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Zé Manel, quando o Público foi fundado, em 1990, tinhas 33 anos. Estavas pujante de entusiasmo na antevisão de que o teu nome ficasse na História do jornalismo português, começando por cima num projecto que ambicionava ser a referência máxima de tudo o que já tinha sido feito, e de tudo o que fosse possível fazer, na categoria imprensa de qualidade. Oito anos depois, estavas ao leme da barca, o vasto mar da comunicação social esperando ser atravessado pela quilha do teu génio editorial. E em 3 de Agosto de 2009, às 23.40, a Maria José Oliveira dá à luz do meu monitor esta notícia supra. Eis um possível resumo do teu trajecto, parcial e distraído como qualquer resumo.
Este será o momento para te ajudar: Na prisão e no hospital, vês quem te quer bem e quem te quer mal. Não estás na prisão nem no hospital, mas é igual, ou parecido. Precisas dos amigos. Porque tens amigos, muitos. São muitos os que desejam que o Público sobreviva à tua passagem, porque precisamos de ter um jornal em que possamos confiar, e apoiar, e comprar, e recomendar. Sim, desejar o melhor para o Público é ser teu amigo. Não vais negar, pois não? Pois. Então, olha, ó Zé Manel, ir buscar notícias ao 31 da Armada é tão legítimo como citar o Washington Post, talvez mais barato por não carecer de tradutor, mas há um requisito que nem a social media conseguiu alterar: quando não se tem nada para dizer, o melhor é ficar calado. Esta regra adquire extrema relevância e actualidade no jornalismo, por razões que até pode acontecer que conheças. Já agora, quem é que vai pagar a chamada telefónica para o PS? Que o Belmiro não saiba do despesismo.
Claro que tu dirás que estou a esquecer o impacto do título. E que, nesta era de atenção fragmentada, 247% dos leitores do Público só lê os títulos, adora gordas, vejam só. E mais me dirás que ignoro o impacto da fotografia, o expressionismo, o chiaroscuro que devora uma personagem sinistra envolta em sucessivos e imparáveis escândalos e ilegalidades, muito provavelmente crimes, como este 31 acabadinho de inventar.
Bom, Zé Manel, como teu amigo, tenho de te avisar: a decadência a que conduziste o Público devia ser considerada ilegal. Que a Maria José Oliveira não te apanhe.