24 thoughts on “Ser benfiquista”

  1. É muito interessante e risivel de facto…seria corromper árbitros e benficiar de compradios politicos mais legitimo e admiravel, teria muito mais espirito? Sem duvida.
    Seria agredir jornalistas, mulheres e deputados, mais fino? absolutamente.
    Neste post falta observar o ponto de vista de quem o escreve, mais ou menos…”um deslumbrado que observa e comenta dois pategos a gozar com um bronco…etc…”
    É melhor manter-se monotemático Val, limite-se a defender o Sócrates na esperança que de caminho lave mais alguma coisa a Norte.

  2. Um post qu é uma síntese genial, não diria do espírito benfiquista, mas talvez, se me permite, da mística benfiquista. Desculpe, mas acho que é mais a mística, eu acho.
    Além do mais, o post tem a vantagem de suscitar comentários como o do K, atrás, que permite alimentar a esperança que, apesar da lagartice, o Valupi perceba o que as pessoas decentes deste país têm de aturar ano após ano, desde o 25 de Abril…

  3. Antes do 25 de Abril tambem Kmóveis…mas eram mais dirigentes do seu clube que invadiam as cabines dos àrbitros de pistola da mão…se tiverem pachorra leiam isto, e meditem…se o conseguirem:

    cgomes Posição: Guarda Redes
    Data Nascimento: 18/01/32
    Naturalidade: Barreiro
    Altura/Peso: – cm / – Kg
    Nacionalidade: Portuguesa

    Palmarés

    Campeão nacional da IDivisão pelo Sporting (1950/51)

    Campeão nacional da IDivisão pelo Sporting (1951/52)

    Campeão nacional da IDivisão pelo Sporting (1952/53)

    Campeão nacional da IDivisão pelo Sporting (1953/54)

    Vencedor da Taça de Portugal pelo Sporting (1953/54)

    Campeão nacional da IDivisão pelo Sporting (1957/58)

    Dezoito internacionalizações pela Selecção A. Estreou-se em 22 de Novembro de 1953, no Jamor, contra a África do Sul (3-1) e despediu-se a 7 de Maio de 1958, em Londres, contra a Inglaterra (1-2)

    CARLOS GOMES foi um guarda-redes desconcertante. Genial. Perturbador. No jogo ou na vida – ou no Jogo da vida – esteve sempre com aura mistério e rumor de polémica.

    Como um leão. Rebelde e feroz. Por isso (e por muito mais), António Lobo Antunes haveria de referir-se a ele, no seu livro Crónicas, como caprichoso guardião capaz de «pontapear fotógrafos antes de se transferir para Espanha e ameaçar o presidente do clube quando não lhe pagavam com a irónica frase no hay dinero, no hay portero»… Iniciou-se no Barreirense, fascinado por Francisco Silva, guarda-redes do clube, suplente de Azevedo na Selecção Nacional e a quem, com ternura, chamava de… Ti Chico. Desde miúdo que Carlos Gomes se punha atrás da baliza de Francisco Silva, desvanecendo-se com as suas defesas, oferecendo-lhe, quando a bola andava por longe, mais que água para se refrescar, laranjas que, muitas delas, apanhava, à sorrelfa, no jeito felino com que haveria de estar na vida, nos pomares vizinhos. Por esse tempo, começou, também, a perceber que havia uma outra vida, de dor, de mágoa, de revolta, para além da vida desafogada de sua casa. «Tinha 14 anos quando, no Barreiro, começou a época dos desafios silenciosos. Época de enorme agitação social, a malta esperava os domingos com impaciência, sobretudo quando vinha o Sporting. Era hora e meia desabafando as injustiças sociais. O ambiente chegou a ser tal que o Regime decidiu que ninguém poderia gritar durante o decorrer dos desafios. Cada vez que havia jogo, um destacamento da Guarda Republicana instalava-se dentro do estádio, enquadrando o rectângulo de jogo com as metralhadoras nas mãos e de frente para o público.»

