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Cineterapia

Annex - Fonda, Henry (Grapes of Wrath, The)_10
The Grapes of Wrath_John Ford

Alguns dos melhores seres humanos que viremos a conhecer nesta vida estão nos filmes de John Ford. Sabemos que são os melhores por este único e infalível critério: fazem-nos chorar. Chorar com ou sem lágrimas, com ou sem choro, que em cada um as águas da alma têm carreiros só delas. Mas chorar, derreter os gelos da indiferença, soltar o cântico de fontes e riachos, regar a terra onde sementes de esperança foram lançadas muito antes do começo do tempo. Chorar na partida e na chegada. Na travessia, no caminhar, no devir. Chorar de tristeza, chorar de alegria.

Este filme abre com uma estrada. Um homem aproxima-se de um cruzamento. Vem da prisão, vai para casa. Estás prestes a descobrir que já não tem casa, que o mundo se tornou numa prisão para si e para a sua família. Ele nunca mais sairá da prisão, da encruzilhada. A sua mãe, sim.

Suspeitar que o realizador mais importante na elaboração da mitologia militar e nacionalista norte-americana, aquele que se descreveu profissionalmente dizendo que só fazia coboiadas, o criador de John Wayne como ícone da direita ultra-conservadora, fosse simpatizante comunista apenas lembraria aos imbecis do maccartismo. E lembrou, por causa deste filme ser uma lição de economia. Explica como catástrofes naturais levam a catástrofes económicas. Indigna-se com a tirania e violência inumana do sistema bancário. Desmonta a manipulação laboral do patronato. Defende o direito à greve como meio de alcançar remunerações justas. Denuncia os preconceitos da classe média. Ilustra a pobreza extrema, pobreza de fome, que se viveu nos EUA durante a década de 30, quando à Depressão se juntou um fenómeno ecológico devastador para a agricultura de alguns Estados. É um filme que está mais actual hoje do que toda a produção cinematográfica já estreada este ano ou a estrear. É mais do que um filme, é um meta-documentário.

Jane Darwell chegou ao cinema com 40 anos. É a quem Ford entrega o coração da obra-prima, do fresco humanista intemporal. Todos os momentos anteriores, todos os actos de vilania e generosidade, de abjecção e heroísmo, vão dar ao seu discurso final. Onde uma mulher revela a um homem o que é o povo. E o filme acaba como começa, numa estrada.

És um ponto, Pacheco

Sócrates é muito mais importante para a nossa vida de hoje do que Dias Loureiro e o “negócio” que ele tentou ocultar para aparecer como facto consumado é muito mais perigoso do que as aventuras dos offshores de Porto Rico.

Vale a pena ler este texto todo, de que cito apenas a frase obscena. Faz parte da contínua, espectacular, campanha de destruição do carácter de Sócrates, na qual o Pacheco é um dos mais activos e virulentos agentes. Foi a esta miséria que se reduziu a estratégia da oposição à direita desde o fracasso de Marques Mendes; o qual tem agora, face ao que aconteceu ao seu partido depois de ter saído, o distinto mérito de ter ensaiado uma qualquer alternativa. Até o PCP e BE se aliam ao PSD e CDS para denegrir a pessoa em vez de respeitar a função, como acontece no caso BPN. O que se tem dito contra Constâncio não passa de um flanqueamento a Sócrates. A intenção é a de que um alvo de suspeitas que põem em causa a sua honorabilidade apareça à opinião pública como protector de alguém considerado culpado, assim reforçando as suspeitas que lhe têm sido lançadas. Pretende-se deixar a imagem de que o Governador do Banco de Portugal foi, de alguma forma, co-responsável pelos actos danosos dos responsáveis da SLN e do BPN. E que na origem dessa passiva, ou activa, cumplicidade estaria uma incompetência técnica ou falha ética. Caso se atinja o objectivo de colocar na supervisão o mal maior, estará feito um decisivo branqueamento das causas que levaram à nacionalização do BPN. A diminuição moral de Constâncio, ou o descrédito do Banco de Portugal, tem directos beneficiários: os prevaricadores que lucraram e deram a lucrar.

