Elisa Ferreira, anda cá

Anda cá que o nosso amigo Acácio Lima pediu-nos para te entregar esta carta.

Sugiro que seja lida até ao fim, pois tem um ps que falará ao coração (ou às tripas) do PS.

E ainda acrescento que, caso Alegre esteja com este número, sobre o qual versa a epístola, a cobrar a eventual reentrada na lista de deputados, isso ficará como uma grande borrada do Rato. Espero estar a passar por imbecil com a mera suposição do cenário.

12 thoughts on “Elisa Ferreira, anda cá”

  1. Deus te abençoe, Valupi, por me teres dado a ler esta carta. Ouvir uma voz cristalina, ainda por cima saída do meio do turbilhão de uma velhada rasca que ficou agarrada aos preceitos, conceitos e preconceitos da sua época, tira-me da depressão que vinha sofrendo.
    Bem hajas, amigo Valupi. Esta valeu bem mais que todos os impropérios que arremessaste contra os trastes da nossa praça..

  2. O Acácio tem pelo menos dois amôres: a Elisa Ferreira e a Maria de Lurdes Rodrigues, a quem chama a sua Dulcineia. Só que ambas são morenas.
    E quem o conhece sabe como ele é certeiro, desassombrado, frontal, de antes quebrar que torcer.

    Esta coisa das duplas candidaturas é tramada: quando aparecem duas pessoas (neste caso mulheres, Elisa Ferreira e Ana Gomes) que anunciam previamente que concorrem a dois lugares (para cujo preenchimento ambas têm amplíssima qualificação) aqui d’el rei que o que querem é segurar mordomias europeias (há alguém que acredite que, por exemplo a Ana, foi assim que mereceu a distinção de ser a deputada mais produtiva do Parlamento Europeu ainda este ano? Ou que foi apenas por acaso que Elisa Ferreira foi a primeira mulher (ou das primeiras) a doutorar-se na Universidade do Porto?).
    No entanto a opinião pública, ou publicada, aceita, sem pestanejar, que outros, outras, calados e bem calados, no momento das eleições, mudem radicalmente de ideias e desempenhem cargos que nunca anunciaram previamente.

  3. Acho piada a estes «socialistas» pós-modernos que ao mesmo tempo que acusam os outros de serem «reaccionários» e «conservadores» entendem que o «socialismo» se constroi pela assimilação de princípios neoliberais, como os que estão materializados no código do trabalho (e que há 4 anos era, para estes mesmos «socialistas», urgente revogar), na organização hierarquizada da escola e na subordinação do ensino à gestão tecnocrática e burocrática e ao economicismo, e para quem os protestos dos trabalhadores e professores contra esta neoliberalização da sociedade e das relações sociais e laborais são reacções de grupos corporativistas (como há 30 anos a grande «socialista» Thatcher avisou). Realmente, esta carta revela a ignorância de alguém no que diz respeito à teoria política, mas essa é a ignorância do seu autor. A ignorância, ou então a impostura a que este novo PS «moderno» já nos habituou.
    O autor ignorante (ou impostor) diz-nos que os modelos sociais que foram sendo construidos ao longo do século XX já não são sustentáveis, e que por isso é necessário «avançar» no sentido da sua destruição gradual (deixemo-nos de eufemismos «socialistas»), talvez no sentido daquilo que existia no século XIX, ou então no século XX português salazarista em que como é sabido o défice estava controlado, as despesas estavam sempre abaixo das receitas, mas as pessoas também não tinham os direitos sociais que o dito autor entende serem anacrónicos e retógrados nos dias que correm. Mas os salazaristas e aliados da direita, depois, são os outros!
    Dentro da mesma linha de argumentação surge a sua defesa das «reformas» da escola, que deve deixar de ser «mínima», até porque disso estaria dependente a socialização das crianças. Mas de que socialização fala o ignorante? Da «socialização» que substitui os pais nas suas funções educativas próprias? Da «socialização» que fecha as crianças na escola o dia todo (até porque o horário laboral mais «flexivel» e precário dos seus pais não lhes permitirá ter a disponibilidade e dar a atenção que elas deviam ter) impedindo-as, assim, de serem crianças ? Da «socialização» que nega às crianças o ensino pleno a que têm direito (isto é, aprenderem), por forma a «prepará-las» para o que «interessa», para o tal novo modo de produção, isto é, para serem a futura mão-de-obra barata sem capacidade crítica ou poder de reivindicação, mas sempre obediente e ignorante?
    O autor ignorante (ou impostor) desta carta é mais um exemplo daqueles «modernistas» que sacrificam valores e princípios em nome da conquista do poder (ou dos tachos) e para quem a política é continuação da carreira profissional por outros meios. É a política esvaziada de ética e de ideologia e dominada pelos «artistas» da publicidade e do marketing e pelos tecnocratas.

  4. ds, ainda acrescento mais. A recorrência do adjectivo “salazarento” para acusar o poeta soa mal numa carta em se tropeça frequentemente no desusado e arcaizante “Minha Senhora”. “Minha Senhora” não é uma expressão salazarenta?

  5. Quanto mais falam, ou escrevem, mais se enterram. Gostaria que houvesse um PS, partido ou ideia, para que ainda pudesse olhar pelo menos como uma esperança da esquerda. Esquerda de que hoje estão tão longe, e a quem tanta falta fazem: muita hoje, mais ainda no futuro. Mas o pessoal que por lá anda, e que de lá fala, não ajuda mesmo nada.

  6. Bem, pelo menos para já, e tendo em conta que vivo e votarei no Porto nas próximas eleições a Elisa Ferreira não existe. Tirando a ideia demagoga e imbecil de manter o nojo do Bairro do Aleixo, não lhe conheço nada de substancial quanto ao que pretende para a cidade. Quanto ao Bloco de Esquerda, valha-me Deus, essa gentalha até mete dó. A coligação de Direita arriscar-se-ia a levar com o meu voto na urna, não fosse a CDU contar com um senhor que muito impunemente considero o mais digno político autárquico do universo: Rui Sá. Ou seja: acho bem que a Elisa atine para gerir a CMP com a CDU, perdão, com o Rui Sá.

  7. Com o devido respeito pelas opiniões alheias, penso que a divulgação desta carta “rouba” muitos mais votos ao PS, ao engenheiro Sócrates e à candidata Elisa Ferreira do que qualquer crítica do Manuel Alegre.
    Mas, por mim, esteja à vontade!

  8. «“Minha Senhora” não é uma expressão salazarenta?» (claudia dixit)

    Não me parece, minha menina (?). “Minha Senhora” é apenas uma expressão bem-educada e o 25 de Abril (que eu felizmente vivi) serviu “apenas” para derrubar a Ditadura, não para abolir as boas maneiras…

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