá isso melhor à malta, isso do Maltez. Bracito de quem?

    Um trengo é um tipo que podia ser de muito mais valor, mas por casmurrice ou tonteira não quer ser.

  14. Valupi, sim, o JPP é mal amado por muitos, aliás, todos os que ousam pensar pela sua cabeça, como bem sabe, ganham aqui e ali alguns inimigos, mas quando o Valupi diz que ele tentou ser o cabecilha estratégico e ninguém lhe deu atenção, creio que embarca no erro de muitos outros: não se lhe colocou ainda a hipótese de ele ser mesmo o (ou um dos) ‘cabecilha’ estratégico desta campanha e que, até se pode dar o caso de o ser por insistentes pressões e que, mais uma vez lá teve o JPP o único barão com voz e ideias de ir a correr salvar algumas pratas da casa?
    Pense nisso meu caro, absentista é que ele não é, padecerá, talvez, como diz, da tal ‘casmurrice ou tonteira’ de não querer ser mais ou de não o querer ser em certas condições.

    Sobre o outro ponto com o qual não concordei, a questão intelectual, vejo agora que o considera em termos nacionais ‘mediano ou bom’. Já é um avanço em direcção à realidade, um avanço curto, mas ainda assim um avanço.

    Já agora, se vir alguma camioneta carregada de água das pedras lá pelas bandas das amoreiras, acredite, deve ser para casa dele. O sapo do Santana deve ser enorme.

  15. Vivi uns anos em Vila do Conde, terra onde se usava e abusava da palavra trengo. Associei sempre trengo a pateta, nem que fosse de uma patetice ocasional.
    Voltando ao Pacheco: o que dele disse Eugénio de Andrade, resolve a questão. O que me apetece dizer dele: sem valor e sem valores.

  16. PiresF, não faço a menor ideia de quais sejam as relações do Pacheco com a Manela, apenas sei do que é público. E nesse plano Pacheco apareceu colado à nova liderança do Partido, por ela fez campanha e a ela tentou servir uma linha de argumentos políticos opositores. Ora, mesmo que ele não o tenha feito a partir de uma posição oficial, a verdade continua a ser que esse exercício não aqueceu nem arrefeceu; pura e simplesmente foi irrelevante o que apontou ao Governo. Depois veio o caso Freeport e ele entrou em modo de guerrilha, perdeu a cabeça. Talvez esses excessos (onde tem sido um dos exploradores das calúnias sobre Sócrates, posicionando-se na linha limite onde a calúnia política passa a calúnia legal) também sejam uma forma de reacção, ou de compensação, pela indiferença com que o PSD acolheu o seu contributo.

    Seja como for, nem como político nem como intelectual a História há-de ser especialmente elogiosa para Pacheco Pereira (isto é, se continuar como até agora, simulando uma importância que só existe na sua vaidade). Já como notável pantomineiro da política-espectáculo, com certeza que terá reconhecimento.
    __

    Fernando P, exacto, pateta. A minha definição foi moldada pelo contexto desta conversa.

  17. Não é principalmente como colunista político nem como quadrador do círculos que considero Pacheco um intelectual, de facto. A sua obra como historiador, apesar de não ser muito isenta, é apreciável e consistente. É um homem culto, com boa preparação teórica e vastos conhecimentos. Aprofunda as questões além da epiderme. Vê para além da barriga, o que actualmente já não é assim tão perto… O problema com a sua inteligência é o utilitarismo político dela, a falta de isenção, em particular o ‘bias’ anti-esquerda que lhe alimenta as caldeiras mentais. O verdadeiro intelectual tentaria estar acima das paixões políticas do momento, preocupar-se mais com a verdade e outros valores universais ainda não caídos em desuso. Eu não disse que o Pacheco era um grande intelectual, que não é. Disse que não era ‘banal’.

