O enigma Dias Loureiro

[…] Aquilo que eu vou lutar, obviamente, é para dizer aquilo que é a minha ideia concreta: que eu não cometi nenhuma irregularidade. Eu pude dizer ao Sr. Magistrado que eu só hoje é que percebi alguns contornos deste, sobretudo do negócio da Biometrics, que me passaram completamente ao lado. E, por fim, fui confrontado com documentos que eu nunca tinha visto, nunca tinha conhecido. Mas, portanto, eu aceito as coisas como elas são. E agora devo, tenho pela frente, há um longo caminho e eu vou, obviamente, naturalmente, defender aquilo que eu penso que é, que é que eu não fiz nenhuma irregularidade…

Dias Loureiro, no dia em que, finalmente, lhe explicaram o que andou a fazer

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Sou daqueles que acredita piamente em Dias Loureiro. Por isso lhe quero manifestar pública solidariedade, coisa que não vejo a direita ranhosa fazer. A direita ranhosa utiliza invariavelmente o mesmo estratagema para lidar com as abundantes cagadas que produz: finge que a merda não existe. É a sua pulsão kitsch, tal como o definiu Kundera (ah, pois). Isso deixa o 2º arguido no caso BPN/SLN sem amigos, o que me parece homérica injustiça. É que ele já entrou na História como uma das mais extraordinárias figuras da política nacional. Como é que alguém cujos limites cognitivos estão à vista de todos, que admite candidamente passarem-lhe ao lado aspectos técnicos, legais e morais da sua actividade profissional, que exibe uma amnésia num grau já muito avançado, e que provavelmente sofre de Desordem por Défice de Atenção com Hiperactividade, chegou a dirigente do PSD, ministro de Cavaco, elemento do núcleo duro do PSD durante anos e anos, empresário de súbito e estranho sucesso e conselheiro de Estado?

Há um enigma a rodear este ser de excepção. Como seria bom, magnífico, haver alguém capaz de falar verdade a seu respeito, contar os segredos de tão extraordinárias façanhas para nossa ilustração e encantamento. Alguém que colocasse a ética e a transparência nos negócios num plano superior e normativo. Alguém que tivesse assumido a missão de falar verdade aos portugueses, por exemplo. E é possível, apesar da elevada improbabilidade, que uma entidade assim exista à nossa volta, no mundo dos vivos, e não apenas na doce imaginação. É procurar.

8 thoughts on “O enigma Dias Loureiro”

  1. Penso que fazes bem em ser solidário com o Dias Loureiro, pois afinal devemos ajudar-nos uns aos outros, e se há um ano o sem amigos Loureiro até foi um gajo porreiro nos elogios que fez ao «menino doirado», agora está na altura de lhe retribuir o favor.
    Estou também de acordo contigo quando dizes que ele tem «défices cognitivos» e que sofre de «amnésia»: então não é que o tipo disse que o Pinto de Sousa era «generoso», «sensato», «corajoso» e que era alguém que está atento aos «detalhes», como só os «grandes homens» estão?
    Ou será que o que ele quis dizer foi que os «grandes homens» descobrem-se pelo nº de fatos Armani que vestem e pela atenção que dão à sua imagem e máscaras televisivas que usam? E que ser «generoso» é nacionalizar as dívidas e prejuízos de bancos como o BPN? E que ser «corajoso» é fazer tábua rasa das suas promessas eleitorais, rasgando assim o «contrato» que fez com os eleitores? E que ser «sensato» é associar-se a gajos com influência e poder, como era o caso dele há um ano e como é o caso de outros tipos «muita fixes» como o Júdice e o Proença de Carvalho?
    Se calhar foi isto que ele quis dizer, mas se foi então está resolvido o enigma: aquilo que rodeia ou rodeava o Loureiro e permitiu a sua ascenção, é exactamente o mesmo que rodeia o PInto de Sousa. O Pinto de Sousa é pois o tipo indicado para nos falar do seu amigo de oiro de há um ano atrás…

  2. Já tínhas o atrasado mental do Olho a mijar no tapete, agora tens o ds Boca de Sapo a cagar na cortina. Estás feito, Valupi. Olha, faz-lhes uns cornos, que é o que eles merecem.

  3. ds, parabéns. Excelente comentário.
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    JCV, concordo contigo. Embora também seja legítima a construção com o singular.
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    Pinho Verde, são todos bem-vindos. Andamos todos ao mesmo.

  4. Excelente, só?! E então o «brilhantíssimo», «profundíssimo» e «originalíssimo», esqueceste-te é?

  5. De facto, acho estranho esse sr ter sujeitado o PR ao vexame.
    Espero que agora o PR diga qualquer coisa, pelo menos, que estava ou foi enganado!

  6. Distribuído por email

    Um bom símbolo da nossa miséria é o casamento entre a filha de Dias Loureiro, amigo íntimo de Jorge Coelho, e o filho de Ferro Rodrigues, amigo íntimo de Paulo Pedroso, irmão do advogado que realizou a estúpida e milionária investigação para o Ministério de Educação e amigo de Edite Estrela que é prima direita de António José Morais, o professor de José Sócrates na Independente, cuja biografia foi apresentada por Dias Loureiro, e que foi assessor de Armando Vara, licenciado pela Independente, administrador da Caixa Geral de Depósitos e do BCP, que é amigo íntimo de José Sócrates, líder do partido ao qual está ligada a magistrada Cândida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, que está a investigar o caso Freeport.
    Talvez isto ajude a explicar muito do que se passa com a Justiça, a Economia, a Educação. Sobre a Educação, a minha área, vale a pena pensar um bocadinho. José Ricardo Costa, professor

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