O moinho na cidade

A casa tem quatro velas

Não é casa, é moinho

No som de quatro janelas

Vem tua voz de mansinho

No vento que apregoa

No castanho dos telhados

Uma canção de Lisboa

Com sons não esperados

Na luz que chega à vidraça

Onde escrevo estas linhas

Dou o teu nome à praça

Onde as almas vão sozinhas

Praça das Flores talvez

Talvez Praça da Alegria

Onde o dia vale um mês

Onde a hora vale um dia

Quando tu estás presente

Na paisagem da cidade

A vida fica diferente

Nasce uma nova verdade

A casa tem quatro velas

Não é casa, é moinho

À noite a luz das estrelas

Vem indicar um caminho

14 thoughts on “O moinho na cidade”

  1. Prepara-te, Confúcio, já lá vem a carga de cavalaria. No cimo do monte, do harém das cicciolinas bacantes, ouve-se o clarim das mortes anunciadas. Ouves? Os eunucos coçam os prestativos cús. Os sargentos disfarçam o medo. A roma antiga esbraceja no esgoto. É o primo do né rú que ergue o estandarte da superfacialidade amarrotada. Procura amásio para lhe amansar, amantar, o vazio insalubre. A origem da demanda. A guerra cercada pelos blogues, como prensa, apertando. Um mistério que viceja junto à nora dial. Vejo-os daqui. Revejo-os dali. No meio desta merda toda a ração de combate (lembras-te, Confúcio?) é certamente um poema. Só tem que ser. Porque a poesia, sem ilusões, é também guerra, motivação, discórdia. Um petisco e um copo, faz favor… Heróis do mar…

    O alto e o baixo do rio que corre e escorre por entre os dedos dos deuses. Porque escreves poesia, CC? Porque teimas em estar? Depois da guerra, o pelotão de fuzilamento. Cessem do sábio grego e do troiano… Ó pá, estou a lembrar-me do Luís Pacheco…
    Continua a partilhar connosco o respirar do édem. E faz-me um favor: se por ai vires a Sinhã, pergunta-lhe se ouviu os sinos.

  2. José do Carmo Francisco, JCF, sofres do mesmo vírus do CC. Esta coisa de escrever poesia altera o meridiano do habitual cometa. E o arrastar de letras nas brancas páginas, como se sonhassem com as velhas tipografias (caixa alta… caixa baixa…) incomoda até os pobres diabos cozinhados até ao âmago. Os governantes (e não é preciso viajar até à china, vietname, sul américa, àfrica (angola é nossa, angola é nossa…), tiranos ou aprendizes de 1ª classe, sempre odiaram poetas e camponeses, trovadores e cantadeiras de ancas largas, (vá-se lá saber porquê: cantadeiras de ancas largas). E sabes que chegou a ser proibido as mulheres ajuntarem-se na bica do largo, porque entre quadras brejeiras e de olhos abertos, saltavam críticas à governação de grandes e pequenos tiranetes? Foi a minha Avó que me contou.
    Portanto, caro amigo desconhecido, estás mesmo a pedir meia dúzia de balas, pelo arrojo e pela publica publicação blogueira e global. Fala com o CC que ele te explica como fugir ao caraças dos tirinhos de feira. De feira e de asneira.
    Já agora, por favor, se vires por aí a Dona Sinhã, diz-lhe que os sinos só tocam até à meia-noite, se não fizer vendaval…
    Deixei para o fim da fila: gostei do enredo e da acção do poema. Espero que ELA passe por aqui e te leia. ELA ou OUTRA.

  3. Só quis aproveitar o espaço. Hoje a preguiça tomou conta da minha alma. Um tiro e pumba, dois em um. (Mentira! Perdi o controle e entrei em sentido contrário. Já me aconteceu idêntico em alvalade. Tive de pedir desculpa ao dono do lugar…)Espero que a vizinhança não te incomode. De qualquer maneira, desculpa qualquer coisinha. Vou continuar a gostar de poesia, particularmente da vossa. Espero ter esclarecido a “confusão do Confúcio”.

  4. JCF: tu pões-me contente com os teus poemas, fazes-me sentir puto a andar pelas ruas de olhos abertos, aos saltinhos,

  5. Ainda bem «z» que há este encontro. Já basta tanta confusão hostil e parva no quotidiano… Porreiro pá!… (sem ironia)

  6. And now, for something completely different:

    Barack Obama repudiou o cristianismo e está a converter-se ao Islão.

    Jon Stewart, do Daily Show, explica-nos, com humor, como os Media nos EUA dão a entender que Barack Obama é um muçulmano encapotado.

    VÍDEO legendado em português

  7. Quem sabe??? A vida é a arte do encontro. Não há poemas qeu repousem no nada; com motivo à vista nasce a escrita de circunstância. Já dizia o Camilo – «A poesia não tem presente: ou é esperança ou saudade».

  8. (cá para mim a poesia junta tudo no presente e fica intemporal, fica tudo ali, incluindo a sua suspensão)

    são artistas

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