O segundo segredo de Ourozinho

Oh Senhora da Assunção

Meu lugar de ser e estar

Os andores ali no chão

Esperam quem vai cantar

No desfile em lentidão

Da música, seu compasso

Os ritmos do coração

Revelam tempo e espaço

Como esquecido brasão

Invisível para o Mundo

Há em mim a inscrição

Do contrato tão profundo

Entre o instinto e a razão

Entre a paixão e a lucidez

Dum lado o apelo do chão

Do outro a luz dos porquês

Estou dentro da procissão

Vivo de novo a verdade

São momentos de paixão

Largas horas de saudade

Na festa e na ocasião

O meu corpo nada pesa

Estar aqui é a oração

Que em silêncio se reza

Oh Senhora da Assunção

Eu canto para não chorar

Os andores ainda estão

Só agora se vai andar

Oh Senhora da Assunção

Vou dar-te a despedida

Não posso dizer que não

Aos desafios da vida

9 thoughts on “O segundo segredo de Ourozinho”

  1. JCFrancisco, apesar do tema de hoje ser a ‘devoção’, e este estar longe de ser um dos meus temas preferidos, li o seu poema com o mesmo prazer com que o costumo ler todos os dias. :)

  2. Oh Lenor então é mesmo assim: primerio a obrigação, depois a devoção… Não é uma desculpa, é a ordem natural das coisas.

  3. Ser uma ordem das coisas, será, mas ser dessa maneira – por essa ordem – é ser tudo menos natural. Ou não? Ou sim?

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