    Como Matateu lhe abriu o caminho…

    A contestação ao Sporting era, por via indirecta, a contestação ao salazarismo. Sobretudo, porque os seus dirigentes eram, quase sem excepção, figuras gradas do Estado Novo. Mas, por uma dessas ironias do destino, seria para o Sporting que Carlos Gomes haveria de ir. Sem que alguém lhe perguntasse se era esse o seu desejo. Sabia que o Benfica também entrara na corrida, talvez fosse para lá que o seu coração pendia, mas… Quando dirigentes do Sporting foram a sua casa exigir-lhe que assinasse a ficha, que estava tudo tratado com o Barreirense, não se conteve, falou da dignidade violada, do desrespeito, dessa nefanda forma esclavagista de tratar da vida dos jogadores, como se fossem mera mercadoria. Disseram-lhe que se calasse, que o Barreirense receberia 50 contos pela transferência e ele mais 10. Não se calou. Exigiu 50 contos para si. Ribeiro Ferreira, presidente leonino, cedeu. Sabia que o Sporting precisava de um guarda-redes que substituísse Azevedo, o Hércules do Barreiro, que era já anjo em queda livre. E pensou de si para si que aquele jeito rebelde de falar, de defender os seus interesses, passariam com a idade e com alguns apertõezinhos. Era moda, então…

    Ao Sporting chegou Carlos Gomes em meados de 1950. Um ano esteve como suplente de João Azevedo, que, dia após dia, tornava mais tensas as suas relações com os dirigentes do Sporting. Por não querer continuar a ser… explorado. Sabia bem que ao primeiro deslize estaria condenado. No arranque da temporada de 1951/52, a queda do anjo. Nas Salésias. No Belenenses estreou-se Matateu. Marcou quatro golos. O Sporting perdeu por 3-4. Para a baliza do Sporting, logo na partida seguinte, foi Carlos Gomes. Tinha 19 anos…

    O presidente salazarento e o «dinheiro para… putas»

    Depressa se tornou ídolo de sportinguistas. Em 1953, ganhava cinco contos mensais. O mesmo ordenado do seu primeiro mês no clube. Achava pouco. Pediu audiência a Góis Mota, presidente do Sporting, para que o aumentasse. Góis Mota, que, para além de procurador-geral da República, era um dos mais arrepiantes torcionários da Legião Portuguesa, afamado já por entrar nas cabinas dos árbitros, ao intervalo, de pistola em punho, teve salazarenta reacção, que Carlos Gomes contaria, assim, no seu livro de memórias O Jogo da Vida: «Queres mais dinheiro? Pois mete na tua cabeça, se é que a tens, que enquanto for presidente são cinco contos ou nada. Para que queres tu mais dinheiro? Para putas e automóveis?» Retorquiu o guarda-redes que não tinha nada com isso, que não aceitava que lhe pagassem «cinco miseráveis contos» havendo no clube quem recebesse 20 ou mais. Ficou marcado. Inapelavelmente…

    A sua vida tomou-se um romance. Com castigos sucessivos.

    Prisões. Agressões. Scopelli acabou por levá-lo para Espanha. Para o Granada. Pela sua transferência o Sporting recebeu um milhão de pesetas. Um record nacional. Carlos Gomes arrecadou 250 mil. Num ano no Granada ganhou mais que em oito no Sporting. O Real Madrid e o Barcelona quiseram contratá-lo. O Sporting cortou sempre cerce qualquer veleidade. Permitiu apenas que de Granada passasse para o Oviedo. Durante a sua a ventura espanhola Carlos Gomes escreveu para A BOLA. Por vezes de forma tão apaixonante como defendia. E continuou a ir para a baliza vestido de preto. Um dia, um jornalista espanhol perguntou-lhe porquê. E ele não o escondeu: «Visto-me de preto, pois enquanto o futebol português estiver nas mãos dos doutores está de luto.»

    A estranha violação, a PIDE,o salto para Marrocos…

    cgomes_baliza

    Adorava automóveis. Havia em si a paixão e a vertigem da velocidade. E de outras coisas mais. Mesmo sentindo-se mal pago, não deixava de comprar automóveis vistosos. Se não eram sinais exteriores de riqueza, eram de sedução. Um dia, uma amiga estrangeira pediu-lhe que a levasse à PIDE, para ratificação de um atestado de residência. Foi. Estacionou, ostensivamente, o descapotável no parque apenas reservado aos torcionários. A guarda exigiu que retirasse dali o… calhambeque. Por entre dentes, chamou-lhes porcos sanguinários. Foi preso e barbaramente espancado. Traçaram–lhe o destino: São Nicolau. Salvou-se apenas por ser guarda-redes do Sporting. O mesmo lhe aconteceria, outra vez, quando, ao serviço da Selecção Militar, riu de uma… calinada de Santos Costa, temível ministro da Guerra de Salazar. Um gesto tomado, mais do que como descaramento, como subversão. Esteve uma semana a ferros, no cárcere militar, mas só para lá foi depois de o Sporting defrontar o F. C. Porto, não fosse o diabo tecê-las.

