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União Nacional dos Imbecis

Do muito que temos para agradecer a Sócrates, um dos fenómenos mais pitorescos é esse da união dos comunas com os reaças. A propósito da imagem já bolorenta de uma loja americana que alegadamente publicita na sua montra o nome de alguns clientes famosos, Helena Matos e Tiago Mota Saraiva atingem um cúmulo de imbecilidade. Este, soltando a franga da vocação controleira, pretende que as autoridades investiguem a compra de roupa pessoal por Sócrates, apurando se o preço que ele paga por cuecas e peúgas não será prova de alta corrupção. Aquela, no que é o exercício blogosférico mais tonto de que tenho memória, une numa linha o ataque aos estudantes universitários com a supina hipocrisia de quem já nem mede o ridículo próprio.

Afinal, tudo isto bate certo. Comunas e reaças são agentes simétricos ao serviço de um único ideal: a estagnação. É por isso que a realidade está permanentemente a validar a sua percepção de que as coisas estão mal, muito mal e cada vez pior. A realidade tem essa característica aborrecida de ser sempre nova. E estes dois grupos — que anseiam pelos amanhãs que cantam, eternidades celestes, vitórias finais sobre o inimigo — não suportam o mistério do tempo.

Os Conselheiros de Estado não são todos iguais

Dias Loureiro, a não ter tido qualquer responsabilidade nas ilegalidades já indiciadas e por apurar na SLN e BPN, deverá ser metido num frasco com álcool e enviado para investigação em laboratório. Temos de descobrir como pôde um incompetente deste calibre ter chegado onde chegou apenas se valendo das suas exóticas capacidades cognitivas.

Entretanto, sugiro aos assanhados mentores do Presidente da República que, numa ocasião propícia, lhe expliquem ser este tipo de afirmações merecedor de tau-tau. É que os Conselheiros de Estado não são todos iguais, nem lá perto — 5 deles são escolha do Presidente. Pelo que vai acontecer o seguinte, rapaziada cavaquista: mesmo que Dias Loureiro passe por entre as gotas da chuva sem se molhar, coisa em que ele parece acreditar, vamos ficar à espera que o actual Presidente da República explique aos indígenas a escolha desta triste e sinistra figura para lhe dar conselhos sobre assuntos da máxima importância nacional. E vamos também pensar se o homem merece as seguintes prebendas, só à luz do que já se encarregou de revelar aos portugueses por palavras e actos de sua livre iniciativa:

Artigo 17.º
(Direitos e regalias)

Constituem direitos e regalias dos membros do Conselho de Estado:

1. Livre trânsito, considerado como livre circulação, no exercício das suas funções ou por causa delas, em locais públicos de acesso condicionado;
2. Obtenção de qualquer entidade pública das publicações oficiais que considerem úteis para o exercício das suas funções;
3. Passaporte especial, durante o período do exercício das respectivas funções;
4. Cartão especial de identificação, de modelo anexo à presente lei, durante o período do exercício das respectivas funções;
5. Uso, porte e manifesto gratuito de arma de defesa, independentemente de licença ou participação;
6. Adiamento do serviço militar, mobilização civil e militar ou serviço cívico.

Cavaco, aqui entre nós concidadãos, se achas que os restantes 18 Conselheiros são iguais a Dias Loureiro, o melhor é fecharmos as portas e devolvermos esta merda a Castela.

O caso Pacheco Pereira

Existe um caso Pacheco Pereira. E é mais interessante do que o caso Freeport. Este último está condenado a acabar em revelações patéticas ou sórdidas. Mesmo que a suspeita sobre Sócrates se confirmasse — o que implicaria esse feito, digno de entrar no Guiness, de Sócrates ter de ser mais estúpido do que o irrecuperavelmente imbecil Charles Smith — tal teria apenas uma consequência relevante para a política nacional: António Vitorino, António Costa e António Seguro iriam disputar o lugar vago. E este triunvirato de Antónios, por ordem decrescente de popularidade e probabilidade, agarraria o eleitorado PS e de centro sem dificuldade. Os pulhas não teriam muito, se é que alguma coisa, a ganhar com a troca.

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Némesis

Amanhã, Dias Loureiro irá ao Parlamento voltar a ofender Portugal na sede da democracia. Esta figura não é apenas um amigo de Cavaco Silva que goza da protecção do Presidente da República, é igualmente um Conselheiro de Estado e eminência parda do PSD ao longo dos anos 90 e seguintes. Representa a elite social-democrata e enriqueceu por ter sido ministro de Cavaco, mas não com o salário que recebeu do Estado. A área que tutelou, Administração Interna, é de especial importância e melindre — pelo que, na eventualidade de ter usado conhecimentos e relações obtidos nessas funções para proveito empresarial, ilícito ou lícito, a gravidade do caso atinge também moral e politicamente o PSD e Cavaco Silva. Sem piedade.

Entretanto, este homem continua a saber mais de Dias Loureiro do que os seus amigos mais próximos e com maiores responsabilidades perante o País.

Lembretes

– Paulo Rangel ainda não teve uma única ideia que valha a pena ouvir, quanto mais discutir. Quando debateu com Vital mano-a-mano, na SIC, o que se viu foi um sabotador que seguiu os códigos das pelejas parlamentares e para lamentar. O resultado foi repugnante. Logo depois, vai à Assembleia mostrar que o 25 de Abril vale menos do que a baixa política. No que diz respeito ao seu calibre de estadista, estamos conversados.