    A direita de que falo não é aquela parte da população que vota à direita, mas sim a direita política, a classe política dos partidos que no parlamento se sentam do lado direito. Uma classe que, em geral, não tinha preparação política adequada ao pós-25 de Abril (daí o ‘analfabetismo’ de que falo) e que, podendo ser composta por gente com QI muito elevado, foi porém sendo ensinada a pensar politicamente por intelectuais como Vasco Pulido Valente, Pacheco Pereira e outros trânsfugas da esquerda. Adriano Moreira, grande cabeça, tinha a escola política do Estado Novo. Freitas estava programado para ser o delfim de Caetano. Rebelo de Sousa foi-se formando politicamente no pós-25 debaixo da asa de Sá Carneiro, que pouca preparação política tinha. José Miguel Júdice e outros vinham da extrema direita.

  18. Valupi, tenho que concordar contigo, apenas faltam alguns nomes da tua lista.

    Murteira Nabo, Melancia, Felgueiras, etc, etc. Isto par não ir mais longe.

    Não queiras escrever a estória antes da história, vai com calma. Sabes! Podes vir a ser ultrapassado pelo factos e tropeçar na “língua! E como não és homem para reconhecer as tuas tonteiras ficas nas tuas redomas de imaginárias.

  19. Olha Val, aqui não se partilha a admiração bacoca pelo comprimento das estantes da Marmeleira. Para isso temos o Zé Manuel. Quantos investigadores há em Portugal que no silêncio das bibliotecas e dos arquivos, metendo a mão na massa, fazem o seu trabalho, INVESTIGAM, publicam, fora da luz dos holofotes que aliás dispensam? Muitos, podes tu ter a certeza, e de qualidade.

  20. e boa noite Val….

    saúdo apenas e uma vez mais a sua inteligência .

    quanto ao desafio….sorrio. não estava mesmo à espera que o aceitasse pois não?

    :))))

    .

    cumprimento.O.

  21. Caro Jafonso, também não partilho dessa admiração marmeleira. Tenho os mesmos sentimentos que tu pelo Zé Manuel e pelo Pacheco, ou idênticos. Quero que eles se fodam, sobretudo se não gostarem disso. Mas acho um grande erro de apreciação a teima de que o Pacheco é um intelectual ‘banal’ e de que não passa de um vulgar jogador de vermelhinha, com o fito imediato num qualquer lucro, favorecido por luzes da ribalta que lhe são favoráveis. Podemos odiá-lo, se isso nos der gozo, mas não convém nunca perder a lucidez de apreciação. Não subestimes o adversário.

  22. Valupi, longe de apoiar os métodos e não se situando o PSD na minha área ideológica, compreendo a estratégia como de recurso, nada mais lhes restava para combater o que já defenderam e quem lhes ocupou a horta. Só me referi à questão na intenção de colocar em causa o abstencionismo que o Valupi atribuiu ao JPP. Estou convicto que está errado.

    Quanto à intelectualidade do JPP e como diz o Nik no anterior comentário, não o subestime, pode acontecer que ele seja muito mais que aquilo que o Valupi julga. Não se deixe influenciar pela forma directa de falar e escrever quando ele fala e escreve para grandes e diversas audiências.

  23. Nik, obviamente. Mas, olha lá, dizer que o homem é “culto” e “inteligente” é tautológico. Que raio, poderia ele não ser culto e inteligente, mesmo sem darmos uma qualquer definição desses termos? Só que tais predicados também não chegam para fugir da banalidade, se é de intelectuais que estamos a falar. O mérito de investigador é corriqueiro, bastando olhar para a academia e comparar a obra produzida. Pacheco especializou-se em estudos comunistas, no que talvez até seja uma pulsão psicanalítica de auto-compreensão ou catarse (estou na reinação, claro), mas não inovou em nenhum aspecto, do metodológico ao temático. Enfim, acho que estamos é a tropeçar na semântica de “banal”.