    De Espanha regressou em 1961. Para o Sporting deveria ser. No seu livro O jogo da Vida assumiu ter ganho 250 contos com a transferência, através de uma jogada ínvia. Mas para ciganos, cigano e meio. Os dirigentes do Sporting nunca sonharam com a artimanha e felizes ficaram por terem impedido Carlos Gomes de ingressar no… Salgueiros. Era apenas ponto de passagem para o Benfica. Pelo que… Mas, pelo Sporting não voltaria a jogar. Não assinou a ficha enquanto não lhe deram garantias de receber o mais alto salário da equipa: 25 contos. Fora o que ficara prometido em acordo. Por essa altura, para além de futebolista, Carlos Gomes explorava uma bomba de gasolina, uma leitaria e uma loja de fotógrafo. Na fotografia, os negócios iam de vento em popa. Meteu anúncio nos jornais para contratar uma empregada. Apareceu-lhe no escritório rapariga espampanante. D. Juan inveterado, não resistiu, levou-apara a mata do Jamor e… no dia seguinte, era acusado de violação, por essa mesma jovem que foi à esquadra dizer que tentara suicidar-se, atirando-se do viaduto Duarte Pacheco, por se sentir desonrada. Pela vida fora, Carlos Gomes jurou que fora uma cilada de dirigentes do Sporting aconchavados com a PIDE, para lhe destruírem a carreira, a dignidade, a vida. Mas quis resistir. Tinha 29 anos. Ofereceu-se ao Atlético. Os sportinguistas cederam. A troco de 50 contos. Não muito tempo depois, após uma partida com o Vitória de Guimarães, Carlos Gomes deu o salto. «Para não levantar suspeitas, concentrei-me com a equipa. Tentaria não só fazer um belo jogo, como teria de lesionar-me, porque, enquanto durasse a cura, não haveria suspeitas e ganharia alguns dias preciosos… Não fiz um jogo extraordinário, mas lesionei-me como previsto, logo após o intervalo. Perto do vestiário, voltei-me para o terreno e para o público, enquanto chorava em silêncio… » Foi para Espanha. De Espanha tomou o caminho de Marrocos. Ainda jogou em Tânger, no clube da… Polícia. Conseguiu, mais do que um certificado de residência, estatuto de refugiado político. As suas exibições fizeram tal furor que emissários do rei de Marrocos o convidaram a fazer-se muçulmano e a mudar de nome e de nacionalidade. Não aceitou. Em 1963, por acções do cônsul de Portugal em Tânger, a FPF anunciou a sua libertação pelo Sporting. Jogou mais dois anos, fez-se treinador de sucesso, passou pela Argélia e pela Tunísia, regressando a Portugal nos anos 80.

  4. Por isso do espirito sportinguista estamos conversados. Espirito esse que se mantem vivo atraves das alianças e subserviências a Norte, sempre à espera de uns favores e aos caídos. Sempre lamechas à míngua que salazarenta alma lhes outorgue o sempre fácil sustento que reclamam seu por nascença.

  5. ESte pequeno filme ilustra bem o estado a que isto chegou. Um clube que mente sobre a sua idade, sobre os campeonatos que ganhou, que tem atentos jornalistas a reescrever a história, que até levou historiadores encartados como António Valdemar e Jacinto Baptista a errarem sobre a sua idade num livro que é leitura obrigatória nas escolas de jornalismo…

  6. A quem interessa o desporto nesta discussão? A ninguém, obviamente.

    Espírito de clube é uma coisa, não exclui desportivismo, discernimento, objectividade. Espírito de seita fanática é o pior que há no futebol. Mas gente facciosa, intolerante e sectária há-a de todas cores do campeonato. O tal “espírito” benfiquista, sportinguista ou portista alimenta-se muito desses ingredientes avariados. Broncos, provocadores, fascistas e comunistas há-os em todos os clubes. Bandidos também, de pistola ou very-light. O que aconteceria aos tais pategos do vídeo se o “bronco” fosse do Porto, do Sporting, do Nacional, do Belenenses ou do Guimarães?