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Verdadinha – Não por aquilo que nós dizemos

AL – Na resposta que o Governo deu à crise, que aspectos é que poderiam ter sido tomados por si também, se estivesse no Governo?…

MFL – Não! Teria tido exactamente a oposição oposta daquela que o… Tenho dito isso imensas vezes, tenho feito propostas à Assembleia da República, tenho dito isso em intervenções, no sentido de que, o combate que foi feito à crise, por parte deste Governo, é um combate que, do meu ponto de vista, está a ir no sentido errado. Está a piorar e não a melhorar. E isso é visível nos resultados. Porque com tanta medida tomada, com tantas acções tomadas, com tanto dinheiro que é anunciado, alguns efeitos devia ter. E nós vimos que, por exemplo, o desemprego não tem parado de aumentar. Então, é porque a política está errada. Porque as políticas avaliam-se não por aquilo que nós dizemos sobre as políticas, porque normalmente quem defende as políticas gosta sempre delas, e está convicto de que elas são correctas. Agora, a verdade é que se estivessem correctas dariam efeitos benéficos: estão a dar efeitos que não são benéficos. E se não estão a dar efeitos… Se estão a dar efeitos que são benéficos, há que mudar de política. […]

A Manela sabe que a política são resultados, não paleio. É por isso que não perde tempo a falar de propostas, ideias, soluções, até porque não as tem. Mas mesmo que tivesse, admitamos recorrendo a supercomputadores, não valia a pena falar nelas porque ainda não existiriam resultados, toma e embrulha. São os resultados que contam, esqueçam a trabalheira das operações, dos cálculos, do pensamento. Vide o desemprego: se aumenta, a política está errada. Haverá coisa mais simples de entender pelos simples do que este simples raciocínio? Seguindo a implacável lógica, se o desemprego começa a subir em todo o Mundo, sem excepção, por causa de uma tal de crise como há 80 anos não se sofria, isso apenas quer dizer que as políticas de todos os países estão erradas. E que, muito provavelmente, a culpa do que acontece em cada um desses países é também do Eng. Sócrates. Dela é que não é, com certeza, pois tem dito imensas vezes que com isto da crise as coisas estão piores, não melhores. Espera… o quê, há uma epidemia de gripe? O número de atingidos não pára de aumentar? Nesse caso, as coisas na saúde estão a piorar, não a melhorar. E terá de ser o PSD a mudar a política da gripe, porque os socialistas nem um reles vírus, que é um bicharoco tão pequenitotes, conseguem obrigar a não infectar a gente. Espera… o quê, vai chover e ventar? Bom, estes socialistas, realmente…

A Manela não mente. Verdade verdadinha.

Por alguém, não é?

[…] O Cristiano, no fundo, não é?, quem o conhece bem, sabemos que é um bom rapaz, não é? […] Vai ser muito importante para ele os primeiros meses, não é? Os primeiros dois, três meses, vai ser muito importante. […] É o dia, acho que é o dia e a noite, não é? Em Manchester, na Inglaterra, os restaurantes fecham, ah, os restaurantes, uh, às 8 da noite, 9, tão… já está tudo na cama, não é? Em Madrid às 8, 9 da noite ainda os restaurantes estão fechados, não é? […] Tem boa pinta, é solteiro, e de certeza absoluta que vão-lhe começar a sair duas ou três namoradas, não é? […] E vão tentar saber como é que é o quarto, como é que é a casa dele, para poderem falar depois, não é? […] A melhor coisa que lhe podia acontecer a ele, agora, era apaixonar-se lá… por alguém, não é?

Futre preocupado com Ronaldo

*

Cristiano Ronaldo, famoso também pela vida regrada que levou em Manchester, onde às 9 da noite já estava na cama com duas ou três atletas (algumas delas ainda não profissionalizadas, participando nos encontros com estatuto amador), derivado da problemática dos horários da restauração em Inglaterra, vai enfrentar as casas de pasto madrilenas na certeza de ir perder. Perder tempo, precioso tempo de sono, porque antes das nove ninguém janta naquela terra, nem Rei nem estrelas galácticas. E agora é fazer as contas: mesmo que Ronaldo saia do Santiago Bernabéu às 7 e vá logo para a porta do restaurante para ser o primeiro a entrar, antes das 11, com sobremesa e cafés, mais um dedo de conversa e dois autógrafos, não está despachado. Depois terá de apanhar transportes, chegar a casa, lavar a roupa do treino e ver um bocadinho dos noticiários desportivos. São duas da matina quando consegue enfiar os cornos na palha. Com treinos logo ao começo da manhã todo o santo dia, Futre tem boas razões para estar preocupado.