    Explica, por favor, essa de Sá Carneiro não ter experiência política. É que tanto ele como o resto dos fundadores do PSD (e outros do CDS) eram já rodados e tinham as ligações certas para unir política, empresariado e tecidos sociais não esquerdistas.
    __

    Ibn, estás a querer dizer que “Murteira Nabo, Melancia, Felgueiras, etc, etc. Isto par não ir mais longe.” são destacadas figuras do PSD? É que era esse o tema em causa, não sei se reparaste com a pressa.
    __

    jafonso, concordo muito contigo. Há muita gente boa, e o Pacheco não pertence a esse grupo, mesmo sendo honrado (que se saiba, quero eu dizer). Ele desperdiça os seus talentos, e não ama Portugal. É mais um armado em artista incompreendido pelos nativos. E disso fez carreira.
    __

    Piano, esperava, pois. Porque não? As tuas palavras valem tanto como as de qualquer outro. E, se calhar, muito nos poderias ensinar. Pensa nisso. Vou manter a esperança.
    __

    PiresF, o abstencionismo é assumido pelo próprio Pacheco, ele recusa discutir a liderança, recusa pertencer a grupos. Vivo do culto solitário a si próprio. Por isso é um profissional da política-espectáculo, não se chateia com mais nada. E, nessa irresponsabilidade, lá vai delirando influências e contributos decisivos.

    Eu não subestimo o Pacheco, é até ao contrário: sobrestimo-o. Por isso me irrita tanto desperdício, tanto rancor inútil, tanta cobardia perante as evidências: o inimigo não é o Governo, é a oposição. E, nesta, o problema maior chama-se PSD. Há aqui um problema de intelectualidade, se a considerarmos como fonte de bem e levando a uma coerente atitude. O intelectual, neste sentido ideal que desenvolvo, não pode falhar eticamente, sob pena de anular o seu estatuto e nada mais ter credibilidade. Enfim, platonices…

  24. O único mérito que reconheço ao Pacheco Pereira é o de saber manter-se na ribalta ao longo de todos estes anos, sem precisar de grandes feitos que o justifiquem. De resto, quanto à inteligência tenho sérias dúvidas. O que melhor conheço dele é a sua prestação semanal na Quadratura do Círculo. Se ele é inteligente, que dizer então do António Costa que semana após semana, e com toda a calma, luta contra aquelas técnicas baixas de debate levando na maioria das vezes a água ao seu moinho? Onde tinha o Pacheco Pereira a cabeça no dia em que decidiu apoiar uma pessoa com as características da Ferreira Leite para chefiar o partido? Terá ele acreditado mesmo que ela era a melhor escolha para unificar o partido e para governar o país? Das duas uma: ou não é tão inteligente como se julga, ou foi movido por obscuros objectivos difíceis de descortinar, pelo menos para mim. Seja como for, o resultado da estratégia está bem à vista e não me parece que seja positivo nem para o PSD, nem para o país que nada ganha sem uma oposição digna desse nome.

  25. Descomplicando: JPP é um homem inteligente, que lida mal com o seu passado, que tem um problema por resolver com o PC (nomeadamente com A.Cunhal), e que gosta de protagonismo.
    Ele tem perfeita consciência de que o PPD (não digo PSD intencionalmente) não é a sua familia – mas é o poleiro a partir do qual pode ter algum destaque na cena nacional.
    Não acho que mereça atenção. Repugna ver um tipo que não é parvo a funcionar como um trampolineiro em defesa de um território – o cavaquistão – que ele sabe que é habitado por pessoal herdeiro do que de pior nos deixou o salazarismo: infantilidade civilizacional.

  26. Já agora: à direita conheci três, muito mais “escorridos” e detentores de massa cinzenta. Por ordem alfabética: Adriano Moreira, Amaro da Costa e Lucas Pires.
    A intervenção de Amaro da Costa na Assembleia da República, no dia em que o CDS quebrou a aliança governamental com o PS, foi uma peça de argumentação de 5 estrelas.

