Do muito que temos para agradecer a Sócrates, um dos fenómenos mais pitorescos é esse da união dos comunas com os reaças. A propósito da imagem já bolorenta de uma loja americana que alegadamente publicita na sua montra o nome de alguns clientes famosos, Helena Matos e Tiago Mota Saraiva atingem um cúmulo de imbecilidade. Este, soltando a franga da vocação controleira, pretende que as autoridades investiguem a compra de roupa pessoal por Sócrates, apurando se o preço que ele paga por cuecas e peúgas não será prova de alta corrupção. Aquela, no que é o exercício blogosférico mais tonto de que tenho memória, une numa linha o ataque aos estudantes universitários com a supina hipocrisia de quem já nem mede o ridículo próprio.
Afinal, tudo isto bate certo. Comunas e reaças são agentes simétricos ao serviço de um único ideal: a estagnação. É por isso que a realidade está permanentemente a validar a sua percepção de que as coisas estão mal, muito mal e cada vez pior. A realidade tem essa característica aborrecida de ser sempre nova. E estes dois grupos — que anseiam pelos amanhãs que cantam, eternidades celestes, vitórias finais sobre o inimigo — não suportam o mistério do tempo.