    Peça-se a um adepto de um clube para comentar um desafio de futebol da sua equipa: é dos melhores testes que se podem fazer à sua honestidade. Não só pelos juízos sobre o adversário e a arbitragem, como sobre o seu próprio clube.

  7. Os clubes não são escolas de desportivismo, tolerância ou civismo. Basta ir a um estádio português para ver como o clubismo puxa pelo pior das multidões.

  8. Eh pá desculpem lá, eu é que sou um tipo mais pró popular e não gosto que tratem assim caricaturalmente o espirito benfiquista. Erro meu não tenho a largueza de espírito e o cinismo necessário para estas coisas.

  9. Lampiões, já não se pode brincar? Isso ’tá mau, carago… (e está, pois; até eu, lagarto, tenho saudades de ver o Benfica a jogar bem e na frente – raios, não há nada como um SportingXBenfica ou BenficaXSporting num domingo à tarde, cheio de sol…)

  10. Nik, discordo inteiramente de si.
    Os clubes podem e devem ser escolas de desportivismo, tolerância e civismo.
    O meu, o Benfica, foi-o, foi o primeiro clube com eleições democraticas, os seus dirigentes desterrados para o Tarrafal, o seu verdadeiro hino foi proibido, recusou-se a fazer a saudação fascista, etc…ao contrario do Sporting e Porto que tiveram bastas vezes dirigentes oriundos do seio do regime antes do 25 de Abril.
    Hoje recusa-se a deixar de denunciar a corrupção vigente no futebol português e que mais não é que a continuação da que alastra por todo o lado.
    Quando diz que todos são iguais, engana-se e ao fazê-lo está a contribuir para branquear o estado de coisas que grassa no nosso desporto.

    Mas o que me trouxe aqui foi verificar com espanto a semelhança da caricaturização que o Val faz do espirito benfiquista tão igual à que a MMGuedes ou o MCrespo faz daqueles que desprezam e não gostam, e q

  11. K, escolas de cidadania e de anti-estatismo talvez. Em outros tempos. Desportivismo e civismo são coisas que hoje não se aprende ali. Os clubes e a maioria dos seus dirigentes fomentam um espírito faccioso e intolerante dos adeptos. Em geral, gente de muito baixo nível mental e ético toma o comando das tribos do futebol, porque o cimento que une essas tribos são baixos instintos identitários.

    Gente equilibrada, justa e cordata entra num estádio e transfigura-se, perde o senso e as estribeiras. No meio do rebanho, eclipsa-se toda a noção de justiça, de beleza e de verdade, tudo se afoga na feia paixão tribal.

    Para um adepto clubista, há um momento em que já não interessam a qualidade e a beleza do futebol, mas apenas ganhar, ganhar de qualquer maneira, nem que seja com batota ou violência.

    Os mais fanáticos nem se interessam propriamente pelo futebol, mas apenas pelo clubismo em si e pela política tribal. O desporto futebol para eles é só um pretexto. É como alguém que bebe vinho sem apreciar a qualidade, mas apenas e somente o álcool.

  12. K, o Cândido de Oliveira foi desterrado para o Tarrafal (onde teve tratamento de luxo, fora do campo de concentração, junto da casa dos guardas) porque colaborou com a espionagem inglesa durante a segunda guerra mundial. Não teve nada a ver com futebol nem com Benfica.

  13. Se esta história do K é verdadeira (vou investigar) mais uma razão para os lagartos não andarem a dizer que lhes sequestraram o Eusébio. Queriam-no para escravo?

  14. Já agora ao “engraçadinho” que colocou o video. Ser Benfiquista é algo que não entendem pois não sabem o que é festa e desportivismo. Sabem outras coisas, aprendidas sem luz solar e com outro tipo de “companhias”. E como não têm assunto, vivem a falar/escrever/”postar” sobre “O Glorioso”. Benfiquistas aguentem que é só mais um pouquinho.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.