  27. Ah pois onde eu tinha a cabeça, nem tinha reparado. LOL

    Não bom homem! Dizia que é tudo farinha do mesmo saco, ou dito de outra forma, mais à moda da minha terra, são todos porcos do mesmo chiqueiro! Está agora claro?

    Ou seja, mas nos aproximamos do “centrão” começa a feder.

  28. Valupi,

    Olha que tanta lambuzadela na mão do Sócrates ainda te faz mal. E não esperes recompensa, outra que não o ordenado que hoje ganhas. O Sócrates deve ter memória curta.

    Esta libertação de fel neste exacto momento deve-se a quê? Ao risco evidente de perda das eleições europeias pelo partido do teu patrão e de vitória de Rangel? Aos textos que JPP tem escrito contra jornalistas e agências de comunicação situacionistas? Onde é que te está a doer?

    E, já agora, quem és tu? Quem se esconde por detrás deste pseudónimo? Onde trabalhas?

  29. guida, não posso concordar mais.
    __

    j.coelho, exactamente e muito bem lembrados esses nomes do CDS.
    __

    Ibn, continuas a passar pelos textos com excesso de velocidade, incluindo os que escreves. Repara: os teus exemplos não são de farinha do mesmo saco. Ora pensa lá um bocadinho, com calma.
    __

    J Dias, tens a certeza de que Sócrates não me vai dar uma recompensa? Que pena só agora saber disso, tanto esforço em vão.

    Onde me dói é no PSD. A sua ruína não trouxe nada de bom à política nacional. E, dentro do PSD, via no Pacheco uma personalidade com independência e intelectualidade suficientes para encetar o processo de reforma do partido, entretanto entregue às incompetentes e decadentes lideranças de Marques Mendes e Filipe Menezes. Afinal, o Pacheco revelou-se uma vítima da superior capacidade política de Sócrates, foi ficando cada vez mais raivoso e estarola. Coisas da puta da vida.

    Quem sou? Que queres saber? Só o nome ou também a morada e outros dados, como a cor dos olhos e o que como ao pequeno-almoço? Trabalho numa agência de comunicação, isso posso confirmar, mas não temos políticos na carteira de clientes. Aliás, se procurares, encontras essa informação relativa à minha profissão publicada desde finais de 2004, princípios de 2005 (ou qualquer data lá perto). Não se trata do maior segredo do mundo.

  30. Valupi:

    “Afinal, o Pacheco revelou-se uma vítima da superior capacidade política de Sócrates, foi ficando cada vez mais raivoso e estarola “?

    “da superior capacidade política de Sócrates.”?

    Isto é delicioso!

    Quanto à tua identidade, sim, gostava de saber o teu nome e o da agência de publicidade onde trabalhas. Penso que é relevante para se avaliar as tuas opiniões.

  31. J Dias, tudo bem. Mas, nesse caso, explica primeiro como um nome (por exemplo, “António Silva”) e uma empresa (por exemplo, “BBDO”) podem ser relevantes para se avaliar a opinião política de um cidadão. Espero que tenhas pensado bem nas consequências do que estás a defender, pelo que o que irás dizer a seguir será, seguramente, delicioso. Fogo à peça, companheiro.

  32. Pois, pois. O que tu queres sei eu.

    Tu, por exemplo não pensaste bem antes de escreveres este post. E por isso tens vindo a tentar moderar o disparate que antes escreveste aqui nos comentários pois até os teus amigos te dizem que estás errado.

    Mas isso – o certo ou o errado, a verdade ou a mentira, a análise ou o puro insulto – a ti é-te indiferente porque sabes que o que é importante é escrever meia dúzia de insultos para serem citados nos outros blogues dos assessores de comunicação do Primeiro Ministro e irem fazendo o seu caminho, por aí fora, nos twitters desta vida. Ou não trabalhasses tu numa agência de comunicação.

