Todos os artigos de Valupi

Crespologia – III

Estou a ver que tenho de processar o Crespo. Ele anda a dar cabo das minhas embirrações de estimação dentro do PS. Primeiro foi o Pedro Silva Pereira, que agora sou obrigado a respeitar como um distinto tribuno em virtude da sua prestação na entrevista com o estouvado do Crespo. Nesta terça-feira passada, no Jornal das 9, foi Maria de Belém Roseira, uma figura com quem nunca tinha perdido uma caloria de atenção, que se transformou numa Joana d’Arc que seguirei para qualquer campo de batalha em Portugal ou fora do Reino. E agora estou em pânico, tremo. Quem se segue? Que outro cromo irei perder? Chegará a desgraça ao ponto de ainda vir a admirar Alegre, calhando apanhá-lo a dar um responso ao taralhouco do Crespo? Nesse dia, juro, meto o pilantra no tribunal.

Mas aquilo na terça foi um regabofe. Começou com José António Barreiros, chamado ao quadro para que o Crespo pudesse informar a turminha de dois factos por si já gravados em mármore:

1º Marinho Pinto tem uma agenda política e ela consiste em favorecer o PS, o Governo e Sócrates.

2º Alberto Costa repetiu em Lisboa o que tinha feito em Macau há 20 e tal anos, em ambos os locais tendo pressionado magistrados para arquivarem processos.

Continuar a lerCrespologia – III

Talvez o maior defeito do Bénard

Uma das melhores formas de homenagearmos o Bénard é ler (ou reler, ou lembrar) a sua última Casa Encantada. Não por ser um epitáfio, súmula ou revelação final sobre a sua existência, antes por ser um sopro de vida de quem sempre se perdeu de amores pelo mistério.

Um encantador defeito seu, ter-se distraído tanto nele, ter tantos a distraírem-se com ele.

A grande lição sobre o caso da professora de Espinho

A confirmar-se a autenticidade da gravação apresentada, temos aqui um caso onde há a realçar os seguintes pontos:

– A professora será, usando uma linguagem técnica de extremo rigor clínico, completamente chanfrada dos cornos. Coisa que pode acontecer a todos, mas que aqui releva pelo facto do seu trabalho ser público.

– Há 3 anos que a comunidade discente nesta escola denunciava nos corredores o que se passava dentro da sala de aula, e ninguém fez a ponta de um caralho. Aposto que há milhões de histórias como esta, de variada tipologia, bastando fazer de mim uma amostra estatística (tenho várias ocorridas até ao 12º ano, a que se acrescentam as da universidade e ainda as das salas de professores e reuniões de avaliação que frequentei como setôr).

– Esta professora constitui-se, segundo os parâmetros do sistema de progressão na carreira docente que os sindicatos querem a todo o custo manter, como um caso de sucesso profissional.

– O psicótico discurso apresenta os topos da superioridade profissional, social e moral que temos vistos exibidos pelos professores nas manifestações e declarações contra as reformas educativas do actual Governo. Esta mesma pessoa, se posta perante uma câmara de televisão agora a verberar o seu ódio contra a Ministra, daria origem a testemunho que a comunicação social aproveitaria para dramatizar a justeza da luta dos desgraçados professores.

A grande lição não é relativa à necessidade de avaliar os professores, apesar de estar definitivamente comprovado que a maior parte deles nem quer nem sabe avaliar um colega, quanto mais ficar exposto ao olhar de terceiros. A grande lição é outra, tão-só prática e irónica: que todos os pais distribuam gravadores e telemóveis aos seus filhos e peçam-lhes para gravar qualquer comportamento anómalo dos professores. Se essa gente não consegue tomar conta de si, que a comunidade assuma a responsabilidade de ensinar quem ensina os seus filhos.

Nota: a pessoa em causa será, provavelmente, uma vítima de distúrbios do foro psiquiátrico, merecendo todo o cuidado e respeito, mas o contexto da situação relatada tem importância política e social que transcende a sua esfera privada.

Se o João Miranda fosse uma gaja


parte II, parte III

Ayn Rand, já ouviste falar? Claro que sim, há sempre alguém a falar dela nos cafés e transportes públicos de Portugal, até aparece na Internet. Por isso sabes bem que esta mulher é absolutamente fascinante, a começar pela facilidade com que pode ser vista como um absoluto monstro inumano. Mas um monstro que está na origem desse superlativo filme: The Fountainhead — entre outras peculiaridades de causar babada admiração. Adiante.