– O BE cresce não devido ao apelo das suas propostas ou à confiança nos seus responsáveis, mas como íman dos votos de protesto. Isso faz do BE um partido condenado a um insolúvel dilema: se ficar refém de uma atitude apenas e só opositora, vai defraudar a sua base de apoio; se vier a ser Governo, vai defraudar a sua base de apoio.

– Se amanhã o CDS fechasse as portas e nunca mais enviasse um comunicado à imprensa, passariam 10 anos antes de alguém dar por isso.

– A propósito da entrevista a Sócrates, voltou o estafado epíteto da arrogância no refugo das críticas. É um fenómeno risível. Porque aquilo que se considera ser arrogante em Sócrates é, afinal, um acto de humildade: consiste na entrega apaixonada ao confronto político. O homem chega a parecer juvenil, de tanto entusiasmo. Alguns portugueses, nados e criados no cinismo e mesuras hipócritas dos governantes, reclamam por não estarem habituados à autenticidade.

– Emídio Rangel é um bravo. Dava 1 euro para ter assistido ao Moniz a ler isto.

– Jesualdo vai ser tricampeão. O Benfica até a mim me deixa doente. E o Paulo Bento prestaria um melhor serviço à Humanidade se deixasse de protestar contra os árbitros e desatasse a protestar contra si. Quando é que começa a próxima época?

– 2009 já só tem 8 meses para dar cabo desta merda toda.

E as crianças, senhores?

O episódio do tempo de antena do PS com imagens ilegítimas parece uma encomenda da oposição. Tem os ingredientes ideais para que os imbecis do costume se babem alarvemente: PS, propaganda, crianças, escolas, pais, Ministério da Educação, computadores Magalhães, Sócrates e absoluta irrelevância política e social. A partir daqui, é malhar enquanto estiver quente. O inimigo foi ao tapete, os merdas aproveitam para o pontapear e cuspir. Sem qualquer surpresa.

Surpreendente seria que alguém dissesse o óbvio: que uma oposição reduzida à chicana é uma tirania desgraçada, transforma o debate numa permanente criancice.

Crespologia

A crespologia é uma ciência originária dos primeiros meses de 2009, resultando da urgência epistemológica em estudar o jornalista Mário Crespo. As questões fundamentais desta área de conhecimento, que já nasceu velha, são duas:

1) Crespo é tão imbecil como aparenta?

2) E aquilo de que padece será peçonha que se pega pela televisão?

Analisemos o seu último espasmo escrito, Os bons e os maus. Abre com uma tripla comparação — caso Freeport com acidente de Entre-os-Rios; jornalistas com supostos responsáveis pela tragédia; processos com acusações. E conclui o parágrafo atribuindo ao Governo a responsabilidade pelas equivalências dementes que nasceram algures a meio das suas orelhas. Quer isto dizer que, para além de ofender todas as vítimas da queda da ponte ao utilizar a sua memória numa comparação lunática, se assume como um inimputável que não terá respeito por nada nem por ninguém na sua sanha persecutória e odienta.

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Helena Matos em softcore

Helena Matos comentou a entrevista a Sócrates recorrendo ao estilo softcore: sabemos que alguém está a foder alguém, mas não se apresentam imagens explícitas. O que permite dizer que era tudo a brincar, que a pila nem sequer tocou no pipi*, caso o espectáculo dê para o torto. Por isso abre o texto com uma paralipse, recurso típico dos ataques ad hominem e subterfúgio preferido das insinuações cobardes:

Não quero saber da mãe, do primo, do tio e de quem mais seja das relações do cidadão José Sócrates.

Não? Certezinha? Então porquê começar por sugerir ao leitor que Sócrates não está sozinho na suposta marosca, antes é todo o clã que actua em conjunto? O texto mantém a insídia inicial, ou aumenta-a, fazendo variações à volta dos casos que a imprensa tem publicado, investigado e explorado. A imprensa e as autoridades, vamos também lembrar. O que faz de Sócrates o político mais exposto, mais estudado e mais transparente de que há memória; até os notários portugueses andaram a virar gavetas e tapetes ao contrário à procura de um metro quadrado falcatruado para o entalar. Tal como o processo de licenciamento do Freeport é o acto governativo mais explicitado na comunicação social em toda a História de Portugal, e já lá moram perto de 9 séculos. No entanto, apesar de qualquer pulha ter chafurdado como bem lhe apeteceu na torrente de informações tornada pública, Sócrates continua objectiva e factualmente imaculado no plano legal. O mesmo já não se pode dizer de parte da elite cavaquista; mas, shiiiiiuu, disso é que não convém falar ― a liberdade de imprensa não foi inventada para chatear o actual Presidente da República e sua filiação partidária, como o Zé Manel e o Pacheco poderão esclarecer se houver dúvidas.

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Postais pedidos

A nossa amiga Sinhã pediu para se dar atenção às rodilheres. E depois de meditar profundamente na questão, o que tenho a dizer é o seguinte: rodilheres, pela vossa saúde!

O nosso amigo Carlos Santos pediu para se dar atenção à tortura. Ele ficou torturado com o assunto e também aqui estamos perante um problema de saúde; tanto física como mental.

Macaronésia é nossa

macaronesia

E também de Espanha e Cabo Verde, talvez Marrocos, mesmo Senegal. É um arranjo geográfico que nos está a chamar. Precisamos de juntar biólogos, engenheiros, pescadores, empresários e anti-imbecis. Isto para começar. Para começar a descobrir o que fazer a tanto mar e aos biótipos exclusivos. Há que bater à porta da universidade e trazer recursos intelectuais para este território que poderia ligar Portugal e Espanha num regresso ao poder atlântico, e que ligaria Europa e África numa comunidade de criação de riqueza.

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