  33. Está-se mesmo a ver que se o Pacheco Pereira tivesse tido o sucesso que o Valupi lhe augurava, este votava no PSD.

    Um belo trengo és tu, Valupi!

  34. J Dias, a que disparate supostamente moderado te referes? Estou errado em quê? Desde quando é que é ilegal, ou maligno, ter profissionais de comunicação a trabalhar com políticos e para a política? Que problema detectas nisto da Humanidade querer comunicar e vivermos numa sociedade da comunicação? Onde está a tua brilhante argumentação a favor dos nomes de baptismo e locais de trabalho como critério de validação de opiniões políticas? Se sabes o que eu quero, por que razão não o dizes à malta toda?
    __

    Cesaltina Carrapato, voto na inteligência e na coragem, não em partidos. Portanto, poderei votar PSD se este for a melhor opção. Neste momento, não é.

  35. :)

    posso?

    este sorriso é para Si__________Val.
    Pelas respostas que vai dando a cada um dos seus comentadores. sigo. encantada.

    bom fim de semana…..com livros à solta no Parque.:)

  36. “Desde quando é que é ilegal, ou maligno, ter profissionais de comunicação a trabalhar com políticos e para a política? “

    Quando esses profissionais, supostamente, expressam uma opinião livre e sua, contudo, pagos para expressar uma opinião que pode não ser a sua.

    como já te disse várias vezes estes fenómeno é mais do que antigo na internet. Há empresas que vivem disso, recebem dinheiros por terem profissionais a comentar artigos e publicar blogs, como sendo supostos cidadãos anónimos.

    Astroturfers.!

    Bom tu não é burro, mas queres de vez em quando fazeres-te de desentendido, provavelmente, julgado que o teu auto convencimento de habilidade com as palavras te dá razão só te leva ao engano.

    Eu vou por a coisa de outra forma para ver se entendes. O PS, o PSD, CDS e provavelmente os outros partidos, têm nas suas fileiras gente desonesta e que já cometeu crimes, sobretudo, relacionados com dinheiros públicos.

    Quando tu referes “Valentim Loureiro, Dias Loureiro, Isaltino Morais” não nos digas que são nomes tirados ao acaso, porque não acreditamos. Gente desse calibre tens também no PS, os exemplos que te dei.

    Infelizmente é bem verdade o que dizes relativamente ao simbolismo pela “nação egoísta, bronca e cúmplice do atraso colectivo”. Sem grandes eforços poderias encontrar outros nomes do PS ( Guterres, Coelho, Socrates, Gomes, Vara, Sampaio, etc) e outros anfíbios (Pinho, Lino, Judas, Magalhães, etc).

    Engano teu quando julgas que convences alguém de que os que te pagam a avença são poços de virtudes equanto os outros (aqueles que tens que denegrir para justificar a avença) são a origem de todo o mal.
    Por isso larga o vinho.

  37. Pacheco especializou-se em estudos comunistas, …mas não inovou em nenhum aspecto, do metodológico ao temático.

    Acho o contrário: ele foi o primeiro a pegar nessa temática a sério e com resultados que estão à vista. A biografia do homem-partido Cunhal é um trabalho de fôlego, pioneiro em vários aspectos. Outros estudos, sobre a clandestinidade, por exemplo, nunca tinham tido uma abordagem semelhante. As histórias autorizadas do PCP são lixo, para vender em saldo na Festa do Avante. Os testemunhos de vários comunistas arrependidos, ainda que por vezes informativos, são meros requisitórios. O que os pides escreveram sobre o PCP é outro lixo, de quem quis justificar a porcaria de função que teve.

    Pacheco não vai ficar para a história como militante comunista dogmático, nem como político, nem como comentador político, nem como pirómano, mas como historiador do comunismo em Portugal.