E agora repara na data da entrevista, 1959. Excelente ano, viçoso como poucos. Há exacto meio século, aqueles dois aqui em cima estavam a conversar sobre os mesmíssimos assuntos que, na actualidade, têm ocupado as melhores inteligências planetárias desde Setembro de 2008. E faziam-no na televisão americana, para os burros dos americanos. Desperdícios.

Pois esta exótica e rara mulher tinha um amigo que está no epicentro da crise actual, o famoso Alan Greenspan. Isto anda tudo ligado, eles conhecem-se de ginjeira; sendo mais do que tempo, até porque estou cheio de pressa, para chamar o Miranda. E perguntar: ó Miranda, és homem para te reconheceres nesta gaja?

Uma das maiores tangas relativas ao PSD e PS

É dizer-se que nada há que os distinga. Alguns elaboram sobre a proximidade ideológica, ambos partidos de centro-esquerda na sua génese ou evolução, a outros basta o currículo de partilha do governo numa continuidade ininterrupta, onde as opções ficaram condicionadas por igual pragmatismo. Mas essa suposta homogeneidade não passa de preguiça ou mentira. Porque as pessoas são diferentes, os grupos ficaram culturalmente distintos, os resultados do uso do poder diferem. Os sociais-democratas são gente de menor confiança do que os socialistas, são seres de moralidade mais ténue, de ambição mais desregrada e urgente. Vamos reformular: no PSD há mais cínicos do que no PS, porque no PSD houve clientelas no seu financiamento mais ricas do que no PS. Terceira tentativa: no PS ainda há românticos e um horizonte romântico ou idealista.

Consequências? O PSD tornou-se num partido sem recursos humanos, sem ideias, sem contacto com a realidade. Enquanto o PS tem um banco cheio de estrelas capazes de substituir a actual vedeta em caso de lesão ou expulsão. Para além disso, o PS é um partido de sólida cultura política e de pujante cultura democrática.

Iguais? Quem nos dera.

Boas notícias acerca do Ministério Público

As boas notícias acerca do Ministério Público consistem nisto de andar meio mundo a dizer mal dos seus magistrados e procedimentos metodológicos. Quem sabe, com tanto alarido, até pode acontecer que um dos partidos se chegue à frente com uma qualquer forma de resolução da esplendorosa ineficácia de tal órgão, pilar do regime democrático. Enquanto continuarmos sem ouvir dos partidos, seja qual for, propostas que sejam exequíveis, continuaremos a acreditar que o problema é insolúvel.

O aproveitamento desta desgraça, à esquerda e à direita, apenas para desgaste do Governo e Sócrates, atesta da miséria partidária que nos imobiliza civicamente.

Quem vê TV

O nosso amigo Carlos Santos, um dos autores mais prolíficos da cena, lembrou-se de me incluir na corrente das 15 séries televisivas favoritas (que raio, mas porquê logo 15?…). E não fez só isso, também se ofereceu para me escrever o texto respectivo; está aqui. A sua simpatia chegou ao ponto de elencar os próximos participantes, pelo que nem essa tarefa tenho para me ocupar.

Mas conto um sonho de espectador, e relativo às séries. Desejava, adolescente, que no futuro existisse uma forma de recuperar todos os episódios das séries que só via parcialmente, por falhar episódios e momentos. Isto é, na minha genialidade, antecipava a Internet.

Provavelmente, o melhor parágrafo de toda a língua portuguesa

O senhor não pode imaginar, porque é bonito e tem saúde o que é a gente ter nascido e não ser gente, e ver nos jornais o que as pessoas fazem, e uns são ministros e andam de um lado para o outro a visitar todas as terras, e outros estão na vida da sociedade e casam e têm baptizados e estão doentes e fazem-lhe operações os mesmos médicos, e outros partem para as suas casas aqui e ali, e outros roubam e outros queixam-se, e uns fazem grandes crimes e há artigos assinados por outros e retratos e anúncios com os nomes dos homens que vão comprar as modas ao estrangeiro, e tudo isto o senhor não imagina o que é para quem é um trapo como eu que ficou no parapeito da janela de limpar o sinal redondo dos vasos quando a pintura é fresca por causa da água.