Mas Futre vai muito mais longe, e serve aos ouvintes uma tese antropológica. É a resposta à vexante questão freudiana: que querem as mulheres? Olha, querem falar de arquitectura e decoração de interiores, revela um ilustre filho do Montijo que estudou o fenómeno. O mulherio presta-se a qualquer ignomínia, até a fingir interesse nas balelas de futebolistas ouvidas em bares manhosos, só para poder invadir as suas casas e espiolhar os quartos, salas, casas de banho e arrecadações. Assim que registam os pormenores naquelas belas e pérfidas cabecinhas, as fêmeas desaparecem misteriosamente a meio da noite. E desatam a telefonar umas às outras a contar o que descobriram. E a rir, rir, rir. Este perigo é real, é de Madrid e pode dar cabo da carreira ao nosso menino. Porque se chega ao balneário alguma informação relativa aos naperons em ponto cruz que o Cristiano tem no quarto, ou se o pessoal começa a falar dos reposteiros com sanefa que ornamentam a sua sala, perderá de imediato o respeito dos colegas. E alguns até deixarão de lhe passar a bola em condições.

Pelo que a profilaxia está na paixão. O amor protege, acaba com o falatório. Quem ama não anda a expor o gosto do amado em cadeiras e cadeirões, toalhas e toalhetes. Acima de tudo, aqui revelando uma ousadia moral só ao alcance de um grande driblador de preconceitos, Futre deixa em aberto o género, quiçá a natureza, do alvo dessa paixão. Basta que seja alguém. Mulher, homem, anjo, demónio, semideus, titã, gnomo. Ou ele próprio, não é?

Elisa Ferreira, anda cá

Anda cá que o nosso amigo Acácio Lima pediu-nos para te entregar esta carta.

Sugiro que seja lida até ao fim, pois tem um ps que falará ao coração (ou às tripas) do PS.

E ainda acrescento que, caso Alegre esteja com este número, sobre o qual versa a epístola, a cobrar a eventual reentrada na lista de deputados, isso ficará como uma grande borrada do Rato. Espero estar a passar por imbecil com a mera suposição do cenário.

Carta aberto ao Sr. Mário Nogueira na esperança de que ele consiga reduzir o PS a menos de 10% dos votos

Sr. Mário Nogueira,

Todos sabemos que os xuxas andaram a fazer exames de caracacá só para enganar o povo e o Prof. Cavaco com as putas das estatísticas. Mas, como os senhores bem denunciaram, e o Dr. Eduardo Cintra Torres aposto que saberá explicar muito melhor do que eu a tramóia, esses exames da mentira foram elaborados no gabinete da ministra-sinistra com recurso a computadores Magalhães que ainda tinham aqueles erros de português num dos jogos, que eles lá no ministério nem isso quiseram corrigir tão ruins são. Também há quem diga que os exames foram feitos por professores, mas professores ameaçados de perseguições e escarretas para eles, família e animais de estimação caso os alunos começassem para aí a chumbar como merecem. Porque, e isto é um facto, Sr. Mário Nogueira, os putos não sabem nada de nada, coitadinhos. Eu opto pela primeira explicação, porque me parece mais prática, mas prontos.

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Esmagador

Santos Silva esmagador é a norma. Ele tem as informações, a boa-fé e a literacia. Não precisa de mais para anular opositores que não comungam destes mínimos. Num Prós & Contras em que estava só contra 4, acabou fresco e a malhar forte e feio em adversários reduzidos à impotência. Desconcertante.

Morais Sarmento é aflitivo. Não faz a menor ideia da imagem de fragilidade e confusão que passa à audiência ao tentar raciocinar em directo. Representa muito bem o PSD pós-Cavaco, e por isso tem feito parte do núcleo duro do partido desde Barroso. É também por comparação com ele, e figuras como Aguiar-Branco, que se louvam as qualidades de Paulo Rangel; ou seja, a suposta excelência da estrela em ascensão nasce, afinal, de não ser politicamente indigente como os colegas de partido.