    Politicamente, Sá Carneiro era um perfeito nabo antes do 25. Reli há pouco uma entrevista que ele deu ao jornalista Jaime Gama em 1971. Parecia que o entrevistador sabia mais do que o entrevistado sobre todas as matérias. A formação doutrinária dele Sá era 1/3 Estado Novo, 1/3 catolicismo de advogado portuense, 1/3 social democracia alemã mal assimilada. Uma salgalhada. Só ele se lembraria de fazer um “partido popular” em molho de “social-democracia”. Foi um grande lutador, sem dúvida, corajoso e determinado, que construiu um grande partido, que de social-decmocrata não tinha nada.

  38. piano, daqui vai também um sorriso na tua direcção. Mas gostava de te ler sobre o assunto. Ainda não perdi a esperança.
    __

    Ibn, estás de parabéns por teres feito o favor de nos explicar fenómenos tão complexos, e até devias receber um prémio por conseguires repetir tantas vezes a palavra “astroturfers”. Imagino as tremendas dificuldades por que passas. Mas o problema continua o mesmo, lamento informar-te: passas pelas palavras escritas com rapidez a mais, o que te leva a não conseguir identificar a maior parte delas. Repara: não se discute a existência de casos suspeitos ou julgados de corrupção no PS, desse modo anunciando ao mundo que os malandros estão em todos os partidos por igual, mas sim o facto de o PSD ter escolhido como referências partidárias (alguns deles que até chegaram a líderes do partido) figuras de baixíssima qualidade política, intelectual e/ou cívica.

    Vá, tenta lá pensar mais um bocadinho. E não te assustes se ao princípio parecer impossível. Também no pensamento, o mais difícil é começar.
    __

    Nik, tens razão: a sua dimensão de investigador é a mais valiosa. Porém, um investigador só equivale a um intelectual no sentido técnico, não no filosófico ou crítico. Tal como o pioneirismo que referes não equivale a uma novidade epistemológica, antes à entrada numa área temática com pouca investigação. Ora, qualquer doutorando (nalguns casos, mestrando) segue a mesma lógica: tenta explorar temáticas onde haja menos investigação. Enfim, e não passando eu de um cidadão com uma opinião exterior à academia, considero a obra de Pacheco pouco extensa, mas inquestionavelmente relevante para a historiografia.

    Sobre a tua opinião a partir da entrevista que Sá Carneiro dá em 71, é uma ponderação subjectiva tua. Os factos mostraram que Sá Carneiro possuia um destino carismático. Em 1974 tinha 40 anos, estava na idade ideal para liderar uma parte do centro-direita e direita para a estabilização pós-revolucionária. E até na sua relação com Snu mostrou-se de uma modernidade moral desconhecida em Portugal à época. Tudo isto também é a política, profundamente.

  39. OK! Eu sei que a ti não te dou novidade nenhuma, não é? Claro que um astrurfer facilmente se apanha, claro que sabes aquela do mentiroso. Claro tu sabes tudo.

    Há até uma coisa que preocupa já a humanidade, o que fazer quanto tu desapareceres? Há quem julgue, até, que a terra pode sair da sua órbita e que o sol pode parar de brilhar.

    Se tu passas rapidamente ao não pelo que os outros escrevem não tenho a certeza, mas desconfio que passes muito lentamente, o que no teu caso é problemático, pois nem assim te serve de muito. Será cegueira?

    “Coelho, Socrates, Gomes, Vara” são como tu próprio dizes exemplos de “figuras de baixíssima qualidade política, intelectual e/ou cívica.” por isso até nessa merda o PS e o PSD rivalizam!

    Já gora, incomoda-te que use tantas vezes a palavra astroturfer? Sim? Tem calma toma o Xanax que isso passa!

    Larga o vinho

  40. estimado Val…..dá para ver que não vou falar de quem conheço e estimo não dá????
    :))))) grata pelo sorriso.

    ________________________________,

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.