Maria José, corcunda e tudo

Se isto fosse a Inglaterra

Se isto fosse a Inglaterra, já haveria sacas de carcanhol gasto em apostas quanto ao desfecho da novela Alegre, marcada para amanhã. Vai criar um partido ou ficar como voz solitária e independente? Vai ser outra vez candidato a deputado por um PS que não respeita seja fora ou dentro do Parlamento? Ou nem uma coisa nem outra, antes pelo contrário?

Claro, se isto fosse a Inglaterra, há muito que se teria perdido a pachorra para o aturar.

Crespologia – II

O Jornal das 9 da passada terça-feira contou com um Crespo risonho e ufano. Durante a tarde tinha sido confirmado o agravamento do sarilho à volta de Lopes da Mota, boa nova antecipada pela imprensa desde o final da semana anterior. Havia que explorar a ocasião, esse seria o único tema do espectáculo. O qual abriu com Eurico Reis, juiz desembargador, e teve Ângelo Correia e Vicente Jorge Silva no frente-a-frente. Que nada disseram digno de memória futura.

Crespo, sim. Muito. E sempre. Tanto que excede a verbalização, dispensa-a. O homem especializou-se na pantomima, nos remoques de expressão facial e prosódia. O que faz na televisão passou a ser um assunto exclusivo entre ele e a câmara, ele e a imagem que ele próprio consome. Os convidados reduzem-se agora a pretextos para as suas perguntas, pouco importando o que digam ou não digam, e as perguntas sabem-se intencionais declarações políticas, o sentido que importa reter depois de esquecida a resposta. De cada vez que Crespo abre a boca, a audiência recolhe um libelo contra o Governo e um retrato fatal para a honorabilidade dos governantes. E o rapaz não tem a mão leve, atente-se no exemplo de uma pergunta-clímax feita ao juiz:

Mas não podemos ser ingénuos, e pensarmos que Lopes da Mota agiu apenas e só por sua iniciativa, pois não?…

Seguiu-se a recordação do caso macaense onde Alberto Costa foi suspeito de interferências na Justiça. Se porventura alguém estivesse distraído, o jornalista Mário Crespo garantia diligente a cobarde transmissão da sua crença: anunciou à audiência que Alberto Costa e Sócrates são os responsáveis máximos por factuais actos de pressão ilegítima sobre os procuradores do Freeport, para tal lhe bastando a referência a indícios adentro de um processo ainda por realizar e sujeito a segredo de Justiça.

Nesta dinâmica debochada, de quem se imagina impune bolce a calúnia que bolçar, Crespo e Ângelo acabaram a sessão a rir com uma alarvidade mal contida. Para eles, o momento era festivo: os outros, os cabrões dos xuxas, tinham sido entalados e não havia como se defenderem. Saboroso triunfo, alucinada vingança. Sócrates começava a pagá-las.

Foi então que o anjo das telecomunicações & programação da SIC desceu até mim com uma importante mensagem das alturas. Que era mais ou menos isto: a dissonância cognitiva que me andava a perseguir há uns meses, sempre que via o Jornal das 9, não passava, afinal, de uma questão semântica. O anjinho disse isto e partiu. Tinha razão, claro. O problema residia no elemento conceptual da designação: Jornal. A denotação do termo sugeria que estávamos perante um bloco noticioso; ora, não estávamos, nem vagamente perto. O que ali acontecia era outra coisa, coisa que não respeitava códigos deontológicos ou metodológicos relativos à procura de uma qualquer objectividade — e cujo singelo nome é opinião. Sem segredo, o Jornal das 9 evoluiu por selecção artificial até se tornar no órgão oficioso da opinião do cidadão Mário Crespo. O que em si não tem mal nenhum, mas nenhum nenhum. Há que, tão-somente, resolver o problemazito da nomenclatura daquela hora diária, esgalhar outro nome e não se fala mais nisso.

Por exemplo, este: Na pocilga do Crespo . Mas há outros.

