A maldição de Santana

Causou furor a profecia de Santana Lopes quanto à inevitabilidade de uma sucessão de erros e azares para Sócrates, um ciclo negro. Poucos dias depois, o episódio Pinho dava-lhe espectacular razão. A percepção extra-sensorial acabava de ser confirmada.

Imagino Santana dado a esoterismos de hipermercado. Para quem ia para os congressos do PSD invocar a posse de uma ligação privilegiada ao espírito de Sá Carneiro, talvez ele próprio se sinta banzo com a facilidade com que sempre foi levado a sério como potencial chefe da direita portuguesa. Depois, caiu-lhe o Governo ao colo sem saber ler nem escrever. E esse analfabetismo executivo notou-se logo, teve chumbo imediato. Mas continuou por aí, provando que há mais marés do que marinheiros. Só há que saber aproveitar a onda. É simples isto da política, para quem não perde muito tempo a pensar nela.

Se Santana ganhar em Lisboa, essa será a verdadeira maldição santanete. E eu começarei a ler horóscopos.

15 thoughts on “A maldição de Santana”

  1. Meu caro Valupi

    Em vez de horóscopos vai-te aos copos. Agora digo eu: não os largues. Se Santana ganhar Lisboa e Cavaco as legislativas, vou ficar deprimido por uns tempos. E vou-me aos copos. Com moderação, para ter o gostinho malandro de ver o trambolhão de ambos. Porque o embuste tem perna curta. E eles são uma mentira. Não se pode enganar todos, o tempo todo…

  2. não acredito que a memória colectiva…(_______) seja assim tão apoucada. eleger Santana é eleger a parolice icónica mais uma vez.

    espero que NÂO!!!!!!!!!!!!!!!!!

    bom dia VAl.

  3. não voto em Lisboa, mas também não acredito que os lisboetas se tenham esquecido do “rasto” que ficou um pouco por todo o lado. as sondagens valem o que valem…

    eo problema é que ele sempre teve grandes amigos na comunicação social, dos Delgados aos Ferreiras, capazes de “varrerem a porcaria” para debaixo do tapete…

  4. Espero que tenham assistido à tomada de posse em directo. As gravatas dos ministros eram lindas! Azuis, vermelhas, verdes, às riscas. A do Sócrates era vermelhinha. A cara do Cavaco era cara de enterro, tipo terracota molhada.

  5. A Memória da Água

    Se calhar temos mas é uma pulsão inconfessável, no nosso imaginário colectivo, para o déjà vu, adicionados a revisitar, recorrentemente, o que esquecemos num fósforo. Como o simpático esquilo, ainda vamos lançados no ar (com donaire) e já nos esquecemos de onde partimos, que é preciso cheirar de novo. Pelo sim, pelo não, é melhor voltar tudo á estaca-zero.
    Ou então é um problema homeopático. Sim, homeopático. Não há negócio tão florescente (pedindo meças à amigável dízima do reino de deus ou à cientologia do cruise, coitado) como este, que apenas pede que se acredite numa verdade como as casas: que a água, uma molécula de oxigénio e duas de azoto) tem memória. Ponto. Por mim prefiro ter fé no Avogadro.
    Claro que é legítimo, entorse homeopática àparte, falar-se, nesta problemática, em memória da água, que nunca apareceu tão irrompente. Corria, despreocupado, o ano de 2004. Do úbere solo pátrio brotavam, com alegria indecente, olhos de água por toda a parte. Havia quem dissesse que a elevação do nível freático é que era a responsável. Ao menos ter-se-ia elevado qualquer coisa. Vedores, de forqueta desaustinada, falavam em assombração. Que era espectáculo, era. E o certo é que aquela gente [que agora afiança que não baixa os braços] nos poupava, nesse domínio, ao sovaco acumulado, que com a quase canícula que já está, é um verdadeiro suplício. Ao menos então era de Calvin Klein para cima (e , se calhar, para baixo).
    Quem não tem saudades, do então, irrepreensível e transparente SIRESP de sanches? Dos vinte mil centímetros submarinos, indispensáveis para garantir a nossa perigosa deriva para o maelstrom das grandes obras públicas, do ontologicamente dubitativo portas, mas então, de um modo bem promissor, muito bem visto por rumsfeld, ah pois? Da embaladora atracção (qual borboleta nocturna na vizinhança de uma lâmpada) pelo frenético, hiperactivo e enciclopédico félix? De seabra (oh, que saudades…) cujo código seabria mas cujas aulas (sim, dos simpáticos alunos e respectivos encarregados de educação) não seabriam, malvadas, mas a senhora esforçava-se, esforçava-se? Do sarmento, hoje barbaramente escarmentado pelo cruel e desumano santos silva, que não compreende que peripatético nada tem de aristotélico e caminhante mas sim de excesso de patetismo ou patetada: per (excesso) patético (um pouco mais de azul, um pouco mais de beethoven, eu era brasa) ou seja, patético (convenientemente surdo) até dizer chega, até derreter os untos? E por aí fora, por aí fora. Uma última reminiscência, uma só. Saberá o leitor, agora de ciência certa, certinha, não de feitiçaria, que, quando lê o aspirina está a inalar pelo menos uma das moléculas que, no ano da graça daquele ano de 2004, segundo dia do mês natalício, o menino guerreiro expirou, voltando-se para trás, pró chaves e dizendo,como últimas palavras (serão?): também tu, meu bruto? Que eram, eram. Mas só a água é que se lembra. E o heráclito, em matéria de pontes e da peripatética água, era um impenitente optimista (sugestão bondosa:fazer figas de imediato e, pelo sim, pelo não, bater forte na madeira).