Luís Fazenda é um tractor ideológico. Inútil conversar com este mecanismo, o seu rumo está traçado e há uma batalha da produção demagógica para vencer. Deve deitar-se todas as noites com o sentimento do dever cumprido. Coloca a cassete com cuidado na mesinha de cabeceira e adormece em paz.

Carlos Carvalhas chocou-me pela sua caducidade. Desconheço se há algum quadro clínico que a explique, ou se é fenómeno natural. Seja como for, o PCP ficou muito mal representado.

Nuno Melo é um bronco. O bronco queque, beto, cagão, armado ao pingarelho, rebentando de vaidade e acinte. Fiel sucessor de Portas, é mais um coveiro do CDS.

Isto da decência é para poucos

Quem não está no index do Pacheco não existe no universo da comunicação, e mais além. Eu estou, safei-me, até abri uma garrafa de água com gás para celebrar: superficialidade e ignorância. Só não sei em que categoria profissional fui incluído; mas se ele me deixar escolher, será esta: candidato a político com pseudónimo.

E depois comovi-me com a sua invocação da decência, um valor que associamos ao Pacheco por antonomásia. São muitos os exemplos de decência que lhe recordamos no tratamento dado a certas pessoas e certas questões. O mais recente, e mais eloquente, exemplo do idiossincrático tipo de decência que cultiva ocorreu na censura a um jornal por não gostar de um título. O jornal ousou ser livre, perdeu uma entrevista como represália. Pacheco teve aí a decência de mostrar do que é capaz. Será indecente esquecer.

PSD reage ao iluminismo do PS

Os eleitores conhecem Sócrates e o seu projecto: mais organização, mais fiscalização, mais educação, mais qualificação, mais investigação, mais produção, mais exportação, mais qualquer coisa ão. Foi este o programa da legislatura que finda dentro de poucos meses, não há razão para alterar seja o que for. Com certeza, está em discussão o mérito e viabilidade desses objectivos, se eles foram alcançados, como e quando, custos e benefícios, o diabo a sete. Mas não se discute terem sido esses os objectivos, eis o que fica inegável. Como símbolo desta política, o computador Magalhães. Reúne valências tecnológicas, educativas, produtivas e comerciais que representam o que de melhor o Governo planeou e executou. Contudo, o que brilha atrai a ralé. E assim vemos os mais rasteiros da oposição rasteira a apontar para ele. Tentam destruí-lo, fazer-lhe mossa ou salpicar de merda. A luz deixa-os expostos, aos rasteiros, safam-se melhor na escuridão.

O PSD já encontrou a fórmula para combater a racionalidade que o Executivo, perigosamente, tem vindo a promover desde 2005: Rasgar e romper. Ou seja, e como diria o deputado José Eduardo Martins arregaçando as mangas, vai tudo co’caralho. É do Sócrates? Rasga. É do PS? Rompe. É dos socialistas? Tritura. Não vai restar um tijolo que tenha sido encomendado pelo anterior Governo. Purga radical.

Estamos perante a reedição do movimento Sturm und Drang, com a curiosidade de alguns dos dirigentes do PSD darem ares de terem presenciado esses tempos setecentistas. E tal como as figuras literárias de outrora, também os sociais-democratas de agora surgem raivosos e vingativos. Vai ser a loucura.

A maldição de Santana

Causou furor a profecia de Santana Lopes quanto à inevitabilidade de uma sucessão de erros e azares para Sócrates, um ciclo negro. Poucos dias depois, o episódio Pinho dava-lhe espectacular razão. A percepção extra-sensorial acabava de ser confirmada.

Imagino Santana dado a esoterismos de hipermercado. Para quem ia para os congressos do PSD invocar a posse de uma ligação privilegiada ao espírito de Sá Carneiro, talvez ele próprio se sinta banzo com a facilidade com que sempre foi levado a sério como potencial chefe da direita portuguesa. Depois, caiu-lhe o Governo ao colo sem saber ler nem escrever. E esse analfabetismo executivo notou-se logo, teve chumbo imediato. Mas continuou por aí, provando que há mais marés do que marinheiros. Só há que saber aproveitar a onda. É simples isto da política, para quem não perde muito tempo a pensar nela.