Imagens exclusivas das pressões que os magistrados do MP exercem uns sobre os outros

E, já agora: arquivar o Freeport sem a investigação estar concluída, com ameaças primárias e absurdas sobre dois procuradores, a mando do Ministro da Justiça e incluindo telefonema obsceno escutado por testemunhas? Hã?… Importa lembrar o óbvio: Sócrates não se livra do Freeport sem o completo esclarecimento do caso; pelo que o arquivamento, faltando explicação suficiente para anular a insídia, equivaleria ao seu provável fim político. Os pulhas que se regozijam com o processo a Lopes da Mota, vendo nele a prova final da conspiração, são seres de mui limitada imaginação.

Pssst… chega aqui…

Vais pegar em 5 minutos e ler isto. Depois pega em 4 minutos e pensa nisso. Depois pega em 3 minutos e pensa noutra coisa qualquer, pois tens sempre muito em que pensar. Depois pega em 2 minutos e volta cá para escrever o que te der na real gana. Depois pega em 1 minuto e faz contas ao tempo que já passou. Eu ajudo: 15 minutos.

15 minutos que podem mudar os teus próximos 15 ou 150 anos. Talvez mais. Uma pechincha.

Aspirina com água

António Sampaio tem algo a dizer sobre a Atlântida, e mostra não ir em cantigas.

marco antunes casca em Augusto Seabra por causa de uma ópera. Dramático.

cassilda quer entrar em contacto com o Daniel de Sá sobre a FLA. E já.

Español conversa com portugueses naquele que é um espaço de encontro ibérico, aqui na casa, desde Abril de 2006.

Jim Morrison fez uma pergunta sobre o Twitter e ninguém lhe ligou pevide. ‘Tá mal.

Julia fala-nos de um xarope com aloés (Aloe vera) numa conversa onde muito se fala de um xarope com aloés.

Alguém aparece a defender a Happy, como se a felicidade precisasse de ajuda.

União Nacional dos Imbecis – III

Ferreira Leite revelou que os portugueses têm medo de ter o telemóvel sob escuta e que a nossa democracia está doente. Alto! Alto e pára o baile. Não estamos perante mais uma daquelas bacoradas com que a Manela anima a vida política nacional. Desta vez, trata-se de uma genuína confissão. Sejamos sinceros: quem de nós, se passasse os dias rodeado por dirigentes, militantes, autarcas e financiadores do PSD, não chegaria à conclusão de que há muita gente com medo de ter os telemóveis em escuta? A senhora apenas relata o que observa e o que lhe dizem.

E quanto à democracia doente, é ou não é a mais pura das verdades que ver um banco nascido do cavaquismo a dar um calote de dois mil milhões de euros, e ainda assistir às mentiras na praça pública de um dos seus responsáveis que se recusa a sair do Conselho de Estado apesar do protesto de outros conselheiros, leva o mais optimista dos cidadãos a concluir que a democracia apanhou a gripe dos porcos? Pois claro que é verdade. E a Manela só diz a verdade, importa nunca esquecer.

Numa outra ala do hospício, Louçã elogiou a sensatez das palavras de um bispo, D. Manuel Martins. É extraordinário, mas aconteceu: Louçã deu o seu apoio a um dos assassinos que, através de uma organização internacional com sede em Roma, condenam milhões de seres humanos à miséria, à indignidade e à morte em nome de uma patranha que só serve para oprimir as massas trabalhadoras e perpetuar o poder dos imperialistas. Malhas que as costelas seminaristas tecem.

Os imbecis, constata-se, até são capazes de afirmações surpreendentes. Basta que sejam iguais a si próprios.

União Nacional dos Imbecis – II

Paulo Portas aproveitou os episódios na Bela Vista para sair à rua com archotes e cordas. O passo seguinte será vermos este bravo a chefiar milícias populares para cercarem o bairro.

Jerónimo de Sousa olhou para os episódios na Bela Vista e não viu casos de polícia. Viu o Governo. Donde, para levar algumas pessoas que lá moram a não dispararem armas nem destruírem bens de terceiros, a solução configura-se simples, óbvia: é só resolver a situação económica e social e as discriminações sociais.

Os extremos demagógicos destes líderes, e respectivos partidos, comungam da mesmíssima irresponsabilidade: reduzem a complexidade dos problemas sociais a visões ideológicas onde se anula a inteligência que vem da objectividade e se assanham as emoções básicas dos ignorantes.

Cabrões.