  6. Esta perseguição ao mano Sócrates tem de acabar, Já!- insurjo-me eu, enquanto com a outra mão coço os tomates. Siga-se esta pista da Grande Loja do Enredo, com punhal, facada e avental, Parte II:

    “A 6 de Março de 2005, seis dias antes da tomada de posse do novo governo socialista, Abel Pinheiro ligou ao irmão social-democrata Rui Gomes da Silva, ex-ministro dos Assuntos Parlamentares do governo de Santana Lopes. Na conversa gravada, os dois concordavam que José Sócrates (que tomaria posse a 20 de Março) estava a prejudicar a irmandade do GOL, não nomeando nenhum maçom para lugares de decisão política. O diagnóstico incluía outro ponto: a afronta iria deixar vulnerável o futuro governo. Nessa conversa, Abel Pinheiro chegou a dizer que a maçonaria era o verdadeiro poder no País, anunciando de seguida que acabara de ser iniciado o socialista José Magalhães (actual secretário de Estado da Administração Interna). E referiu-se à sua loja, a Convergência, como “O Gabinete”, nome pelo qual era conhecida durante os governos de António Guterres”.

    (Da “Sábado”).

  7. Uma de oxigénio e duas de azoto nem dá bem para o ar que respiramos. Mas também não tem grande importância. A memória deve residir nas 2 de hidrogénio, imagino, e a falta de memória no seu desaparecimento. O azoto é para disfarçar.

  8. E vai uma aposta que o dito ganha Lisboa? Palavra de honra que, em anos da minha vida (e nada de grandes esticanços), nunca vi nada assim: nem um político tão hábil na técnica da ressurreição, nem um povo tão desmemoriado.

  9. “Uma de oxigénio e duas de azoto nem dá bem para o ar que respiramos”.

    Ó Cidadão residente, nessa citação estás a prestar uma homenagem ao sexo fraco ou a falar por “hieróglifas” químicas?

    E põe-te a pau: já há avogadros mais bem informados que tu a repensarem as “maluquices” do Benveniste sobre a memória da água.

    E não se trata dum “negócio florescente”, como a política ou as actividades bancárias. Essa da água lembradora é uma teoria, sim, pois, evidentemente, precisamos ser claros a esse respeito, não vá alguém confundir a investigação do principio curativo do fármaco com os lucros da indústria. By the way, os maçonos estão metidos nisso até ao gargalo. Desde o princípio. Onde anda dinheiro….

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