Se Santana ganhar em Lisboa, essa será a verdadeira maldição santanete. E eu começarei a ler horóscopos.

Indignidades electivas

Se a crise da democracia portuguesa tem a sua origem na crise da representação e vivência partidária, gerando crescente alheamento cívico e abstenção eleitoral, então o local do crime é a Assembleia da República. E um dos maiores crimes ali ocorridos teve o seu epílogo em Novembro de 2003, quando Mota Amaral, então presidente da Assembleia, decidiu com Souto Moura o arquivamento do Caso das Viagens-fantasma dos deputados. Este período relativo aos Governos Barroso-Santana, aliás, é particularmente fértil em epifanias da decadência nacional, com exemplos desesperantes de falência do sistema. Na rua, estávamos na selva onde cada um já tinha desistido de contar com a autoridade do Estado. A corrupção tinha atingido a glória, era alardeada à boca-cheia por aqueles que contavam a quem os quisesse ouvir dos 8% inevitáveis de Norte a Sul do País para conseguir fazer obras sem fiscais a atrapalharem, passando por agentes policiais organizados para extorquir multas e luvas, até aos esquemas individuais ou em bando para fugir aos impostos, burlar a TV Cabo, a PT, a EDP, os seguros, os consumidores, o vizinho. Em perfeita sintonia com a derrocada ética generalizada, o que os braços legislativo e judicial do regime celebraram num caso com mais de 10 anos de investigações inúteis, prescrições, arquivamentos e documentação declarada perdida ou destruída, fica como monumento do que acontece às comunidades quando a política é deixada só nas mãos dos políticos.

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Miscelânea

Some Video Games Can Make Children Kinder And More Likely To Help

The Power of the Unpredictable

The Science of Economic Bubbles and Busts

Need Something? Talk To My Right Ear*

First Electronic Quantum Processor Created

What Skepticism Reveals about Science

10 Rules That Govern Groups

The Fundamentals of Therapy Part I

Declaring Independence from Fear**

Why Saints Sin And Sinners Get Saintly

Relationship Rules***

10 Techniques to Handle Conflict

Orphaned Tweets

Down with Facebook!
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* Uma das maiores descobertas para a ciência do cravanço e da pedinchice.
** A melhor forma de celebrar este e os próximos dias, todos.
*** Estas regras têm duas imediatas vantagens: resultam da experiência de muitos ao longo de muito tempo e podem ser ignoradas a bel-prazer.

Pinhometria

É a grande novidade da estação: descobriu-se que se pode medir o contributo dos agentes políticos para a qualidade da democracia através das suas declarações em relação ao descontrolo infantil de Manuel Pinho. Cavaco vai destacadamente à frente. A democracia voltou a ser salva, no espaço de poucos dias, pela rápida, heróica e imparcial intervenção do actual Presidente da República.

Corredor da morte

O programa Corredor do Poder aponta alto:

Os cinco comentadores permanentes do “Corredor do Poder” são: Ana Drago, Margarida Botelho, Nuno Melo, Marcos Perestrello e Marco António Costa.
Com este painel de comentadores, do qual resulta uma média etária relativamente jovem para este tipo de programas, procuramos dar voz a novos argumentos e a novas ideias sobre Portugal e o mundo.

O elenco está particularmente bem constituído, equilibrado nas capacidades retóricas e prototípico da política profissional. Nele destaca-se Margarida Botelho, uma autêntica alfaia agrícola de fabrico soviético. Nem o Carvalhas conseguia ser tão fanático. Os restantes são mais convencionais nisso de se mostrarem conscientes da hipocrisia ritualmente cultivada. Limitam-se a representar, enquanto a Margarida acredita mesmo no que diz. De facto, não se pode ser comunista sem fé numa transcendência dialéctica, isso é certo.

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Serradura

A direita ranhosa ficou radiante com a parvoeira do aparvalhado ex-ministro da Economia. Nada de mais apropriado. Há uma natural afinidade entre a substância neuronal da direita ranhosa e o serrim de Pinho.

O enigma Dias Loureiro

[…] Aquilo que eu vou lutar, obviamente, é para dizer aquilo que é a minha ideia concreta: que eu não cometi nenhuma irregularidade. Eu pude dizer ao Sr. Magistrado que eu só hoje é que percebi alguns contornos deste, sobretudo do negócio da Biometrics, que me passaram completamente ao lado. E, por fim, fui confrontado com documentos que eu nunca tinha visto, nunca tinha conhecido. Mas, portanto, eu aceito as coisas como elas são. E agora devo, tenho pela frente, há um longo caminho e eu vou, obviamente, naturalmente, defender aquilo que eu penso que é, que é que eu não fiz nenhuma irregularidade…

Dias Loureiro, no dia em que, finalmente, lhe explicaram o que andou a fazer

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Sou daqueles que acredita piamente em Dias Loureiro. Por isso lhe quero manifestar pública solidariedade, coisa que não vejo a direita ranhosa fazer. A direita ranhosa utiliza invariavelmente o mesmo estratagema para lidar com as abundantes cagadas que produz: finge que a merda não existe. É a sua pulsão kitsch, tal como o definiu Kundera (ah, pois). Isso deixa o 2º arguido no caso BPN/SLN sem amigos, o que me parece homérica injustiça. É que ele já entrou na História como uma das mais extraordinárias figuras da política nacional. Como é que alguém cujos limites cognitivos estão à vista de todos, que admite candidamente passarem-lhe ao lado aspectos técnicos, legais e morais da sua actividade profissional, que exibe uma amnésia num grau já muito avançado, e que provavelmente sofre de Desordem por Défice de Atenção com Hiperactividade, chegou a dirigente do PSD, ministro de Cavaco, elemento do núcleo duro do PSD durante anos e anos, empresário de súbito e estranho sucesso e conselheiro de Estado?

Há um enigma a rodear este ser de excepção. Como seria bom, magnífico, haver alguém capaz de falar verdade a seu respeito, contar os segredos de tão extraordinárias façanhas para nossa ilustração e encantamento. Alguém que colocasse a ética e a transparência nos negócios num plano superior e normativo. Alguém que tivesse assumido a missão de falar verdade aos portugueses, por exemplo. E é possível, apesar da elevada improbabilidade, que uma entidade assim exista à nossa volta, no mundo dos vivos, e não apenas na doce imaginação. É procurar.

Verdadinha – Veio um abalozinho

MFL – […] E tanto é a partir da receita que agora estamos numa fase em que a receita, por motivos da crise económica, baixa naturalmente, as contas públicas estão pior do que quando o engenheiro Sócrates tomou conta do País. E, portanto, isso significa que, efectivamente, não estavam consolidadas. ‘Tavam com passos positivos, mas não estavam consolidadas, porque a consolidação significa alguma coisa que mesmo que venha um abalo de terra aquilo não se desmorona. Veio um abalozinho de terra e desmoronou-se. Portanto, não estava consolidada.

AL – Esta crise, no que diz respeito a Portugal, na sua opinião, não é um abalo de terra, é um abalozinho?…

MFL – Aaahhh… É um abalo de terra, mas é um abalozinho relativamente aquilo que poderia ter sido caso não estivessem as contas feitas… construídas doutra forma…

A Manela quer chefiar o próximo Governo. Quer governar o País com as já tão conhecidas, analisadas, reflectidas, discutidas e aclamadas soluções para nos enriquecer a todos em 4 anos ou menos, a que se juntam vasta inteligência e espantosa força de vontade. Mas, acima de tudo, quer levar-nos para o futuro com a sua incomparável honestidade. Por isso, abriu a alma e confessou ver nesta crise um abalozinho, um safanãozeco, uma chuvinha molha-parvos. Entretanto, na dimensão a que se convencionou chamar realidade, não se encontra uma única pessoa, em seis mil milhões e meio, que se permita pensar o mesmo, quanto mais ter coragem para o verbalizar. Não sei se Portugal está preparado para tanta honestidade.

A Manela não mente. Verdade verdadinha.